Brasil

Esvaziamento da lei de improbidade é usado em voto para livrar Dilma de pedaladas

Foto: Mauro Pimentel

Ao votar por manter a decisão que arquivou ação contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sobre o caso das pedaladas fiscais, o juiz do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) Saulo José Casali afirmou que o “grande esvaziamento” da legislação sobre improbidade administrativa justificava a medida.

A nova lei de improbidade, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2021, afrouxa normas da legislação anterior.

No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu, por maioria, que é possível aplicar a nova lei, mais benéfica, a casos que ainda não tiveram a tramitação encerrada na Justiça.

Em seu voto nesta segunda-feira (21) na 10ª Turma do TRF-1, Casali, que é relator do processo, disse que “a Lei 14.230 realmente trouxe um grande esvaziamento da lei de improbidade administrativa, eliminando diversas hipóteses que dantes permitiam a apenação”.

Ele usou essa justificativa para manter o arquivamento do processo, o que já havia sido feito na primeira instância, pela 4ª Vara Federal em Brasília.

Casali repetiu: “Esta lei foi efetivamente esvaziada em 2021, de modo que não havia realmente outra solução senão a produzida em primeiro grau, com indeferimento da inicial e extinção do processo sem o exame do mérito em relação a todos os réus”.

Outro juiz da 10ª Turma, Marllon Sousa, acrescentou que “não há que se falar mais de improbidade se não houver uma delimitação, uma caracterização, das condutas dos incisos [previstos na lei de improbidade”.

O terceiro membro da turma, Marcus Vinícius Reis Bastos, também votou pelo arquivamento, que foi determinado de forma unânime. O Ministério Público Federal ainda pode apresentar recursos à decisão.

Antes da votação dos juízes, o advogado de Dilma, Eduardo Lasmar, disse que a ex-presidente não participou das operações de bancos apontadas pela acusação.

“O Ministério Público não conseguiu imputar uma conduta à [então] presidente da República. Muito pelo contrário. Ora, diz que não sabia, diz que sabia, diz que ela deveria saber, que deveria ter confrontado seus ministros. Não nenhuma descrição de dolo”, disse ele.

Dilma e outros integrantes do seu governo —como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, o ex-secretário do Tesouro Arno Augustin e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho— foram acusados em 2018 pela Procuradoria de improbidade por suspeitas de uso de bancos públicos para maquiar o resultado fiscal.

A União teria atrasado o repasse de valores a estas instituições, o que ficou conhecido como “pedaladas fiscais”.

A Procuradoria disse que os acusados “valeram-se dos altos cargos que ocupavam na direção do governo federal para maquiar as estatísticas fiscais com evidente propósito de melhorar a percepção da performance governamental e ocultar uma crise fiscal e econômica iminente, ao tempo em que comprometiam ainda mais a saúde financeira do Estado”.

As acusações do Ministério Público foram apresentadas, sobretudo, com informações do TCU (Tribunal de Contas da União) a respeito das pedaladas fiscais.

Em dezembro de 2022, após a decisão do Supremo sobre a validade da nova lei de improbidade para casos em tramitação, o juiz Frederico Botelho Viana, da 4ª Vara Federal do DF, excluiu Dilma e Mantega do processo. A decisão depois foi estendida aos demais acusados.

Viana disse em sua decisão que “ainda que se considerasse os fatos narrados como conduta ímproba, ainda assim não restaria demonstrada, no caso, a existência de dolo por parte dos requeridos para a prática de ato ilícito, consistente na vontade deliberada de cometer ato ilícito”.

Apesar de tratar do mesmo tema, o processo de improbidade tramitou de forma independente do que ocorreu em 2016 no Congresso Nacional e que levou a ex-presidente ao impeachment por crime de responsabilidade fiscal.

À época, Por 61 votos a 20, o Senado condenou a petista pelas pedaladas. Além do atraso no repasse de recursos do Plano Safra a bancos públicos, apontaram a edição de decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso.

Foram 7 votos a mais do que o mínimo necessário —54 das 81 cadeiras do Senado. Dilma é a atual dirigente do chamado banco do Brics, o NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), cargo que assumiu em abril deste ano.

Folha de São Paulo 

Opinião dos leitores

  1. Pedaladas fiscais? 99%dos brasileiros até os com graduação superior como a mim, não saberia ou conseguiria responder a pergunta do que seria esta tal pedalada fiscal que tirou o mandato desta senhora.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Intervenção precoce e evidências científicas são estratégias para autismo

Foto: iStock.

Em duas décadas, os Estados Unidos registraram um salto nos diagnósticos de autismo. Enquanto nos anos 2000, havia um caso de autismo para cada 150 crianças observadas, em 2020, o número passou para um em cada 36 crianças. Os números do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) – divulgados somente neste ano – revelam não apenas um crescimento no número de pacientes autistas em solo norte-americano, mas explicam (em parte) o aumento do interesse pelo transtorno no mundo.

No Brasil, não há dados claros. Mas alguns números mostram a mesma tendência. Em 2019, a Unimed Natal, maior plano de saúde do Rio Grande do Norte, registrava apenas 25 beneficiários com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em 2023, o número já ultrapassa 2,5 mil usuários.

Diante de tantos casos registrados, a ciência busca estratégias para minimizar, cada vez mais, os impactos em uma sociedade que, atualmente, tem crianças diagnosticadas, mas que terá que conviver, no futuro, com adultos autistas. Uma delas é o diagnóstico cada vez mais precoce do TEA, como defende a neuropediatra Barbara Macedo.
Médica pela PUC de São Paulo, com Residência em Pediatria e Neuropediatria pela Santa Casa de SP e Especialista em Neurodesenvolvimento, ela estará na capital potiguar entre os dias 28 de agosto e 1º de setembro prestando uma série de atendimentos às famílias de beneficiários autistas da Unimed Natal. Além disso, concederá palestra voltada aos pediatras, no dia 30 de agosto à noite, na Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN). O evento que tem à frente a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Norte (Sopern).

“Nós sabemos que o bebê é um ser extremamente sociável. Então, o primeiro sinal que precisamos observar é a dificuldade de um contato visual da criança, logo no primeiro ou no segundo ano de vida. Este é um sinal significativo”, explica a neuropediatra, que atua na equipe clínica do Centro Especializado em TEA da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ela relata outros indícios de que algo pode estar errado. Por exemplo, aos 12 meses, é esperado que a criança utilize uma linguagem não verbal, mas com um vocabulário maior que faz sentido como “mã” ou “pá”, na tentativa de pronunciar “mãe”, “pai” ou outras palavras.

Ainda com um ano de idade, é esperado que ela tenha comportamentos sociais com dar tchau, mandar beijo e brincar de esconder o rosto. “A partir dos 18 meses, esperamos aqueles sinais que são mais clássicos: a criança precisa apontar, mas além disso, olhar para o que está apontando e olhar de volta para os pais, por ela estar compartilhando o que está vendo”, acrescenta.

Individualização

Reforçando a necessidade de buscar acompanhamento o mais cedo possível, a especialista acrescenta que é importante que os pais entendam que, em se tratando do TEA, a individualização é importante. O conceito de “espectro” encaixa bem na explicação: o transtorno se apresenta de formas múltiplas, havendo uma enorme diversidade na condição.

“Apesar de termos toda uma discussão no sentido de terapias que realmente melhoram, terapias que não são sustentadas por evidências científicas robustas, a intervenção precisa ser individualizada na família, na escola, que o paciente está inserido, nas questões sociais. Tudo isso precisa ser levado em conta”, esclarece e explana que é preciso estar atento se a terapia está surtindo efeito. “O principal de surtir efeito é realmente a gente ver o resultado no dia a dia, conforme a criança vai ganhando aquisições é a principal forma de visualizarmos isso”.

Cientificamente comprovado

Ela alerta, porém, que é preciso que as famílias busquem sempre informação para saber se o que está sendo aplicado é cientificamente comprovado. Artigos científicos que geram diretrizes nacionais e internacionais são um dos caminhos orientados pela Dra. Barbara.

“Baseamos toda nossa medicina em evidências científicas que devem ser indicadas para crianças com Transtorno do Espectro Autista. O principal foco quando se fala de um artigo científico é que ele possa ser replicável. Ou seja, se você faz ele de novo, ele vai apresentar os mesmos resultados. E a família pode procurar essas diretrizes, ver os protocolos e buscar se aquilo que seu filho está fazendo realmente tem evidências de que há melhoras. ‘Estou perdendo tempo’ ou ‘trocando por uma terapia que poderia apresentar muito mais melhoras para ele?’. Esse é o questionamento que deve ser feito”.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Número de viagens feitas por brasileiros sobe 71% após pandemia, mostra IBGE

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Os brasileiros fizeram, ao todo, 21,1 milhões de viagens em 2023. Esse número é 71,5% maior do que o registrado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando foram realizadas 12,3 milhões de viagens. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua — Turismo 2023, divulgada nesta sexta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2020, no primeiro ano da pandemia, foram feitas 13,6 milhões de viagens no país.

O levantamento mostra que apenas, no ano passado, em 15,3 milhões (19,8%) de domicílios particulares permanentes houve ocorrência de viagem de ao menos um morador. Esse número representa um aumento de 68,1% em relação a 2021, quando houve incidência de viagem em 9,1 milhões de lares brasileiros (12,7% do total).

Destino das viagens

Segundo o estudo, 97% das viagens foram feitas para dentro do país. Em 2023, foram realizadas 641 mil viagens internacionais, mais que o dobro do número registrado em 2020 (276 mil viagens) e mais de sete vezes o número observado em 2021.

A região Sudeste, a mais populosa do Brasil, foi a origem da maior parte das viagens feitas em 2023, com 45,9% do total das viagens, seguida pelo Nordeste, com 22%, e Sul, com 17,1%. O Centro-Oeste e Norte foram origem de 8,2% e 6,8%, respectivamente, das viagens realizadas no país.

Com relação ao destino das viagens, as regiões Sudeste (43,4%) e Nordeste (25,3%) apresentaram os maiores percentuais de destino das viagens. Na sequência, as regiões Sul (17,4%), Centro-Oeste (7,5%) e Norte (6,4%) apresentaram as menores participações.

Meio de transporte utilizado

Durante o período da pandemia de Covid-19, nos anos de 2020 e 2021, o percentual de viagens em meios de transporte não coletivos, como carro particular ou de empresa, com 57,5% e 57,2%, respectivamente, foram maiores que em 2023, quando este meio de transporte foi de 51,1%.

As viagens de avião que foram pouco superiores a 10% em 2020 e 2021, chegaram a 13,7% em 2023, bem como nas viagens de ônibus, que também apresentaram aumento no ano passado.

Viagens profissionais

As viagens profissionais para negócio ou trabalho, apesar do crescimento das ocorrências, apresentou redução na sua participação. Assim, em 2021, o país registrou 1,5 milhão de viagens para negócio ou trabalho, o que representava 87,7% das viagens profissionais. Em 2023, esse número chegou a 2,4 milhões, sendo esse valor 82,4% das viagens profissionais.

O IBGE informa que esse aumento ocorreu após o fim das restrições de viagens, estabelecidas por autoridades sanitárias ou assumidas pelas pessoas.

Já a redução da proporção é explicada pelo aumento das viagens para eventos e cursos para desenvolvimento profissional, outra subcategoria das viagens profissionais, que foi de 95 mil viagens (5,3%) em 2021, para 350 mil viagens (11,6%) em 2023, um aumento de 268,4%.

Viagens pessoais

Já entre as viagens de cunho pessoal, aquelas que tinham como motivo o lazer ou visita ou evento de familiares e amigos foram em média 71,5% do total de viagens no ano passado.

As viagens para tratamento médico ou consulta médica foram motivo de 19,8% do total das viagens em 2023, percentual muito próximo ao do ano de 2021 (19,6%) e um pouco maior que o percentual de 2020 (17,3%).

As viagens na categoria Outro foram 8,4% das viagens em 2023, percentual menor que em 2020 (11%) e em 2021, quando 9,3% das viagens tiveram esse motivo. Essa categoria abrange motivos como compras pessoais, curso, estudo ou congresso pessoal, religião ou peregrinação, bem-estar, entre outros.

Por que os brasileiros não viajam?

Em 2023, dos 62,1 milhões de domicílios em que não houve viagem, o motivo foi falta de dinheiro em 24,9 milhões (40,1%). Em 11 milhões, as pessoas alegaram falta de tempo (17,8%) e, em 11,8 milhões de lares (19,1%), os residentes não viram necessidade de haver viagem.

A pesquisa revelou, ainda, que em 62,1 milhões de domicílios não houve viagem. Se por um lado houve desinteresse, falta de necessidade ou outro motivo para os moradores de 19,4 milhões de domicílios, por outro, a demanda por viagens nos outros 42,7 milhões de domicílios foi reprimida pela falta de dinheiro, tempo, saúde ou por terem outra prioridade.

R7

Opinião dos leitores

  1. É o governo Lula trabalhando pra melhorar a vida do brasileiro…👏👏👏
    A boiada fica louca de inveja…kkkkk

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

TCU chama equipe econômica para apontar risco em medidas parafiscais

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) vê um risco de que medidas “parafiscais” na gestão orçamentária do governo levem à perda de credibilidade nas contas públicas, com efeitos adversos sobre indicadores macroeconômicos já no curto prazo, como desvalorização do real e maiores expectativas de inflação.

A CNN teve acesso a quatro achados preliminares de uma auditoria do tribunal, ainda em curso, para identificar e analisar o financiamento e a execução de gastos públicos com recursos extraorçamentários.

O ministro Bruno Dantas, relator do processo no TCU, convidou integrantes da equipe econômica e parlamentares diretamente envolvidos na elaboração do orçamento de 2026 para uma audiência pública na próxima quarta-feira (23). As conclusões preliminares já foram compartilhadas com os convidados.

O objetivo do ministro é apresentar os principais achados da auditoria, que tem término previsto para maio, e discuti-los com as autoridades. São quatro pontos:

  • Não recolhimento de receitas públicas à Conta Única do Tesouro. Dois exemplos foram identificados:
    * O PL 3.335/2024, que propõe o repasse direto à Caixa Econômica Federal de recursos oriundos da exploração de petróleo e gás, no valor estimado de R$ 13,6 bilhões, para custeio do Novo Auxílio Gás, sem passar pelo Orçamento Geral da União (OGU).
    * Honorários advocatícios de advogados públicos: desde 2017, esses valores vêm sendo tratados de forma extraorçamentária, totalizando aproximadamente R$ 14,9 bilhões até o momento, conforme dados do Portal da Transparência.
  • Utilização de fundos privados ou entidades para execução de políticas públicas. Exemplos identificados:
    * Programa Pé-de-Meia: financiamento com recursos de fundo privado, sem dotação autorizada na Lei Orçamentária Anual (LOA).
    * Fundo Rio Doce: acordo para repasse de R$ 29,75 bilhões à União, com destinação direta ao BNDES para implementação de políticas públicas, sem trânsito pelo OGU.
  • Utilização de fundos públicos em políticas de concessão de crédito. Exemplos:
    * Repasses de recursos de fundos públicos ao BNDES: repasse de mais de R$ 30 bilhões ao banco, em 2024, para políticas de crédito subsidiado.
    * Faixa 4 do Programa Minha Casa, Minha Vida: recursos transferidos como receitas financeiras, sem impacto direto no resultado primário, mas com potencial repercussão na dívida líquida do setor público.
  • Falta de transparência na gestão de fundos públicos e privados. Exemplos: inexistência de uma plataforma centralizada e acessível ao público, com informações completas e atualizadas sobre os fundos utilizados para financiar políticas públicas.

A apuração preliminar do TCU indica que essas “práticas heterodoxas” comprometem a integridade, a transparência e a sustentabilidade do regime fiscal.

Os riscos, segundo a auditoria, são de “conflitos” entre as políticas fiscal e monetária.

Para o tribunal de contas, a perda de credibilidade tem uma série de “consequências adversas”: elevação das expectativas de inflação, aumento das taxas de juros básicas, desvalorização cambial, descontrole da dívida pública, encarecimento do crédito para o consumidor.

Entre as autoridades convidadas pelo TCU para a audiência pública de quarta-feira estão os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, os presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.

Também foram chamados o presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), senador Efraim Filho (União-PB), e os deputados Carlos Zaratini (PT-SP) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), respectivamente relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

A investigação do TCU é conduzida Conduzida pela Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal). Ela teve início em novembro de 2024 e estava sob a relatoria do ministro Vital do Rêgo.

Como Vital assumiu a presidência do órgão de controle, a relatoria passou para Dantas.

CNN

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

RN em alerta: Governo declara seca em 147 municípios e abastecimento ameaça colapsar

Foto: Joana Lima

O Governo do RN declarou situação de seca em 147 municípios, cerca de 88% do Estado, após a estação chuvosa de 2025 registrar índices 16,1% abaixo do esperado. O decreto nº 34.946, assinado pela governadora Fátima Bezerra, será publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (2).

Os dados são de órgãos como a Agência Nacional de Águas (ANA), Caern, SAPE e Emparn. As regiões mais afetadas foram o Seridó e o Alto Oeste, com mesorregiões Central e Agreste registrando quedas de 24,5% e 20,4% nas chuvas, respectivamente. Entre os municípios, 71 estão em seca grave, incluindo Caicó, Currais Novos e Pau dos Ferros.

O impacto sobre o abastecimento é crítico: dez cidades estão em colapso ou pré-colapso, atingindo cerca de 108 mil pessoas, com destaque para Serra do Mel, em colapso há quatro anos por contaminação dos poços. Os reservatórios monitorados pelo Igarn acumulavam apenas 44,2% da capacidade nesta quarta (1º), ante 3,14 bilhões de metros cúbicos no mesmo período de 2024.

A seca também prejudica a agricultura familiar. O milho foi o mais afetado, seguido por feijão, algodão e sorgo, com o algodão agroecológico perdendo 90% da área cultivada, segundo a SAPE.

Governo anuncia medidas emergenciais

Para amenizar a crise, o Estado implementa medidas emergenciais: perfuração de 500 poços até abril de 2026, construção de 2.500 cisternas (396 já concluídas), recuperação de dessalinizadores e outras obras hídricas estruturantes. Há também projetos de distribuição de palma forrageira e sementes para garantir alimentação de rebanhos futuros.

A zona rural de 76 municípios é atendida pelo Programa Operação Carro-Pipa, do Exército, com 210 caminhões distribuindo água potável.

Relação de municípios do RN afetados pelo desastre climatológico seca

1.Acari; 2. Assu; 3. Água Nova; 4. Afonso Bezerra; 5. Alexandria; 6. Almino Afonso; 7. Alto do Rodrigues; 8. Angicos; 9. Antônio Martins; 10. Apodi; 11. Areia Branca; 12. Baraúna; 13. Barcelona; 14. Bento Fernandes; 15. Bodó; 16. Bom Jesus; 17. Boa Saúde; 18. Caiçara do Norte; 19. Caiçara do Rio do Vento; 20. Caicó; 21. Campo Grande; 22. Campo Redondo; 23. Caraúbas; 24. Carnaúba dos Dantas; 25.  Carnaubais; 26. Ceará-Mirim; 27. Cerro Corá; 28. Coronel Ezequiel; 29. Coronel João Pessoa; 30. Cruzeta; 31. Currais Novos; 32. Doutor Severiano; 33. Encanto; 34. Equador; 35. Felipe Guerra; 36. Fernando Pedroza; 37. Florânia; 38. Francisco Dantas; 39. Frutuoso Gomes; 40. Galinhos; 41. Governador Dix-sept Rosado; 42. Grossos; 43.  Guamaré; 44. Ielmo Marinho; 45. Ipanguaçu; 46. Ipueira; 47. Itajá; 48. Itaú; 49. Jaçanã; 50. Jandaíra; 51. Janduís; 52. Japi; 53. Jardim de Angicos; 54. Jardim de Piranhas; 55. Jardim do Seridó; 56. João Câmara; 57. João Dias; 58. José da Penha; 59. Jucurutu; 60. Lagoa d’Anta; 61. Lagoa de Pedras; 62. Lagoa de Velhos; 63. Lagoa Nova; 64. Lagoa Salgada; 65. Lajes; 66. Lajes Pintadas; 67. Lucrécia; 68. Luís Gomes; 69. Macaíba; 70. Macau; 71. Major Sales; 72. Marcelino Vieira; 73. Martins; 74. Maxaranguape; 75. Messias Targino; 76. Monte Alegre; 77. Monte das Gameleiras; 78. Mossoró; 79. Nova Cruz; 80. Olho d’Água do Borges; 81. Ouro Branco; 82. Paraná; 83. Paraú; 84. Parelhas; 85. Parazinho; 86. Passa e Fica; 87. Patu; 88. Pau dos Ferros; 89. Pedra Grande; 90. Pedra Preta; 91. Pedro Avelino; 92. Pendências; 93. Pilões; 94. Poço Branco; 95. Portalegre; 96. Porto do Mangue; 97. Pureza; 98. Rafael Fernandes; 99. Rafael Godeiro; 100. Riacho da Cruz; 101. Riacho de Santana; 102. Riachuelo; 103. Rio do Fogo; 104. Rodolfo Fernandes; 105. Ruy Barbosa; 106. Santa Cruz; 107. Santa Maria; 108. Santana do Matos; 109. Santana do Seridó; 110. Santo Antônio; 111. São Bento do Norte; 112. São Bento do Trairi; 113. São Fernando; 114. São Francisco do Oeste; 115. São João do Sabugi; 116. São José do Campestre; 117. São José do Seridó; 118. São Miguel; 119. São Miguel do Gostoso; 120. São Paulo do Potengi; 121. São Pedro; 122. São Rafael; 123. São Tomé; 124. São Vicente; 125. Senador Elói de Souza; 126. Serra Caiada; 127. Serra de São Bento; 128. Serra do Mel; 129. Serra Negra do Norte; 130. Serrinha; 131. Serrinha dos Pintos; 132. Severiano Melo; 133. Sítio Novo; 134. Taboleiro Grande; 135. Taipu; 136. Tangará; 137. Tenente Ananias; 138. Tenente Laurentino Cruz; 139. Tibau; 140. Timbaúba dos Batistas; 141. Touros; 142. Triunfo Potiguar; 143. Umarizal; 144. Upanema; 145. Venha-Ver; 146. Vera Cruz; 147. Viçosa.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Brasil vira antagonista dos EUA na ONU no primeiro encontro cara a cara entre Lula e Trump

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se converter no principal antagonista do presidente americano, Donald Trump, durante a abertura da 80ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU).

Essa é a primeira viagem oficial de Lula aos Estados Unidos desde a posse de Trump, em janeiro. Desde então, a relação do Palácio do Planalto com a Casa Branca piorou sensivelmente.

O presidente desembarcou na noite de domingo, dia 21, com uma comitiva mais enxuta que de costume e foi alvo de protestos de opositores . As atividades oficiais começam na manhã desta segunda-feira, dia 22.

Os presidentes poderão se encontrar cara a cara pela primeira vez nos corredores da ONU. Como de praxe, cabe ao Brasil fazer o discurso de abertura do Debate Geral da assembleia, na manhã de terça-feira, dia 23.

Crise na relação bilateral

Trump ocupará a tribuna logo após Lula encerrar seu pronunciamento. O governo brasileiro entende que os contrastes com Trump ficarão claros nos discursos de ambos.

Não há pedidos de conversa articulada entre eles. O governo Lula receia de gestos de humilhação ao presidente e pondera que o ambiente não é propício para uma discussão substantiva da relação bilateral, mas não descarta um aperto de mãos caso se cruzem no corredor. Lula deve assistir ao discurso de Trump no plenário.

Os mais experientes ex-embaixadores brasileiros em Washington, estudiosos da relação bilateral, classificaram o atual momento como o pior em 200 anos de relações diplomáticas. Ameaças de novas punições ao Brasil em virtude do apoio de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro tendem a degradar ainda mais esse relacionamento e podem ser concretizadas durante a estada do petista nos EUA.

Esses diplomatas avaliam que Lula errou ao apoiar os democratas para sucessão de Joe Biden, mas concordam que o republicano praticou uma ingerência na política doméstica brasileira. Eles divergem sobre a conveniência de um contato direto e pessoal com Trump, como um telefonema.

Os diplomatas dos dois países não escondem que a divergência tem razão política. A Casa Branca insiste na tese de suposta defesa da liberdade de expressão por parte de Trump, que vê uma caça às bruxas na condenação de Bolsonaro, com quem ele se comparou, e na alegada perseguição às plataformas digitais – big techs.

O Planalto, porém, enxerga no tarifaço de 50% e na pressão por meio de sanções pessoais (corte de vistos e cerco financeiro da Lei Magnistky) a ministros do governo e do Supremo Tribunal Federal, sobretudo a Alexandre de Moraes, uma tentativa de ingerência nas eleições de 2026. Segundo essa leitura, Trump quer ver um governo “submisso” no maior país da América Latina, conter a esquerda e uma postura “insubordinada” de Lula no que consideram o “quintal” e zona de crescente influência geoeconômica da China.

De visões opostas sobre conflitos geopolíticos à emergência climática, passando pelo tarifaço global e pelo debate sobre regulação big techs, há uma série de pontos de choque entre os governos de Brasil e Estados Unidos.

Nos bastidores, existe o temor de que autoridades públicas brasileiras sejam alvo de novas sanções ou até mesmo que o País sofra com novas tarifas e sanções secundárias sobre a compra do diesel e fertilizantes russos. Caso se confirmem, Lula deve reagir já na tribuna da ONU.

Antes da Assembleia, o Departamento de Estado retardou a concessão de vistos diplomáticos e impôs restrições de locomoção a mais de um representante do governo brasileiro.

Impedido de circular livremente em NY e de ir a uma reunião de ministros da Saúde em Washington, como pretendia, Alexandre Padilha desistiu de viajar. Em carta, apontou obscurantismo e prejuízos potenciais ao País.

Integrantes da delegação brasileira que ocupam postos de menor escalão receberam a restrição de se locomoverem apenas em Nova York.

Como mostrou o Estadão, essa mesma restrição tem sido aplicada a regimes rivais dos EUA e autoritários: China, Rússia, Irã, Síria, Venezuela e Cuba.

Em vez de discutir o caso diretamente com o Departamento de Estado, o governo Lula tomou a iniciativa de escalar o que considera uma decisão arbitrária e descabida. Pediu intervenção do secretário-geral da ONU, António Guterres. O chanceler Mauro Vieira escreveu uma carta a Guterres.

O episódio não deve passar batido do discurso do petista. O presidente considera mencionar em tom de repúdio a restrição inédita à comitiva do Brasil e o banimento completo da delegação Palestina.

Estadão

Opinião dos leitores

  1. Besteira, lambemos as notas dos Estados Unidos desde os tempos da Aliança para o Progresso, quando trocávamos nossas riquezas por uma gororoba chamada “bulgou” (nem sei se escrevi corretamente), mas nós alunos chamávamos de “Caracas de americanos’. Lembram?

  2. Nós que somos “verdadeiros patriotas” estamos sempre contra o Brasil e a favor dos Estados Unidos.

  3. Não baixou as calças pro Trump, parabéns lula, aqui não é quintal dos EUA não. Vc não é um lambe botas.

  4. Acho que Trump tá sem dormir devido a preocupação com Lula.
    Salve, salve os Estados Unidos da América!!!

    1. o cara manda o salve para os Estados Unidos da América, que coisa ridícula. Será que ele sabe que só aceitariam ele lá pra limpar banheiro? Que lá ele é visto como menos humanos e tem menos direitos só por ter nascido ao sul ?

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Governo Lula gasta R$ 324 bilhões fora dos limites fiscais em 3 anos

Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá gasto R$ 324,3 bilhões fora dos limites fiscais de 2023 a 2025, segundo levantamento da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado realizado a pedido do Poder360.

Os gastos extraordinários dispararam em 2023: somaram R$ 241,3 bilhões. Diminuíram para R$ 33,8 bilhões em 2024.

A equipe econômica estima que R$ 49,3 bilhões vão ultrapassar o marco fiscal em 2025, segundo a avaliação mais recente da equipe econômica.

O governo se comprometeu a ter uma meta fiscal de deficit zero em 2024 e em 2025. Isso significa que os gastos públicos precisam ser iguais às receitas.

Apesar de efetivamente desembolsados, os valores citados no infográfico acima ficam de fora desse objetivo. 

FURA-TETO, PRECATÓRIOS E RIO GRANDE DO SUL

O valor de 2023 foi impulsionado especialmente pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição) fura-teto, que liberou R$ 145 bilhões fora do então teto de gastos –regra fiscal vigente.

A proposta permitiu ao governo gastar acima do limite para viabilizar o pagamento de benefícios sociais. Foi uma iniciativa feita em 2022 por Lula e pela equipe do agora ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Outro gasto significativo em 2023 foi o pagamento de R$ 92,4 bilhões em precatórios. Haddad afirma que a medida foi necessária porque a gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL), teria dado “calote” ao adiar o pagamento das despesas.

Entenda:

  • o que são precatórios – dívidas do governo reconhecidas pela Justiça, que devem ser pagas a pessoas físicas ou jurídicas depois de decisão definitiva;
  • por que Bolsonaro adiou o pagamento – para abrir espaço no orçamento sem furar o teto de gastos.

O apoio fora da meta à população afetada pelas enchentes no Rio Grande do Sul é destaque em 2024. Somou R$ 29 bilhões. Além disso, R$ 1,4 bilhão foi destinado ao combate a incêndios e queimadas.

A tendência é que os precatórios sejam a maior fatia das despesas extraordinárias em 2025, com R$ 45,3 bilhões. Esses desembolsos estão liberados para ficar fora da meta até 2026.

O governo Lula alterou a metodologia das regras de controle das contas públicas. O chamado novo marco fiscal. Entenda a diferença entre:

  • teto de gastos – criado em 2016, limitava as despesas ao valor gasto no ano anterior corrigido pela inflação. Era rígido: mesmo que a arrecadação crescesse, o governo não podia gastar mais;
  • marco fiscal – permite que os gastos cresçam conforme a receita, com limites de até 2,5% acima da inflação. A meta passa a considerar o resultado primário.

FRAUDES NO INSS PODEM FICAR DE FORA

O valor de 2023 foi impulsionado especialmente pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição) fura-teto, que liberou R$ 145 bilhões fora das regras vigentes naquele ano.

A AGU (Advocacia Geral da União) pediu que o STF (Supremo Tribunal Federal) assegure ressarcimento aos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) vítimas de descontos fraudulentos por entidades e associações. Apesar disso, os gastos ficariam de fora da meta de deficit zero.

Uma investigação da Polícia Federal mostrou em abril que associações e sindicatos lucraram com um esquema de retenção indevida de benefícios previdenciários de 2019 a 2024. O valor total pago no período (fraudulento ou não) somou aproximadamente R$ 6,5 bilhões.

Não há um valor definido na ação da AGU. Ainda será preciso analisar o montante exato que deve ser pago a todos que comprovarem que tiveram descontos ilegais em seus benefícios.

A Advocacia Geral da União é o órgão responsável por representar o governo judicialmente. É como se fosse o advogado do presidente. 

BOLSONARO FUROU TETO EM R$ 119,9 BI

O ex-presidente furou o antigo teto de gastos especialmente com o Auxílio Emergencial criado na pandemia, que somou R$ 44 bilhões.

O benefício foi pago durante o surto de covid-19 para apoiar financeiramente trabalhadores informais, desempregados e famílias de baixa renda.

A PEC das Bondades representou uma despesa significativa: R$ 36,5 bilhões. Serviu para ampliar programas sociais em 2022, ano eleitoral. O Auxílio Brasil (agora Bolsa Família) e o vale-gás ficaram mais caros para as contas públicas.

Ações para manutenção dos empregos, saúde e apoio a pequenos negócios também entraram nos gastos fora do teto.

Poder 360

Opinião dos leitores

  1. Após acusação de Ciro Gomes contra governo, BC diz que bancos receberam 3% dos precatórios🤣🤣

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Com poder centralizado, articulação com Congresso depende de Lula

Reprodução

A reforma tributária e o pacote de corte de gastos, pautas consideradas prioritárias para o governo, foram aprovadas no Congresso com intervenção pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista chega à metade de seu 3º mandato com uma articulação enfraquecida, na qual o Executivo é cada vez mais dependente de sua figura.

No ano passado, a impressão no Congresso era a de que não havia mais confiança nos interlocutores indicados pelo presidente, como os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil). Sendo assim, quando o chefe do Executivo precisou sair de cena, as negociações no Legislativo também andaram de lado.

Ainda em junho de 2023, Lula já recebia o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no Palácio da Alvorada para discutir a reforma tributária, aprovada no fim daquele ano. A regulamentação do tema foi finalizada em 2024. Apesar das conversas diretas entre os presidentes, a aprovação ficou como uma vitória política do deputado alagoano.

INTERVENÇÕES DE LULA

Em 2024, sempre que algum tema chegava a um impasse no Congresso, era Lula quem entrava em cena para negociar diretamente com Lira e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, para destravar o andamento da pauta.

Foi o caso da reunião de 9 de dezembro de 2024, quando o petista e os 2 congressistas conversavam sobre o pacote de cortes de gastos e as indicações para agências reguladoras no Palácio do Planalto. O encontro foi interrompido para que Lula, com fortes dores de cabeça, fosse levado ao hospital Sírio-Libanês em Brasília para exames.

Depois disso, o petista foi submetido a cirurgias na cabeça, ficando internado em São Paulo. A aprovação dos cortes, entretanto, só foi finalizada com o retorno de Lula a Brasília. As indicações às agências reguladoras ficaram só para 2025.

Em 26 de dezembro, 1 dia depois do Natal, o presidente recebeu Lira no Alvorada para debater o impasse das emendas com bloqueios consecutivos dos pagamentos por Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). Havia especulações de que estaria fazendo jogo combinado com Dino, seu indicado para a Corte.

Ao longo do ano passado, Lula ainda teve reuniões com Lira para discutir sua sucessão na Câmara dos Deputados. Dez dias antes, os 2 se encontraram para discutir novamente as emendas, em capítulos mais iniciais da novela entre o Congresso, Executivo e o Supremo.

Já com Pacheco, Lula teve encontro em 10 de julho para debater a desoneração da folha de pagamentos, que acabou com uma derrota parcial do governo, com a manutenção do benefício para 17 setores até 2027. Outra conversa sobre o tema foi feita com Lula no mês de agosto.

Em 20 daquele mês, conversaram sobre emendas e a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central.

LULA ISOLADO

Apesar das reuniões com Lula e Pacheco terem se intensificado em 2024, há uma reclamação também crescente no Congresso em relação ao petista: falta de acesso.

Como já mostrou o Poder360, quem deseja conversar com o presidente à noite e em fins de semana tem de passar pelo crivo da primeira-dama Janja da Silva. Sem ter um aparelho celular próprio, o chefe do Executivo conta com o auxílio da mulher para fazer e receber ligações.

A necessidade de sempre ter de passar por Janja antes de chegar a Lula é alvo de reclamações de ministros e congressistas, que se sentem constrangidos.

Há a lembrança na cúpula do Legislativo de que o petista, em mandatos anteriores, realizava churrascos e encontros descontraídos com deputados e senadores na Granja do Torto, sua residência de campo. Atualmente, é muito mais difícil para que algum congressista tenha uma conversa direta com o petista.

Alguns usam o espaço de eventos públicos no Planalto para terem seus minutos ao pé do ouvido de Lula. Com os crescentes problemas de saúde, entretanto, essas oportunidades rarearam.

Lula delega essas conversas a seus ministros, orientando-os a receber todo tipo de congressista. Mas esse caminho não tem sido efetivo. O Legislativo critica que suas demandas aos ministérios não surtem o efeito pretendido porque os pedidos não se resolvem sem o aval do presidente.

Ou seja, ao mesmo tempo que o presidente está mais inacessível, ele centraliza a maioria das decisões relativas ao governo. Neste cenário, se algo prejudicar a participação de Lula no dia a dia do Executivo, o Planalto terá problemas em aprovar qualquer coisa no Congresso.

Poder 360

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Polícia

Dias Sangrentos: 12 homicídios marcam final de semana no RN, 7 em Natal

Foto: Reprodução

O último final de semana foi marcado por uma escalada de violência no Rio Grande do Norte, com diversos atentados e homicídios ocorrendo em diferentes pontos da cidade. Conflitos entre facções criminosas e disputas por territórios têm transformado bairros inteiros em cenários de guerra, espalhando medo entre a população e desafiando as autoridades de segurança.

Homicídios do Sábado

Na Penitenciária Estadual Doutor Francisco Nogueira Fernandes, conhecida como Alcaçuz, um interno identificado como Erivan Soares Paixão foi encontrado morto no início da madrugada de sábado (22), no interior da cela 01 do pavilhão 04. O corpo apresentava sinais de estrangulamento ou enforcamento, causa que deverá ser confirmada pela perícia policial.

Em São Gonçalo do Amarante, um homem foi assassinado a tiros na Rua Moema da Silva Orane. Já em São Paulo do Potengi, Luan Vicente Diniz foi morto na Rua João Tinoco.

No bairro Pajuçara, Zona Norte de Natal, uma mulher identificada como “Manu” foi alvo de uma tentativa de homicídio na Rua Dr. Carneiro Ribeiro. Relatos indicam que ela aguardava um mototáxi quando um homem a cumprimentou e, em seguida, retornou para disparar quatro tiros contra sua cabeça. A vítima foi socorrida pelo SAMU e levada ao hospital, sem que seu estado de saúde fosse divulgado. No local do crime, uma sacola com material suspeito, possivelmente drogas, foi encontrada e encaminhada à perícia.

Em Guamaré, na localidade Morro do Judas, o adolescente Alisson da Silva Feliciano, de 13 anos, conhecido como “Paco”, foi morto a facadas por Antony Henrique da Silva Oliveira, vulgo “De menor”. Paco havia saído recentemente do CEDUC, onde cumpria medida socioeducativa por tentativa de homicídio. O autor do crime foi preso e alegou que Paco o procurou em casa antes do ataque.

Homicídios do Domingo

No bairro Pajuçara, em Natal, Francisco Anderson da Silva, de 20 anos, conhecido como “Gordinho”, foi morto a tiros em uma vila na Rua dos Imigrantes, no conjunto Vila Verde. Ele havia saído recentemente do sistema penitenciário, onde cumpria pena por tráfico de drogas. O jovem estava em uma “biqueira”, ponto de venda de drogas, quando foi surpreendido por dois homens em uma moto, que efetuaram pelo menos sete disparos, sendo quatro fatais.

Na Cidade Alta, um homicídio foi registrado na Rua São Bernardo, enquanto em Monte Alegre, um homem foi morto na Avenida João de Paiva, no centro da cidade.

No bairro Cidade Nova, Luiz Fidélis da Silva Neto, de 20 anos, foi morto e seu irmão, Anderson Fidélis, de 25, baleado durante um atentado na comunidade “Rabo da Cachorra”. Criminosos armados abriram fogo contra um grupo que bebia no local, atingindo Luiz na cabeça e nas costas, resultando em sua morte imediata. Anderson foi atingido no pé e levado para atendimento médico. A Polícia suspeita que o ataque esteja relacionado à disputa territorial entre as facções Comando Vermelho e Sindicato do RN.

No Hospital Clóvis Sarinho, duas pessoas baleadas em diferentes pontos da cidade não resistiram aos ferimentos e faleceram.

No bairro Nossa Senhora da Apresentação, no final da noite de domingo para a madrugada de segunda-feira (24), mais um homicídio foi registrado. A vítima, identificada como Rafinha, era um membro do Sindicato do Crime. Testemunhas relataram ter ouvido mais de 30 tiros durante a execução.

No total, oito homicídios ocorreram em Natal. Além desses crimes, também foram registradas uma morte no trânsito, dois afogamentos e pelo menos quatro óbitos sem causa definida pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP).

Pelo menos três das mortes registradas estão diretamente ligadas à disputa entre as facções Comando Vermelho e Sindicato do RN. A morte dentro do presídio de Alcaçuz pode ter sido o estopim para a intensificação da violência nas ruas do estado.

A sequência de crimes violentos reforça a preocupação com o crescimento da criminalidade em Natal e região. A guerra entre facções tem transformado bairros inteiros em zonas de conflito, colocando a segurança da população em risco. Enquanto isso, o silêncio das testemunhas e a falta de recursos para investigações aprofundadas tornam o trabalho das autoridades ainda mais desafiador.

Especialistas apontam a necessidade urgente de uma intervenção mais rigorosa do Estado na segurança pública, com estratégias eficazes de combate ao tráfico de drogas e fortalecimento do policiamento ostensivo. Medidas que possam desarticular o poder das facções criminosas são essenciais para evitar que a violência continue a crescer e fazer novas vítimas. A população, cada vez mais refém do medo, clama por ações concretas e urgentes das autoridades competentes.

Portal BO

Opinião dos leitores

  1. Gente onde o estado tem seu chefe comandado pelo Pt e o presidente da República da mesma sigla, o mesmo defende o crime “Quando fala roubar pra tomar cerveja não e crime ” como pode ter segurança

  2. Tenho a ligeira impressão, que todos esses assassinatos são de criminosos, prá a população e para a polícia, é um alívio.

  3. Engraçado, bandido bom não era bandido morto? Realmente é difícil entender, a maioria envolvido com crimes e facções, o índice estava baixo, o que não necessariamente significa segurança (homicídios ocorrem em regiões específicas).

    1. No marketing do governo kkkkkkkk funciona, viu? Eleita no 1a turno e preparando sucessor.

  4. Pela propaganda “ verdadeira “ do governo do pt , O RN e Natal é um dos estados e capital respectivamente mais segura do Brasil. Imaginem a mais violenta !

  5. No Ceará começou assim. Lá está tudo dominado pelo comando vermelho. Eu sou cearense sou torcedor do Ceará e moro aqui a 32 anos não pretendo voltar nunca mais.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nacional

Professor da UFRN é único brasileiro na maior pesquisa sobre Alzheimer já feita no mundo

Foto: Arquivo Pessoal

A mais promissora pesquisa sobre Alzheimer já feita, envolve 20 países, mais de 120 instituições – entre centros de pesquisa, hospitais e universidades – e 386 pesquisadores. Entre esses, um único brasileiro: o professor Marcos Costa, do Instituto do Cérebro da UFRN. Graduado em Medicina e doutor em Fisiologia, ambos pela UFRJ, Marcos é professor adjunto da UFRN desde 2009 e integra o Instituto do Cérebro, onde chefia o laboratório de Neurobiologia Celular. Há três anos trabalha como professor visitante no Instituto Pasteur de Lille, na França, onde é o único brasileiro a integrar o grupo.

O estudo é desenvolvido pelo consórcio European DNA bank for deciphering the missing heritability of Alzheimer’s disease (EADB), estabelecido em 2016, e culminou com a importante descoberta de genes associados à doença de Alzheimer. Os avanços foram publicados no último mês de abril em artigo “Novas descobertas sobre a etiologia genética da doença de Alzheimer e demências relacionadas”, na revista científica britânica Nature Genetics.

A pesquisa ampliou de 33 para 75 os genes que estão ligados a um risco aumentado para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Este não é o primeiro trabalho que o professor Marcos Costa assina com o grupo: já foram cinco artigos, dos quais em três ele figura como pesquisador principal.

Este é o maior estudo de risco genético para a doença até hoje, e analisou os genomas de milhares de pessoas com diagnóstico clínico de Alzheimer e comparou com genes de indivíduos cognitivamente saudáveis. Os genomas foram fornecidos por clínicas em mais de 15 países membros da União Europeia, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Islândia, Nigéria, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. Utilizando estes genes, os pesquisadores criaram um “score de risco genético” que poderá contribuir no futuro para identificar indivíduos com maior susceptibilidade de desenvolver a doença.

“A doença de Alzheimer é a principal causa de demência e tem um grande impacto na sociedade. A descoberta de genes associados com o aumento do risco de desenvolver a doença é um primeiro passo no sentido de entendermos a fisiopatologia da doença. O meu trabalho principal é estudar os processos biológicos regulados por estes genes em células neuronais e gliais humanas geradas a partir de células-tronco pluripotentes (iPSC), com o objetivo de elucidar os mecanismos patológicos da doença de Alzheimer e desenvolver novas abordagens terapêuticas”, detalha Costa.

Embora a descoberta seja animadora, seus usos ainda não são imediatos. “É óbvio que a gente quer que isso chegue nas clínicas e possa auxiliar o médico no diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer, na identificação de seleção de grupos de risco e nas decisões terapêuticas. Existe uma série de possibilidades que podemos vislumbrar, mas devemos ter cautela para não promover uma corrida em busca de testes genômicos miraculosos que poderiam definir a chance de desenvolver Alzheimer. Esse ainda não é o caso. Nesse primeiro momento, o uso de testes genéticos ainda deve ser restrito para selecionar pacientes em ensaios clínicos com o objetivo de testar novos medicamentos, o que já é um enorme avanço”, explica o professor.

Além disso, Costa destaca que o aumento das chances em relação à população em geral é da ordem de cinco a dez por cento, em alguns casos chegando a 20% – números considerados significativos mas não determinantes. Ou seja, ainda que uma alteração genética seja identificada, isso não significa que o indivíduo irá desenvolver a doença de Alzheimer.

Estudo vai ajudar em diagnóstico precoce
Informações do portal Alzheimer ‘s Association – principal organização mundial de saúde voluntária para combate, suporte e pesquisa sobre a doença – estimam que 44 milhões de pessoas sofram com demência no mundo, sendo um milhão delas no Brasil. O sintoma mais comum é a perda de memória, mas a doença afeta desde a resolução de problemas e execução de tarefas que antes eram fáceis, até mudanças de humor, confusão para identificar pessoas, lugares, eventos e até mesmo imagens. Ou seja, é como se a mente fosse se apagando.

O estudo genético é estratégico na antecipação necessária para permitir que as pessoas propensas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer sejam diagnosticadas nos estágios mais iniciais. Para Costa, identificar e entender os genes é importante porque vai ser possível compreender o que acontece antes de chegar à demência e, a partir disso, pensar em terapias profiláticas ou, ao menos, que comecem a ser usadas assim que os primeiros sinais de alterações cognitivas aparecerem.

Saiba Mais

Opinião dos leitores

  1. Parabéns professor, que Deus ilumine cada vez sua mente brilhante.
    Tenho um pai assim e seu o quanto é importante sua contribuição.🙏🏻

  2. Caro Professor Marcos Costa parabéns por seus estudo e contribuição para quem sabe um dia ficarmos livre dessa maldita doença. Gostaria, muito de saber qual a diferença na condução da doença em que faz todos os acompanhamentos e toma os malditos remédios e aquela pessoa que vive na área rural e não tem acesso a medicina tradicional.

  3. Como leiga sugiro incluir nos estudos visitas a pacientes nos vários estágios da doença, pois sabemos que o estágio mais avançado é muito triste. Torço pelo sucesso desse estudo e parabéns ao professor brasileiro Marcos Costa.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Tentativa de reeleição chega a 87% na Câmara dos Deputados

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Dos 513 parlamentares em exercício na Câmara dos Deputados, ao menos 447 estão se candidatando novamente ao cargo nas eleições deste ano. Isso equivale a 87% do total.

Considerando também aqueles que disputarão outros postos, como senador ou governador, esse número sobe para 497 dos atuais deputados, ou 97%.

O levantamento foi feito pela Folha com base nos registros da Câmara e nos pedidos de candidatura apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Entre os postulantes à reeleição está o atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Dos deputados eleitos em 2018 que se licenciaram em algum momento para assumir ministérios durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), apenas Osmar Terra (MDB-RS) e Marcelo Álvaro (PL-MG) buscam um novo mandato.

Tereza Cristina (PP-MS) se lançou para o Senado, e Onyx Lorenzoni (PL-RS), para o governo estadual. Já Fábio Faria (PP-RN) abriu mão da nova corrida eleitoral. Ele é o único dos cinco que não está em exercício atualmente.

A disputa também marca a tentativa de retorno de alguns daqueles que se afastaram do cargo ou assumiram uma vaga como suplente, por motivo de renúncia ou licença dos titulares.

Ao todo, 598 políticos passaram pela Câmara durante a legislatura. Destes, 493 querem um novo mandato como deputado e 58 tentarão outros cargos. A soma representa 92% dos parlamentares.

A relação dos que não se registraram para a eleição deste ano, contudo, tem 19 ex-deputados titulares ou suplentes que foram eleitos para prefeito, vice ou vereador no pleito municipal de 2020.

Desta forma, cai para 28 a lista de nomes que não se candidataram de forma voluntária, como Áurea Carolina (PSOL-MG) e Henrique Fontana (PT-RS), ou por inelegibilidade, caso de Flordelis (sem partido).

Condenado à prisão domiciliar e indultado pelo presidente Bolsonaro, Daniel Silveira (PTB-RJ) se lançou para o Senado. O Ministério Público Eleitoral contesta, alegando que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) o torna inelegível.

Neste ano, a Justiça Eleitoral recebeu 10.300 pedidos de candidatura para uma vaga na Câmara. É o novo recorde de participações na disputa, com um aumento de 20,5% em relação aos 8.548 inscritos no pleito anterior

No outro lado do Congresso, 35 dos 81 atuais senadores se lançaram à disputa eleitoral deste ano, mas apenas 12 em tentativas de reeleição para o mesmo cargo.

Simone Tebet (MDB-MS) e Soraya Thronicke (União-MS) concorrem à Presidência, e Mara Gabrilli (PSDB-SP) está na chapa de Tebet como vice.

Outros 14 são candidatos aos governos estaduais. No entanto, apenas Fernando Collor (PTB-AL) arrisca ficar sem um novo mandato, já que os demais foram eleitos em 2018 e poderão seguir no cargo caso sejam derrotados nas urnas –a legislatura no Senado é de oito anos.

A lista tem ainda três senadores que se lançaram para uma vaga na Câmara dos Deputados —entre eles José Serra (PSDB-SP)—, uma para vice-governadora, e dois para suplente na própria Casa Legislativa.

Tasso Jereissati (PSDB-CE), Reguffe (União Brasil-DF) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) são alguns dos nomes que não se colocaram para o pleito deste ano.

Um terço do Senado será renovado, com 27 cadeiras em disputa. A concorrência também é a maior já registrada pela Justiça Eleitoral, com 233 postulantes, ou 8,6 por vaga.

Na corrida pelos governos estaduais, 20 dos 22 possíveis candidatos à reeleição entraram na disputa, incluindo os que foram eleitos como vice e assumiram o posto no decorrer do mandato. É o caso de Rodrigo Garcia (PSDB-SP).

As exceções são as governadoras do Ceará, Izolda Cela (PDT), e do Piauí, Regina Sousa (PT). Ambas ocuparam o cargo após a renúncia dos respectivos antecessores. A primeira acabou preterida na convenção do partido, e a segunda disse à Folha que não pleiteou a reeleição por questões de saúde.

O Rio de Janeiro, curiosamente, tem dois candidatos à reeleição. Eleito como vice, o governador Cláudio Castro (PL) é agora adversário do vencedor na cabeça de chave em 2018, Wilson Witzel (PMB), deposto por impeachment em 2021. A Procuradoria Regional do Rio contesta a candidatura de Witzel.

O número de concorrentes aos governos estaduais inscritos neste ano (223) também é o maior já registrado pelo TSE.

FolhaPress

Opinião dos leitores

  1. Maioria corruptos e protetores de corruptos, desde a lava jato não existiu uma proposta pra combater a corrupção, e olhe que cerca de 30% de toda verba do estado pra população é desviada por esse mal e pra esses criminosos, daí se constata o mal que faz a população em geral, mas os mais atingidos são os mais carentes. Está existindo uma relação de candidatos deputados que estão se propondo trabalhar com afinco contra a corrupção junto com a lava jato, aqui no estado só tem um candidato, quem quiser mudar esse quadro de roubalheira no governo, pode apoiá-lo. É uma alternativa pra quem está indignado com a corrupção.

  2. Bom dia vacaria imunda
    Semana foi complicada né?
    Pesquisa com Lula no 1º turno, vereador “defensor” da família e “temente” a Deus cassado…
    Fiquem tranquilos, vai melhorar, Lula vai ser eleito Presidente e vamos varrer essa corja de hipócritas.
    👍🏻🇧🇷

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eleições 2022

TRE sorteia 23 urnas que passarão por auditoria no 2º turno em 19 municípios do RN

Foto: divulgação TRE-RN

Na manhã deste sábado (29), foram sorteadas no Plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), as 23 urnas que passarão pela auditagem neste 2º turno das Eleições 2022, que ocorrerá neste domingo, 30 de outubro. Ao todo, 18 passarão pelo Teste de Integridade sem biometria, 2 pelo Teste de Integridade do Projeto-Piloto com Biometria e 3 pelo Teste de Autenticidade.

Acompanharam o sorteio das urnas, a Presidente da Comissão de Auditoria das Urnas, a juíza Dra. Hadja Rayann; os juízes Dr. Cleanto Fortunato e Dr. Marivaldo Araújo, que acompanharão a execução do Teste de Integridade do Projeto-Piloto com Biometria e os procuradores da República Dra. Cibele Benevides e Dr. Fernando Rocha. Além dos representantes do Exército, imprensa e auditores contratados para fazerem uma auditoria paralela do processo de Auditoria.

As 18 urnas sorteadas para o Teste de Integridade sem Biometria, serão transportadas ao longo deste sábado e trazidas para o Fórum Eleitoral de Natal, localizado na Av. Rui Barbosa, 215, bairro do Tirol. Os equipamentos retirados serão substituídos por outras urnas que passarão por nova recarga com informação dos eleitores daquela seção.

Confira abaixo as urnas sorteadas para cada um dos Testes:

Urnas que passarão pelo Teste de Integridade sem Biometria:

1) Zona: 0001 – Seção: 0611 – Local: Escola Estadual Peregrino Júnior (Rua Rio do Sul, S/N, Santa Catarina). Município: Natal/RN.

2) Zona: 0032 – Seção: 0140 – Local: Escola Municipal Pascoal Francisco de Lima (Praia do Rosado, S/N). Município: Porto do Mangue/RN.

3) Zona: 0050 – Seção: 0504 – Local: CEI Zona Sul (Av. Maria Lacerda Montenegro, 260). Município: Parnamirim/RN.

4) Zona: 0054 – Seção: 0134 – Local: Escola Municipal de Primeiro Grau Padre Amaro (Rua Alferes Tonho, 448). Município: Paraú/RN.

5) Zona: 0020 – Seção: 0174 – Local: Escola Municipal Socorro Amaral (Rua Oscar Alberto Dantas, 51). Município: Currais Novos/ RN.

6) Zona: 0062 – Seção: 0072 – Local: Escola Estadual Senador João Câmara (Rua Tiradentes, 60). Município: Bento Fernandes/RN.

7) Zona: 0033 – Seção: 0061 – Local: Escola Estadual Monsenhor Raimundo Gurgel (Ruam Jaem Menescal, S/N). Município: Mossoró/RN.

8) Zona: 0058 – Seção: 0102 – Local: Escola Municipal Antonio Florêncio (Assentamento Tiradentes). Município: Baraúna/RN.

9) Zona: 0010 – Seção: 0173 – Local: Colégio Eco Rede de Ensino (Rua José Severiano da Câmara, S/N). Município: João Câmara/ RN.

10) Zona: 0006 – Seção: 0218 – Local: Escola Municipal Pedro Salomão (Povoado de Caiana, S/N). Município: Ceará-Mirim/RN.

11) Zona: 0022 – Seção: 0029 – Local: Escola Estadual João Henrique Dantas (Rua José Vitor, 590). Município: Carnaúba dos Dantas/RN.

12) Zona: 0005 – Seção: 0061 – Local: Escola Municipal Pedro Gomes de Sousa (Rua Vereador Pedro Gomes de Sousa, S/N). Município: Macaíba/RN.

13) Zona: 0012 – Seção: 0153 – Local: Escola Municipal Francisco Pereira Matos (Rua Juvemar da Silveira Borges, S/N). Município: Nova Cruz/RN.

14) Zona: 0034 – Seção: 0016 – Local: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN (Rua Antonio Campos, S/N). Município: Mossoró/RN.

15) Zona: 0052 – Seção: 0059 – Local: Escola Municipal Tancredo Neves (Rua Costa e Silva, S/N). Município: Parazinho/RN

16) Zona: 0021 – Seção: 0041 – Local: Escola Municipal Aprígio Soares (Sítio Cajueiro, S/N). Município: Florânia/RN.

17) Zona: 0053 – Seção: 0011 – Local: Escola Estadual Maria do Rosário Bezerra (Rua Manoel Joaquim de Souza, 73). Município: Boa Saúde/RN.

18) Zona: 0031 – Seção: 0062 – Local: Escola de 1º e 2º Graus Professor Joaquim Leal Pimenta (Rua Joaquim Leal Pimenta). Município: Campo Grande/RN.

. Urnas que passarão pelo Teste de Integridade do Projeto-Piloto com Biometria:

1) Zona: 0002 – Seção: 0495 – Local: Faculdade Estácio – Unidade Alexandrino (Av. Almirante Alexandrino de Alencar). Município: Natal/RN.

2) Zona: 0002 – Seção: 0497 – Local: Faculdade Estácio – Unidade Alexandrino (Av. Almirante Alexandrino de Alencar). Município: Natal/RN.

Urnas que passarão pelo Teste de Autenticidade

1) Zona: 0013 – Seção: 0116 – Local: Complexo Administrativo e Social Maria Cícera dos Santos (Rua José Correia de Andrade, S/N). Município: Serrinha/RN.

2) Zona: 0064 – Seção: 0054 – Local: Escola Estadual Lavoisier Maia Sobrinho (Largo de São Pedro/ S/N). Município: Rio do Fogo/RN.

3) Zona: 0003 – Seção: 0100 – Local: Complexo Educacional Contemporâneo II (Rua do Cobre, S/N). Município: Natal/RN.

Portal Grande Ponto

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Pesquisa DataVero em Macaíba: Emídio Jr. lidera com mais de 50%

Fotos: Reprodução

A nova pesquisa Datavero/Diário do RN sobre a disputa municipal em Macaíba foi realizada nos dias 22 e 23 de junho e mostra larga vantagem do atual prefeito Emídio Júnior, diante do vice-prefeito do município da Grande Natal, Netinho França.

Na sondagem estimulada, o prefeito Emídio Júnior (PP) lidera com 53,49% das intenções de votos. Em segundo, seu opositor, o vice-prefeito Netinho França (Republicanos), com 29,34% das intenções de votos. Dr João (UB) tem 3,99%, atrás de ‘nenhum’, com 8,78% e ‘não sabe ou não respondeu’, com 4,39%.

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos, o prefeito Emídio é lembrado por 45,31% dos entrevistados. Dr João foi lembrado por 1,80%; Ana Karina, Fernando e Santiago foram citados por 0,20%, cada. Não sabem ou não responderam 27,15% e disseram votar em nenhum, 4,59%.

Rejeição
Quanto à rejeição aos nomes apresentados em Macaíba, a pesquisa Datavero/Diário do RN constatou que Dr João é o líder em rejeição, com 34,93%, seguido de Netinho França, que tem 23,35%. Já o prefeito Emídio tem a menor rejeição: 19,16%. Não souberam ou não quiseram responder, 13,17%; disseram que votariam em nenhum, 6,39%; e votariam em todos 2,99% dos entrevistados.

A pesquisa Datavero/Diário do RN foi realizada nos dias 22 e 23 de junho de 2024 e ouviu 501 pessoas. A margem de erro é de 3% e o nível de confiança é 95%. Está registrada no TSE sob o número RN-000389/2024.

População de Macaíba aprova a gestão Lula e desaprova Fátima

De acordo com a pesquisa Datavero/Diário do RN, a gestão do presidente Lula é aprovada na mesma proporção em que o Governo Fatima é desaprovado pela população macaibense.

Dos entrevistados, 58,08% aprovam a gestão do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já 32,34% desaprovam e 9,58% não souberam ou não quiseram responder.

Já sobre a gestão estadual da governadora Fátima Bezerra (PT), 58,08% dos eleitores desaprovam, 30,4% aprovam e 11,18% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa DataVero/Diário do RN foi realizada entre os dias 22 e 23 de junho e ouviu 501 eleitores na cidade de Macaíba.

Gestão do prefeito Emídio é aprovada por 55% da população de Macaíba

A gestão do prefeito Emídio Jr é considerada positiva pelos eleitores macaibenses ouvidos na pesquisa Datavero/ Diário do RN.

Na avaliação da gestão, 55,89% dos entrevistados afirmaram aprovar a gestão municipal, 31,74% desaprovam e não sabem ou não respondem, 12,38%.

Já na classificação da gestão, 19,16% consideram a gestão municipal de Macaíba excelente e 26,35% consideram boa. Classificaram como ‘regular para mais’ 12,38% da população e ‘regular para menos’, 18,96%. Classificaram negativamente, 7,58%, respondendo considerar a gestão ruim e 11,98% consideram péssima. Não sabem ou não querem responder 3,59% dos entrevistados.

Na disputa ao legislativo, mais de 50% dos eleitores ainda não decidiu em quem votar para vereador em Macaíba

Na eleição à Câmara Municipal de Macaíba, 50,3% dos eleitores entrevistados ainda não decidiram em quem vão votar. No entanto, a vereadora Erika Emídio tem 3,6% das intenções de votos, Aroldo da Saúde tem 3,4% e Tafarel também aparece com 3,4%. Disseram votar em nenhum dos candidatos 3,4% dos entrevistados.

Jailson Brito tem 2,4% das intenções de votos, Socorro Nogueira 2,4%, Venício Filho 2%, Zeca da Pesca 1,8% e Rita de Cássia 1,6%. Com 1,4% aparecem Ionillo Ribeiro e José Otacilio. Dadaia Ribeiro, Denilson Gadelha e João Damião são citados por 1,2% dos entrevistados, cada. Edir do Posto aparece com 1% das intenções de votos e Mateus Rosemiro 1%.

Com 0,8% dos votos, aparecem Aluísio Silva, Cacau, Ivanilson de Cajazeiras, Júnior Dedinho, Luciana Barbosa, Pai Santo e Pajará. Já Andreza Maia, Jackson Brito e Sérgio Lima aparecem com 0,6% das intenções de votos. Ana Katarina, Doutorzinho do Araça e Dr. Antônio têm 0,4%.

A pesquisa Datavero/Diário do RN foi realizada nos dias 22 e 23 de junho de 2024 e ouviu 501 pessoas. A margem de erro é de 3% e o nível de confiança é 95%. Está registarda no TSE sob o núemro RN-000389/2024.

Diário do RN

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Aliados de Bolsonaro veem brecha para afastar relatoria de Moraes por impedimento de voto

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi impedido de votar nesta semana em um caso relacionado à morte de um manifestante do 8 de Janeiro sob o entendimento de ser parte interessada do processo.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro veem no argumento uma possível brecha para retirar Moraes da relatoria do inquérito sobre o suposto plano de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em novembro do ano passado, Cleriston Pereira da Cunha morreu vítima de mal súbito, durante um banho de sol na penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele tinha 46 anos e foi preso nas manifestações do 8 de Janeiro.

À época, a defesa de Cunha afirmava que ele teria se sentido mal durante toda a noite, mas não recebeu atendimento. O advogado da família acusa os agentes de plantão de omissão.

A ação na qual Moraes foi impedido de votar é movida pela viúva de Cleriston, Edjane Duarte da Cunha. A família alegou “prevaricação, maus-tratos, abuso de autoridade e tortura” e pediu o afastamento imediato e cautelar de Moraes das funções de ministro.

No voto, o ministro Dias Toffoli, relator do caso, negou o recurso apresentado pelo advogado de Cleriston, Tiago Pavinatto. O magistrado afirmou que a alegação de que Moraes tenha interesse ou sentimento pessoal contra Cleriston é “totalmente descabida”.

Os demais ministros seguiram o voto de Toffoli, com exceção de Moraes, que foi impedido de votar neste processo. “O Tribunal, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Impedido o Ministro Alexandre de Moraes”, diz a decisão, que não explicou o motivo do impedimento de Moraes.

Pavinatto explica que a postura de afastar Moraes deveria ser adotada nos demais inquéritos em que o ministro aparece como vítima. “Pela primeira vez, nós temos que o sistema do STF destaca que um ministro que é parte [do processo] é impedido de julgar. Agora, fica difícil de enquadrar [Moraes] naqueles inquéritos e ações em que ele é, ao mesmo tempo, vítima, portanto, parte e juiz”.

O advogado destaca que, juridicamente, esse impedimento abre brecha para que o ministro seja afastado da relatoria que apura tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

“Não posso falar na prática porque, na prática, ninguém respeita mais o direito em Brasília. Mas juridicamente, sim, claro, isso anula todas as decisões tomadas no inquérito, porque, como parte, há agora uma decisão oficial contemporânea dizendo que, como parte, ele é impedido”, afirmou.

Mais argumentos

A defesa de Braga Netto, um dos 37 indiciados pela PF, sustenta que, pela alteração do Código de Processo Penal que instituiu a figura do juiz das garantias, Moraes deve ser impedido de participar do processo judicial, considerando que a atuação se encerrará com o término das investigações policiais.

“Será uma grande oportunidade de o próprio Supremo Tribunal Federal dar vigência à lei que ele mesmo julgou constitucional, bem como dar parâmetros e exemplos para os demais tribunais brasileiros aplicarem a legislação.”

Pelas redes sociais, o líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN) voltou a se manifestar contra a permanência de Moraes na relatoria dos atos extremistas.

“O ministro Alexandre de Moraes não tem nenhuma condição de continuar à frente desse inquérito, ele claramente é parte do processo. Não há nenhuma imparcialidade em quem se afirma vítima”, alegou.

Indiciado pela Polícia Federal, Bolsonaro também faz críticas sobre o trabalho de Moraes à frente do caso. “O ministro Alexandre de Moraes conduz todo o inquérito, ajusta depoimentos, prende sem denúncia, faz pesca probatória e tem uma assessoria bastante criativa. Faz tudo o que não diz a lei”, disse.

Outro lado

Sobre os questionamentos quanto à competência de Moraes para relatar um caso no qual ele seria alvo de tentativa de assassinato, Gilmar Mendes disse que seria “absurdo” afastar Moraes por esse motivo.

“Desde sempre, o ministro Moraes tem sido o relator desse processo e, por isso, passou a ser vítima desses ataques. Seria absurdo afastá-lo, por isso, em um tribunal de apenas 11 ministros”, afirmou Mendes a jornalistas durante evento da Associação Brasileira de Planos de Saúde, na quinta-feira (21).

R7

Opinião dos leitores

  1. O bolsonarismo está inovando com a estratégia de defesa, o bandido ataca e atenta contra a vida julgador pra tramsfomá lo em parte, nesse caso vítima, para tirar do processo pro seja por mera formalidade ou, no limite, tirando vida, em outras palavras, o bolsonarismo quer que o bandido escolha o julgador. pode isso? além de bandidos são um magote jumentos mesmo.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Lula vende otimismo com Congresso, mas cenário continua muito ruim para o governo

Adriano Machado – 29.jan.25/Reuters

“Não terei dificuldade na relação com o Congresso Nacional”, disse Lula (PT) na entrevista coletiva da última quinta-feira (30), em uma daquelas frases que parecem não convencer nem quem está falando.

Os dois primeiros anos de Lula 3 registraram os piores números de um presidente no Congresso, mesmo com a distribuição de 11 ministérios ao quinteto União Brasil-PSD-MDB-PP-Republicanos.

A esperadíssima vitória neste sábado (1º) de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado e Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara dos Deputados motivou Lula e petistas a manifestarem otimismo em público, mas o cenário continua muito ruim para o governo.

Desde a transição, em 2022, o petista se viu no beco (quase) sem saída de ter sido eleito ao lado de um Congresso majoritariamente de centro-direita e direita.

Ele não teve outra opção que não a de fechar um acordo com vários partidos e políticos que estavam no governo e na campanha de Jair Bolsonaro (PL) —em especial Arthur Lira (PP-AL), o todo-poderoso presidente da Câmara.

De lá para cá a contabilidade não mudou, nem poderia. A esquerda continua minoritária no Congresso, e o centrão e seus adjacentes, dando as cartas.

Já o governo perdeu o período de lua de mel de todo início de gestão e viveu uma relação instável com sua base no Congresso mesmo com a distribuição dos 11 ministérios. Na semana passada, pesquisa Quaest mostrou que, pela primeira vez, a reprovação a Lula superou a aprovação.

Não há nenhuma indicação concreta de que há em curso uma mudança de ventos pró-governo dentro do centrão nem que a troca de Pacheco por Alcolumbre e de Lira por Hugo Motta vá promover grandes reviravoltas.

As entrevistas dadas por Lira —que ainda dá as cartas no centrão— aos jornais Valor Econômico e O Globo explicitam a situação. O governo estará na mesma situação ruim se resolver trocar seis por meia dúzia na reforma ministerial, e Lula só terá apoio à sua possível candidatura a reeleição em 2026 se o barco não estiver afundando.

Qual a última vez que você ouviu um candidato a virar ministro espinafrando em público o governo para o qual ele é cotado?

Se acha isso esquisito, qual foi a última vez que você ouviu um presidente de partido que controla três ministérios dizer que o ministro da Fazenda é fraco e que o governo certamente perderia a eleição se ela ocorresse hoje?

Lula disse ter rido quando ficou sabendo das palavras do “companheiro Kassab”.

O suposto bom humor, assim como o otimismo manifesto com a relação futura com o Congresso, contrastam com a realidade.

Caso a popularidade não melhore substancialmente neste e no próximo ano, Lula terá problemas no Congresso.

A não ser que aceite o que Lira e aliados têm defendido nos bastidores e às vezes publicamente, de forma indireta: a retomada da articulação política e do absoluto controle das emendas parlamentares que tiveram com Bolsonaro de meados de 2020 a 2022.

Embora tenha selado acordo com Lira no final de 2022, Lula fez uma mudança substancial em relação a Bolsonaro, a de não terceirizar a sua articulação política, incluindo a gerência das emendas parlamentares.

O PT assumiu a função, com Alexandre Padilha na Secretaria de Relações Institucionais.

O centrão fingiu aceitar, até porque não tinha como emparedar dessa forma um presidente eleito, mas desde sempre trabalha para tentar retomar a tarefa e conseguir, de quebra, uns ministérios mais robustos, em especial a Saúde.

Padilha não inspira confiança em boa parte dos cardeais do centrão e viu Lira cortar relações com ele desde 2023.

Pode soar blasfêmico a ouvidos de petistas raiz a devolução ao centrão da articulação política do governo, aos moldes do que fez Bolsonaro, ou algo parecido.

Como disse Lira, porém, e ele costuma acertar boa parte dessas análises, o governo não tem aguentado nem “um tapa do Nikolas”, em referência ao vídeo do deputado federal do PL que viralizou no episódio do Pix e que foi crucial para forçar um recuo do governo.

Lula ainda não deu indicação clara do que irá fazer, se vai insistir no atual modelo ou se vai promover uma mudança substantiva na configuração do seu governo. As próximas semanas serão decisivas.

Paralelamente a essas definições, alguns petistas acalentam a esperança de que a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino de bloquear parte das emendas parlamentares e, mais ainda, as investigações da Polícia Federal sobre desvios dessas bilionárias verbas possam reequilibrar as forças.

Como ninguém do centrão nasceu ontem, os dois anos finais de Lula 3 prometem.

Análise Folha de São Paulo

Opinião dos leitores

  1. Kkkkkkkkkkk kkkk, só se for pra janta esbanja!
    Pq para os pobres, só tá vendendo sentenças!
    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Lei limita celulares nas escolas, mas não resolve “vício digital”

Foto: Arquivo/EBC

A recém-sancionada lei federal que proíbe o uso de celulares por estudantes nas escolas é um passo positivo, mas insuficiente para enfrentar o problema do vício digital, alertam especialistas em educação e psicologia. Para eles, a medida precisa ser acompanhada de regulação mais rigorosa das big techs.

O pedagogo Paulo Fochi, professor e pesquisador da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), diz que a restrição do uso de celulares nas escolas é uma estratégia de “redução de danos”, mas não resolve a raiz do problema.

“As redes sociais são projetadas para serem viciantes. Elas estimulam a liberação de dopamina, criando a ilusão de afeto, atenção e vínculo. No entanto, na realidade, não entregam nada disso”, explica Fochi.

Segundo ele, para manter os usuários engajados e lucrar, as big techs recorrem à propagação de fake news, discurso de ódio e polarização política. Ele cita a recente flexibilização das regras de checagem de fatos pela Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) como um exemplo do problema.

“As big techs lucram com a desinformação. O poder público precisa agir para impor normas que protejam a sociedade dos danos causados pela falta de regulação”, defende.

Regulação e educação digital

Fochi acredita que incluir “educação digital” como disciplina escolar não seria suficiente para combater o problema.

“A escola pode ensinar sobre o funcionamento da internet e a identificação de fake news, mas não impede que os alunos sejam impactados pelo design viciante das redes sociais”, argumenta. Ele compara o efeito das redes a uma droga viciante, sugerindo que a regulação deveria focar nas empresas que lucram com esse modelo de negócio.

O psicólogo Elton Hiroshi Matsushima, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), reforça a necessidade de regulação estatal. Ele cita a regulamentação das apostas on-line como exemplo de ação pública para mitigar impactos sociais negativos.

“Já passou da hora de criar um grupo de trabalho para estudar a regulação das big techs, considerando o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados”, sugere Matsushima.

Em 2020, o Senado aprovou o Projeto de Lei das Fake News, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que busca responsabilizar as big techs pela desinformação. O texto ainda aguarda análise na Câmara dos Deputados.

Campanhas educativas e impacto na aprendizagem

Matsushima também defende campanhas de conscientização sobre o uso excessivo de celulares, similares às realizadas para combater o tabagismo e o consumo abusivo de álcool.

Ele destaca que a proibição dos celulares melhora o ambiente escolar, reduzindo a concorrência entre redes sociais e professores. “As redes sociais oferecem entretenimento personalizado e são projetadas para prender a atenção. O professor não consegue competir com isso”, afirma.

A lei também ajuda a inserir o tema do vício digital no debate público. “Quando a mídia discute o problema, gera conscientização e pode levar à mudança de comportamento”, avalia Matsushima.

Detalhes da nova legislação

A lei que proíbe o uso de celulares nas escolas foi aprovada pelo Senado em 18 de dezembro e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 13 de janeiro. A norma vale para escolas públicas e privadas, do ensino infantil ao médio.

Os aparelhos deverão permanecer desligados e guardados durante todo o período escolar. A direção das escolas será responsável por garantir o cumprimento da norma, inclusive durante os intervalos.

Há exceções: alunos com deficiência ou condições de saúde que exigem monitoramento digital, como diabetes, poderão usar os dispositivos. O uso também será permitido em atividades pedagógicas sob supervisão dos professores.

O CNE (Conselho Nacional de Educação) deverá publicar diretrizes para a implementação da medida nas próximas semanas.

Impacto na educação

O senador Alessandro Vieira, relator do projeto no Senado, defendeu a lei citando dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2022. Segundo os resultados, estudantes que passam mais de cinco horas diárias em dispositivos digitais têm desempenho acadêmico inferior aos que limitam o uso a uma hora por dia.

“Os impactos vão além do rendimento escolar. Questões como ansiedade, transtornos alimentares e depressão estão associadas ao uso excessivo das redes sociais”, escreveu Vieira em seu relatório.

Ele ainda destacou os benefícios da restrição: “Ao reduzir o tempo de tela, estimulamos a criatividade, o pensamento crítico, o esporte, as artes e, sobretudo, o convívio social, essencial para o desenvolvimento emocional dos estudantes”.

Países como França, Espanha, Itália, Suíça e Finlândia já adotam medidas similares para restringir o uso de celulares nas escolas. No Brasil, alguns estados e municípios também já haviam implementado normas locais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Poder 360

Opinião dos leitores

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *