Especialistas atribuem escalada da violência à guerra de facções e descontrole nos presídios

Especialistas e as próprias secretarias de segurança dos Estados que registram as maiores taxas apontam que a violência sem freio tem pelo menos três explicações: o descontrole aos presídios, a guerra de facções e o tráfico de drogas.

Para o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sergio de Lima, a questão da violência no Nordeste está dentro de um contexto similar ao de todo o país. No entanto, diz, os três Estados que bateram recorde em assassinatos têm problemas carcerários graves.

“Quando a gente muitas vezes envereda dizendo que o problema é o crime organizado —e concordo que é, sim—, lembro que as principais organizações, incluindo PCC (Primeiro Comando da Capital), FDN (Família do Norte) e CV (Comando Vermelho) nasceram dentro das prisões”, afirma o especialista. “O Brasil não consegue resolver esse problema e está colocando em xeque investimentos de alguns anos em gestão de polícia. Só polícia não vai resolver.”

Para Lima, existem disputas marcantes no Nordeste pelo controle do fluxo da droga, de territórios e de quem controle das prisões. “Vários especialistas mostram que o crime organizado cresce na falta de ação do Estado nas prisões e, com isso, ganha poder até com controle moral de conduta. As periferias acabam sob julgo do crime organizado”, diz.