Diversos

Viradouro, Salgueiro e Beija-Flor são destaques do 1º dia de desfiles no Rio

Da esquerda: Império Serrano, Viradouro, Grande Rio, Salgueiro, Beija-Flor, Imperatriz e Unidos da Tijuca — Foto: Fabio Tito, Rodrigo Gorosito, Marcos Serra Lima

Viradouro, Beija-Flor e Salgueiro se destacaram neste domingo (3), na abertura dos desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Império Serrano, Grande Rio, Imperatriz e Unidos da Tijuca também desfilaram na Sapucaí.

Os desfiles começaram com meia hora de atraso por conta das chuvas no Rio. Mas o tempo melhorou e deixou a criatividade brilhar. Várias coisas voaram durante a noite: emojis, bruxas, piratas, notas de dinheiro. De mentira, mas encantaram mesmo assim.

Entre as personalidades da noite, a histórica Pinah Ayoub foi homenageada no “desfile retrô” da Beija-Flor. Raíssa de Oliveira virou madrinha recordista com 17 carnavais. Teve também Claudia Raia de raposa, Jojo Todynho de galinha d’angola, Juliana Paes de ave rara e até Eri Johnson de surpresa.

Na segunda-feira (4) vão desfilar São Clemente, Vila Isabel, Portela, União da Ilha, Paraíso do Tuiuti, Mangueira e Mocidade Independente no segundo e último dia do Grupo Especial do Rio.

Veja como foi cada desfile abaixo.

Império Serrano

A Império abriu a noite com o enredo “O que é, o que é?”. Baseada na música de Gonzaguinha de 1982, falou sobre o sentido da vida e tentar uma colocação melhor do que o último lugar no carnaval passado, com um rebaixamento anulado.

O carro abre-alas trouxe um coração gigante verde, a cor da escola. Os membros da bateria vieram vestidos com estampas militares, para lembrar que a vida também pode ser uma guerra, com a rainha Quitéria Chagas.

Os 3.200 componentes mostraram os prazeres, perrengues e questionamentos da vida em 31 alas.

Viradouro

Bruxas voadoras, livros encantados, motoqueiro fantasma, poções mágicas, príncipes, princesas e outras figuras de histórias infantis passaram pelo desfile da Viradouro, de volta ao Grupo Especial após três anos.

Foi também volta do carnavalesco Paulo Barros à Viradouro após 11 anos. O enredo “ViraViradouro”, sobre seres encantados, foi a chance de ele mostrar seu estilo cheio de efeitos.

Ele criou a história de um livro trazido pela avó para um neto com contos de fadas, mistérios, fantasias e maldições.

Grande Rio

A Grande Rio pediu reflexão do público com seu desfile descontraído sobre a falta de educação de algumas pessoas em diferentes aspectos da vida em sociedade.

A comissão da frente tinha um Moisés tentando modernizar os 10 mandamentos através de emojis, que saíam voando das cabeças dos dançarinos como drones, e de um grande tablet

A escola, que ficou na penúltima colocação em 2018 por causa de um carro quebrado, com rebaixamento anulado, até teve dificuldades com a 3ª alegoria, mas nada que prejudicasse o desfile Juliana Paes voltou como rainha da bateria pela 2ª vez.

Salgueiro

O Salgueiro recontou a história de Xangô, mostrando o orixá como símbolo de religiões e da imparcialidade. A partir dessa associação, a escola da Zona Norte também falou sobre a justiça no Brasil.

O enredo também homenageou Júlio Machado (1939-2007). O Xangô do Salgueiro, como era chamado, desfilou por 39 anos na escola, sempre com o mesmo figurino

A comissão de frente mostrou os anjos da pedreira, com homens pedra camuflados que brotavam de uma parede. Eri Johnson foi um elemento surpresa, em uma roda de samba de uma comunidade estilizada.

Beija-Flor

Os 70 anos da Beija-Flor passaram em pouco mais de uma hora na Sapucaí. A atual campeã foi a quinta a desfilar e fez uma coletânea de seus melhores momentos

Cada ala lembrou um carnaval específico. Elas se dividiram em blocos temáticos, com 5 carros separando os setores: enredos biográficos, herança africana, sátiras políticas e histórias lúdicas e críticas sociais.

Raíssa de Oliveira bateu recorde ao completar 17 carnavais como rainha de bateria. Tema do enredo de 1983, Pinah Ayoub se emocionou ao ser homenageada em ala de passistas com 35 mulheres negras com a cabeça raspada.

Imperatriz Leopoldinense

A Imperatriz pintou a Sapucaí de dourado, verde e prata com seu desfile sobre ganância, a história do dinheiro e a relação do homem com a moeda.

Através de um guindaste manual controlado pelos próprios membros da comissão de frente, um Robin Hood voador jogava dinheiro (falso) para o público

A Imperatriz ainda homenageou o dinheiro na cultura pop, com representações do professor Raimundo, de Chico Anysio e seu bordão “e o salário ó”, e a peça “Deus lhe pague”. Como destaque estava o cantor Moacyr Franco.

Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca encerrou a noite contando a história do pão como alimento físico e espiritual. A história da humanidade foi contada tendo o pão como fio condutor.

O carro abre-alas apresentou a imagem da última ceia e uma escultura de um pavão, mascote da escola. No desfile, o pão também foi tratado como parte importante de vários momentos conturbados da história, como a Revolução Francesa e a Revolução Russa.

Uma história da Bíblia foi recontada na comissão de frente. Quinze bailarinos simbolizaram a jornada dos hebreus pelo deserto por 40 anos e um milagre de Deus que fez chover pão dos céus para alimentá-los.

G1

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Política

Governo volta a oferecer embaixada a Bebianno

POR LAURO JARDIM

Já de volta à planície, Gustavo Bebianno recebeu um novo aceno do Palácio do Planalto.

Foi-lhe oferecida novamente uma embaixada na Europa. O “não” peremptório dado na reunião do dia 15, a última e decisiva que teve com Jair Bolsonaro, não tem agora a mesma ênfase. Bebianno considera a possibilidade.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Mas além do jornalista que escreveu esse longo texto, quem mais sabe dessa proposta?
    Será que o presidente JB sabe que ele ta oferecendo uma embaixada a Bebiano?
    Se não tiver áudio ou documento assinado, não acredito mais em jornalistas bola de cristal.

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Polícia

Próximo depoimento de Cabral será sobre lavagem

Foto: Reprodução/JFRJ

O ex-governador Sérgio Cabral , preso desde novembro de 2016, prestará, no fim de março, novo depoimento ao juiz Marcelo Bretas , responsável pelas ações da Operação Lava-Jato no Rio. Na oitiva, que ocorrerá entre os dias 25 e 26 de março, ele falará sobre o esquema de lavagem de dinheiro adotado por seu grupo político utilizando concessionárias do grupo Dirija, segundo sua defesa.

O MPF denunciou Cabral por essas operações financeiras em janeiro de 2018. Os investigadores da força-tarefa da Lava-Jato identificaram mais de 200 atos de lavagem de dinheiro por esse esquema entre outubro de 2007 e agosto de 2014. Ao todo, as transferências movimentaram aproximadamente R$ 8 milhões. Jaime Martins, que era um dos administradores do Grupo Dirija, é delator da Lava-Jato no Rio.

A audiência será o primeiro encontro entre Cabral e Bretas após o ex-governador admitir pela primeira vez à Justiça sua participação em atos de corrupção, em 26 de fevereiro. Na ocasião, o ex-governador revelou ter mentido em suas oitivas anteriores.

Além disso, Cabral confessou diversos crimes, como o recebimento de R$ 30 milhões em propina e caixa 2 do empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, maior prestador de serviços em terceirização de mão de obra durante sua gestão. Também confirmou que eram seus os US$ 100 milhões em poder dos doleiros Renato e Marcelo Chebar em contas no exterior.

Dizendo-se arrependido dos crimes cometidos, Cabral se desculpou e atribuiu seus atos a um “vício”.

Além da audiência com Bretas, o ex-governador também admitiu em depoimento ao Ministério Público Federal ter participado de atos de corrupção envolvendo Régis Fichtner, chefe da Casa Civil de sua gestão e descrito por ele como seu “primeiro-ministro”.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Esse Cabral sabe de muita coisa mesmo, acho que sabendo que sua situação é sem saída mesmo, deveria logo entregar toda a quadrilha que assaltou e continua assaltando o Brasil, de a até x.

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Economia

Carnaval é feriado? Entenda os direitos de empregados e patrões

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar de muitos brasileiros emendarem os quatro dias para aproveitar a folia ou simplesmente descansar, o carnaval não é considerado feriado nacional.

Os bancos, por exemplo, não abrem nesses dias e só reabrem às 12h da Quarta-Feira de Cinzas, assim como as repartições públicas. Apesar disso, as empresas podem ter expediente normal e exigir que seus funcionários trabalhem.

O carnaval só é considerado feriado se estiver previsto em lei estadual ou municipal. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a terça-feira de carnaval foi declarada feriado estadual por meio da Lei 5243/2008.

Nas localidades onde a data não é considerada feriado, a segunda e a terça-feira, além da Quarta-Feira de Cinzas, podem ser ou não definidas como pontos facultativos.

Na prática, empresas e funcionários podem fazer acordo sobre os dias a serem trabalhados e as formas de compensação das horas.

“Fica por conta da empresa funcionar normalmente ou dispensar seus trabalhadores. Havendo a liberação espontânea por parte do empregador, não pode haver prejuízo na remuneração do empregado. Contudo, o empregador pode, também, acordar com seus empregados uma compensação de jornada para aqueles dias em que permitiu a folga de carnaval”, explica a advogada trabalhista Mayara Gaze, do escritório Alcoforado Advogados Associados.

Nos estados e municípios onde o carnaval é feriado oficial, via de regra, o trabalhador que não é dispensado receberá o pagamento daquele dia trabalhado em dobro. Mas outro tipo de compensação poderá ser combinado previamente via Acordo Coletivo de Trabalho, como por exemplo, anotação em banco de horas.

Veja abaixo o tira-dúvidas sobre o assunto

O que pode acontecer se não há lei que determina feriado no carnaval?
De acordo com a advogada Raquel Rieger, do escritório Mauro Menezes & Advogados, se não houver lei que estipula feriado no carnaval, o patrão pode dispensar os funcionários do trabalho mesmo sendo considerado dia útil, pedir a compensação das horas não trabalhadas em outro dia ou até descontar os dias não trabalhados do salário.

Então eu posso “enforcar” a segunda e a Quarta-Feira de Cinzas?
Raquel Rieger lembra que a segunda-feira e a Quarta-Feira de Cinzas podem ser “enforcadas”, desde que com a permissão das empresas. E se houver trabalho nesses dias, não haverá o acréscimo de pelo menos 100% pelo dia trabalhado, já que não se trata de feriado.

Se a empresa não conceder folga e eu faltar, posso ser mandado embora?
De acordo com o advogado trabalhista Rodrigo Luiz da Silva, do Stuchi Advogados, se o funcionário decidir faltar, a empresa poderá descontar os dias de falta do salário, aplicar sanções disciplinares como advertências ou suspensões ou até demiti-lo, mas a empresa deverá observar se houve reincidências ou se outras penalidades já foram aplicadas anteriormente ao empregado.

A especialista em direito trabalhista Maria Lúcia Benhame diz que o funcionário perderá ainda o descanso semanal remunerado. Ela ressalta, entretanto, que não há possibilidade de haver demissão por justa causa.

Se a terça-feira for considerada feriado e eu tiver que trabalhar, a empresa pagará o dobro pelas horas trabalhadas?
De acordo com a advogada Maria Lúcia Benhame, nas cidades em que o carnaval for feriado local, os empregados que trabalharem nesses dias deverão ter folga compensatória em outro dia da semana. Se isso não ocorrer, deverão receber as horas extras trabalhadas com o acréscimo de pelo menos 100% ou mais, se isso estiver previsto na convenção coletiva da categoria do trabalhador.

Segundo ela, a nova lei trabalhista permite que as empresas troquem o dia a ser trabalhado. No caso, podem determinar que os funcionários trabalhem na terça e posteriormente compensem as horas trabalhadas com folga em outro dia. Mas para isso acontecer, é necessário aprovação mediante convenção (negociação entre os sindicatos dos empregados e de empregadores) ou de acordo coletivo (entre sindicato e empregador).

Maria Lúcia ressalta que, caso o empregado trabalhe no feriado com o acordo de que irá folgar em outro dia, ele não receberá a mais pelo feriado que trabalhar.

Se a terça-feira não for considerada feriado, mas a empresa me chamar para trabalhar, ganharei folga depois?
Segundo Maria Lúcia Benhame, a segunda e a terça-feira de carnaval são considerados dias úteis não trabalhados, portanto, quem trabalha nesse período não tem direito a receber horas extras nem a ter folgas compensatórias.

Se a empresa der os dias de carnaval de folga, terei de compensar depois?
Segundo Maria Lúcia, nas localidades em que o carnaval não é feriado, as empresas exigirão que essas horas não trabalhadas sejam compensadas posteriormente. Além disso, os funcionários não receberão o acréscimo de pelo menos 100% pelos dias trabalhados.

Como funciona essa compensação dos dias que não trabalhei no carnaval?
Segundo Danilo Pieri Pereira, advogado trabalhista e sócio do Baraldi Mélega Advogados, com a nova lei trabalhista, há a possibilidade de compensação dentro do mesmo mês. Caso o funcionário folgue nos dias de carnaval, a empresa poderá exigir que ele cumpra essas horas descansadas em outros dias (com exceção do domingo), respeitado o limite máximo de duas horas extras diárias.

Essas horas não trabalhadas podem ir para o banco de horas?
Se a segunda e terça-feira de carnaval não são feriados e o funcionário folgar, esses dias não trabalhados podem entrar no banco de horas como horas-débito, e o funcionário tem que compensar isso dentro do prazo estipulado em acordo com a empresa.

Segundo Maria Lúcia, a empresa pode determinar inclusive que os funcionários trabalhem aos sábados, por exemplo. A compensação dentro do mês é automática, sem necessidade de acordo prévio. Se a compensação for feita em até 6 meses, precisa de acordo direto com o empregador. Se for pelos próximos 12 meses, tem que haver acordo envolvendo os sindicatos.

Maria Lúcia ressalta que feriados e domingos (quando não são dias normais de trabalho) não entram nos bancos de horas – ou são compensados por outro dia ou são pagos com o acréscimo de pelo menos 100% pelo dia trabalhado.

A empresa que previa folgas no carnaval pode decidir mudar a regra de uma hora para outra?
Mayara Gaze alerta que o empregador deve atentar para a prática da empresa, pois, quando há a quebra de padrão, há também a quebra do contrato de trabalho, o que pode levar a complicações jurídicas.

“Por exemplo, se há mais de 4 anos a empresa dispensa espontaneamente seus funcionários durantes os dias de carnaval e depois passa a exigir o trabalho no período, havendo ou não a respectiva compensação, conforme o caso, haverá quebra do contrato de trabalho e novo documento deverá ser assinado pelas partes, contendo com as novas regras da empresa”, esclarece a advogada.

Como funciona o carnaval entre os servidores públicos?
De acordo com a advogada trabalhista Mayara Gaze, os servidores públicos do Poder Executivo são liberados, em regra, por meio de portarias, no âmbito de cada esfera de governo, seja ele federal, estadual ou municipal. É comum que seja decretado ponto facultativo na segunda, terça e na Quarta–Feira de Cinzas até as 12h. “Já os Poderes Legislativo e Judiciário têm seus próprios calendários”, diz a especialista.

Como funciona para quem trabalha no regime 12×36 horas?
Segundo Raquel Rieger, para os trabalhadores que fazem a jornada 12 horas trabalhadas seguidas de 36 horas de folga, a lei já prevê compensações nesse regime de jornada, não havendo previsão de pagamento de horas extras se houver trabalho no dia de feriado.

G1

Opinião dos leitores

  1. Olá sou fiscal de prevenção de perdas só que a empresa usa agente pra fazer os serviços das atendentes de perdas que fica nas recepção e também no lugar dos conferentes isso e correto? Esse desvio de função

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Política

Deputados ligados a centrais sindicais articulam mudanças em MP de Bolsonaro para garantir contribuição sindical

As centrais sindicais preparam uma reação à decisão do governo Jair Bolsonaro de fixar novas regras para dificultar o pagamento da contribuição sindical. Parlamentares ligados às entidades pretendem usar a medida provisória editada pelo presidente na sexta (1º) para resgatar um projeto que regulariza a chamada contribuição negocial. De acordo com a proposta, os sindicatos teriam autonomia para cobrar a taxa de todos os trabalhadores, após aprovação de assembleias de cada categoria.

A ideia desses deputados é pinçar pontos do projeto que tramita na Câmara desde 2016 e incluí-los como emendas na medida provisória do governo. Entre eles, está a criação do Conselho Nacional de Autorregulação Sindical.

O apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), será fundamental para que a articulação avance, dizem sindicalistas. A expectativa é a de que Maia receba dirigentes das principais centrais do país na próxima semana.

Caso a negociação com Maia não prospere, os dirigentes sindicais vão tentar convencer o Congresso a devolver a medida provisória ao governo. O argumento será o de que não há urgência para apreciar o tema.

Coluna Painel/Folha de S.Paulo

Opinião dos leitores

  1. Os tempos ficaram bicudos para a sindicalha. Para recuperar o famigerada "contribuição obrigatória", a pelegada do #LulaLivre é capaz até de exumar o cadáver de Getúlio Vargas.

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Política

Dinheiro da Lava Jato banca reforma em escolas e cria fundo anticorrupção

De uma joalheria para uma escola em São Gonçalo (RJ). Esse foi o atípico percurso feito no ano passado por recursos recuperados na Operação Lava Jato —e que deverá ser seguido por outros milhares de euros, dólares e francos suíços em breve.

Prestes a completar cinco anos, a investigação que desnudou um esquema de corrupção na Petrobras e em outros entes públicos pelo país se prepara para criar um inédito e bilionário fundo anticorrupção, a ser investido em projetos de educação, cidadania e transparência.

Em paralelo, outros recursos recuperados em delações, acordos de leniência e multas judiciais foram aplicados na reforma de escolas públicas no Rio, num formato que se estuda replicar pelo país.

“Serão milhões de reais por ano. É um legado permanente”, afirmou à Folha o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná.

No total, a Lava Jato estima já ter recuperado pelo menos R$ 3 bilhões até aqui, entre valores repatriados, multas e recursos devolvidos por delatores e empresas.

No Paraná, a Procuradoria é a atual curadora dos valores que darão origem ao bilionário fundo anticorrupção. O primeiro aporte foi feito em janeiro: foram R$ 2,5 bilhões pagos pela Petrobras, como parte de um acordo da estatal com o Departamento de Justiça americano.

O dinheiro deve render cerca de R$ 160 milhões por ano. Metade dos valores irá para eventual ressarcimento de investidores da Petrobras que acionem a estatal na Justiça.

A outra metade será administrada por uma fundação independente, a ser formada por membros e entidades da sociedade civil, que farão a seleção de projetos anticorrupção a serem financiados.

O formato não é convencional na Justiça brasileira. Mas é uma prática comum —e com bons resultados— em outros países, diz o diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão.

“É uma novidade no Brasil, mas não é uma novidade fora”, afirma, citando o caso da multinacional alemã Siemens, que, após ter admitido desvios pelo mundo, foi obrigada pela Justiça a fazer investimentos em políticas anticorrupção em vários países.

O fundo da Lava Jato, estabelecido em acordo entre a Petrobras, o Ministério Público Federal e o Departamento de Justiça americano, pode bancar ações “que reforcem a luta da sociedade brasileira contra a corrupção”.

Entram na lista estudos sobre transparência, programas voltados a populações afetadas pela paralisação de obras da Petrobras e até a reparação de direitos afetados pela corrupção, inclusive difusos, como saúde, educação e meio ambiente.

É algo semelhante ao que já ocorreu no Rio de Janeiro, onde parte dos valores recuperados pela força-tarefa da Lava Jato foi direcionada à segurança pública e à reforma de seis escolas estaduais com graves deficiências estruturais.

No caso das escolas, a iniciativa foi concebida pela procuradora da República Maria Cristina Manella Cordeiro, especializada em educação, que idealizou a parceria entre o Ministério Público e o governo estadual. Os R$ 19 milhões investidos vieram de multas pagas por diretores da joalheria H. Stern, que fizeram delação premiada.

“É uma nova forma de atuar. Em vez de ficar correndo atrás do prejuízo, a gente previne”, disse Manella à Folha.

As iniciativas também coincidem com críticas ao chamado ativismo judicial, quando o Judiciário extrapola suas competências e se imiscui na atividade de outros poderes.

Os procuradores refutam a acusação e afirmam que continuam cumprindo seu papel de defender os interesses da população. “A gente tem que saber até aonde ir. A escolha das escolas a serem reformadas, por exemplo, partiu da secretaria da Educação, para não invadir a competência do poder público”, afirma Manella.

Para o juiz Marcelo Bretas, que autorizou a aplicação dos recursos, a iniciativa está “em total consonância” com a lei, que estabelece que multas compensatórias por crimes com vítimas indiretas podem ser destinadas a entidades públicas ou privadas com atuação social.

No Rio de Janeiro, a ideia ainda está em execução: para assegurar a lisura dos investimentos, o termo de cooperação técnica, assinado um ano atrás, exigiu a licitação de projetos executivos, que ficaram prontos recentemente.

Só agora vai começar a licitação das obras, num processo fiscalizado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). “E o risco de dar essa verba ao estado, para depois desviarem tudo de novo?”, comenta a procuradora. “A gente tinha que dar transparência a esses recursos.”

No caso do fundo bilionário, a governança será feita por uma fundação. O MPF articula a criação da entidade, em parceria com outros órgãos do poder público e da sociedade civil, num processo a ser homologado pela Justiça.

O termo de acordo prevê a consulta de pelo menos cinco entidades para a indicação de nomes à fundação, a criação de um conselho fiscal, a vedação a qualquer membro com atuação partidária e a prestação mensal de contas.

“A crítica [de exacerbação do papel do judiciário] seria razoável se o Ministério Público determinasse, de maneira discricionária, o destino dos recursos. Mas não é isso que está acontecendo”, diz Brandão. “Eles não estão se apropriando dos recursos; estão envolvendo para a sociedade.”

Para ele, todos os fundos públicos, em especial os que congregam recursos judiciais (de multas, acordos ou indenizações, por exemplo), deveriam seguir o mesmo formato.

“Da forma como é hoje, esses fundos acabam sendo contingenciados para fazer superávit”, afirma. “Há um descontrole muito grande; há pouquíssima transparência ou governança.”

A parceria para as reformas de escolas no Rio, por exemplo, já foi replicada na Procuradoria de Goiás, e deve ser estendida a outros estados.

Outras organizações também defendem a iniciativa.

“É um recurso que volta à sociedade em forma de prevenção, que cria uma cultura da integridade”, afirma Roni Enara, diretora-executiva do Observatório Social do Brasil.

“Onde começa a corrupção? Começa com pequenos desvios que são tolerados pela população. A gente precisa falar na ponta, e precisa de investimento para isso”, diz.

A fundação que irá administrar o fundo bilionário da Lava Jato ainda está em criação. O Ministério Público Federal estima que esse processo dure até meados deste ano.

Folhapress

Opinião dos leitores

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Meio Ambiente

Ibama tem início de ano com menor quantidade de multas aplicadas desde 1995

A quantidade de multas aplicadas pelo Ibama por crimes ambientais no primeiro bimestre de 2019 foi a menor nos dois primeiros meses de um ano desde 1995. O sistema do órgão acumulou, até o fim de fevereiro, 1.139 autuações. No ano passado, no mesmo período, foram registradas 1.580; em 2017, 1.630 e, em 2016, 1.810.

Em todo o intervalo analisado, o ano em que o número de autuações no primeiro bimestre mais se aproxima do anotado em 2019 ocorreu em 2013, com 1.397.

Os crimes ambientais que mais receberam multas em 2019 foram os relacionados à flora (346), seguidos dos de fauna (210) e de pesca (174). O Ibama também fiscaliza atividades poluentes e contaminantes, empreendimentos e atividades licenciadas, organismos geneticamente modificados e o
patrimônio genético.

São Paulo lidera as autuações, com 203. Na sequência aparecem Espírito Santo (71), Rio Grande do Norte (65), Roraima (61) e Amazonas (61). No outro extremo aparece o Acre, com apenas uma multa no período.
As autuações são realizadas por fiscais do Ibama a partir de operações desencadeadas nos estados e têm como objetivo de reprimir e prevenir a ocorrência de condutas lesivas ao ambiente.

No quesito valores, excluindo-se a excepcionalidade do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), que levou o Ibama a aplicar cinco multas totalizando R$ 250 milhões, o total até o fim de fevereiro foi R$ 200,5 milhões, o menor valor desde 2014.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), em diversas oportunidades, antes e depois de eleito, mencionou a existência de uma suposta “indústria da multa” no órgão.

Fazendo coro à posição presidencial, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou à Folha, logo após de ser escolhido para o cargo, que “existe uma proliferação das multas” e que muitas delas seriam aplicadas por caráter ideológico.

Na visão de técnicos da área ambiental ouvidos pela reportagem, declarações dessa natureza acabam provocando um clima intimidatório entre os fiscais e pode estar levando à não lavratura de autos.

Procurado, o Ibama afirmou que “as ações executadas ou em execução no primeiro bimestre deste ano representam 91% das ações previstas para o período no Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental aprovado em dezembro de 2018”. Além do planejamento do órgão, denúncias não previstas ou passíveis de estimação prévia são, conforme o próprio Ibama registra em sua página oficial, “importantes formas de detecção das infrações ambientais”.

Segundo o órgão ambiental, “considerando que existe um lapso temporal entre a emissão de autos de infração e a disponibilidade dessas informações no Sistema de Cadastro, Arrecadação e Fiscalização (Sicafi), os números extraídos do banco de dados podem não refletir a totalidade dos autos aplicados em campo”.

O tema das multas ambientais tem sido uma das prioridades de Salles. Na semana passada, a Folha revelou o conteúdo de uma minuta de decreto elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) que cria um “núcleo de conciliação” com poderes para analisar, mudar o valor e até anular cada multa aplicada pelo Ibama por crimes ambientais no território nacional —esvaziando, na prática, o papel do fiscal.

A reportagem também mostrou que a minuta teve aval da autarquia ambiental sem ter recebido pareceres técnico e jurídico. O procedimento, embora não seja ilegal, é considerado incomum, sobretudo no caso de uma proposta que altera políticas centrais do órgão.

A agilidade do ministério para propor alterações nas regras de aplicação das multas contrasta com a lentidão na montagem da própria equipe. Até o momento, dois postos chave do MMA, as secretarias de Biodiversidade (a maior da pasta) e a secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável estão sem titular.

O mesmo ocorre com cargos de diretoria e de coordenação-geral de algumas áreas.

No caso da secretaria de Biodiversidade, a dificuldade para emplacar um nome já gerou até um quiproquó público. O indicado para ocupar a secretaria, o ambientalista José Truda, saiu atirando nas redes sociais após ter seu nome vetado pelo Planalto.

Num postagem, Truda afirmou ter trabalhado como “voluntário” no ministério por mais de um mês. “Volto para a planície para tentar me refazer financeiramente do desastre de ter fechado minha consultoria e deixado trabalhos remunerados pela metade para atender a uma missão que levou 34 dias de descaso burocrático para ser revogada”, escreveu no dia 4 de fevereiro.

Já dentro do Ibama, Salles promoveu na última semana uma inédita exoneração em massa de superintendentes regionais do Ibama, sem, no entanto, indicar os substitutos. O ato deixou vago quase todos os comandos estaduais do órgão.

As superintendências são responsáveis principalmente pelas operações de fiscalização, além de atuarem em emergências ambientais e na prevenção e no controle de incêndios florestais.

O MMA tampouco escapou da onda militar que tomou a Esplanada dos Ministérios. Hoje, um general, três coronéis e um capitão ocupam postos no ministério, entre eles o de chefe de gabinete do ministro e o de subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração.

Folhapress

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Polícia

Campanha combate exploração sexual e trabalho infantil no Carnaval

POR BRUNA RIBEIRO

Escolha Ver: esse é o slogan da campanha da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), em parceria com a Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (CMESCA) e a Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil.

O recado é para engajar a sociedade a enxergar as violações contra crianças e adolescentes que ocorrem durante o Carnaval. Nos blocos de rua da cidade, é comum ver meninos e meninas vendendo bebidas alcoólicas.

Mas se o trabalho infantil já é invisível para muita gente, a exploração sexual é ainda pior. Ainda há uma confusão muito grande entre a diferença entre abuso e exploração. Abuso é sofrido geralmente por pessoas da família ou conhecidas. Já a exploração sexual é o que muita gente chama de “prostituição infantil”.

O termo não é aceito, pois a criança e o adolescente que está naquela situação são, na verdade, vítimas. Geralmente em situação de vulnerabilidade social e econômica, já foram violados de muitas maneiras e até já foram vítimas do abuso sexual. Por isso, exploração sexual é considerada uma das piores formas de trabalho infantil e é um crime. Quem explora pode responder na justiça.

É importante desconstruirmos os mitos a respeito do assunto. Argumentos como “ela não era mais virgem”, “ela está ajudando a família” ou “ela gostou” não podem ser aceitos. Crianças e adolescentes são seres em desenvolvimento e é obrigação da família, do Estado e da sociedade protegê-los, com prioridade absoluta, como diz a Constituição.

Por ainda estarem se desenvolvendo, muitas vezes não conseguem medir o impacto dos atos no presente e no futuro. Além disso, é comum que não entendam que estão sofrendo uma violência, pois a violência já faz parte da vida de muitos. Se eu não sei o que é violência, como vou saber que a sofro?

Na quinta (28), a partir das 9h, crianças e adolescentes se reuniram no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, no Grito de Carnaval, que lançou esta campanha. Eles são atendidos pelos Centros de Crianças e Adolescentes (CCAs) de todas as regiões. Desde o início do ano, educadores utilizaram recursos lúdicos para orientar e conscientizar.

No Grito, eram lindas as mensagens que a garotada exibia em cartazes, como “Depois do não, tudo é assédio” e “A graça é se vestir como quiser e respeitar quem vier”. Também houve apresentações culturais, com hip hop, capoeira, maracatu, street dance e bateria.

Durante os blocos, serão distribuídos leques de papel aos foliões com as mensagens da campanha. Escolha ver e diga não ao trabalho infantil e à exploração sexual!

Blog E+/Estadão

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Judiciário

‘Sociedade está farta da insegurança’, diz Alexandre de Moraes

Ao rejeitar habeas corpus coletivo a presos em regime disciplinar diferenciado há mais de um ano, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a ‘sociedade brasileira está farta da insegurança pública’. O magistrado foi relator de julgamento em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal negou um recurso da Defensoria Pública da União que pedia para que detentos nesta situação voltassem para seu estado de origem. O julgamento virtual ocorreu nesta sexta, 1.

Nos autos, a DPU alega ocorrência de constrangimento ilegal em razão de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), já que, de acordo com a Lei 11.671/2008, a permanência do preso em penitenciária federal não pode ser superior 720 dias (360 dias prorrogáveis por igual período). O HC foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo informações do banco de dados do Sistema Penitenciário Federal (SPF) reproduzidas no HC, relativas ao período compreendido entre 22/06/2017 e 05/07/2017, existem 570 presos federais, sendo que 121 deles estão no SPF há mais de 720 dias. “Essa informação mostra que, na prática, o artigo 10 da Lei 11.671/2008, que estipula o prazo máximo de permanência é completamente ignorado, visto que quase 20% dos presos federais extrapolam o prazo legal de 720 dias”, enfatiza a DPU.

Ao julgar o caso, o ministro ressaltou que o órgão, no entanto, não apontou quais seriam as situações que indicam o constrangimento ilegal que ensejariam o habeas corpus.

Segundo Alexandre, a ‘consagração constitucional do Habeas Corpus como meio idôneo para garantir todos os direitos legais relacionados com a liberdade de locomoção não permite sua utilização como sucedâneo de ações específicas de controle concentrado de constitucionalidade e com a finalidade de obtenção de uma decisão mandamental genérica, coletiva, erga omnes e vinculante sobre a interpretação do sistema de disciplina e sanções estabelecido pela Lei 11.671/2008, ignorando a necessária análise individualizada pelo juiz competente da situação de cada preso transferido e mantido nos presídios federais de segurança máxima, de sua periculosidade e dos crimes praticados.

“A sociedade brasileira está farta do aumento da insegurança pública e da falta de integração entre União, Estados e Municípios, com inúmeras discussões estéreis e pouquíssimas inovações práticas eficientes, sendo necessária a soma inteligente de esforços institucionais, sempre com a absoluta observância da dignidade da pessoa humana e das normas constitucionais, para combater as organizações criminosas, que, lamentavelmente, mesmo de dentro dos presídios, amedrontam nossas famílias e atrapalham o crescimento e desenvolvimento de nosso país”, anota.

O ministro afirma que o ‘grande desafio institucional brasileiro da atualidade é evoluir nas formas de combate à criminalidade organizada – dentro e fora dos presídios’.

De acordo com o ministro, o combate às organizações efetiva ‘um maior entrosamento dos diversos órgãos governamentais na investigação, repressão, combate à impunidade, aplicação de sanções e regimes de cumprimento proporcionais, principalmente, em relação aos gravíssimos crimes praticados e ordenados pelas lideranças de facções criminosas, sendo necessária a ampliação de mecanismos legais mais eficientes e que respeitem as liberdades individuais, como na legislação impugnada no presente Habeas Corpus’.

“Os condenados à pena privativa de liberdade ou aqueles que por ordem judicial estão presos provisoriamente devem respeito ao sistema disciplinar penitenciário, sem regalias ou privilégios em virtude de suas situações econômicas, sociais ou políticas, mas consentâneo e proporcional às atividades ilícitas praticadas”, escreveu.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. A sociedade está farta de ver os magistrados vivendo como Reis, cheios de privilégios, enquanto o povo está vivendo na miséria!

  2. Intolerável também a farra sem limites das castas dos 3 poderes e dos que detém função de estado. Uma nojeira do abuso dos privilégios e mordomias, empacotando a miséria do país.

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Política

Governo Bolsonaro paralisa e esvazia conselhos e comissões

Ao menos 11 conselhos, comissões e outros colegiados de participação da sociedade civil no Executivo federal estão paralisados, tiveram regras alteradas ou foram extintos no governo Jair Bolsonaro.

Os casos estão vinculados aos ministérios da Agricultura, Cidadania, e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. As pastas afirmam que estão analisando a nomeação e recondução de integrantes ou reavaliando o funcionamento dos colegiados. Em ao menos seis conselhos e comitês ligados ao ministério comandado por Damares Alves há atrasos em nomeações e posse de representantes.

Na semana passada, a indicação da especialista em segurança pública Ilona Szabó para uma vaga de suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária chamou atenção para o tema e gerou desgaste para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O ministro precisou recuar da nomeação após pressão de seguidores bolsonaristas nas redes sociais. Ao Estado, Ilona afirmou que Moro se desculpou e disse a ela que “o presidente Bolsonaro não sustentava a escolha na base dele”.

O governo tratou dos colegiados já na publicação da primeira medida provisória do ano, que excluiu da sua estrutura o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão.

Atualmente existem na esfera federal cerca de 40 conselhos e outros mecanismos de participação. A maioria foi criada na década de 1990, depois da promulgação da Constituição de 1988. Os mais antigos, como o da Saúde, existem desde a década de 1930.

Os colegiados permitem que representantes da sociedade civil possam monitorar e deliberar políticas públicas em áreas como segurança alimentar, produção de alimentos orgânicos, combate à tortura, pessoas idosas ou com deficiência, diversidade religiosa e política indigenista, entre outros temas.

Alguns têm poder de editar normas com força de lei, a exemplo do Conselho Nacional de Meio Ambiente. Outros colegiados são instâncias consultivas.

As ações recentes do governo motivaram pedidos de explicação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, e recomendações para que conselhos sejam reincorporados.

Integrantes do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura foram eleitos no final do ano passado, mas os representantes ainda não foram formalmente nomeados pelo governo – procedimento indispensável para a retomada dos trabalhos.

Segundo um membro do comitê, a situação atrasou inspeções em presídios e a entrega de um relatório sobre condições de hospitais psiquiátricos no País, que estava em fase de finalização pela equipe de peritos. “Estamos vivendo um momento de descontinuidade”, disse o presidente do comitê, José de Ribamar Silva.

Além disso, outros cinco órgãos ligados à pasta comandada por Damares Alves também estão paralisados. Em nota publicada há cerca de duas semanas, o ministério enumerou conselhos, comitês e comissões vinculados à estrutura da pasta. Não são mencionados o Conselho Nacional de Política Indigenista e o Comitê da Anistia, que estão oficialmente sob responsabilidade da pasta de Damares de acordo com a medida provisória que estabeleceu a estrutura da atual administração federal.

Na medida provisória que definiu a nova estrutura de governo, o Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES) teve a representatividade da sociedade reduzida. O colegiado passou a ter representação “tripartite”, com o mesmo número de representantes do governo, de trabalhadores e de empregadores.

Setores do governo avaliam que os conselhos aumentam a burocracia na máquina pública e são aparelhados por grupos de esquerda. Ainda na fase de transição para a atual gestão, integrantes de 12 conselhos e comissões enviaram uma carta ao governo eleito na qual questionavam declarações do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre o “aparelhamento pela esquerda” dos conselhos.

Em uma reunião entre a Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura Familiar e representantes do Ministério da Agricultura, no fim de janeiro, produtores rurais ouviram da ministra Tereza Cristina que há “conselhos demais” na avaliação do governo. Na ocasião, a confederação pediu à ministra que retomasse os trabalhos do Condraf (desenvolvimento rural sustentável) e da Cnapo (agroecologia).

O governo indicou às lideranças do setor que as instâncias devem sofrer reestruturações e ter menos representatividade.

Segundo o secretário nacional de Agricultura Familiar, Fernando Schwanke, o ministério está reavaliando a funcionalidade dos conselhos. “Precisamos dar celeridade e desburocratizar processos. Os processos que passam pelos conselhos às vezes demoram muito tempo para serem avaliados”, disse ele.

Nomeações estão sob análise, diz pasta da Mulher

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirmou que os processos de nomeação e recondução de conselheiros estão em análise pela consultoria jurídica da pasta, em conjunto com a Advocacia-Geral da União (AGU).

Na última semana, foram nomeados integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), após a publicação de um manifesto criticando atrasos nos trabalhos do colegiado e adiamento de reuniões.

O Ministério da Agricultura disse que está reavaliando o funcionamento dos conselhos vinculados à pasta. O Ministério da Cidadania afirmou que o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi extinto, mas suas competências foram mantidas em outros órgãos.

“A partir dessa nova forma de organização, a entrega governamental se tornará mais célere”, disse a pasta, que não quis comentar as mudanças no Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES), que alteraram as regras de sua representatividade.

A Casa Civil respondeu que não acompanha a situação dos conselhos citados e os membros “não são designados por ato do ministro da Casa Civil ou do presidente da República”. Sobre o comitê de combate à tortura, disse que os mandatos “estariam encerrados, pois são de dois anos”.

Estadão Conteúdo

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Judiciário

STF mantém decisão que impede retorno de presos federais aos estados

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão individual do ministro Alexandre de Moraes que rejeitou o retorno de detentos de presídios federais para penitenciárias estaduais. A decisão foi proferida na sexta-feira (1º),
por meio de julgamento virtual.

Em outubro de 2017, a Defensoria Pública da União (DPU) protocolou no Supremo um pedido de habeas corpus coletivo que buscava retirar do regime de isolamento carcerário detentos que estão há mais de dois anos em presídios federais, obrigando o retorno deles a seus estados de origem. A defensoria argumentou que acordos internacionais e a Lei 11.671, de 2008, limitam o isolamento dos detentos pelo prazo de um ano, prorrogável por mais 365 dias.

Ao decidir a questão, Alexandre de Moraes, relator do caso, entendeu que a situação dos detentos em presídios federais não apresenta nenhuma ilegalidade, pois a própria lei não fixa prazo fatal [vencimento do prazo], mas autoriza sucessivas renovações da manutenção dos presos no recolhimento em estabelecimentos penais federais de segurança máxima.

Inconformada com a decisão, a DPU recorreu ao colegiado, que julgou a questão por meio de julgamento virtual, modalidade usada para decisões que têm entendimento pacificado.

A manutenção da decisão de Moraes foi tomada por maioria de votos. Votaram com o relator os ministros Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Marco Aurélio divergiu e foi o único a votar favoravelmente ao pedido da DPU.

No julgamento virtual, os ministros apresentam seus votos pelo sistema eletrônico sem se reunirem presencialmente. O plenário virtual funciona 24 horas por dia e os ministros podem acessar de qualquer lugar.

Em 2007, o pedido da DPU provocou polêmica porque, caso fosse acatado, presos como os traficantes Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, retornariam para presídios de São Paulo e do Rio de Janeiro, o que poderia facilitar o comando exercido por eles sobre grandes organizações criminosas.

No mês passado, os governos federal e de São Paulo transferiram 22 presos para penitenciárias federais. Segundo o governo, todos são líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Os detentos estavam no presídio de Presidente Venceslau, no interior do estado. Entre os transferidos, está Marcos Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder da organização criminosa.

Agência Brasil

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Polícia

Polícia prende dois homens por furtos em Barra de Maxaranguape

Policiais Civis da Equipe de Plantão de Barra de Maxaranguape, na manhã deste domingo (3), prenderam em flagrante Paulo Barbosa Roque e Paulo Rodrigues Santana, pela prática de crimes de furto.

As prisões ocorreram logo após denúncias de arrombamentos de veículos na localidade. Com os autores do crime, foram encontrados diversos aparelhos celulares e dinheiro das vítimas. Paulo Roque tem outras passagens pela polícia em razão do mesmo delito.

A Polícia Civil conta com auxílio da população no envio de informações que possam ajudar em investigações. As denúncias possuem garantia de sigilo e podem ser realizadas por meio do 181.

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Jornalismo

VENEZUELA: Desertores denunciam ameaças do Chavismo

O casal desceu com cautela um pequeno rochedo que marca a fronteira entre Brasil e Venezuela. Enquanto Adriana Balleri, de 20 anos, carregava no colo Adranelli, de apenas 1 mês, sob o inclemente sol de Roraima, o policial Cesar Marcano levava nas costas Cesar Jesus, de 2 anos. A mais velha, Alexandra, caminhava logo à frente.

O oficial Marcano desertou da guarda municipal de Carúpano, a segunda maior cidade do Estado de Sucre – zona portuária no leste venezuelano. Subordinada a autoridades chavistas municipais, a polícia de Carúpano exige lealdade de seu corpo de oficiais e desconfia de qualquer pedido de baixa ou de férias.

Com um salário mensal de 18 mil bolívares soberanos, o equivalente a R$ 18,24, Marcano não conseguia mais alimentar a família, principalmente os filhos pequenos. Com o soldo, comprava apenas dois quilos de frango para um mês inteiro. “Já não dava para sobreviver. Decidi desertar e tentar a vida no Brasil”, conta.

Ele e a mulher deixaram o Estado de Sucre com as crianças a tiracolo de madrugada, com medo de serem perseguidos. Levaram apenas a roupa do corpo. Na pequena mochila que servia de mala, Marcano carregava só a roupa das crianças.

Às vezes em ônibus, às vezes pedindo carona, passaram pelas cidades de Maturín, Ciudad Guayana e Eldorado até chegar a Santa Elena de Uairén, um trajeto de 944 quilômetros que levou uma semana. Ali, encontraram a fronteira fechada, por determinação do presidente Nicolás Maduro. Então, decidiram caminhar pelas “trochas” – trilhas ao longo da fronteira seca cujo percurso varia entre 40 minutos e 5 horas – para chegar ao Brasil.

Marcano é um dos cerca de 600 desertores que abandonaram as forças militares venezuelanas na última semana, com direção ao Brasil e à Colômbia, depois que a oposição tentou entrar com ajuda humanitária na Venezuela.

Em sua maioria, eles têm baixa patente – em Roraima, todos eram sargentos – e estão insatisfeitos com os baixos salários, a crise, a falta de comida, de remédios e a orientação de seus superiores para reprimir civis. O maior medo de todos é que algo aconteça à família. Ao contrário de Marcano, que era policial e servia na cidade onde morava, muitas vezes os militares e oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) são deslocados para postos distantes de casa.

Superiores usam pressão psicológica contra as deserções. Muitas vezes, dizem os soldados que romperam com o regime, grupos armados chavistas conhecidos como “coletivos” chegam a rodear as casas de parentes de soldados suspeitos de não serem leais ao regime. Ameaças de prisão e de tortura também são frequentes.

“Eles nos ameaçam de prisão e de tortura, dizem que vão nos levar ao Sebin (sede do serviço secreto venezuelano). Isso já aconteceu com vários amigos nossos”, disse outro sargento, Jose Antonio Moreno Peñaloza. “Os coletivos ameaçam nossas famílias para que não desertemos. Além disso, eles exigem que a gente reprima os civis.”

Para o primeiro sargento Carlos Eduardo Zapata, o moral da tropa está no chão por falta de comida. “Nós, sargentos da Guarda Nacional Bolivariana, estamos dormindo no chão, porque não temos colchão. O salário não dá para nada. Não estamos conseguindo pagar nossas necessidades básicas. Já não temos mais fardas e coturnos. Não temos nem dinheiro para comprar leite para nossos filhos”, afirma. “Temos medo por nossos parentes. Eles ameaçam prender nossos filhos ou matá-los. É assim que atua o governo.”

Os desertores contam ainda que, quando o oficial ascende na carreira, geralmente suas promoções estão vinculadas à lealdade a Maduro. Quando um capitão vira tenente-coronel, conta o sargento Jean Carlos Cesar Parra, é obrigado a fazer um curso de formação chavista. Dali em diante, o oficial só progride com base na lealdade à revolução bolivariana.

Parra revela ainda que os superiores vasculham celulares e Facebook dos praças para ver se estão contra o governo. “O alto comando militar não está preocupado com os problemas dos venezuelanos, porque vários integrantes viraram ministros”, disse. “Eles querem nos usar para trabalhar nas fazendas dos coronéis ou como guarda-costas de seus parentes.”

A aposta da oposição para derrubar Maduro, desde o início das movimentações do líder opositor Juan Guaidó, ainda em janeiro, era provocar uma cisão nas Forças Armadas Bolivarianas. Além do pequeno número de deserções – cerca de 600 em um universo de até 365 mil oficiais -, o fato de a maioria ter patentes baixas dificulta uma pressão política sobre o regime chavista.

A dificuldade em obter deserções de patente alta e média se dá também pelo profundo envolvimento dos militares com a economia formal e informal venezuelana, dizem os desertores. “Eles estão envolvidos com o petróleo, a mineração, a corrupção e o narcotráfico”, afirma o sargento Jorge Luis González Romero, sobre os mais de 2 mil generais das Forças Armadas. “Sempre são nomeados para ministérios e ficam mudando de cargos no governo para seguir ganhando dinheiro.”

Analistas veem pouco resultado na estratégia opositora, que ofereceu anistia a militares que não tenham cometido crimes contra a humanidade. Deserções de baixa patente não são novidade Só no ano passado, 4,3 mil oficiais desertaram da GNB, segundo a ONG Control Ciudadano. Desde 2015, de acordo com a mesma instituição, 10 mil oficiais pediram baixa das Forças Armadas.

“Ainda que um pequeno grupo de militares de baixa patente esteja desertando, a verdade é que não há indícios de implosão. Maduro ainda dá as cartas”, diz Luis Vicente León, do Instituto Datanálisis. “Os militares têm dois medos: perder o poder e os privilégios sem qualquer garantia de proteção e anistia, e levantar-se contra Maduro, mas a insurreição ser insuficiente para derrubá-lo.”

“Maduro deve anunciar um aumento de soldo ao Exército como incentivo de lealdade”, afirmou a diretora da Control Ciudadano, Rocio San Miguel, ao diário colombiano El Espectador. “As deserções vão continuar, mas a cúpula comprometida com os abusos de Maduro deve seguir apoiando o chavismo. Mas com um plano de fuga, porque ninguém vai se queimar por ele.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

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Trânsito

[VÍDEO] Motoristas flagram carro capotado na Ponte Newton Navarro

Opinião dos leitores

  1. Além dessa Toro, passou um GM Agile vermelho antes dela. Eu estava nesse congestionamento e presenciei.

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Cultura

Foliões fazem piada com caso Queiroz no carnaval do Rio

Um grupo de 48 foliões aproveitou o carnaval de rua do Rio para fazer piada com as suspeitas envolvendo movimentações financeiras atípicas pelo ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Fabrício Queiroz.

O professor de geografia Faber Paganoto, de 36 anos, estava fantasiado de caixa eletrônico, enquanto os outros 47 foliões vieram de “cheques laranjas” de R$ 2.000, numa alusão aos depósitos frequentes que o ex-assessor fazia e recebia para outros funcionários do gabinete de Flávio quando o senador e filho do presidente Jair Bolsonaro era deputado estadual no Rio

Paganoto contou que organizou a fantasia de protesto pelas redes sociais. “Joguei a ideia no ‘stories’ e as pessoas foram se juntando”, disse Paganoto, explicando que os 48 foliões estão formados por grupos de amigos, alguns que nem se conheciam anteriormente.

O professor falou ao Estado enquanto o grupo posava para fotos em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Várias das movimentacoes financeiras suspeitas foram feitas em caixas eletrônicos da Alerj. As movimentações foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em relatório feito a pedido do Ministério Público Federal do Rio e revelado pelo Estado.

O grupo de foliões seguia para o baile de carnaval do Cordão do Boitatá, na Praça XV, marco histórico do Centro do Rio, que fica ao lado da sede da Alerj.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Povinho seletivo esse, esse tipo de denúncia é rotina no coaf, inclusive membros dessa seita vermelha que esses imbecis veneram…..

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Economia

Arminio Fraga: ‘reforma deve passar, mas meio desidratada’

Não tem escapatória. Para sair do quadro de recuperação lenta da economia, o governo precisa passar a reforma da Previdência no Congresso Nacional, dado que aposentadorias e pensões respondem por mais da metade do gasto público e que a crise fiscal é a “grande espada sobre nossos pescoços”, avalia o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, em entrevista ao Estado.

O economista não vê espaço para o impacto fiscal das mudanças ficar abaixo do cerca de R$ 1 trilhão (em 10 anos) da proposta do Ministério da Economia, mas aposta num cenário mais realista, em que a reforma será aprovada “um tanto desidratada”, o que obrigará o governo a “caprichar muito” nas outras áreas.

Por que a recuperação da economia após a recessão está tão lenta?

De fato, tem sido uma recuperação lenta. Os dados de emprego e do PIB (Produto Interno Bruto, que cresceu 1,1% em 2018) divulgados recentemente confirmam isso. As origens (da lentidão) são múltiplas e têm a ver com um grau de incerteza geral ainda relevante. O governo é novo, de um grupo diferente, que nunca esteve no poder, com as naturais dificuldades de coordenação. A área onde estão as maiores oportunidades de investimento é a infraestrutura, mas, nesse setor, as coisas tendem a ocorrer de forma lenta. Outro aspecto diz respeito às famílias. Tem muita gente muito endividada, o que inibe o consumo. E, finalmente, na indústria há muitos setores com capacidade ociosa, o que inibe o investimento.

Nesse quadro, o Banco Central (BC) deveria baixar mais os juros?

O BC recuperou sua credibilidade, mas agora as expectativas de inflação estão próximas da meta, não há mais espaço relevante para cortes. Felizmente, o BC trabalha de maneira muito estruturada. Penso que essa política vai ter continuidade, mas não dá para esperar milagre só do BC.

Por que a reforma da Previdência é tão importante para enfrentar esse quadro?

A grande espada que está pairando sobre os nossos pescoços é a do lado fiscal. Temos uma situação fiscal bastante frágil, tanto no governo federal quanto na maioria dos Estados. A Previdência é pouco mais da metade do gasto, logo a solução tem de passar por ela. O ajuste necessário é grande, porque houve um colapso fiscal enorme a partir de 2014. Isso tem de ser revertido, para criar mais confiança, consolidar a trajetória de juros baixos e reduzir a incerteza. A Previdência gasta 14,5% do PIB, um número muito alto para um país ainda relativamente jovem. O ideal seria levar esse número para 12% do PIB ou menos, o que exige uma reforma de muito impacto.

A proposta do Ministério da Economia é suficiente?

Me parece boa, mas de menor impacto do que seria necessário para gerar um choque positivo de confiança. Além disso, ela pode ser desidratada no Congresso. Se não for na Previdência, de onde virá o ajuste? De áreas muito delicadas do ponto de vista social? Estamos num quadro de cobertor curto generalizado e a Previdência é o item de maior peso.

Há um valor mínimo para o impacto fiscal da reforma?

Para mim, não dá para cair abaixo do R$ 1 trilhão (em 10 anos) que se propôs. Pensando friamente, acho que vamos ter uma reforma boa, mas, possivelmente, limitada. E aí o problema vai seguir. As pessoas mais otimistas acreditam que essa reforma, ainda que um pouco desidratada no final, pode significar o início de um ciclo virtuoso de outras reformas, mas, na minha leitura, as probabilidades jogam contra.

Se não houver reforma da Previdência, a economia pode voltar à recessão?

Sim, o que seria dramático, posto que, com 12% de desemprego, o quadro já é dramático. Torço para que ao fim e ao cabo o mundo político tenha uma reação racional e procure caminhos de correção. Talvez seja mais torcida do que análise. Vi com bons olhos que o governo, na reforma da Previdência, chamou atenção às questões distributivas. Isso era algo que estava faltando, não tinha sido mencionado pelo presidente em seus pronunciamentos. Claramente, essa questão não pode ser deixada de lado. Não é só uma questão de justiça, o que claramente não é pouco, mas também uma questão de estabilidade política, sem a qual as coisas não vão andar.

Pesquisa do instituto MDA mostrou que 45,6% da população desaprovam a reforma da Previdência.

É preocupante, na medida em que sugere que os parlamentares, quando forem votar, terão pressão negativa das bases.

Qual estratégia de comunicação adotaria?

A estratégia tem de ser de mostrar a realidade das finanças públicas do Brasil e tentar convencer as pessoas de que as promessas implícitas na Previdência atual não são factíveis.

O ministro Paulo Guedes sugeriu desvincular todo o Orçamento como alternativa à reforma da Previdência. Daria certo?

Para funcionar, seria preciso mexer na própria Previdência, e também na estrutura salarial do governo. Um Congresso que não aprovar uma reforma como a proposta não vai dar ao governo esse poder gigantesco, não faz sentido. Se não passar nada no Congresso, aí vai ter pânico no mercado, paralisia econômica e aí aprova-se a reforma numa segunda tentativa. Acredito que a reforma será aprovada, um tanto desidratada, tudo indica, e aí o governo vai ter de caprichar muito no resto, muito mesmo. Vai ser um desafio enorme.

O resto são as reformas microeconômicas, a agenda de infraestrutura, a abertura da economia?

Sim, exato, sem esquecer os temas mais importantes: educação, saúde, saneamento, distribuição de renda. O Brasil precisa de uma boa reforma do Estado também.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Tudo de ruim que acontece em relação aos gastos de pensões e aposentadorias é fruto de desvios e roubos por parte desses políticos. Tem Magistrados que recebem atrasados de perdas inventadas só para eles que consegue desestruturar toda previdência. Portanto, a culpa é única e exclusiva deles. E a população só faz reclamar ! Eu acho pouco, paguem com essa inércia.

  2. A imprensa brasileira é um lixo, porque não cobram o fim de todas as mordomias da casta superior dos poderes públicos, não existe um jornal ou blog que tenha dignidade de cobrar isso. Vergonha

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