Finanças

Delator revela como Renan e seu grupo receberam R$ 5,5 milhões do petrolão

CvUI1NhWgAAJoutFoto: José Cruz/ABR

Na badalada Rua Farme de Amoedo, na zona sul do Rio, funcionou até 2007 o restaurante Chez Pierre, no anexo do Hotel Ipanema Plaza. Ali, diante de um cardápio que reunia 102 pratos, Felipe Parente, o homem da mala dos senadores do PMDB, encontrou-se mais de uma vez com Iara Jonas, assessora do Senado, uma senhora de aspecto distinto, sempre elegante. Não afeita a rodeios, sucinta, Iara apenas pegava envelopes, outras vezes sacolas, com o dinheiro que lhe repassava o empresário cearense, parceiro do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado. ÉPOCA teve acesso a depoimentos sigilosos de Parente prestados a procuradores do Grupo de Trabalho da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República. O conteúdo fornece a prova mais robusta até agora contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os detalhes revelados pelo delator impressionam. Ele conta que, certa vez, Iara se mostrou apreensiva com o volume de dinheiro. “QUE ao receber a sacola, IARA pegou os envelopes e os separou em duas sacolas e também na sua bolsa; QUE, na ocasião, IARA comentou que estava apreensiva por ter que pegar um voo com o dinheiro em espécie recebido do depoente”, relatou Parente. Nos depoimentos (leia trechos abaixo), o empresário fornece o roteiro, como protagonista, de supostas captações de propina junto a empreiteiras do petrolão, em endereços precisos, as circunstâncias e locais dos cerca de 15 encontros que teve com Iara, identificada por ele como a interlocutora exclusiva das propinas endereçadas a Renan e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA). O depoimento de Parente é peça-chave na estrutura narrativa que a PGR monta para caracterizar o envolvimento de Renan com o petrolão. Com a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, percebeu-se a força da metodologia da PGR. Na fundamentação de sua decisão, o juiz Sergio Moro elencou uma dúzia de casos e resultados de investigações que foram conduzidas pela equipe que despacha com o procurador Rodrigo Janot. Leia mais sobre as revelações inéditas do correio da propina do PMDB na edição impressa de ÉPOCA que irá às bancas a partir de amanhã.

No cerco ao presidente do Senado, os relatos de Parente trazem informações que corroboram e dão materialidade às afirmações de Sérgio Machado sobre o loteamento da Transpetro entre os senadores do PMDB, em troca do abastecimento de suas contas por meio de propina paga por prestadores de serviço da empresa estatal. Mais do que isso, os trechos obtidos por ÉPOCA preenchem as lacunas deixadas pelo ex-presidente da estatal e seus três filhos, Daniel, Expedito e Sérgio, nos acordos de colaboração premiada firmados com a PGR. Os repasses relatados pelo delator até este momento têm como origem as empreiteiras Queiroz Galvão e UTC, e a empresa de afretamento de navios Teekay Norway, que chegou a dispor de sete embarcações de transporte de petróleo em alto mar exclusivamente contratadas pela Transpetro.

Ao todo, segundo os trechos verificados por ÉPOCA, as três empresas repassaram R$ 5,5 milhões ao presidente do Senado e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) entre 2004 e 2006 – R$ 11 milhões em valores atualizados. Parente, que até 2004 era uma espécie de “faz tudo” da empresa de materiais didáticos de Daniel Machado, filho de Sérgio, passou a manusear cifras milionárias e a interagir com altos executivos das maiores empreiteiras do país. Recebia 5% do valor que transportava entre empresas e intermediários de políticos. No caso da Queiroz Galvão, que, segundo Parente, desembolsou R$ 3,5 milhões em espécie com o objetivo de abastecer os cofres de Renan Calheiros e Jader Barbalho, as tratativas se davam diretamente com o então presidente da empresa, Ildefonso Colares, hoje em prisão domiciliar depois de ser diagnosticado com câncer. Para ser recebido na presidência da companhia, uma senha lhe era pedida: a palavra “lua”. “QUE os repasses da QUEIROZ iniciaram em 2004 e perduraram até 2006; que SERGIO MACHADO chamou o depoente até a seda da TRANSPETRO e pediu que o depoente fosse até a sede da QUEIROZ para receber valores que seriam destinados aos Senadores RENAN CALHEIROS e JADER BARBALHO; QUE o depoente foi até a sede da QUEIROZ, foi recebido pelo Sr. IDELFONSO, que lhe orientou a ir até a Rua da Quitanda, nºs 50 a 80, numa determinada sala e dissesse a senha Lua”, relata o delator.

Com os calhamaços de dinheiro em mãos, Parente partia para a execução da entrega, no Rio de Janeiro e em São Paulo – nunca em Brasília. O recebimento era feito por Iara Jonas, uma senhora de 64 anos funcionária do gabinete de Jader Barbalho no Senado. Nas palavras do delator, Iara fazia as vezes de receptora não só para o patrão, mas também para Renan Calheiros. Moradora da capital federal, a assessora fez dez viagens ao Rio de Janeiro para receber entregas de R$ 350 mil, em sacolas, em nome de Jader e Renan. Os encontros aconteciam no flat em que o delator se hospedava no bairro do Leblon, ou no hotel Ipanema Plaza, ambos na zona sul do Rio. “QUE o depoente levou a sacola com dinheiro para o flat; QUE depois IARA entrou em contato com o depoente; QUE foram mais ou menos 10 repasses da QUEIROZ para os senadores JADER e RENAN; QUE em todas as dez vezes, foi IARA que recebeu os recursos destinados tanto ao Senador JADER, quanto ao senador RENAN”, informa o documento assinado por Parente.

A atuação da assessora de Jader em nome de Renan foi verificada pelo delator em todos os repasses feito por ele com destino ao caixa do peemedebista. No caso dos pagamentos da UTC, a mesma dinâmica se repetia: Ricardo Pessoa, então presidente da empresa, comandava a contabilidade do propinoduto. Entre o segundo semestre de 2005 e o início de 2006, Parente recebeu ligações do próprio Pessoa com o objetivo de agendar reuniões para a liberação do dinheiro. O valor fixado, dividido em quatro parcelas, era de R$ 1 milhão. Sob orientação de Sérgio Machado, Parente executou a entrega. As duas primeiras parcelas iriam para Renan e Jader, enquanto os R$ 500 mil restantes teriam como destinatário Daniel Machado, filho de Sérgio. Em delação premiada homologada em maio, Daniel relatou aos procuradores que, em 2007, recebeu uma transferência de R$ 500 mil da empresa Destak, da qual Felipe Parente era sócio. Além desse valor, o filho de Sérgio Machado também contou ter recebido R$ 1,5 milhão em espécie, pagos por Felipe, a pedido de seu pai, para ajudar nas finanças de sua empresa de materiais didáticos. A fatia dos senadores vinda da UTC também foi recebida por Iara, que viajou a São Paulo para recolher o dinheiro. Ao relatar a propina da UTC aos procuradores, Parente foi preciso: “QUE todas as vezes que o depoente intermediou recursos destinados ao Senador RENAN CALHEIROS foi IARA quem se apresentou para receber tais valores; QUE nunca foi procurado por outra pessoa ligada ao Senador Renan Calheiros”.

O primeiro contato entre Felipe Parente e Iara ocorreu no segundo semestre de 2004, quando o delator repassou a primeira de quatro parcelas que totalizavam R$ 1 milhão em propina pagos pela Teekay Norway em nome de Renan e Jader. No primeiro pagamento, feito em seu flat no Rio de Janeiro, Iara se identificou como receptora dos “envelopes” de Jader. No repasse seguinte, cujo destinatário era Renan Calheiros, Parente deparou-se novamente com Iara, que voltou ao Rio para receber a segunda fatia de R$ 250 mil, dizendo ser a representante do presidente do Senado. “QUE, depois do depoente receber a segunda parcela do Sr. Tobias, uma mulher ligou para o depoente e disse que estava ligando para receber os recursos do Senador Renan; QUE quando esta pessoa foi até o flat do depoente, este identificou que se tratava da mesma IARA que fora receber os recursos destinados ao Senador JADER; QUE IARA também desta vez subiu até o quarto do depoente num flat, salvo engano, no Leblon; QUE o depoente questionou IARA, mas ela disse que era isso mesmo, que se tratava do mesmo assunto; QUE o depoente informou então a SERGIO MACHADO dobre o ocorrido e ele disse que era isso mesmo”, relatou Parente.

Em seu primeiro encontro com Parente, Iara mostrou-se apreensiva com a quantidade de dinheiro que teria de carregar em voo, em nome de Jader, e pediu que as próximas parcelas fossem pagas em São Paulo. O pedido não foi atendido, já que a assessora voltou ao Rio para receber a segunda parcela em nome de Renan e também fez inúmeras viagens à capital fluminense para receber os valores da Queiroz Galvão. São Paulo foi o local de recebimento apenas dos “envelopes” da UTC, já que ali ficava a sede da empresa. Informações do sistema de transparência do Senado consultadas por Época mostram um padrão curioso entre Iara e seu chefe, Jader Barbalho. As constantes viagens da assessora à capital paulista sempre precedem as idas do senador. A última delas ocorreu em maio deste ano, quando Iara viajou de Brasília a São Paulo no dia 3, aguardando a chegada de Jader no dia 4. Ambos voltaram juntos para Brasília em voo comercial da TAM, em 6 de maio.

Sérgio Machado foi massacrado publicamente por Renan Calheiros quando sua delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sequência de uma série de gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro e divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo, que expunham os maiores caciques do PMDB e causaram a queda do então ministro Romero Jucá. O presidente do Senado classificou as gravações de “fantasiosas” e que o conteúdo “não prova nada”. No texto entregue aos procuradores, Machado disse que, ao entrar na Transpetro apadrinhado por Renan, rapidamente passou a receber pedidos vindos do peemedebista. “QUE uma vez no início da minha gestão em 2004, 2005 ele me falou das dificuldades em manter sua estrutura política e perguntou como eu podia ajudar; QUE então definimos que eu faria repasses de valores ilícitos que iria buscar através dos fornecedores parceiros da TRANSPETRO; QUE estava muito no início da TRANSPETRO, ainda tomando pé da empresa que naquele momento tinha uma capacidade de investimento muito reduzida”, afirmou Machado aos procuradores.

A entrada do hoje delator, Felipe Parente, no esquema de corrupção coincide com o aumento dos repasses aos peemedebistas, que diziam precisar de recursos para drenar suas bases eleitorais nos anos de 2004 e 2006, nas eleições municipais e presidenciais. “QUE nas eleições de 2004 e 2006, com a pressão que estava recebendo, eu precisei recorrer a pessoa de confiança que pudesse operacionalizar recebimentos e pagamentos a políticos; QUE eu então procurei o executivo chamado FELIPE PARENTE, que trabalhava com meu filho DANIEL, e havia sido tesoureiro na minha campanha ao cargo de governador, em 2002; QUE a minha atuação era tratar diretamente com os donos da empresa (cujos nomes constam em anexos específicos de cada uma das empresas) que realizavam os pagamentos dos recursos a serem repassados”, disse Machado, ao relatar aos procuradores o histórico de sua relação com Renan Calheiros. “QUE uma vez por mês tratávamos de recebimentos de RENAN CALHEIROS mensais ou bimensais, que eram variáveis”, afirmou o ex-presidente da Transpetro. Sem conseguir detalhar com precisão a operacionalidade do pagamento de propina, a delação de Sérgio Machado foi vista com descrédito por seus ex-aliados do PMDB. Mas seu filho Daniel, no acordo firmado com procuradores, foi taxativo: “Felipe poderá detalhar os fatos narrados por meu pai”. Agora, revela ÉPOCA, sabe-se que Felipe cumpriu o vaticínio dos Machado. Pior para Renan Calheiros.

O senador Jader Barbalho negou que conheça Felipe Parente e que tenha recebido repasses provenientes de tais empresas por intermédio dele. Renan Calheiros não havia respondido aos pedidos de informação até o fechamento da reportagem. Suas declarações serão acrescidas no decorrer do dia. A Construtora Queiroz Galvão divulgou nota por ocasião da delação de Machado, em que diz que não comenta investigações em andamento, e acrescentou que “as doações eleitorais obedecem à legislação”. Representantes da Teekay não foram localizados pela reportagem. Iara Jonas foi procurada, mas não retornou o pedido de entrevista até a publicação da reportagem. Felipe Parente, como colaborador em tratativas com a PGR, não pode se manifestar.

Época

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/10/delator-revela-como-renan-e-seu-grupo-receberam-r-55-milhoes-do-petrolao.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=post

 

Opinião dos leitores

  1. Renan é originário da mesma safra de Henrique Alves; ambos debutaram na política quando o antigo MDB ainda cabia num fusquinha.

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STF dá 15 dias para Soraya Thronicke e Lindbergh Farias explicarem acusação contra vice de Flávio Bolsonaro


Foto: Pedro Franca/Agência Senado – Kebec Nogueira/Metrópoles

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o deputado Lindbergh Farias (PT) apresentem, no prazo de 15 dias, novas informações sobre a denúncia de suposto estupro de vulnerável envolvendo o deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.

Soraya e Lindbergh apresentaram notícia-crime sem provas

A investigação teve origem em uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal em março. Na representação, os parlamentares afirmam ter recebido documentos que relatariam o estupro de uma adolescente de 13 anos, ocorrido há cerca de oito anos, mas não anexaram provas, alegando a necessidade de preservar a identidade da suposta vítima e do filho.

Na decisão, Gilmar Mendes determinou que Soraya e Lindbergh apresentem elementos que possam identificar os autores das mensagens citadas na denúncia, além de informações sobre ligações telefônicas mencionadas nos autos.

O caso ganhou repercussão durante a CPI do INSS, quando Lindbergh chamou Alfredo Gaspar de “estuprador” em um bate-boca no colegiado. Gaspar nega as acusações e, em abril, realizou um exame de DNA para antecipar a produção de provas e buscar o esclarecimento do caso.

Com informações de Metrópoles

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Plano de Governo de Álvaro Dias aposta em ajuste fiscal, municipalismo e retomada de obras para “endireitar” o RN

oto: diulgação

O Plano de Governo apresentado pela chapa Álvaro Dias e Babá Pereira (PL) para o período 2027-2030 parte do diagnóstico de que apenas 3% da receita do Rio Grande do Norte foi destinada a investimentos em 2025, o menor percentual do Nordeste. O programa propõe um pacote de medidas para reverter o quadro, com foco em equilíbrio fiscal, parceria com prefeituras e retomada de obras paradas.

A proposta central é a criação de um “Pacto pelo Equilíbrio Fiscal”, com metas públicas monitoradas por um Portal de Metas, além da retomada do Fundo de Equilíbrio Fiscal do Estado (Fundern), pensado como reserva para blindar o RN de crises futuras.

Um dos eixos mais explorados no material é o municipalismo. A candidatura de Álvaro Dias promete regularizar repasses às 167 Prefeituras do RN, criar consórcios públicos regionais e instituir uma agenda permanente de diálogo com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn).

No plano, Álvaro Dias usa a gestão em Natal como vitrine de resultados: cita a revisão do Plano Diretor, a modernização do licenciamento urbanístico, a engorda de Ponta Negra, o novo Mercado da Redinha e a criação do primeiro Hospital Público Veterinário da capital como exemplos de entregas concretas que pretende reproduzir em escala estadual.

Na saúde e na educação, o plano assume metas específicas: reduzir o tempo de espera por consultas e cirurgias com o programa “RN Saúde 2030” e reverter o último lugar do Estado no Indicador Criança Alfabetizada do MEC (48% das crianças alfabetizadas na idade certa, ante 84% no Ceará) por meio do “Pacto Potiguar pela Alfabetização”.

Já na segurança, a resposta ao aumento de 19,6% nas mortes violentas intencionais em 2025 — a maior alta entre os estados — é um plano integrado de enfrentamento ao crime organizado, com ênfase em inteligência, investigação patrimonial e integração entre polícias.

Álvaro Dias também apresenta um plano de “100 Primeiros Dias” com 22 ações objetivas, entre as quais o levantamento real das contas públicas, a criação de um calendário de obras estratégicas, a recuperação das rodovias estaduais mais críticas, melhorar o atendimento regional de saúde, estabelecer metas de redução da criminalidade por região e ações emergenciais de segurança hídrica.

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RECORDE NEGATIVO: Percentual de famílias brasileiras endividadas chega a 82% em julho de 2026; é o maior patamar desde 2015

Foto: Imagem Ilustrativa/gerada por IA

O percentual de famílias brasileiras com dívidas alcançou 82% em julho de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2015, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%.

O levantamento considera dívidas como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, crédito consignado, carnês e financiamentos de veículos e imóveis.

O número de famílias que comprometem mais da metade da renda com dívidas aumentou e chegou a 19%. Em média, os brasileiros endividados destinam 29,5% da renda mensal ao pagamento de débitos.

Baixa renda concentra maior endividamento

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 84,9% possuem dívidas, 38,5% têm contas em atraso e 17,8% afirmam não ter condições de quitá-las.

Já entre quem recebe mais de 10 salários mínimos, o endividamento chegou a 72%, enquanto o percentual de inadimplentes caiu para 15,1%.

Segundo a CNC, a redução da taxa básica de juros pode contribuir para diminuir o custo do crédito e facilitar a renegociação das dívidas nos próximos meses.

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CASO MARCO BUZZI: Pela primeira vez, STJ aplica perda do cargo a ministro por importunação sexual

Ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça — Foto: José Alberto/STJ

Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta quinta-feira (6), aplicar a pena de disponibilidade com perda do cargo ao ministro Marco Buzzi por violação de deveres funcionais em processo que apurou acusações de importunação sexual, assédio sexual e injúria. É a primeira vez que um ministro de tribunal superior recebe essa punição.

A decisão foi tomada por maioria absoluta e segue o entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que extinguiram a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima para magistrados.

Apesar da condenação, Buzzi permanecerá afastado e continuará recebendo remuneração proporcional até a conclusão dos trâmites legais. O STJ comunicará a Advocacia-Geral da União (AGU), que terá 30 dias para acionar o STF e pedir a perda definitiva do cargo e a suspensão dos pagamentos.

A defesa do ministro nega as acusações, afirma que ele é vítima de um conluio e informou que pretende recorrer da decisão ao Supremo.

As acusações

O processo analisou duas denúncias. A primeira é de uma jovem de 18 anos, que acusa Buzzi de importunação sexual durante uma viagem em Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano. A segunda é de uma ex-servidora do gabinete, que relatou episódios de assédio sexual e importunação entre 2023 e 2025.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os relatos das vítimas foram considerados consistentes e compatíveis com as provas reunidas na investigação.

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Em audiência pelos 10 anos do Agosto Lilás, Cristiane Dantas destaca avanços e reforça compromisso com a proteção às mulheres

A deputada estadual Cristiane Dantas reafirmou, nesta terça-feira (5), seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres durante audiência pública em comemoração aos 10 anos do Agosto Lilás, realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em um discurso marcado pelo balanço de uma década de avanços e pelos desafios que ainda persistem no enfrentamento à violência de gênero, a parlamentar destacou a importância de fortalecer as políticas públicas e a rede de proteção às mulheres.

Durante a audiência, Cristiane lembrou que o Agosto Lilás, instituído por meio de lei n° 10.066/2016, de sua autoria, nasceu para ampliar a conscientização sobre a violência doméstica e informar as mulheres sobre os mecanismos de proteção garantidos pela Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026. A parlamentar ressaltou que a iniciativa abriu caminho para outras políticas públicas importantes, como a Patrulha Maria da Penha, Lei n° 10.097/2016, que acompanha o cumprimento das medidas protetivas, e o programa Maria da Penha Vai às Escolas, Lei n° 10.330/2018, voltado à prevenção da violência por meio da educação. “Foi exatamente essa dura realidade vivida por tantas mulheres potiguares que me impulsionou a estar aqui. Eu abracei a causa das mulheres. Muito mais do que dar visibilidade, sempre procurei buscar soluções, criar políticas públicas concretas e acolher cada mulher que sofre”, afirmou.

Cristiane também destacou que sua atuação parlamentar resultou em cerca de 30 leis em vigor voltadas à proteção dos direitos das mulheres, além da criação da Procuradoria Especial da Mulher (ProMulher) e do Observatório da Mulher Potiguar contra a Violência. Ao defender a continuidade desse trabalho, reforçou que o combate à violência exige compromisso permanente. “Ainda perguntam se vamos falar sobre isso de novo. E eu respondo: sim. Porque ainda insistem em nos matar. Mas não vamos mais morrer caladas.”

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Câmara aprova por unanimidade projeto do ex-vereador Assis Oliveira que cria o bairro de Morro Branco em Natal

oto: reprodução

A Câmara Municipal de Natal aprovou nesta quinta-feira (6), por unanimidade, o projeto de lei de autoria do ex-vereador Assis Oliveira (PL nº 17/2012), subscrito pelo vereador Preto Aquino, que cria o bairro de Morro Branco. A matéria agora aguarda sanção do prefeito Paulinho Freire.

ASSIS OLIVEIRA

A área do mais novo bairro de Natal está localizada na porção norte do Bairro de Nova Descoberta. A aprovação do projeto visa facilitar a implementação de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, segurança e ordenamento do trânsito, entre outras necessidades.

De acordo com o projeto, o novo bairro de Morro Branco terá os seguintes limites: ao Norte, com a Avenida Alexandrino de Alencar; a Oeste, com a Avenida Salgado Filho; ao Leste, com o Parque das Dunas; e ao Sul, com a Rua da Saudade.

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Em meio a atrito com STF, Polícia Federal defende investigações em curso e diz que ”não se submete a interesses políticos”

Foto: Divulgação/PF

Em meio ao impasse com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota conjunta em defesa da autonomia e da independência da corporação.

No documento, os dirigentes afirmam que a credibilidade da PF, construída ao longo de 82 anos, é resultado de uma atuação técnica e independente, baseada em fatos, provas e nos mecanismos de controle previstos em lei.

“A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”, destaca a nota. Os superintendentes também defendem a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa da instituição.

Impasse com o STF

A manifestação ocorre após a Polícia Federal acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) contra uma decisão de André Mendonça que determinou o envio imediato de todas as informações e perícias do inquérito das fraudes no INSS aos autos, além de exigir que qualquer mudança na equipe de investigação seja comunicada previamente ao seu gabinete.

O caso envolve investigações sobre fraudes no INSS que também apuram supostas irregularidades atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Nos bastidores, o advogado-geral da União, Jorge Messias, articula uma reunião entre o ministro da Justiça, Wellington César, e André Mendonça para tentar reduzir a tensão entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro do STF.

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Política

Deputados criticam dívida do Governo do Estado com consignados e atraso no pagamento de aposentados e pensionistas

Foto: Adriano Abreu

A sessão ordinária na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), nesta quinta-feira (6), foi marcada pelas críticas dos deputados estaduais ao Governo do Estado. Um dos assuntos discutidos foi a dívida da gestão Fátima Bezerra (PT) com os consignados, que passa dos R$ 370 milhões.

Os deputados também manifestaram preocupação com o atraso no pagamento de julho dos aposentados e pensionistas, que não foi feito dentro do mês.

Os aposentados receberam os salários de julho apenas na terça-feira (4), enquanto os pensionistas receberam na quarta-feira (5). Em reunião com o SINSP (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta), na segunda-feira (3), os representantes do Governo do Estado indicaram que o atraso poderá se repetir na folha de agosto.

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Refinaria Clara Camarão reduz preço da gasolina em R$ 0,20

Foto: reprodução

A Brava Energia reduziu em R$ 0,20 o preço da gasolina A comercializada na Refinaria Clara Camarão, em Guamaré. Com o reajuste anunciado nesta quinta-feira (6), o litro passou de R$ 3,94 para R$ 3,74.

A redução ocorre uma semana após o combustível ter sido reajustado em R$ 0,04, quando o litro passou a custar R$ 3,94.

Já o diesel A S500 não sofreu alteração. O litro segue em R$ 4,81 na modalidade EXA e R$ 4,82 na modalidade LCT.

Os valores divulgados referem-se aos preços praticados na refinaria para as distribuidoras de combustíveis.

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Geral

Taveira Júnior destina mais de R$ 8,9 milhões em emendas parlamentares para fortalecer saúde e agricultura no RN

O deputado estadual Taveira Júnior (PSDB) tem números que atestam o trabalho em favor dos municípios a que se dedicou no mandato que agora tenta renovar. No seu primeiro ciclo como parlamentar, ele destinou mais de R$ 16 milhões em emendas parlamentares para investimentos em mais de 30 municípios de todas as regiões do Estado.

Dentre as áreas que tiveram prioridade, destacam-se saúde e agricultura. Os recursos contemplam desde a aquisição de ambulâncias, estruturação da atenção primária, equipamentos hospitalares e implantação de consultórios odontológicos, até ações de fortalecimento da agricultura familiar, perfuração de poços, corte de terra, irrigação e apoio à produção rural.

Na área da saúde, o parlamentar destinou R$ 5,2 milhões em emendas para 28 municípios e instituições, beneficiando cidades como Parnamirim, Galinhos, São Miguel do Gostoso, João Câmara, Nísia Floresta, São Paulo do Potengi, Passa e Fica, Jardim do Seridó, Macau, Angicos, Florânia e São José do Campestre.

Já para o setor agrícola, Taveira destinou R$ 3,7 milhões em recursos voltados ao fortalecimento da produção rural. Os recursos contemplam a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape), a Emparn, a Fetarn, cooperativas, associações e municípios como Vera Cruz, Serra de São Bento, Serra Caiada e Ielmo Marinho. Dentre as atividades financiadas, estão a aquisição de equipamentos, regularização fundiária, fortalecimento das cooperativas, além de incentivo à pesca e ao Projeto Ave Caipira.

“Mantemos nosso olhar e nosso empenho permanentemente dedicados à população e aos municípios. Dialogamos com prefeitos, vereadores, lideranças e diretamente com a própria população para definir os recursos necessários e atender as necessidades reais”, conta o deputado.

“Investir na saúde é garantir atendimento digno para quem mais precisa, enquanto fortalecer a agricultura significa gerar emprego, renda e desenvolvimento no campo. Continuaremos trabalhando para que as emendas que indicamos cheguem onde fazem a diferença na vida dos potiguares”, completou.

 

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