A Polícia Federal se manifestou a favor da soltura de dois alvos da Operação Spoofing, Suelen Oliveira e Danilo Marques, amigos do hacker Walter Delgatti Neto, todos presos desde 23 de julho sob suspeita de atuarem na invasão do Telegram de celulares de autoridades.
A manifestação do delegado Luís Flávio Zampronha foi enviada nesta sexta-feira ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF, a quem caberá decidir sobre a soltura deles. O delegado entendeu que não há mais necessidade de mantê-los presos, porque os aparelhos celulares deles já foram periciados e não há provas de que a liberdade deles poderia colocar em risco as investigações.
Isso não significa, porém, que eles deixam de ser investigados no caso. A PF pede que eles sejam proibidos de manter contato com os investigados do caso e que não se mudem do atual local de residência sem autorização da Justiça.
Caberá agora ao juiz Ricardo Leite, responsável pelo caso, decidir sobre o assunto.
Apontado como líder do grupo, Walter Delgatti Neto admitiu em depoimento à PF que invadiu o aplicativo Telegram do ministro Sergio Moro e dos investigadores da Lava-Jato, incluindo o coordenador Deltan Dallagnol, e que repassou o conteúdo ao jornalista Glenn Greenwald, do site “The Intercept”. Os demais alvos da Spoofing são mantidos presos por suas conexões com Delgatti.
O delegado entendeu que ainda é necessário manter Delgatti e Gustavo presos, porque o material apreendido com eles ainda está sendo alvo de análises da perícia.
Gustavo Henrique Elias Santos, Suellen Oliveira e Danilo Cristiano Marques são suspeitos de atuarem em conjunto com Delgatti em outros crimes, como estelionato e fraudes bancárias. A PF, porém, até agora não obteve provas de que eles também atuaram diretamente na invasão do Telegram dos investigados. Os três já tiveram pedidos de habeas corpus negados pela 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília e pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, porque a PF argumentava que a prisão deles ainda era necessária. Agora, porém, a PF considera que não há mais necessidade para manter parte deles presos.
Segundo fontes da PF, o delegado Luís Flávio Zampronha deve finalizar uma primeira parte do inquérito com foco na atuação de Walter Delgatti Neto, já que a existência de pessoas presas diminui o prazo legal para a conclusão da investigação e apresentação de denúncia. No segundo momento, Zampronha prosseguiria investigando se há um financiador por trás dos ataques. A PF ainda busca o possível elo financeiro do grupo criminoso, por meio de quebra de sigilos bancário e do acesso a informações de operadoras de criptomoedas, conhecidas como bitcoins.
O Globo

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