O presidente da Fifa, Joseph Blatter, responde a perguntas de jornalistas na sede da Fifa, no sábado – Ennio Leanza / AP
Nem mesmo a vitória na eleição que lhe garantiu o quinto mandato como presidente da Fifa deu a Joseph Blatter imunidade diante das acusações de corrupção que atingiram a entidade na última semana e resultaram na prisão de sete de seus principais dirigentes. O suíço de 79 anos — 40 deles na Fifa — se vê, cada dia mais, no centro do escândalo. Ontem, o governo da Grã-Bretanha sugeriu um boicote às próximas edições da Copa do Mundo como tentativa de pressioná-lo a renunciar. Na Europa, discute-se que Blatter pode ser convocado a prestar depoimento à Justiça suíça nos próximos dias sobre as Copas de 2018 e 2022.
Principal opositor a Blatter, o presidente da Uefa, Michel Platini, anunciou que a entidade se reunirá no próximo sábado, dia da final da Liga dos Campeões, para definir uma posição sobre a reeleição do mandatário. Platini já havia pedido a renúncia de Blatter e cogitado, segundo jornais europeus, o boicote da Uefa à Copa.
No sábado, Blatter partiu para o ataque. Ele minimizou as denúncias de corrupção, fez ameaças veladas a Platini e acusou os Estados Unidos de tentarem complô, como retaliação por ter perdido a disputa para sediar a Copa do Mundo de 2022, e tirá-lo do comando da Fifa. O governo americano conduz uma das investigações sobre ilegalidades em contratos da entidade no valor de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões), que levou à prisão dos dirigentes na última quarta-feira em Zurique, entre eles, o ex-presidente da CBF José Maria Marin.
A outra investigação foi aberta há dois meses por procuradores suíços e tem como objetivo esclarecer denúncias de compra de votos na escolha das sedes do Mundial na Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022. Ontem, a Justiça suíça anunciou que interrogou membros do comitê executivo da Fifa que votaram, em 2010, na escolha das sedes e não são residentes suíços. Pelo menos sete dirigentes, entre eles o ministro dos esportes da Rússia, participaram de uma reunião em Zurique no sábado e se encaixam nesta descrição.
Blatter e Platini também tiveram direito a voto em 2010. O jornal inglês “The Sunday Times” publicou, ontem, que Blatter será convocado a depor, mas as autoridades suíças não confirmaram.
— O presidente da Fifa não será interrogado neste momento, mas poderá ser no futuro, se necessário — declarou o porta-voz da Justiça suíça, Andre Marty.
O diretor da Internal Revenue Service (IRS), a receita federal americana, Richard Weber, já havia indicado possível envolvimento de Blatter:
— Estou honestamente confiante que iremos ter nova rodada de acusações. Acreditamos que há outras pessoas e entidades envolvidas em atos criminais.
PAGAMENTO A JACK WARNER
Novas informações sobre pagamentos à Fifa vieram à tona ontem. Alvo da investigação americana, o presidente da Federação Sul-Africana de Futebol, Danny Jordaan, confessou que o país repassou US$ 10 milhões (cerca de R$ 30 milhões) à entidade em 2008, mas negou que se tratava de propina pela compra de votos. O dinheiro seria para desenvolver o futebol na América Central. Os EUA afirmam que o pagamento foi feito a Jack Warner, ex-presidente da Concacaf e da Fifa, em troca de três votos na eleição realizada em 2004 que determinou a África do Sul como sede do Mundial de 2010.
Warner é um dos nove dirigentes acusados pelos americanos por 12 crimes, inclusive extorsão e pedido de suborno. Ele chegou a ser preso em Trinidad e Tobago na quarta-feira e foi liberado, após pagamento de fiança, no dia seguinte. O principal delator do esquema de corrupção que levou às prisões dos executivos, Chuck Blazer, era seu braço direito na Concacaf. Blazer aceitou colaborar com os investigadores — e chegou a gravar reuniões na sede da Fifa escondido — após ser preso em Nova York por sonegação de impostos.
Enquanto isso, o ex-presidente da CBF José Maria Marin tenta a sua transferência para prisão domiciliar. Ele está isolado em uma cela individual em Zurique. Marin é acusado de receber suborno de US$ 6,6 milhões (cerca de R$ 20 milhões) em negociações relacionadas às próximas quatro edições da Copa América. Segundo os procuradores americanos, ele também teria recebido propina na mediação de contratos da Copa do Brasil válidos até 2022.
O Globo
Janot terá coragem de investigar a Globo?
Todos que somos contra a CORRUPÇÃP, queremos que a Procuradoria Geral da República investigue, aqui também, a distribuição de propinas na Fifa; "E, se parte grande do "Fifalão" vem da venda de direitos televisivos, como é que não se vai tomar conhecimento, aqui, dos indícios de envolvimento nesta nova 'rodada' de 'é dando que se recebe'?"