
Eduardo Cunha articula a destituição do deputado Leonardo Picciani do posto de líder do PMDB. Faz isso em resposta à pretensão do correligionário de substituí-lo na presidência da Câmara. “Se o Picciani quer disputar outros cargos, temos que escolher um novo líder para a bancada”, disse Cunha, em conversa com Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB.
Cunha encontrou-se com Temer na noite de quarta-feira (4), no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice. Estava irritado com a presença em Brasília de Jorge Picciani, presidente da Assembléia Legislativa do Rio e pai de Leonardo Picciani. Sabia de cada passo do patriarca dos Picciani na cidade.
Segundo Cunha, Jorge Picciani estivera horas antes com Dilma Rousseff e com o coordenador político do governo, ministro Ricardo Berzoini. Encontrara também o mensaleiro Valdemar Costa Neto, mandachuva do PR. Em todas as conversas, tratara dos planos de acomodar o filho no comando da Câmara.
Ex-aliado de Leonardo Picciani, Cunha informou a Temer que iniciará os contatos para apeá-lo da liderança. “Se o Picciani quer disputar outros cargos, é sinal que não deseja mais ser líder”, disse. Parte da conversa foi testemunhada por dois peemedebistas do grupo de Temer: o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) e o ex-ministro Moreira Franco, hoje presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço acadêmico do PMDB.
Cunha informou que chamará para conversar representantes da bancada do PMDB de Minas Gerais. Um dos peemedebistas mineiros, Leonardo Quintão, almeja tornar-se líder. Outro nome que está na fila é o do baiano Lucio Vieira Lima, que disputou a liderança com Picciani em fevereiro e perdeu pela diferença de um voto.
RELATOR
Eduardo Cunha celebrou, em privado, a escolha do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) como relator do processo de cassação que corre contra ele no Conselho de Ética da Câmara. Em reunião com aliados, o presidente da Câmara analisou as alternativas de nomes à disposição no conselho. E concluiu que Pinato seria, do seu ponto de vista, uma boa escolha.
As normas do Conselho de Ética impedem que o relator seja do mesmo partido e do mesmo Estado do acusado. Nessas circunstâncias, Cunha avaliou com os integrantes do seu grupo que Pinato seria um relator conveniente porque é filiado ao amistoso PRB, foi puxado para a Câmara graças à megavotação do aliado Celso Russomano (SP) e é evangélico como ele.
Em público, Cunha simulou indiferença. “Já disse que para mim é indiferente qualquer um dos escolhidos. A mim cabe me defender e provar a inocência do que está saindo na representação”, disse, nesta quinta-feira.
Que país meu Deus,uma verdadeira republiqueta de bananas!