Sem ir à TV temendo novos panelaços contra si e seu governo, a presidente Dilma Rousseff falou nesta sexta-feira, Dia dos Trabalhadores, em três vídeos postados nas redes sociais. Nos pronunciamentos, a presidente defendeu a de valorização do salário mínimo, a regulmentação da terceirização sem a extensão, proém, da regra à atividade-fim, e os protestos nas ruas.
Veja os três vídeos aqui
No terceiro vídeo postado neste 1º de maio, Dilma disse que os governantes precisam se acostumar “às vozes das ruas” e que é preciso reconhecer como legítimas as reivindicações populares. Um dia antes da gravação do vídeo, na quinta-feira, mais de 200 professores ficaram feridos em confronto com a Polícia Militar durante manifestação em Curitiba contra um projeto do governador Beto Richa (PSDB).
— Temos que nos acostumar às vozes das ruas, aos pleitos dos trabalhadores. Temos de reconhecer como legítimas as reivindicações de todos os segmentos sociais da nossa população. Temos de nos acostumar a fazer isso sem violência e sem repressão — afirmou.
Dilma defendeu “diálogo” e que só por meio dele é possível construir consensos.
— Queremos por meio do diálogo construir consenso, evitando a violência e respeitando o direito de opinião e de manifestação — disse.
Sem medidas concretas para anunciar nesta data, a presidente lançou mão da criação de um fórum de debates entre as centrais sindicais, empresários, aposentados, pensionistas e governo para discutir mudanças.
— A pauta que propomos ao fórum é sustentabilidade do sistema previdenciário, bem como regras de acesso, idade mínima, tempo de contribuição e fator previdenciário. Propomos ainda como pauta politicas de fortalecimento do emprego, do trabalho e da renda, medidas de redução da rotatividade, de formalização e aumento da produtividade do trabalho — anunciou.
No segundo pronunciamento hoje, Dilma defendeu a criação de lei para regulamentar a terceirização da mão-de-obra pelas e empresas, como forma de garantir proteção aos trabalhadores. No entanto, se mostrou contrária à extensão da regra à atividade-fim.
— A regulamentação do trabalho terceirizado precisa manter a diferenciação entre atividades-fim e meio dos vários setores produtivos. É preciso assegurar ao trabalhador a garantia dos direitos conquistados nas negociações salariais. É preciso proteger a Previdência Social da perda de recursos e assim garantir sua sustentabilidade — afirmou.
Desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pautou a votação do projeto, há cerca de 15 dias, Dilma vinha resistindo em se manifestar sobre o tema. Dizia, apenas, que o governo não aceitava perder arrecadação com as mudanças. Pressionada pelo PT, pelo ex-presidente Lula e por sua base social, Dilma resolveu ontem, em reunião com as centrais sindicais, falar de forma clara e contrária à terceirização da atividade-fim.
No primeiro vídeo postado no site da Presidência, afirmou que seu governo vem garantindo a valorização do salário mínimo e o poder de compra do trabalhador. Desde que assumiu o governo, disse que o aumento real foi de 14,8%.
— A valorização do salário mínimo é uma das maiores conquistas desse período. Em março deste ano, eu encaminhei ao Congresso Nacional uma medida provisória que garante a política de valorização do salário mínimo até 2019. Por lei, vamos assegurar o aumento do poder de compra do trabalhador — declarou Dilma.
No primeiro vídeo, de 1 minuto e 15 segundos, a presidente destacou também o reajuste da tabela do Imposto de Renda.
— Também em março desse ano, enviei ao Congresso a tabela de correção do Imposto de Renda. Com ela, o trabalhador terá seu salário preservado e não irá pagar o imposto maior— disse.
Dilma optou por postar três vídeos nas redes sociais ao longo do dia, para defender a política do reajuste real do salário mínimo, as garantias dos direitos dos trabalhadores, e dizer que está permanentemente aberta ao diálogo. Na quinta-feira, recebeu no Palácio do Planalto representantes de movimentos sindicais, entre eles da CUT e da Força Sindical. No encontro, a presidente disse ser contra a terceirização da atividade-fim, como foi aprovado o projeto de lei na semana passada pelos deputados. Até então, ela vinha se esquivando de opinar sobre o tema.
Nenhuma das medidas citadas pela presidente são novidade e foram anunciadas entre fevereiro e março deste ano.
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