Na próxima segunda-feira, dia 13 de maio, os Municípios nordestinos farão uma mobilização para chamar a atenção do país para o problema da seca. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) já se colocou à disposição para levantar os mais recentes números da seca. Os resultados serão apresentados em dois estudos. O primeiro é uma análise de toda região e o segundo são dados específicos por Estado.
Segundo informações repassadas pela Caern (Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte), 14 cidades enfrentam colapso no Estado, todas ligadas à adutora Monsenhor Expedito. Segundo a empresa, a área urbana dessas cidades está sendo atendida por carros-pipa da Caern, da Defesa Civil e do Exército.
Em Carnaúba dos Dantas, os moradores estão sendo atendidos por chafarizes instalados. Existem, ainda, 18 cidades que passam por algum tipo de dificuldade e enfrentam racionamento. Segundo a Caern, o rodízio foi iniciado em janeiro, com a chegada do verão, quando a Lagoa do Bonfim diminuiu a capacidade de armazenamento. A previsão é que o rodízio só termine quando a lagoa voltar à capacidade normal de vazão.
O nordeste brasileiro enfrenta em 2013 a maior seca dos últimos 50 anos, com mais de 1.400 municípios afetados. A seca deste ano já é pior do que a do ano passado que também foi recorde. Essa realidade, no entanto, não é isolada. A previsão das Nações Unidas, por exemplo, é de que até 2030 quase metade da população mundial estará vivendo em áreas com grande escassez de água. E esse é um problema que ocorre em todos os lugares, sejam países pobres ou ricos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 2012 foi considerado o ano mais quente já registrado, enquanto na região do Sahel, na África, repetidas secas causam a escassez de alimentos.
Para o caso brasileiro, o consenso básico que existe sobre a maneira de enfrentar esse fenômeno climático inevitável é que a convivência com a seca só será possível através de obras hídricas estruturadoras: barragens, interligação de bacias a partir do São Francisco, infraestrutura para a agricultura irrigada e gestão permanente da água. Quando se olha para o retrospecto dos últimos dez anos, vê-se que nenhuma barragem importante foi construída na região Nordeste. As últimas foram a de Serrinha e a de Jucazinho, ainda no Governo de Fernando Henrique Cardoso.
A transposição do rio São Francisco, que foi prometida como a redenção do semiárido, anda a passos lentos com interrupção da obra e degradação do que já foi construído. A retomada dos trabalhos só se deu após denúncias feitas pela imprensa com grande repercussão no País. Quanto ao socorro prometido pela presidente da República, anunciado com grande alarde, a maior parte dos recursos é para reescalonamento da dívida, não para a anistia, como também para a compra de máquinas e equipamentos, recursos que não se vê chegar aos municípios afetados.
Foto: Getty Images
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