O Ministério Público Estadual negocia com o marido de Carla Ubarana, George Leal, a assinatura do termo de delação premiada. Até o momento apenas Carla Ubarana firmou o compromisso de esclarecer todos os níveis do esquema de desvio de recursos que funcionava dentro do setor de precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, conhecido como delação premiada. Segundo fontes, George não firmou o compromisso na semana passada alegando “não se sentir bem fisicamente” para prestar depoimento. Mesmo assim, as negociações continuam e a expectativa do MPE é conseguir a assinatura nos próximos dias.

Os promotores do Patrimônio Público afirmaram, através da Assessoria de Imprensa do MPE, que estão conversando com o acusado para conseguir a delação premiada. “Existem conversas, mas nada foi assinado ainda”, falaram os promotores através de sua Assessoria. Além de falar pela primeira vez acerca de sua participação no esquema da divisão de precatórios, George Leal terá de apontar novas provas que possam ajudar a esclarecer totalmente os fatos relativos à Operação Judas. Um dos focos é identificar participantes ainda não implicados nas investigações.
Carla Ubarana e George Leal estão em casa desde a terça-feira passada, depois de conseguirem a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar. A conversão fez parte de um acordo de delação premiada com o Ministério Público. A assinatura, entretanto, não garante os benefícios da colaboração porque é necessário que as informações tenham uma influência considerável na elucidação dos fatos.
No Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, a ex-chefe da Divisão de Precatórios respondia diretamente à Presidência da instituição. Carla Ubarana permaneceu no cargo durante as gestões dos desembargadores Oswaldo Cruz, Rafael Godeiro e Judite Nunes, que exonerou a servidora em janeiro deste ano, designando uma comissão para investigar irregularidades já comprovadas, no setor. Segundo informações dessa comissão, as fraudes abrangem o período de 2009 a 2011.
A prisão domiciliar de Carla Ubarana está cercada de um forte esquema de segurança, que conta com a guarda 24h de policiais do Bope, o grupo de operações especiais da Polícia Militar. Quatro agentes do grupo se revezam à frente da casa de Carla Ubarana. Além disso, uma caminhonete do Bope fica postada à frente do portão da residência do casal, que tem portas e janelas blindadas. A segurança foi uma exigência dos acusados e fez parte do acordo com o MP. Carla e George afirmam ter sido ameaçados de morte na prisão. As informações oficiais acerca da delação premiada de Carla Ubarana não incluem a citação de novos acusados de participação nas fraudes dos precatórios. Contudo, segundo fontes da TRIBUNA DO NORTE, a ex-chefe da divisão de precatórios mantém um diário onde aponta outros participantes e dá detalhes do funcionamento do esquema. Carla também revelou a pessoas de sua intimidade que era apenas um “laranjão” nas fraudes.
Na próxima sexta-feira será realizada uma audiência da ação penal contra o casal Ubarana, onde Carla e George falarão na presença do juiz da 7a. Vara Criminal, José Armando Pontes.
Fonte: Tribuna do Norte
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