Pug testa positivo em família norte-americana que contraiu a COVID-19

Foto: Yuttana Jaowattana/Shutterstock

Um cachorro da raça pug, que pertence a uma família que contraiu o novo coronavírus (COVID-19), teve a doença detectada após estudo. Este é o primeiro caso de um diagnóstico positivo em um animal de estimação nos EUA. Em Hong Kong, cães também já apresentaram o vírus, embora, em nenhum desses testes, pode-se provar que eles possa ser transmitido pelos pets.

O estudo conduzido pela universidade de Duke, na Carolina do Norte, foi realizado após a família ter sido diagnosticada com a COVID-19. Eles notaram que o animal já não tinha o mesmo apetite que de costume. No entanto, outro cachorro e um gato que também convivem com eles, não contraíram a doença.

PETS X COVID

“De modo geral, eles podem adquirir e manifestar o novo coronavírus (COVID-19) em contato com aqueles já infectados. Mas não existe nenhuma prova de que ele possam espalhar a doença”, esclarece à CNN, Amanda Neri, médica veterinária pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). “É importante ressaltar que todos esses animais que foram contaminados conviviam com pessoas já diagnosticadas com o vírus”, completa.

Amanda alerta sobre a importância de não gerar pânico quanto a relação de pets e a COVID-19, pois não existem provas quanto ao contágio. E ainda, o alarde aumenta significantemente os crimes de abandono animal. “O que devemos sim continuar fazendo é seguindo as recomendações dos órgão de saúde e lavarmos as mãos. Assim, estamos blindados contra qualquer forma de transmissão”, ressalta.

Gato x COVID

Um estudo recente aponta que gatos podem transmitir a COVID-19. No entanto, Amanda ressalta que essa informação isolada gera uma repercussão negativa. “Os gatos naturalmente são mais suscetíveis a doenças que outros animais. Este estudo foi realizado com filhotes, e essa é a fase em que o gato menos tem imunidade, ou seja, é uma análise ainda sem revisão”, explica.

Em relação aos hábitos do felino, “mesmo sem o corona, não recomendamos que gatos saiam livremente de casa pois eles brigam, adquirem doenças, cruzam – e como consequência há uma perda do controle populacional”.

Cuidado animal

Assim como devemos seguir as recomendações de higiene dos órgãos de saúde e de competência sanitária, cães e gatos devem redobrar a higiene durante a pandemia. Amanda explica que é importante lavar as patas dos animais quando eles saírem. “Você pode usar água e sabão, álcool gel e lenços umedecidos para fazer a higienização das patinhas”, afirma a veterinária.

Já o uso de máscaras, fica restrito somente aos humanos, uma vez que “essa proteção é ineficiente para os animais, pois eles se lambem e assim espalhariam o vírus por todo o corpo”, explica.

Vacina

Existem tipos de coronavírus que atingem cães e gatos, mas que “não têm relação com a COVID-19”, afirma a doutora. “Eles são da mesma família, mas se manifestam de formas distintas”.

Nos cachorros, a vacina V10, aplicada nos animais ainda filhotes, é polivalente e, entre as proteções que oferece, está uma forma de coronavírus. “Ainda não se sabe se ela pode exercer proteção cruzada com a COVID-19. Portanto, não há necessidade de reforço”.

Sintomas

Cães e gatos podem apresentar sintomas da COVID-19 e “o principal deles é a tosse”, diz Amanda. Ela ressalta que, no caso da raça pug e em outros cachorros que têm dificuldade respiratória por natureza, é preciso uma avaliação mais detalhada. “Assim como em geral, pois eles podem ter desde gripe a pneumonia – e ainda assim não ter nenhuma relação com o novo coronavírus (COVID-19)”­.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também ressalta as medidas de isolamento social e recomenda: “Não leve o animal ao veterinário, a menos que seja instruído a fazê-lo”.

“Se o seu cão ou gato desenvolver uma doença atípica ou entrar em contato com alguém com COVID-19, ligue para o seu veterinário ou um funcionário da saúde pública. Esse funcionário certamente recomendará que você leve seu animal de estimação ao veterinário. Informe o veterinário da situação para que ele possa se preparar com antecedência antes da consulta”, completa a declaração conjunta com o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária.

CNN Brasil