RIO – A defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) para tentar anular o processo em que foi condenado, em março, pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Cunha entrou com recurso de Exceção de Suspeição Criminal e quer que o juiz seja considerado suspeito no julgamento da ação penal contra ele.
Em 24 de março deste ano, dias antes da condenação de Cunha, a defesa do ex-presidente da Câmara já havia feito um pedido a Moro para que juiz avaliasse a possibilidade de não julgar o caso. Entre as alegações da defesa de Cunha estavam a de que o juiz seria parcial, que o cumprimento da prisão preventiva dele havia sido “amplamente noticiado pelos veículos de informação” e que Moro havia negado que testemunhas do deputado que moram fora do país fossem ouvidas. O magistrado negou a solicitação do ex-presidente da Câmara.
“Embora seja direito da parte utilizar todos os instrumentos legais para sua Defesa, deve ser criticado o manejo de expedientes manifestamente improcedentes no processo penal, máxime o questionamento da parcialidade do Juízo sem que haja qualquer motivo minimamente concreto”, escreveu Moro na época.
O recurso aguarda um parecer do Ministério Público Federal (MPF). O órgão tem 30 dias para se pronunciar sobre o caso. O relator será o desembargador João Pedro Gebran Neto da 8ª turma do TRF-4. Após o parecer do MPF, o pedido vai a julgamento. Caso Sérgio Moro seja considerado suspeito, todo o processo contra Eduardo Cunha é anulado. Caso contrário, de acordo com Ticiano Figueiredo, advogado do deputado cassado, o processo segue normalmente.
O Globo

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