Finanças

Para ministro do STF Luiz Fux, é possível separar contas de Dilma e Temer no TSE

2016-905997884-2016-899562203-2014-693316815-2014-693245237-2014022739995.jpFoto: Gervásio Baptista

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), considera possível dividir as contas de campanha da ex-presidente Dilma Rousseff e do presidente Michel Temer, para haver julgamentos separados do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa. O pedido para separar as contas foi feito pela defesa de Temer. Segundo os advogados do presidente, as irregularidades ficariam todas na metade de Dilma, livrando Temer de perder o mandato recém conquistado por irregularidades na campanha.

— Tendo em vista preceito constitucional de que a pena não passa da pessoa do infrator, eu acho que não é irrazoável separar as contas prestadas — declarou Fux.

O ministro condenou qualquer possibilidade de anistiar doações ilegais de campanha, como se cogita no Congresso Nacional.

— Qualquer anistia a esses fatos vinculados à Lava-Jato seria repudiada pela sociedade brasileira. Não tem espaço para isso — afirmou.

A entrevista foi concedida ao GLOBO na casa do ministro, onde há CDs de todos os estilos espalhados. Ultimamente, ele diz que tem ouvido a banda inglesa Coldplay e a cantora americana Alicia Keys. Mas a reportagem também avistou perto do aparelho de som o CD de uma dupla sertaneja. Ele afirmou que também gosta bastante do estilo.

Na ocasião, Fux também defendeu mais cautela na hora de abrir inquéritos contra autoridades. Na corte, a praxe é a instauração imediata do inquérito quando o pedido vem da Procuradoria-Geral da República. Para Fux, é necessário haver indícios mínimos para justificar a medida. Ele considera que apenas uma delação premiada, por exemplo, não é o suficiente. Nesses casos, o ministro prefere ouvir antes o depoimento do investigado e do delator, para decidir se inicia mesmo a investigação formal.

— Eu não vou criar instaurações de inquérito que mancham imagem das pessoas sem o mínimo probatório — disse o ministro.

Fux é relator de alguns casos que foram abertos a partir de provas obtidas da Operação Lava-Jato, mas que não têm ligação direta com o esquema de corrupção na Petrobras. Entre os suspeitos sob a relatoria do ministro estão o senador Romário (PSB-RJ) e o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA).

Confira a entrevista completa:

As ações que pedem a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devem ser julgadas logo?

O andar das provas, mais a eleição, torna inviável o julgamento disso ainda esse ano.

O senhor acha possível separar as contas de campanha para julgar separadamente os processos contra os dois integrantes da chapa, como pediu a defesa do presidente Temer?

Tendo em vista preceito constitucional de que a pena não passa da pessoa do infrator, eu acho que não é irrazoável separar as contas prestadas.

No Congresso Nacional, há um movimento para anistiar doações ilegais de campanha. O senhor considera essa ideia viável juridicamente?

Qualquer anistia a esses fatos vinculados à Lava-Jato seria repudiada pela sociedade brasileira. Não tem espaço para isso.

O senhor é relator de alguns processos cujas provas surgiram na Lava-Jato. Considera que haja indícios suficientes contra os investigados?

Eu tenho alguns casos da Lava-Jato sigilosos. Por enquanto, são casos baseados tão somente em delações unilaterais, sem o acompanhamento de indícios. Para instauração de inquérito, não basta a delação, tem que ouvir o delator e o delatado.

Existe uma prática no STF segundo a qual, quando o procurador-geral da República pede, o tribunal instaura sempre o inquérito. O senhor não segue a prática?

A jurisprudência é de que, o procurador pedindo o arquivamento, se arquiva. Mas quem tem de aferir a legitimidade da instauração é o magistrado, levando em consideração que, nesse momento inicial, tem que ter um mínimo de provas. Robustece muitíssimo o início da ação penal o acompanhamento de outras provas que conduzam a uma propensão de que tudo aquilo é verdadeiro. Só a delação, eu não acho indício mínimo.

O senhor é mais cauteloso nesse aspecto que os outros ministros do STF. Por quê?

Eu entendo que um inquérito aberto contra uma autoridade que exerce uma função pública cria uma mancha indelével na carreira dela. É preciso que haja critério para isso.

Recentemente, o senhor arquivou elementos que chegaram ao STF contra o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, antes de iniciar uma investigação. Por que agiu assim?

O artigo 40 do Código do Processo Penal diz que se o juiz verificar que há indícios de infração, ele manda apurar. Mas se o juiz verificar nos autos que não tem (indícios), não tem. Numa diligência realizada na empresa J&F, foi encontrado um contrato de honorários entre a empresa e o doutor Alexandre de Moraes Advogados Associados, pessoa jurídica, por prestação de serviços advocatícios numa época em que ele não exercia função pública. A remessa dos autos foi neutra. Disseram “encontramos isso”. Não era pedido para abrir inquérito. Não tinha nada de errado, zero. Se eu tenho esse pensamento de que é preciso ter um mínimo de prova, eu não vou criar instaurações de inquérito que mancham imagem das pessoas sem o mínimo probatório.

Esse momento de Lava-Jato é de depuração da política?

Eu acho que a Lava-Jato acabou acidentalmente nas investigações entrando na área política e empresarial. Foi decorrente de um trabalho muito bem elaborado pela Procuradoria da República no Paraná e também pela presteza e técnica do juiz Sérgio Moro, que é especialista em delitos de organização criminosa.

Há quem diga que as denúncias contra petistas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, configuram perseguição política. O senhor concorda?

Eu acho que a condução da Lava-Jato é técnica e estritamente penal. Os tipos (penais) são definidos à luz dos fatos e não se revela nenhum caráter de perseguição política. Como eu disse do mensalão, ali não foi julgamento político, foi julgamento criminal. Mensalão e petrolão são questões estritamente criminais. Não é perseguição política.

O senhor concorda com a forma como as delações premiadas são feitas?

A delação tinha que ser feita não só na presença do Ministério Público, mas de um juiz também. O destinatário da delação é o juiz, ele tem que conhecer desde a origem. Ele assistiria à delação, para ele acompanhar as técnicas persuasivas da delação.

O senhor tem simpatia por algum partido?

Depois da investidura, o juiz adquire independência, muito embora ele possa ter afeição por alguma ideologia pretérita em relação a algum partido político.

A ideologia pretérita do senhor era o PT?

– (Ficou em silêncio.)

Qual a opinião do senhor sobre o processo de impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff?

Eu acho que foi um processo político compatível com Estado Democrático de Direito.

Foi questionado no STF o fato de o Congresso ter fatiado o resultado do julgamento do impeachment. Ou seja, condenou a presidente à perda do cargo, mas declarou que ela estaria habilitada para ocupar outros cargos públicos. É possível o STF anular apenas a segunda parte do julgamento, mantendo a primeira?

Sim, o Supremo anularia a parte oficiosa. Diria que é consequência da Constituição (o impedimento). A deferência do STF ao Legislativo não autoriza ele a cometer inconstitucionalidade no julgamento do impeachment. Para declarar o impeachment, o Senado é autoridade plena e já o fez. A declaração do impeachment é irreversível. Não pode mexer nessa parte. Mas a parte remanescente inconstitucional é passível de verificação pelo STF.

Na análise do senhor, o STF conseguiu atuar de forma imparcial no processo de impeachment?

Acho que o Supremo exerceu um papel bem procedimentalista. Repetiu as regras do antigo julgamento (Fernando Collor). Não havia porque fazer diferente.

Como o senhor avalia a política brasileira atual?

Eu acho que essas eleições trouxeram várias pessoas com vocação para política.

O senhor destacaria alguém?

Eu não queria citar, porque tem gente boa de vários lugares. Abstratamente considerando que ficou tudo tão cercado, só entrou para a política quem tem vocação, porque já sabe que a vigília vai ser constante.

Como o senhor avalia a atuação do STF para mudar o cenário político?

Uma coisa que eu acho importante é que o Supremo, através de um ativismo, decorrente da judicialização da política, conseguiu empreender no Brasil uma expressiva reforma eleitoral, através da eliminação dos gastos de campanha, com o financiamento de pessoa jurídica, através da Lei da Ficha Limpa, e com certeza vai rever em breve a questão da cláusula de barreira.

O STF está julgando a extradição de um argentino acusado de crime contra a humanidade. O argumento é de que esse tipo de crime é imprescritível e, por isso, não estaria acobertado pela Lei da Anistia. O senhor concorda?

Se você analisar as petições iniciais que o STF já julgou em relação à Argentina, todas elas dizem respeito a crimes de lesa humanidade e não foram considerados imprescritíveis. Os crimes estão prescritos no Brasil, não pode haver extradição. A Lei da Anistia não tratou de crime de lesa humanidade, porque a categorização jurídica não significa que a ação seja outra. O que importa são os fatos, se matou, sequestrou. Isso foi considerado prescrito pelo STF. Pouco importa se o crime é de lesa humanidade.

Se o argentino foi extraditado, abre uma brecha para que a Lei de Anistia seja questionada em outros processos?

Abre uma brecha grande para se considere fora da Lei da Anistia os crimes de lesa humanidade. Os crimes de lesa humanidade seriam imprescritíveis.

É pertinente rever a anistia nesse momento?

O STF já se pronunciou sobre a anistia. É uma decisão do Supremo irrecorrível. O STF reconheceu constitucionalidade da Lei da Anistia e a provocação desse tema agora seria, além de inoportuna, inconveniente, sob pena de gerar uma instabilidade institucional.

Aguarda julgamento no STF um processo que pede que o poder público seja obrigado a fornecer creches para crianças em idade pré-escolar. O senhor acha que isso poderia comprometer as finanças dos municípios?

Os municípios não vão ter condições de manter. A gente impôs aos colégios particulares adaptação para deficiente físico. Mas colégio particular ganha dinheiro. Agora, municípios não vão ter o dinheiro.

Para o senhor, é o momento de segurar essas pautas que oneram o serviço público?

Sim. Hoje, há um raciocínio consequencialista pragmático que não gere resultados que acarretem grandes repercussões econômicas na receita das unidades da federação. Isso é um sentimento geral, porque o Supremo é um órgão que visa a garantia da governabilidade, sob todos os aspectos.

O processo que discute se o poder público tem obrigação de fornecer medicamentos de alto custo a pacientes sem condições financeiras se insere nesses casos? O governo argumenta que essas liminares podem ameaçar o funcionamento no SUS. O senhor se sensibiliza com essa tese?

Não. Eu parto da experiência comum. Quantas pessoas nós conhecemos que sofrem de doenças raríssimas? Eu conheço pouquíssimas. Eu acho que isso é o preço que uma sociedade que se propõe a ser justa e solidária tem de pagar.

O STF também deve julgar em breve a legalidade da PEC do ensino médio, que prevê ensino integral. O poder público vai ter dinheiro para bancar isso? O STF deve levar isso em consideração, ao julgar o tema?

Eu tenho a impressão de que, para apreciar essa questão do ensino médio, o Supremo vai necessitar de uma audiência pública. Há questões interdisciplinares em relação às quais o STF não tem domínio. É preciso que ele se municie de elementos técnicos para dar uma solução justa. Não pode ser só uma solução que se preocupe com as contas do governo, porque ministros do STF não são ministros da Fazenda.

Nesse contexto de redução de gastos públicos, é hora de pedir reajuste salarial para ministros do STF?

O momento da crise econômica é um momento de cooperação entre os Poderes. É possível postergar essa reivindicação.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Rapaz parece até q ocorreram duas eleições,
    uma de presidente e outra desvinculada de vice igual a de Getúlio Varias e Café Filho em 1950….

  2. Rapaz, esses ministros estão a cada dia se superando. Esperando pra ver até onde esses camaradas chegam kkkkkkkkkk. Alguém já viu votar em vice ? vice e merda (desde que não seja golpista) é a mesma coisa

  3. Se pode deixar a Dilma elegível, apesar da CF dizer o contrário, quanto mais fatiar prestação de contas.

  4. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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Geral

Análise: Jornalista William Waack aponta interesse do STF nas eleições por causa de luta pelo poder

Reprodução / CNN

Em uma análise realizada na CNN Brasil, o jornalista William Waack comentou sobre um possível interesse do Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições devido a uma “luta pelo poder”.

“​”A todos vale a presunção de inocência, e por isso que não se pode tratar Lula, filho do presidente Lula, ou qualquer outra pessoa, chamado como culpado até seja investigado, caso necessário, julgado, eventualmente condenado.”, afirmou o jornalista.

Ainda de acordo com Waack, do ponto de vista político, porém, a abertura de um terceiro inquérito da Polícia Federal contra o filho do presidente por suspeita de tráfico de influência já causou considerável abalo político.

​”Não, não é só a questão eleitoral, isso aí é para lá de óbvio. É a oposição ao presidente, mas não é só isso. É a questão do funcionamento das instituições de Estado, é isso que está em jogo agora.”, disse o apresentador da CNN.

Waack disse ainda que é no Supremo que se concentram hoje não só as investigações dos principais escândalos do país, assim como personagens centrais das investigações, como o Careca do INSS, que surge com insistência numa espécie de triangulação envolvendo Lula e a empresária amiga, segundo as investigações da Polícia Federal.

​”O interesse do Supremo nisso tudo é político. Uma das alas da corte tem enorme apreensão com as eleições, portanto, com tudo o que possa influenciar de alguma maneira nessa decisão… E qual o interesse do STF nas eleições? A sobrevivência do grupo”, concluiu o jornalista.

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Geral

Cadu Xavier e Fátima Bezerra devem desculpas a Walter Alves?

Durante a audiência com representantes do Governo Fátima Bezerra (PT) nesta segunda-feira (03), na Governadoria em Natal, lideranças sindicais ouviram relatos que os deixaram apreensivos, em relação às dificuldades para funcionários ativos e inativos do Estado. Um cenário que tinha sido previsto e antecipado pelo vice-governador Walter Alves (MDB). Em vários pronunciamentos nos primeiros meses do ano, ele previu atrasos salariais e maior comprometimento do erário, com agravamento de crise fiscal.

De acordo com o blogueiro Carlos Santos, em uma audiência foi deixado claro que a regularização dos empréstimos consignados com repasses às instituições financeiras, só deverá ocorrer até 10 de dezembro. A promessa era de que tudo seria normalizado até dezembro de 2025. Bateu um ano que estado recolhe do servidor e não repassa em dia aos bancos/financeiras mês a mês.

Em relação ao 13º salário, ainda não há previsão de pagamento, embora a legislação estabeleça o prazo até 20 de dezembro. Nos últimos anos, parte desse compromisso tem ficado para o início de janeiro do exercício financeiro seguinte.

Sobre pagamento salarial que tem atrasado, com especial problema para aposentados e pensionistas é previsto que o problema vai continuar.

Rombo

O déficit financeiro/mês do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (IPERN) é de cerca de R$ 150 milhões, enquanto o déficit atuarial total (a dívida acumulada para garantir pagamentos futuros) passa de R$ 55,94 bilhões.

“A chance de atraso salarial é zero”, chegou a afirmar em entrevistas o atual pré-candidato a governador pelo governismo, então secretário de Estado da Fazenda, Cadu Xavier (PT).

A governadora Fátima Bezerra foi até mais além, julgando que tudo estava sob controle, além de acusar o vice-governador de participar de manobra para favorecer a oposição, ao não aceitar assumir governo.

Diante desse cenário, o mínimo que Cadu e Fátima deveriam fazer seria pedir desculpas ao ex-vice governador Walter Alves.

Blog Carlos Santos

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Vídeo registra agressões físicas entre jipeiros em Ponta Negra

Uma confusão envolvendo jipeiros foi registrada na manhã desta segunda-feira (3), em Ponta Negra. De acordo com relatos de testemunhas, a discussão evoluiu para agressões físicas entre os envolvidos.

Segundo as informações que circulam nas redes sociais, um dos participantes seria policial penal e estaria armado no momento da confusão. Apesar da tensão, não houve registro de disparos ou de feridos graves.

Logo após o incidente, imagens que circulam nas redes sociais mostram um veículo da Polícia Penal na região onde a confusão aconteceu. No entanto, não há confirmação oficial de que a presença do veículo esteja relacionada diretamente à ocorrência.

O episódio chama a atenção para a necessidade de medidas que evitem novos confrontos entre grupos de jipeiros, especialmente para impedir que situações como essa possam resultar em consequências mais graves.

Até o momento, não foram divulgadas versões oficiais sobre o caso nem informações sobre eventuais providências adotadas pelas autoridades.

Todo Natalense

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Lula x Flávio: cenário é acirrado nos maiores colégios a 2 meses da eleição

Arte / Metrópoles

A dois meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em oito estados no primeiro turno, de acordo com pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente. Em outras seis unidades da Federação, a disputa entre presidenciáveis se mostra acirrada e registra empate técnico, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera em dois estados.

O levantamento do Metrópoles considerou pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas duas semanas em 16 estados brasileiros. Portanto, 11 unidades da Federação ficaram fora: Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

O cenário atual indica indefinição nos maiores colégios eleitorais e principais palanques almejados pelos presidenciáveis. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — que concentram 63,3 milhões de eleitores —, as pesquisas registram empate técnico.

Nos casos de São Paulo e Rio de Janeiro, o filho de Jair Bolsonaro lidera numericamente, dentro da margem de erro, segundo levantamentos Genial/Quaest divulgados na última semana. Já em Minas Gerais, Lula aparece à frente por um ponto de diferença.

Os dados também mostram a hegemonia do petista em estados da Região Nordeste, com índices acima de 50% em Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Significa que, se a eleição fosse hoje e dependesse desses estados, acabaria no primeiro turno.

Entre os estados analisados, Flávio lidera em dois deles — no Acre, ele venceria no primeiro turno, de acordo com sondagem da AtlasIntel publicada na segunda-feira (3/8).

Metrópoles 

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RN tem menor aplicação de recursos na saúde dos últimos 10 anos

Foto: Geraldo Jerônimo/Inter TV Cabugi

O Rio Grande do Norte registrou, no primeiro semestre de 2026, a menor aplicação de recursos próprios em saúde dos últimos dez anos.  A informação foi divulgada pelo jornal Tribuna do Norte, com informações do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), que apontou que o Estado destinou 7,04% das receitas vinculadas à área até junho. O resultado ocorre em meio às discussões sobre a situação fiscal do Estado e, segundo especialistas, amplia os desafios para o financiamento da rede pública de saúde.

O percentual de 7,04% mostra quanto das receitas de impostos e transferências constitucionais foram efetivamente aplicadas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), conforme determina a Lei Complementar nº 141/2012, que deve atingir 12% até o final do ano.

O número representa a parcela das receitas de impostos e transferências constitucionais que já foi destinada à saúde ao longo do exercício. Quanto maior o percentual, maior a proporção da arrecadação própria do Estado aplicada em ações e serviços públicos de saúde.

O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), Arthur Néo, explica que adiar a execução orçamentária da saúde para os últimos meses do ano aumenta os riscos para o funcionamento da rede de atendimento. “O Estado precisará praticamente dobrar o ritmo de execução orçamentária no segundo semestre. Isso gera gargalos burocráticos, pressão sobre as comissões de licitação e maior risco de contratações apressadas e ineficientes”, afirma.

Ele também avalia que a saúde pública depende de um fluxo contínuo de recursos e não pode ser tratada como uma despesa que pode ser postergada sem impactos diretos sobre a população.

“A concentração de liquidações no final do ano costuma resultar em um volume elevado de obrigações inscritas em restos a pagar. Se não houver disponibilidade financeira correspondente ao fim do ano, transfere-se o ‘déficit oculto’ para o ano seguinte, empurrando a crise fiscal em bola de neve”, afirma Néo.

As despesas em saúde somaram R$ 668 milhões nos seis primeiros meses de 2026. Em 2026, o valor mínimo que deve ser aplicado até o final do ano em saúde é de R$ 1,138 bilhão, aponta o RREO. Até 2023, o Estado chegava ao fim do primeiro semestre com cerca de 11%. Desde 2024, o índice vem caindo.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) disse que a não regularização dos sequestros judiciais realizados na conta única do Estado impacta diretamente o percentual. E, durante os primeiros meses do ano, é priorizado o pagamento de despesas inscritas em restos a pagar.

A Sesap informou ainda que vem adotando medidas para cumprir o mínimo constitucional de aplicação em saúde até o fim do ano. Entre elas estão o monitoramento da execução orçamentária, a aceleração da liquidação de despesas e a regularização dos bloqueios e sequestros judiciais.

A Tribuna do Norte questionou a pasta sobre quanto foi pago em restos a pagar no primeiro semestre de 2026. Mas não houve resposta.

Segundo a presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Giana da Escóssia Melo, a redução dos investimentos se reflete na escassez de insumos, na sobrecarga das equipes médicas e no represamento de atendimentos. “A gestão dos recursos da saúde exige prioridade absoluta, planejamento rigoroso e responsabilidade contínua”, defende.

Para o conselho, embora a situação fiscal do Estado possa afetar a capacidade de custeio e investimento, a saúde deve ser tratada como prioridade orçamentária. “Quando restrições fiscais passam a comprometer a manutenção básica de hospitais, o abastecimento de medicamentos e a regularidade do pagamento de prestadores e profissionais, fica claro que a crise financeira ultrapassou os limites administrativos e atingiu a ponta do atendimento”, revela Melo.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um procedimento sobre a aplicação de recursos na saúde para acompanhar a execução orçamentária e financeira dos recursos destinados à Sesap.

O procedimento considera que o RN tem apresentado evolução abaixo da esperada no cumprimento do percentual mínimo constitucional de aplicação em saúde. Segundo o Ministério Público, o Estado vem registrando uma média de investimentos próprios em ASPS inferior à de outros estados do Nordeste.

No documento, a promotoria destaca que a previsão orçamentária para a saúde em 2026, apresentada durante reunião do Conselho Estadual de Saúde, foi de R$ 3,579 bilhões, equivalente a 12,5% das receitas estaduais estimadas para o setor.

O procedimento também menciona preocupações levantadas por conselheiros estaduais de saúde durante a discussão do orçamento de 2026, incluindo a redução de dotações previstas para algumas áreas em comparação com a Lei Orçamentária de 2025 e a necessidade de diálogo com parlamentares sobre os recursos destinados ao setor.

Diante desse contexto, o Ministério Público mantém o acompanhamento da execução orçamentária da saúde para verificar se o Estado assegura recursos suficientes para garantir a prestação dos serviços. Uma nova reunião deve acontecer no dia 6 de agosto para discutir o tema.

Saúde tem dívida de R$ 545 milhões

A Sesap acumula R$ 545,31 milhões em restos a pagar processados, que correspondem a despesas já liquidadas — ou seja, com o serviço prestado ou o bem entregue, mas que ainda aguardam pagamento.
Para o economista Arthur Néo, o baixo percentual de aplicação de recursos na saúde reflete a crise fiscal enfrentada pelo Estado. “Do ponto de vista da economia do setor público, esse indicador reflete o estrangulamento de caixa e a severa rigidez orçamentária do Estado”, alerta.

O economista avalia ainda que o problema não está na arrecadação, que continua crescendo em termos nominais, mas na falta de fluxo de caixa para manter os pagamentos da saúde em dia.

Em resposta à Tribuna do Norte, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) afirmou que o percentual de aplicação de recursos em saúde apurado ao longo do semestre representa apenas um acompanhamento parcial da execução orçamentária e não indica, por si só, o cumprimento ou descumprimento do mínimo constitucional.

A secretaria citou como exemplo o ano de 2018, quando o Estado registrava um dos maiores percentuais de aplicação até o terceiro bimestre, mas encerrou o exercício com 10,58%, abaixo do mínimo constitucional.
A Sefaz acrescentou que, desde 2019, o RN tem cumprido a exigência constitucional de destinar pelo menos 12% das receitas próprias às ações e serviços públicos de saúde.

Recursos

Percentual aplicado em saúde no primeiro semestre

2016 10,93%
2017 11,09%
2018 12,90%*
2019 9,84%
2020 12,10%
2021 11,08%
2022 11,25%
2023 11,11%
2024 9,65%
2025 7,78%
2026 7,04%

*O número referente a 2018 não constava no relatório e foi calculado manualmente.

Amanda Miranda / Tribuna do Norte

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Geral

Coronel amigo de operador do PCC cuidou da segurança de Moraes em São Paulo

Reprodução / PF

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, descrito em investigação da Polícia Federal (PF) como amigo de dois suspeitos de operar movimentações financeiras para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuou como chefe da assessoria militar da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).

De acordo com publicações de gratificações no Diário Oficial do Estado, Pereira Martins ocupou a função pelo menos entre outubro de 2014 e dezembro de 2016, período que engloba as gestões do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de seu sucessor, Mágino Alves Barbosa, à frente da pasta.

Atualmente, Barbosa atua como advogado no escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes. Segundo ele, o coronel foi designado para a função na gestão de Fernando Grella, que assumiu a SSP em 2012, e permaneceu à frente da assessoria militar da pasta até 2016.

A Assessoria Policial Militar tem como atribuição realizar a segurança física do prédio da SSP e “garantir a proteção pessoal do titular da secretaria” quando determinado, além de atuar como um assessor direto do secretário em assuntos relacionados à Polícia Militar.

Investigação da PF

A PF identificou conversas entre o coronel e os operadores Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins datadas até novembro de 2023. Em uma delas, Pereira Martins convidou Cléber para sair com “amigos da minha turma de coronéis”.

O relatório define o oficial como “grande amigo” da dupla, presa em 21 de julho em operação do Ministério Público de São Paulo, e afirma que ele “parece abrir portas na corporação PMESP para Cléber e o grupo”. Embora citado, Pereira Martins não foi preso e também não está entre os acusados de integrar o núcleo financeiro.

A análise foi baseada em mensagens, áudios, fotografias e documentos extraídos de celulares apreendidos com os operadores. O relatório também examinou a hipótese de pagamentos a oficiais da PM, mas informou não haver elementos suficientes para confirmá-la quando o documento foi concluído, em novembro de 2024.

Segundo o documento, o coronel da reserva também aparece em mensagens tratando do uso das colônias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), entidade na qual é diretor.

Em nota, a AOPM afirma que o coronel “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas” e que os fatos apontados demonstram que o Coronel Pereira “mantinha relações sociais e de amizade com pessoas num período em que sobre elas não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o coronel da reserva está na inatividade desde abril de 2019 e não exerce funções na Polícia Militar. “A SSP não compactua com desvios de conduta. Eventuais responsabilidades serão apuradas com rigor, observados o devido processo legal e a autonomia das investigações”, disse a pasta.

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Geral

Viralizou: Perfil do Instagram divulga suposto Campeonato de Manicaca em Grossos

O perfil joãocarlos_oficial1, que é uma página de humor da cidade de Grossos, divulgou nos últimos dias a suposta realização de um Campeonato de Manicaca, que seria realizado no município.

Segundo a postagem, o vencedor levaria para casa uma premiação de R$ 3.000 e os participantes ganhariam uma camisa personalizada com a frase: “Quem manda em mim é a minha mulher”.

Ainda não há informações sobre datas e horários, mas quem se enquadrar no perfil deve ficar atento às atualizações.

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Geral

Ministro da Justiça despacha pedido de Lulinha para apurar vazamentos

 BRENO ESAKI/METRÓPOLES

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, despachou o pedido da defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para investigar o suposto vazamento de dados do inquérito da Farra do INSS. Segundo fontes do ministério, os advogados de Lulinha estiveram na sede da pasta na segunda-feira (3/8) e protocolaram formalmente o pedido de investigação, revelado pela coluna.

Após o protocolo, o ministro da Justiça encaminhou o documento para a Corregedoria-Geral da Polícia Federal (PF), seguindo o mesmo fluxo institucional adotado em casos semelhantes, segundo aliados de Lima e Silva.

Como noticiou a coluna, a estratégia da defesa de Lulinha de provocar o Ministério da Justiça não foi por acaso. O objetivo foi fazer com que Wellington se posicione sobre o assunto.

Até agora, Wellington vinha tentando se distanciar da disputa entre a PF e o STF, embora a corporação seja subordinada ao ministério. Essa postura incomodou os advogados do Lulinha e integrantes do governo.

Além do Ministério da Justiça, a defesa do filho mais velho do presidente Lula acionou diretamente a Corregedoria da PF para pedir a investigação do suposto vazamento de dados sigilosos.

Metrópoles 

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Política

Governo Fátima ignora cláusula que permite conceder Aeródromo de Caicó à iniciativa privada

Foto: Divulgação

O Blog do BG obteve uma cópia do convênio de delegação assinado em 2012 pela União com o Governo do Estado para exploração pelo prazo de 35 anos do Aeródromo de Caicó. Na cláusula quarta, o documento prevê que a gestão estadual poderia repassar a operação do equipamento à iniciativa privada, através de licitação, sem perder a responsabilidade sobre o aeródromo.

O aeródromo estava fechado desde janeiro de 2022, mas tinha sido reaberto graças à iniciativa da Associação Comunidade Aeronáutica de Caicó, que conseguiu a liberação junto à Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC).

O Governo do Estado, no entanto, conseguiu que o aeródromo fosse fechado de novo pela ANAC. Em vez de buscar uma solução em parceria com iniciativa privada, como prevê o convênio, a gestão petista acha melhor que o equipamento continue sem funcionar, quando poderia estar estimulando o desenvolvimento da região.

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Eleições 2026

PL afunila escolha de vice de Flávio entre Rogério Marinho e Priscila Costa

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Diante da resistência dos partidos do Centrão de fechar uma coalização com Flavio Bolsonaro, dois nomes do PL voltaram a ser apontados como os mais prováveis para ser vice do candidato: o do senador Rogerio Marinho (RN) e o da vereadora de Fortaleza Priscila Costa.

O nome de Priscila é visto como positivo por cinco motivos:

  • É mulher;
  • É muito próxima a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro;
  • É evangélica e filha de uma liderança religiosa, o pastor Freitas Rego, presidente da Assembleia de Deus Bela Vista;
  • Ajudaria o PL a cumprir a cota que o partido é obrigado a atender com candidaturas femininas, já que a campanha a vice precisa de mais recursos;
  • É do Nordeste, onde o presidente Lula tem vantagem.

Já o de Rogerio Marinho também é apontado como forte na disputa. A avaliação é que ele traria senioridade e experiência para Flavio, além de uma capacidade de fazer a campanha se reaproximar dos agentes econômicos.

O PL tenta ainda até quarta-feira uma reviravolta para fechar aliança com PP, União Brasil e Republicanos, mas a cúpula do partido avalia que essa possibilidade está cada vez mais difícil.

CNN

 

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