Foto: Jefferson Rudy Agência Senado
O senador Rogério Marinho (P) reagiu com firmeza à decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a “Papudinha”, uma Sala de Estado-Maior dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no DF. Em nota pública nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o que está sendo feito com Bolsonaro “não é justiça”, mas “justiçamento”.
O líder da oposição no Senado critica Moraes por ignorar garantias básicas do cidadão, como juiz natural, devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Ele alerta que a transferência escancara o abuso do Estado e que o ex-presidente deveria estar em prisão domiciliar, considerando idade e comorbidades.
O senador alerta que qualquer dano a Bolsonaro será responsabilidade direta da Justiça, citando episódios anteriores, como o caso do preso conhecido como Clezão.
NOTA PÚBLICA
O que se faz contra o presidente Jair Bolsonaro não é justiça. É justiçamento.
O ministro Alexandre de Moraes ignorou desde o início do processo garantias básicas: juiz natural, devido processo legal, contraditório e ampla defesa. A transferência para a Papudinha escancara o abuso: traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano do Estado do que um homem preso por crime impossível.
Por mais que a nova prisão seja mais ampla que a atual, com idade e comorbidades que tem, Bolsonaro deveria estar em prisão domiciliar. Como capitão da reserva, no limite, em prisão militar. Se essa condução arbitrária continuar, qualquer dano a Bolsonaro, a exemplo do que houve com Clezão, será responsabilidade direta da Justiça.
Isso não é justiça. É arbítrio.
Brasília, 15 de janeiro de 2026.
ROGÉRIO MARINHO
Senador da República
Líder da Oposição no Senado
E o que não tem sido de arbitrariedades desse ministro e dos demais pares do STF. Agora a monarquia autoritária completa, temos o ditador, investigador, promotor e um bôbo da corte que é intitulado presidente
Há momentos em que o sistema de Justiça deixa de cumprir sua função essencial — garantir direitos — e passa a provocar perplexidade e indignação. O que se vê em determinados episódios recentes no Brasil não é apenas rigor jurídico, mas algo que se aproxima perigosamente da desumanização.
Como é possível que um juiz condene uma pessoa em um contexto claramente marcado por perseguição política e, ao mesmo tempo, negue atendimento médico quando essa pessoa se encontra em estado grave, após tanto sofrimento físico e emocional? Mais grave ainda é o fato de que a autorização para atendimento só tenha sido concedida quando a situação já era crítica, quase irreversível.
A Justiça não pode ser instrumento de punição pessoal, muito menos palco para demonstrações de poder. Quando um magistrado participa de solenidades públicas, como palestras em universidades, e faz declarações que aparentam desdém ou satisfação diante do sofrimento de alguém que ele próprio condenou, o que se transmite à sociedade é uma mensagem alarmante: a de que o sofrimento humano pode ser relativizado conforme a posição política do réu.
Isso não é Justiça. Justiça pressupõe equilíbrio, imparcialidade, humanidade e respeito à dignidade da pessoa humana — princípios basilares do Estado Democrático de Direito. Quando esses pilares são substituídos por posturas que sugerem prazer no castigo, o que se vê é o afastamento completo da ética judicial.
Não se trata de defender crimes ou impunidade. Trata-se de defender limites. Nenhuma condenação autoriza a negação de cuidados médicos, nenhum processo legitima a humilhação pública, e nenhuma ideologia justifica o abandono da empatia. O Judiciário deve aplicar a lei, não exercer vingança, nem alimentar perseguições políticas.
Quando decisões e comportamentos passam a parecer movidos por sadismo, intolerância ou desequilíbrio emocional, algo está profundamente errado. Isso não é normal, não é aceitável e não pode ser naturalizado. Uma Justiça que perde a humanidade deixa de ser Justiça e se transforma em instrumento de opressão.
O Brasil não pode aceitar esse caminho. O respeito à vida, à dignidade humana e às garantias fundamentais precisa estar acima de disputas políticas e vaidades pessoais. Caso contrário, todos corremos o risco de sermos vítimas amanhã do mesmo arbítrio que hoje atinge apenas alguns.