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Salário inicial de R$ 19 mil já coloca elite dos servidores entre 2% mais ricos no Brasil

Foto: Ilustrativa

“Você tem alto salários, estabilidade. Você vive em Brasília, é outro planeta. É Versalhes”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, no início de setembro, comparando as condições de trabalho dos servidores públicos federais à opulência da corte real francesa que ocupava o Palácio de Versalhes antes da derrubada da monarquia em 1789.

Sob o argumento de que o funcionalismo, em especial o da União, é caro e privilegiado, o governo de Jair Bolsonaro quer enviar ao Congresso no início de 2020 uma reforma administrativa para reformular as carreiras públicas, projeto que vem sendo chamado também de novo RH do Estado. Os gastos com pessoal ativo — que devem fechar o ano acima de R$ 300 bilhões — é o terceiro maior da União, atrás de Previdência Social e juros da dívida pública.

Guedes tem um importante aliado nessa empreitada: o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, é antigo defensor da pauta. Ambos consideram que os servidores — com destaque para carreiras exclusivas de Estado como gestão tributária, Justiça, diplomacia — já começam ganhando alto para padrões brasileiros e progridem rapidamente para o teto de remuneração de cada categoria.

Nesse sentido, eles querem uma reforma que reduza os salários iniciais, torne mais gradativa a evolução na carreira e atrele a progressão a avaliações de desempenho. Também defendem flexibilizar as regras de estabilidade para facilitar a demissão em casos de baixa produtividade — essa última proposta sofre críticas inclusive de economistas liberais que consideram o mecanismo uma defesa contra perseguição política.

No Poder Executivo, algumas das carreiras que se destacam pela elevada remuneração paga aos recém-concursados são as de delegado da Polícia Federal (R$ 23.692,74), auditor-fiscal da Receita Federal (R$ 21.029,09), advogado da União (R$ 21.014,49), diplomata (R$ 19.199,06) e analista do Banco Central ou de Planejamento e Orçamento (R$ 19.197,06). São valores que colocam esses servidores entre os brasileiros mais ricos, no instante que ingressam na carreira.

De acordo com a Oxfam, organização internacional que atua na redução de desigualdades, trabalhadores com salário mensal a partir de R$ 15 mil já estão entre os 2% de maior renda no país, quando consideradas pessoas de mais de 18 anos que possuam alguma fonte de recursos. Já uma remuneração a partir de R$ 23 mil coloca o indivíduo entre o 1% mais rico.

Esses dados foram extraídos, a pedido da BBC News Brasil, de uma calculadora criada pela Oxfam com dados oficiais do IBGE e da Receita Federal para evidenciar a diferença de renda e do peso dos impostos sobre diferentes extratos sociais no país.

Para Rodrigo Maia, os ganhos iniciais altos e a rápida progressão permitida em algumas carreiras reduzem o “estímulo” para que o servidor público se esforce mais.

“Tem uma cúpula (de servidores) dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) que começa já ganhando perto do teto (do funcionalismo, hoje em R$ 39 mil). Então, eu pergunto: não é correto, em vez de a pessoa começar ganhando R$ 25 mil, ela começar ganhando R$ 12 mil, R$ 15 mil, que para o Brasil já é uma grande salário?”, questionou Maia, em entrevista em outubro ao programa Poder em Foco, do SBT.

Elite dos servidores começa ganhando mais que profissionais com doutorado

Os salários pagos à elite do Poder Executivo não estão apenas muito acima da renda per capita do país (R$ 1.373, segundo o IBGE), mas superam também largamente a de pessoas altamente escolarizadas. De acordo com o Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério da Economia, a remuneração média de profissionais com doutorado no Brasil, seja no setor privado ou público, estava em R$ 12.141 em dezembro de 2018.

Mas há salários iniciais ainda mais altos nos Poderes Judiciário e Legislativo. A remuneração mais baixa oferecida hoje para juízes federais no Brasil é de R$ 32 mil, mesmo patamar oferecido pelo Senado Federal como salário de entrada para o cargo de consultor legislativo.

O economista Nelson Marconi, professor nos cursos de Administração Pública e Governo da FGV-SP, atribui os altos salários da elite do funcionalismo a dois fatores: capacidade maior de pressão sobre o governo e o Congresso e a proximidade do processo decisório.

“Legislativo e Judiciário sempre tiveram mais liberdade para reajustar que Executivo, pois têm um número menor pessoas, então o impacto fiscal não é tão grande. Eles acabam conseguindo reajuste e aí, na sequência, as categorias mais fortes do Executivo, como Polícia Federal e Receita, pressionam também para não ficar muito atrás”, ressalta.

“E há a proximidade de vários servidores do processo decisório (do governo). Você está negociando com seus pares. É uma relação diferente do setor privado, em que há o patrão e o trabalhador. Quem no setor privado ganha R$ 19 mil no início da carreira?”, compara.

No entanto, o Ministério da Economia não esclareceu se a reforma atingirá apenas os servidores da União, ao ser questionado pela BBC News Brasil. Apenas o STF e o Congresso podem dar início a projetos de lei que alterem as carreiras dos servidores do Judiciário e do Legislativo, respectivamente. No entanto, o governo tem sinalizado com o envio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) — nesse caso, a reforma poderia atingir funcionários de todos os Poderes.

Resistência e críticas à reforma

Na tentativa de reduzir resistências dentro do funcionalismo e questionamentos jurídicos sobre direitos já adquiridos, o governo tem dito que as mudanças valerão apenas para servidores contratados após a reforma. Ainda assim, a proposta vem sofrendo grande oposição dentro do funcionalismo e, por isso, seu envio ao Congresso, previsto inicialmente para outubro, foi adiado para o ano que vem.

Líderes de associações de servidores ouvidos pela BBC News Brasil reconheceram que algumas categorias têm salários de partida elevados e que é possível melhorar os sistemas de avaliação de desempenho. No entanto, argumentam que um bom patamar de remuneração é importante para atrair bons quadros para o funcionalismo e temem que a reforma defendida pelo governo precarize o serviço público prestado à população. Eles ressaltam que há pessoas que entram no serviço público já no meio da carreira, tendo experiência profissional e pós-graduação.

No governo anterior, do presidente Michel Temer, a equipe econômica chegou a defender um limite de R$ 5 mil para o salário inicial dos servidores. Segundo estimativa divulgada em outubro pelo Banco Mundial, se fosse adotado esse teto para e também alongado o tempo necessário para se chegar a ganhos mais altos, a União economizaria R$ 104 bilhões até 2030.

No mesmo documento, o Banco Mundial apontou que os os servidores públicos federais brasileiros ganham quase o dobro (96% a mais) do que os trabalhadores do setor privado com mesma escolaridade. A maioria do funcionalismo, porém, trabalha para municípios, onde os salários são similares aos do setor privado, aponta o estudo. Segundo o Ipea, os servidores municipais ganhavam em média R$ 3 mil em 2016.

O documento do Banco Mundial vem sendo citado pela equipe de Paulo Guedes para defender a reforma administrativa. Opositores da proposta do governo, por sua vez, criticam a metodologia usada no estudo argumentando que carreiras típicas de Estado não têm correspondente na iniciativa privada.

“Essa comparação é totalmente descabida. Você vai comparar um diplomata com que trabalhadores da iniciativa privada? Com quem você vai comparar um auditor da Receita Federal? Só ele tem prerrogativas da política tributária”, afirma Rudinei Marques, presidente do Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado).

“Quem vai gerir R$ 3 trilhões (orçamento do governo federal)? É muito pagar para um servidor desse R$ 15 mil, R$ 16 mil como salário inicial? Acho que não”, reforça, em referência à remuneração líquida inicial de carreiras que administram as contas federais.

Para o economista José Celso Cardoso, Presidente da Associação de Funcionários do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a comparação feita pelo Banco Mundial “tenta jogar a população contra os servidores públicos usando uma estatística que é uma tortura de dados”. Ele acusa o governo de estar focado apenas em cortar gastos, e não em uma reforma que melhore o serviço público. Embora reconheça que alguns salários iniciais são altos, Cardoso considera arriscado uma redução para R$ 5 mil, por exemplo.

“Se eu jogo o salário de entrada muito embaixo, você vai atrair profissionais menos qualificados, menos estimulados, e o resultado agregado desse movimento vai ser diminuir o custo da folha de pagamento e piorar a qualidade do serviço público. Qual o custo da piora da qualidade do serviço público? Ninguém fez essa conta”, ressalta.

“Imagine um fiscal da Receita Federal que trabalhe cobrando empresários. O salário inicial líquido vai dar uns R$ 16 mil. Eu acho alto para o padrão brasileiro. Mas, se for menos, vai reduzir a corrupção? Esse cara vai ser mais ou menos facilmente capturado pelo empresário que quer burlar a fiscalização?”, acrescenta.

‘São bons profissionais, mas não gênios’

O professor da FGV Direito SP e presidente da Sociedade Brasileira de Direito Público, Carlos Ari Sundfeld, contesta o argumento de que salários de carreiras de Estado não possam ser comparadas com o setor privado. Para ele, a remuneração no serviço público deve ser similar a dos demais trabalhadores com escolaridade parecida.

“Eles (elite do funcionalismo) argumentam que os salários têm que ser extraordinários porque eles são extraordinários, fora do normal. Isso é um delírio. São bons profissionais, mas não se trata de um universo de gênios”, crítica.

Sundfeld lembra também que o funcionalismo tem proteção maior em tempos de crise, não estando sujeito a demissões quando o governo enfrenta aperto nas contas, diferentemente do que ocorre em empresas. Dados do IBGE revelam que a crise econômica tem aumentado o fosso salarial — enquanto a renda média no serviço público subiu de R$ 3.483 para R$ 3.693 nos últimos cinco anos, no setor privado caiu de R$ 2.018 para R$ 1.977.

“Não são necessários salários altíssimos para atrair talentos adequados porque o setor público tem outros atrativos: é um trabalho com propósito, oferece estabilidade”, diz o professor.

Trabalhador sem diploma ganhando mais que graduados

As carreiras com maiores salários exigem curso superior para participar do concurso. No entanto, uma pesquisa na tabela de remuneração dos servidores federais, disponível no site do Ministério do Planejamento, permite encontrar carreiras de nível intermediário (que não exigem ensino superior) com salários iniciais também bem acima da média nacional.

O piso pago aos técnicos do Banco Central, cujo concurso exige apenas nível de Ensino Médio completo, é de R$ 7.283,31. Já no Ipea, auxiliares administrativos, secretárias e motoristas começam ganhando R$ 6.623,58.

São valores que superam a média da remuneração dos trabalhadores com graduação no país (R$ 6.004, segundo a Rais).

Como exemplo das distorções que existem dentro do próprio funcionalismo, esses salários estão perto ou acima da remuneração inicial de carreiras federais com nível superior, caso do engenheiro agrônomo do Incra (R$ 6.693,80) e do indigenista especializado da Funai (R$ 5.962,87).

Juízes brasileiros recebem mais que europeus

Comparações internacionais também indicam que algumas categorias brasileiras têm salário inicial acima de seus pares em outros países. Um estudo de 2018 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que o salário inicial médio pago a juízes em 48 países (a maioria europeus) era de 50.529 euros anuais (cerca de R$ 236 mil) em 2016.

Naquele ano, o juiz federal brasileiro ganhava no mínimo R$ 27.500 ao mês, além de auxílio moradia de R$ 4.377. Considerando o 13º salário e o adicional equivalente a dois meses de férias aos quais a categoria tem direito, o ganho anual de um magistrado federal era de ao menos R$ 428 mil.

“Nós somos o teto do funcionalismo. E num país com tantos milhões de pessoas desempregadas, e alguns abaixo da linha da pobreza, realmente há um distanciamento”, reconheceu ao jornal Folha de S.Paulo a juíza Renata Gil, nova presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros.

“Mas, se pensar que as garantias remuneratórias são garantias do próprio funcionamento do Poder Judiciário, jamais pensaríamos que isso deveria estar em discussão”, argumentou em seguida.

Diplomatas brasileiros também não ficam atrás de pares estrangeiros. No Reino Unido, o salário inicial da carreira é de 28 mil libras no ano (o equivalente a quase R$ 153 mil), remuneração que pode chegar a 45 mil libras em cinco anos (quase R$ 246 mil) após promoções. Já o brasileiro que passa no concurso do Itamaraty começa ganhando R$ 19.199,06 mensais, o que dá quase R$ 256 mil ao ano, considerando o 13o salário e o adicional de férias.

Nos Estados Unidos, os salários iniciais variam de acordo com a escolaridade e experiência do recém-contratado. No caso de um diplomata graduado, mas sem ocupações anteriores, a remuneração anual é de US$ 55.272 (cerca de R$ 232 mil). Se ele tiver cinco anos de experiência profissional, ela sobe para US$ 64.075 (quase R$ 269 mil).

À BBC News Brasil, diplomatas argumentaram que a remuneração inicial é compatível com as exigências diferenciadas da carreira — para passar no concurso, é preciso falar inglês, espanhol e francês, por exemplo. Eles disseram também que o salário deve compensar o “ônus familiar” devido à constante mudança de país em que trabalham. Esse ônus, afirmam, inclui o alto custo educacional com os filhos, que precisam estudar em colégios internacionais, e a redução da renda familiar devido às dificuldades para que o marido ou esposa mantenha uma carreira.

Embora o salário oferecido pelo Itamaraty esteja no patamar do oferecido por nações desenvolvidas, eles ressaltam que o pacote de benefícios é inferior a de outros países. Uma das reivindicações da categoria é passar a receber auxílio para custear o ensino dos filhos quando estão no exterior — benefício concedido por Reino Unido e Estados Unidos.

BBC Brasil

 

Opinião dos leitores

  1. Como tem gente traumatizada com servidores públicos. Certamente, tentaram concursos e não obtiveram êxito. Estudar exige esforço, ok?

    1. Meu amor concurso é somente uma forma de seleção e não lhe dá o direito de ter todo tipo de privilégio com o dinheiro público pago por todos os cidadãos, tenham feito concurso ou não.

  2. Em matéria de produtividade e efetividade, a maioria dos servidores públicos brasileiros só perdem para os das ONGs e Sindicatos…………… SQN!

  3. Aí vem a pergunta: Por que os parlamentares já entram ganhando mais que os deuses do funcionalismo público?? Eles têm diplomas, experiência, pós-graduação a nível de mestrado, doutorado ou pós doutorado? Quanto tempo eles tiveram no serviço público para chegar a esta remuneração? Estes parlamentares realmente se afastam das suas outras atividades financeiras como é exigido ao servidor público? Estes parlamentares batem o ponto eletrônico e cumprem toda a jornada laboral como é exigido ao servidor público? Vamos fazer uma reforma também no sistema político do Pais. Justiça é para todos.

  4. Já está dado o gabarito, legislativo e judiciário são Deuses, então o pessoal do executivo com toda razão não quer ficar para trás, afinal, excetuando os políticos, eles carregam a nação nas costas.

    1. *Me referi apenas a classe de servidores, sem citar os trabalhadores liberais, assalariados, empresários..

  5. Muito bem!
    Tem que acabar essa farra com dinheiro publico!
    Pouco trabalho para muito dinheiro e no caso dos juizes e promotores nem se fala, a farra é triplicada comecando pelas ferias de 60 dias, 90 dias de licenca premio e inumeras outras regalias.
    Bota ordem nesse cabaré!
    O promotor miserê só em 2 meses ganhou mais de 130mil reais, é mole?

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Geral

TSE: Juristas pedem suspeição de Kassio Nunes Marques por decisões contra “Exército do Lula”

Mateus Bonomi/Reuters

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de suspeição por suposta parcialidade partidária contra o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. A entidade questiona decisões que restringiram o funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG).

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a associação argumenta que Kassio teria ultrapassado suas atribuições administrativas e interferido na atuação do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator da ação sobre o canal, que reúne mais de 4 milhões de membros.

A ABJD também aponta possível tratamento desigual em relação ao canal “Tropa do Flávio”, ligado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que não sofreu as mesmas restrições, apesar de ter sido informado ao TSE depois de já estar em funcionamento.

No dia 11 de outubro, Kassio determinou a suspensão administrativa do “Exército do Lula”, mas posteriormente autorizou seu restabelecimento. Em 13 de outubro, voltou a impor restrições, proibindo novas publicações e a entrada de seguidores, além de exigir o registro formal do endereço do canal na Justiça Eleitoral. O funcionamento foi restabelecido na noite de quarta-feira (14).

A associação pede que o plenário do TSE analise a suspeição e examine os documentos relacionados às decisões e ao registro dos dois canais. Para a entidade, as medidas provocaram insegurança jurídica e prejudicaram a mobilização dos apoiadores de Janones durante a campanha eleitoral.

Em decisão anterior, Kassio afirmou que as medidas adotadas pela Presidência do TSE tiveram como objetivo preservar a integridade do ambiente informacional das eleições de 2026 e evitar a disseminação de desinformação.

Procurado pela Folha, o ministro não se manifestou.

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CASO MASTER: STF é alertado sobre possível desvio de R$ 12 milhões em recursos bloqueados

Fotos: Reprodução

O STF foi alertado sobre uma possível dilapidação de patrimônio da Moriah Asset, empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Os ativos da empresa foram bloqueados durante as investigações da Polícia Federal sobre o banco. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (15) pela coluna Radar, da revista Veja.

A defesa da Moriah acionou o STF na quarta-feira (14), alegando que a participação da empresa na Prana Indústria e Comércio de Alimentos, avaliada em R$ 12 milhões, foi retirada indevidamente de seu patrimônio.

Segundo os advogados, a Prana teria aproveitado o bloqueio judicial dos ativos da Moriah para promover alterações societárias e excluir a empresa de seu quadro de sócios. A operação teria sido justificada como uma medida de simplificação administrativa, redução de custos e adequação das regras de governança.

A defesa sustenta que a exclusão ocorreu pouco mais de dois meses após a decisão do STF que determinou o bloqueio dos bens. Os advogados afirmam que a mudança resultou na apropriação de praticamente todo o valor patrimonial que a Moriah detinha na sociedade.

Ainda segundo a petição, a Prana teria criado regras de exclusão por justa causa com base nas investigações criminais em andamento, além de promover uma avaliação unilateral que reduziu o valor dos ativos da Moriah.

Diante da situação, os advogados pediram ao STF a suspensão dos efeitos da exclusão societária, o depósito judicial da diferença de valores e a nomeação de um administrador independente, sem vínculos com o Grupo Master, para proteger o patrimônio da empresa e garantir o cumprimento de obrigações trabalhistas.

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OPERAÇÃO UIRAÇU: PF investiga abuso sexual infantil na internet e cumpre mandado em Natal

Foto: PF

A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (15), um mandado de busca e apreensão em Natal durante a 46ª fase da Operação Uiraçu, que investiga o armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual de crianças e adolescentes pela internet. Um celular foi apreendido durante a ação.

A investigação teve início após um pedido de cooperação policial internacional encaminhado pelo Centro Especializado em Cibercrime da AMERIPOL (AC3). O caso está relacionado a uma operação da Polícia Nacional da Espanha que apura a distribuição de material de abuso sexual infantojuvenil por meio de aplicativos de mensagens, envolvendo pessoas de diversos países, incluindo o Brasil.

O mandado foi expedido pela 14ª Vara Federal no Rio Grande do Norte. A operação contou com equipes da Polícia Federal e apoio do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do RN (BOPE).

A Polícia Federal também orientou pais e responsáveis a acompanhar o acesso de crianças e adolescentes à internet, manter diálogo sobre segurança digital e incentivar a comunicação de situações suspeitas.

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Pacheco ganha força para vaga no STF após Alcolumbre ajudar Lula a aprovar fim da escala 6×1

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O ex-senador Rodrigo Pacheco voltou a ganhar força para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) após a reaproximação entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A informação é da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

A articulação ganhou força depois que Alcolumbre ajudou o governo a aprovar o fim da escala 6×1, na quarta-feira (14). Os dois também atuam para acelerar a tramitação da PEC da Segurança, outra pauta considerada importante para a campanha de Lula no 2º turno.

Segundo a coluna, a indicação de Pacheco faz parte de um novo acordo político entre Lula e Alcolumbre, que haviam rompido após o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias para o STF, em abril.

A estratégia também considera uma eventual derrota de Lula para Flávio Bolsonaro (PL). Nesse cenário, o presidente poderia indicar Pacheco antes do fim do mandato, evitando que a vaga aberta no Supremo seja preenchida pelo próximo governo.

Interlocutores afirmam que Pacheco reúne apoio suficiente no Senado para ter o nome aprovado. Caso seja reeleito, Lula poderá negociar com Alcolumbre uma sequência de indicações ao STF, incluindo Jorge Messias e duas mulheres.

Opinião dos leitores

  1. O troca / troca da política, tudo q Lula criticava quando era candidato pela primeira vez. E aí petralhas?? Kkkk

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INDEXA/BROADCAST: Flávio tem 44% e Lula 42% no 2º turno

Fotos: Wilton Júnior e Daniel Teixeira/Estadão

Pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quinta-feira (15) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 44% das intenções de voto para presidente da República, contra 42% do presidente Lula (PT), em uma simulação de 2º turno. Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 51%, enquanto Lula registra 49%. Entre os entrevistados, 8% afirmaram que não irão votar, 4% pretendem votar em branco ou nulo e 2% estão indecisos ou não souberam responder.

O levantamento também mostra diferenças entre regiões do país. No Nordeste, Lula registra 52,1%, contra 35,4% de Flávio. Já no Centro-Oeste, o candidato do PL tem 58,9%, ante 27,2% do petista. No Sul, Flávio aparece com 49,2%, enquanto Lula soma 32,1%.

Entre os evangélicos, Flávio registra 81,3% das intenções de voto, contra 13,6% de Lula. Entre os católicos, o presidente tem 54,2%, enquanto o senador aparece com 26,3%.

A pesquisa também aponta que 87% dos entrevistados afirmam já ter definido o voto, enquanto 11% admitem a possibilidade de mudar de candidato. Outros 2% não souberam responder.

A Indexa/Broadcast entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre os dias 13 e 14 de outubro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04629/2026.

Com informações do Estadão

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Aliados de Flávio Bolsonaro procuram ministro Alexandre de Moraes para evitar interferência do STF no 2º turno

Foto: Reprodução/Metrópoles

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) procuraram, nos últimos dias, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar evitar possíveis intervenções do Judiciário no 2º turno da eleição presidencial. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (15) pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.

A aproximação foi articulada pelo deputado federal e senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), que possui contatos em comum com Moraes. A conversa ocorreu por intermédio de policiais próximos ao ministro. Derrite é capitão da reserva da Polícia Militar e, assim como Moraes, já ocupou o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo.

Segundo a coluna, o grupo de Flávio sondou o ministro sobre a possibilidade de interferência dele ou do STF no 2º turno. A resposta recebida foi de que não haveria qualquer intervenção.

O contato ocorreu após decisões recentes de Moraes envolvendo integrantes do campo bolsonarista. Entre elas estão a autorização para Flávio voltar a visitar o pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, a progressão de regime concedida a Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do batom”, e o arquivamento de investigações contra Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio.

Apesar da aproximação, interlocutores de Derrite afirmaram que não houve compromisso do senador eleito ou de Flávio Bolsonaro de impedir um eventual processo de impeachment de Moraes no Senado.

Derrite já defendeu publicamente o impeachment do ministro, classificando a medida como uma “demanda da sociedade”.

Com informações do Metrópoles

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Natal conquista título geral do Bear Games Nordeste 2026

Foto: Divulgação

Natal conquistou o título de campeã geral do Bear Games Nordeste 2026, encerrado nesta quarta-feira (14), na capital potiguar. A cidade teve a maior delegação da competição, que reuniu 10 escolas em disputas de 10 modalidades esportivas e totalizou 553 partidas. Entre os resultados, Natal venceu cinco categorias de futsal e basquete masculino.

Para o coordenador de esportes da Maple Bear Natal, Marlos Colpo, o resultado é fruto do planejamento e da dedicação dos atletas e profissionais envolvidos. “O Bear Games Nordeste 2026 foi uma experiência muito especial e marcante. Natal foi a maior delegação da competição e conquistou o título de campeão geral, um resultado que nos enche de orgulho e representa todo o trabalho realizado”, afirmou.

Natal se destacou nas modalidades coletivas, com títulos no futsal masculino nas categorias sub-17, sub-14 e sub-10, além do basquete masculino sub-14 e do futsal feminino sub-14. A capital foi representada por uma delegação de aproximadamente 200 pessoas, entre atletas, professores e equipe de apoio.

Durante as partidas, Marlos destaca a união dos atletas da Maple Bear Natal como fator que contribui para a conquista do título geral. “Essa conquista é resultado de muito planejamento, dedicação e união de todos que fizeram parte dessa jornada”, considera.

De acordo com Marlos, a competição promoveu a integração entre os participantes, com respeito e espírito esportivo. “Mais do que os títulos e as medalhas, fica a satisfação de ver o esporte promovendo amizades, experiências e aprendizados que nossos alunos levarão para a vida toda”, declarou Marlos.

A vitória foi celebrada na Festa dos Atletas, evento exclusivo para os participantes, realizado na tarde desta quarta-feira (14), em Natal. A programação marcou o encerramento da edição e reuniu os estudantes que participaram das disputas ao longo dos cinco dias de competição.

O Bear Games

O Bear Games é uma competição esportiva da rede de ensino bilíngue Maple Bear que reúne estudantes de diferentes escolas para disputar modalidades esportivas e promover a integração entre os participantes.

A edição Nordeste de 2026 foi realizada em Natal, entre os dias 10 e 14 de outubro, com disputas de judô, xadrez, basquete 5×5 e 3×3, vôlei, vôlei de praia, futsal, beach tennis, tênis de mesa e ginástica artística.

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PRAIA DO MEIO: Obras de R$ 41 milhões devem ser concluídas em quatro meses

Foto: Magnus Nascimento/Tribuna do Norte

As obras de requalificação da orla da Praia do Meio, em Natal, têm previsão de conclusão para fevereiro de 2027. Iniciados em abril de 2024, os serviços somam investimento de R$ 41 milhões, dos quais R$ 28 milhões já foram pagos, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra).

De acordo com a pasta, o ritmo dos trabalhos foi reduzido devido a atrasos no repasse de recursos federais. A obra é financiada com recursos da Prefeitura de Natal e do Ministério das Cidades.

Entre os serviços que ainda precisam ser concluídos estão a pavimentação do calçadão e da ciclovia, a instalação de guarda-corpos e a finalização dos quiosques. Até agora, seis quiosques revitalizados foram entregues e liberados para funcionamento.

A requalificação também contempla melhorias no deck da avenida Getúlio Vargas e a instalação de equipamentos de lazer, incluindo uma pista de skate.

Durante o período de fechamento, os permissionários receberam auxílio de R$ 1.200.

Com informações da Tribuna do Norte

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Geral

TCE determina inspeção na folha da Educação do RN após identificar possíveis irregularidades

Foto: Reprodução

O Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN) determinou uma inspeção na folha de pagamento da Secretaria Estadual de Educação para apurar possíveis irregularidades na contabilização de despesas decorrentes de decisões judiciais. A medida foi aprovada pelo Pleno após representação do Ministério Público de Contas.

A investigação vai verificar se vantagens salariais concedidas por determinação judicial estão sendo contabilizadas corretamente nos gastos com pessoal do Governo do Estado. Segundo o Ministério Público de Contas, os valores registrados pela Educação nessa categoria superam o total declarado pelo próprio Executivo.

A divergência pode indicar descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e das normas de contabilidade pública. O órgão aponta que a dedução dessas despesas, quando mantida além do prazo permitido, pode reduzir artificialmente o percentual de comprometimento da receita estadual.

No segundo quadrimestre de 2025, o Governo do RN declarou gastos com pessoal equivalentes a 55,73% da Receita Corrente Líquida. Sem os descontos relacionados às decisões judiciais, o percentual chegaria a 58,34%.

A análise também identificou que, somente em julho de 2026, vantagens salariais vinculadas a decisões judiciais somaram mais de R$ 9,2 milhões na folha da Educação.

Relator do processo, o conselheiro Antonio Gilberto de Oliveira Jales destacou que o Rio Grande do Norte permanece acima dos limites legais de despesas com pessoal há vários anos. Segundo ele, uma classificação inadequada desses pagamentos pode distorcer a avaliação da situação fiscal do Estado.

A inspeção terá prioridade no próximo Plano Anual de Controle Externo (Pace) e deverá esclarecer se os registros estão de acordo com a legislação. Até o momento, não há conclusão sobre a existência de irregularidades.

Com informações do AGORA RN

Opinião dos leitores

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Geral

FIM DA ESCALA 6X1: CNI prevê demissões, inflação e prejuízo de R$ 267 bilhões com redução da jornada

Foto: Iano Andrade/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o fim da escala de trabalho 6×1 poderá provocar demissões, aumento da inflação e perdas econômicas no Brasil. A manifestação ocorreu após o Senado aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

Segundo a entidade, a medida poderá elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

O levantamento da CNI também projeta aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. As compras em supermercados poderão ficar 5,7% mais caras, enquanto os produtos industrializados terão alta média de 6%. No setor de roupas e calçados, o aumento poderá chegar a 6,6%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a aprovação da proposta durante o período eleitoral e afirmou que os impactos econômicos não foram devidamente avaliados.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, declarou.

Alban também defendeu que o Congresso reavalie a proposta caso sejam confirmados os efeitos negativos previstos pela entidade, como perda de competitividade e aumento da inflação.

A Confederação argumenta que a redução da jornada, sem diminuição dos salários, exigirá adaptações nas escalas de trabalho e reorganização dos processos produtivos, aumentando os custos das empresas em um cenário de baixa produtividade, juros elevados e alta carga tributária.

Com informações do Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Sem dúvida que o trabalhador brasileiro trabalha muito e ganha pouco. No entanto, essa mudança não mudará a realidade desses guerreiros, pois o descanço não virá, a melhora de vida não virá. Quem tiver a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra nesses dias de folga, abrirá mão do descanço. A verdade é que, se os políticos pensassem, ou desejassem o melhor para os brasileiros, VOTARIAM PARA REDUZIR AS GASTANÇAS E PRIVIGÉLIOS QUE ELES TÊM.

  2. Lamento muito essa medida eleitoreira agora as vésperas da eleição, isso precisava ser debatido exaustivamente, parte dos nossos políticos é uma vergonha, um bando de salafrários que nãopensam no país.
    Na minha empresa deixaram duas opções, para eu analizar e descedir, seriam.
    01 – Contratar pessoas para trabalhar aos sábados.
    02 – Fechar a empresa na sexta feira a tarde e perder quatro sábados de produção e faturamento com demissões imediata do quadro de colaboradores.
    Na segunda feira começo a enxugar, não compensa contratar pessoas para suprir os sábados com a demanda que a empresa tem hoje.
    Essa é a minha nova realidade.
    Infelizmente…
    VOU TER QUE DEMITIR PARA COMPENSAR OS SÁBADOS COM A EMPRESA PARADA.

  3. Na vida muitas vezes precisamos de um choque de realidade para despertamos. Sem contar que no Brasil vale mais a narrativa repetida exaustivamente.

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