Foto: Simon Dawson / Bloomberg
O conselho de administração do banco Santander elegeu por unanimidade Ana Patricia Botín como nova presidente da instituição, após o falecimento de seu pai, Emilio Botín, segundo nota enviada na tarde desta quarta-feira à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV). “É a pessoa mais idônea dadas suas qualidades pessoais e profissionais, sua experiência, sua trajetória no grupo e seu unânime reconhecimento nacional e internacional”, afirma a nota.
“Nestes momentos tão difíceis para mim e minha família, agradeço a confiança do conselho de administração e assumo com total compromisso minhas novas responsabilidades. Durante anos trabalhei no grupo Santander em distintos países e responsabilidades e pude comprovar a enorme qualidade e dedicação de todos as nossas equipes. Continuaremos trabalhando com total determinação para seguir construindo um banco Santander cada dia melhor para nossos clientes, empregados e acionistas”, afirmou a nova presidente.
A maioria das fontes consultadas apostava que Ana Patricia assumiria o comando da instituição, um dos temas mais delicados que a morte de Emilio Botín havia suscitado. O falecido presidente já havia emitido um sinal claro de sua preferência na sucessão ao nomear Javier Marín como conselheiro delegado em abril de 2013, em substituição a Alfredo Sáenz. Marín, além de ser uma pessoa de confiança de Botín, pois ocupou o posto de secretário nacional durante anos, também trabalhou estreitamente com Ana Patricia e é considerado como uma pessoa próxima a ela. Sua nomeação foi o primeiro sinal do patriarca sobre qual caminho o Santander deveria seguir no futuro.
LONGA TRAJETÓRIA
A trajetória da Ana Patricia é longa no Santander. Foi nomeada pela primeira vez conselheira do banco em 4 de fevereiro de 1989. Desde 1992 é diretora geral e, agora, conselheira delegada da filial Santander no Reino Unido, que se tornou atualmente na principal divisão do grupo em termos de lucro. Esta é, certamente, uma boa carta de apresentação para a comunidade financeira internacional, caso ela seja confirmada na presidência do banco.
Ana Patricia sabe debater com os principais investidores do mundo, localizados na City londrina, assim como com as autoridades britânicas, consideradas as mais exigentes, após a crise financeira internacional. Também trabalhou nos Estados Unidos, quando passou um período no JPMorgan, entre 1981 e 1988, antes de se incorporar ao banco espanhol. Apesar disso, sua principal tarefa no mundo financeiro foi a presidência executiva do Banesto, cargo que ocupou entre 2002 e 2010, antes de se mudar para Londres. Também é conselheira não executiva da Coca-Cola Company.
Banqueiros familiarizados com o Santander sugerem que, com o fim da era Botín, a instituição se abre para uma renovação de parte do conselho, já que muitos de seus membros têm idade avançada. Também se espera uma mudança no comitê executivo, com um reforço das pessoas de confiança de Ana Patricia. No entanto, todos os movimentos deverão esperar os resultados dos testes de estresse, que serão anunciados no fim de outubro. Na ocasião, o regulador do setor bancário passará a ser o Banco Central Europeu (BCE), em substituição ao Banco de España, o que deixará a herdeira de Botín mais pendente dos diretores de Frankfurt do que dos de Madri. Assim, se confirmada, Ana Patricia assumirá num momento de transformação não apenas do Santander, mas de todo o setor bancário europeu.
O Globo
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