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Ruas alagadas – Parte 04

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Opinião dos leitores

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Advogada que recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro era tratada como “sócia de Gilmar” pela cúpula do Banco Master

Foto: Reprodução | Antônio Augusto/STF

A cúpula do Banco Master tratava a advogada Dalide Corrêa, que recebeu R$ 33 milhões da instituição, como “sócia de Gilmar”, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Os diálogos mostram ainda pressão para que pagamentos milionários à advogada fossem liberados com prioridade.

Em dezembro de 2024, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, escreveu a Vorcaro sobre um pagamento relacionado a precatórios: “Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf!”. Na mesma mensagem, citou uma suposta relação da advogada com o BTG Pactual.

Os precatórios tinham papel relevante nos negócios do Master. Em 2024, 47% da carteira do banco era formada por precatórios e outros direitos creditórios adquiridos pela instituição.

Meses antes, Rennó já havia cobrado de Vorcaro a liberação de uma fatura de R$ 15 milhões para Dalide, mencionando uma vitória judicial envolvendo precatórios da Usina Catende, em Pernambuco.

O nome da advogada também aparece em uma disputa envolvendo o Master e o ministro Gilmar Mendes. Em abril de 2024, Vorcaro e advogados do banco foram recebidos pelo ministro no STF para tratar de um processo relacionado a precatório da Usina Alcídia. Segundo o gabinete de Gilmar, porém, o ministro votou contra os interesses do banqueiro.

Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negaram qualquer sociedade entre eles. O ministro classificou a associação feita pelos executivos do Master como “falsa” e afirmou não ter conhecimento da atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. Dalide também negou ter relação com o BTG.

Dalide foi diretora-geral do IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes, até 2016. O gabinete do ministro afirmou que ela ocupou um cargo técnico e nunca foi sócia da faculdade.

Confira abaixo a íntegra da nota do gabinete do ministro do STF Gilmar Mendes:

Dalide Corrêa nunca foi sócia do IDP. Ocupou cargo técnico de diretora-geral e desligou-se do instituto em novembro de 2016, há quase dez anos. O Ministro Gilmar Mendes nunca teve qualquer sociedade com a advogada, nem no IDP nem em qualquer outra empresa. A afirmação atribuída a executivos do Banco Master é falsa.

O Ministro não tem conhecimento de atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. Dalide Corrêa nunca tratou desse assunto com o Ministro.

Como já esclarecido, o Ministro votou contra o pagamento em todos os processos do setor sucroalcooleiro que julgou, em linha com as teses defendidas pela União. No caso da Destilaria Alcídia (ARE 1.327.995), julgado em junho de 2025, votou contra o pagamento à usina e ficou vencido. No caso da Raízen que relatou (ARE 1.312.127), o pagamento foi barrado. No caso da Jalles Machado (ARE 1.392.660), votou duas vezes contra e ficou vencido nas duas. Na STP 976, votou contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões pleiteado pelo setor. Em nenhum deles o voto foi favorável aos interesses do Banco Master.

Leia abaixo a íntegra da nota do escritório de Dalide Corrêa, o Alves Corrêa e Veríssimo:

A assessoria de imprensa do escritório Alves Correa & Veríssimo informa que a atuação do escritório restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações, sempre perante órgãos de primeira e segunda instâncias.

A assessoria informa que a sócia Dalide Corrêa jamais manteve sociedade com o ministro Gilmar Mendes; apenas ocupou a função de diretora-geral/administradora do IDP por cerca de nove anos. A sócia não mantém relação com o BTG.

Os processos mencionados são públicos e refletem a atuação regular da advocacia, com resultados favoráveis e desfavoráveis.

Por fim a sócia informa não ter contato com o senhor Chico Feitosa há muitos anos.

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[VÍDEO] “Rindo da cara do povo sofrido”, comenta Flávio Bolsonaro sobre foto de Gonet com Vorcaro após o PGR negar proximidade o banqueiro

A divulgação de uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Londres, bebendo uísque e fumando charuto, provocou novas críticas do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Nas redes sociais, Flávio usou a imagem para questionar a declaração feita por Gonet durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), quando o procurador-geral afirmou não ter relação de proximidade com Vorcaro e classificou como “brevíssima e banal” a única ligação que teve com o banqueiro.

“Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus coautores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido”, escreveu Flávio.

A fotografia, revelada pelo jornal O Globo, foi encontrada pela Polícia Federal em mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O registro, feito em abril de 2024.

A assessoria da PGR confirmou a autenticidade da imagem. Pessoas próximas a Gonet afirmam que o registro ocorreu durante um encontro com outras autoridades e não demonstraria intimidade entre os dois.

Mensagens também revelaram que Gonet teria demonstrado interesse em participar de uma viagem a Londres em 2025, escrevendo: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”. O evento acabou cancelado.

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“Marketing político: do aperto de mão ao WhatsApp” é tema de palestra no último dia do evento em Natal

Foto: Reprodução

O último dia do Encontro de Gestores e Legislativos Municipais, em Natal, segue com uma programação voltada à qualificação e ao aprimoramento da atuação política. Entre os destaques desta sexta-feira, 18 de setembro, está a palestra “Marketing político: do aperto de mão ao WhatsApp”, conduzida por Tertuliano Pinheiro.

Publicitário e profissional de comunicação, Tertuliano Pinheiro possui ampla experiência na área de marketing político, tendo coordenado 53 campanhas políticas, com 41 vitórias. Também foi secretário de Turismo, Esporte e Ação Social do Rio Grande do Norte e atua como apresentador do programa Politicando, da 98 FM Natal.

Em sua apresentação, Tertuliano aborda a evolução da comunicação política e as diferentes formas de relacionamento entre representantes públicos e a sociedade. Do contato presencial às ferramentas digitais, a palestra destaca como a comunicação se transformou e passou a ocupar um papel estratégico na construção de relacionamentos e na aproximação com o eleitor.

A atividade integra a programação do último dia do encontro, que reúne vereadores, gestores e representantes do Legislativo Municipal em uma agenda de conhecimento, troca de experiências e debates sobre os desafios e as novas perspectivas para a atuação pública.

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Gastos com estatais federais dependentes de recursos do Tesouro Nacional consumirão R$ 36 bilhões do Orçamento em 2027


Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Cerca de R$ 36 bilhões estão previstos no Orçamento de 2027 para empresas estatais federais que dependem de recursos do Tesouro Nacional. O valor representa alta de 2,2% em relação a 2026, abaixo da inflação projetada para o período.

Entre as empresas estão a Embrapa, que receberá cerca de R$ 5,9 bilhões, além de estatais menos conhecidas, como Imbel, Nuclep e Amazul, ligadas às áreas de defesa e tecnologia nuclear. Juntas, elas empregam cerca de 4,5 mil pessoas.

A maior parcela dos recursos, cerca de 55%, será destinada a estatais da área de saúde, como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, o Grupo Hospitalar Conceição e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

A Infra S.A., responsável por projetos e planejamento no setor de transportes, terá R$ 849 milhões. Já a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) contará inicialmente com R$ 1,1 bilhão, valor que pode crescer durante a tramitação do Orçamento por meio de emendas parlamentares.

Também estão previstos R$ 90 milhões para a Ceitec, reativada pelo governo e conhecida pelo desenvolvimento do chamado “chip do boi”; R$ 2,3 bilhões para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e R$ 1,1 bilhão para a EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

O economista Armando Castelar, do FGV Ibre, afirmou que os gastos dessas empresas disputam espaço com outras despesas do Orçamento e contribuem para o déficit e o aumento da dívida. O professor Sérgio Lazzarini, do Insper, defendeu a revisão das atribuições das estatais e a avaliação da finalidade pública de cada empresa.

O Ministério da Gestão e Inovação disse que as estatais dependentes atuam em áreas estratégicas e na execução de políticas públicas, muitas delas de forma gratuita. A pasta também diz que desde 2023 avalia formas de reduzir a dependência de empresas que tenham condições de sustentar suas próprias operações.

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Presidente do Conselho Deliberativo ABC, vice e secretária renunciam e convocam novas eleições

O Conselho Deliberativo do ABC Futebol Clube convocou uma reunião extraordinária para o dia 29 de setembro, com o objetivo de eleger uma nova Mesa Diretora após as renúncias apresentadas pelos atuais integrantes.

O edital é assinado por Erica Lopes Araripe do Nascimento, presidente do Conselho Deliberativo; Ricardo Couto e Silva, vice-presidente; e Nathália Rafaela Fidelis Campos, secretária. O documento informa que as renúncias dos atuais integrantes da Mesa Diretora produzirão efeitos somente após o encerramento da reunião extraordinária.

A reunião será realizada presencialmente na sede administrativa do clube, às 19h, em primeira chamada, e às 19h30, em segunda convocação. De acordo com o edital publicado nesta sexta-feira (18), serão escolhidos o novos presidente, o vice-presidente e o secretário do Conselho Deliberativo. A nova composição cumprirá o período restante do atual mandato que vai até dezembro de 2027.

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Análise do celular de Vorcaro passa a ter acesso restrito em gabinetes no STF; arquivo enviado pela PF tem 500 gigabytes

Foto: Divulgação/Banco Master

Os ministros do STF passaram a restringir o acesso aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em meio à crise envolvendo o Banco Master. O material, enviado pela Polícia Federal, tem cerca de 500 GB e reúne mensagens, áudios, documentos e registros de atividades do aparelho.

A análise busca identificar informações relevantes e eventuais lacunas nos relatórios produzidos pela PF. Segundo relatos, os ministros ainda não definiram quais serão os próximos passos nem estabeleceram prazo para concluir a avaliação.

A PF informou que utilizou ferramentas especializadas para copiar, recuperar e organizar os dados, inclusive informações apagadas ou protegidas por senha. As cópias foram encaminhadas a Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. A corporação afirmou que os arquivos são idênticos à extração original, que permanece sob cadeia de custódia.

O acesso ao conteúdo ocorreu após uma disputa entre ministros pelo espelhamento integral do aparelho. Zanin e Gilmar haviam solicitado acesso a Fachin, enquanto Mendonça, relator dos casos relacionados ao Master, alertou para possíveis impactos no julgamento.

O celular de Vorcaro foi apreendido em novembro do ano passado. A extração revelou contatos com autoridades dos Três Poderes e já serviu de base para operações contra os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner.

O conteúdo também colocou Moraes no centro da crise. Segundo relatório da PF, o ministro trocou 52 mensagens com Vorcaro e teria participado de tratativas envolvendo um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A PF também apontou encontros entre os dois e um pedido de ajuda do banqueiro diante de ações contra o banco.

Moraes classificou as mensagens atribuídas a ele como fantasiosas e afirmou que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master.

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Dono de ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal mobiliza campanha paralela de Lula com aval de Janja

Janja participa de live eleitoral com integrantes do Ministério da Cultura e João Paulo Mehl | Foto: Movimento Cultura Com Lula via YouTube

Uma estrutura de mobilização em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne ações presenciais e digitais em todos os Estados e tem entre seus principais articuladores João Paulo Mehl, dono de uma ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal desde 2023, segundo reportagem do Estadão.

Mehl é fundador da ONG Coletivo Soylocoporti, que recebeu R$ 3,4 milhões do Ministério da Cultura e R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades. A entidade foi contratada para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná. Segundo o Estadão, o site do Movimento Cultura com Lula utiliza a infraestrutura tecnológica da Rede Livre, coordenada por Mehl.

A legislação eleitoral proíbe propaganda eleitoral, ainda que gratuita, em sites ou perfis de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos. As regras também determinam que os endereços eletrônicos utilizados por campanhas sejam informados à Justiça Eleitoral.

Batizado de Movimento Cultura com Lula, o grupo utiliza a estrutura tecnológica da chamada Rede Livre, que reúne mais de 1,3 mil sites, blogs e influenciadores, e conta com a participação do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, além de Roberta Malvão, coordenadora-geral dos escritórios estaduais da pasta.

O movimento afirma que a iniciativa é independente e não possui vínculo institucional com o governo ou com a campanha oficial de Lula, e diz atuar de forma voluntária. A campanha do presidente também declarou que a iniciativa não integra oficialmente sua estrutura eleitoral. O Ministério da Cultura afirmou que orientou seus servidores a cumprir a legislação e que não utiliza a estrutura da pasta em atividades político-eleitorais.

Apesar disso, o movimento divulga pedidos de voto em Lula, organiza grupos de WhatsApp, oferece materiais de campanha e promove mobilizações presenciais. Em uma transmissão virtual no dia 14, que teve mais de 21 mil visualizações, participaram Janja, a ministra Margareth Menezes, Mehl e Malvão. A primeira-dama pediu mobilização para conquistar eleitores ainda indecisos.

Com informações de Estadão

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1ª Turma do STF rejeita recurso e mantém condenação de Eduardo Bolsonaro em caso de coação

Foto: TV Câmara/Youtube

A Primeira Turma do STF formou maioria para manter a condenação de Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. A pena inclui também 50 dias-multa, com cada dia equivalente a dois salários mínimos, e deverá ser cumprida inicialmente em regime semiaberto.

Além do relator, Alexandre de Moraes, votaram pela rejeição do recurso da Defensoria Pública da União (DPU) os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Luiz Fux ainda não havia votado até a noite de sexta-feira (18).

De acordo o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Eduardo atuou nos Estados Unidos, inclusive junto ao presidente Donald Trump, para pressionar por sanções contra ministros do STF e contra o Brasil, com o objetivo de beneficiar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Moraes afirmou ainda que as articulações ultrapassaram os limites da atuação política e representaram uma ameaça às instituições brasileiras. “Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Isso não consta, desde a Constituição do Império até a atual, como função de deputado federal”, disse Moraes.

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STTU Natal: 120 vagas e salários iniciais de R$ 8 mil

O concurso da STTU Natal está avançando e prevê 120 vagas para Agente de Mobilidade Urbana, cargo de nível superior em qualquer área, com salário inicial de R$ 8 mil.

Enquanto o edital não é publicado, o IAP Cursos já inicia a preparação. No dia 22 de setembro, começa uma nova turma presencial voltada para o concurso, com aulas teóricas e uma preparação estruturada para quem deseja começar os estudos com antecedência e sair na frente.

✅ A equipe que mais aprova no RN;
✅ O conteúdo mais atualizado e direcionado ao concurso;
✅ Material teórico;
✅ A estrutura completa que você precisa para conquistar a aprovação.

As inscrições já estão abertas. Saiba mais em iapcursos.com ou no WhatsApp (84) 98128-0434

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EDITORIAL FOLHA DE S. PAULO: Medida de Lula une pânico eleitoral e populismo gastador


Evaristo Sá/AFP

A 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reajusta o Bolsa Família em 15% — a primeira correção do benefício em três anos e meio. A medida custará R$ 22,7 bilhões em 2027, que não constam do projeto de Orçamento enviado pelo Executivo ao Congresso há menos de três semanas.

Os dados não deixam dúvida quanto ao propósito descaradamente eleitoreiro da medida, que une o pânico de Lula diante de uma disputa cada vez mais acirrada à sua convicção populista de que todo problema se resolve com mais gasto público — poucos dias atrás, ele qualificou de “babaquice” o controle orçamentário.

Para emprestar legalidade à benesse, o governo argumenta que se trata de mera reposição do INPC. A manutenção do poder de compra do benefício é sem dúvida correta e desejável; o problema está em postergá-la até às vésperas de uma votação, sem previsibilidade nem planejamento.

As regras existem para impedir que os ocupantes de cargos executivos usem a máquina pública para desequilibrar a eleição. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais trechos da emenda constitucional que, no pleito anterior, permitiu a Jair Bolsonaro (PL) reajustar o mesmo Bolsa Família, à época chamado de Auxílio Brasil.

O precedente pode não se aplicar automaticamente a um reajuste, mas serve de todo modo para expor a anormalidade do que se faz agora. O casuísmo é provado pela falta de previsão nos Orçamentos deste ano e do próximo. Se a medida constituísse etapa normal e previsível de uma política pública, o dinheiro estaria reservado desde antes.

Agrava-se, com isso, a já calamitosa situação das contas. A peça orçamentária de 2027 —de responsabilidade de um presidente que considera equilíbrio fiscal “babaquice”— projeta oficialmente um superávit de R$ 18,6 bilhões, sem contar juros. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI, ligada ao Senado), partindo de cenários mais realistas, calcula déficit de R$ 86 bilhões.

Sobre esse balanço depauperado recairá uma conta adicional vultosa, sem compensação clara. O país deve completar 14 anos de desequilíbrio fiscal iniciado sob Dilma Rousseff (PT) e de novo agravado sob Lula 3.

A dívida pública chegou a históricos 82,5% do PIB; os juros se mantêm entre os maiores do mundo há décadas, o que ajuda a explicar o pífio desempenho econômico do Brasil no período.

O populismo tem preço crescente. Famílias e empresas amargam endividamento recorde, e a atividade perde fôlego. Há risco concreto de uma recessão.

Não se discute a importância do Bolsa Família em um país tão desigual. Justamente por isso, seus beneficiários não podem ser tratados à base de clientelismo oportunista. O quanto governantes podem manipular a assistência aos pobres conforme o calendário eleitoral é uma questão a ser respondida pela Justiça.

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