Tecnologia

‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’, destaca jornalista em livro

Foto: BBC News

Álvaro Minguito Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, a jornalista espanhola Marta Peirano estuda a tecnologia de forma crítica

“Há um usuário novo, uma notícia nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze comentários, oito retweets. (…) As pessoas que você segue seguem esta conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música.”

O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema (O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia, horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de “economia da atenção”, movida por tecnologias como o celular.

Nesse ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto entregamos tudo a eles.

“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca”, diz a jornalista.

Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo. Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu caminho para uma “ditadura em potencial”, que para ela avança aos trancos e barrancos, sem que percebamos muito.

Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

BBC News Mundo – Você diz que a ‘economia da atenção’ nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?

Marta Peirano – A economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da Apple.

E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.

BBC News Mundo – Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?

Peirano – A Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os ajuda a refinar sua interface.

Se chegarmos ao capítulo quatro e formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série, ficaremos até o capítulo sete.

BBC News Mundo – Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?

Peirano – Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é uma sequência de dopamina.

Toda vez que há um evento, você recebe uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora, mais você fica viciado.

BBC News Mundo – Todo tuíte que leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no Tinder de quem gosto é um ‘evento’?

Peirano – São eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha da sua galera pelos próximos 20 minutos.

Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.

A lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.

BBC News Mundo – Os adultos podem entender isso, mas o que acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por exemplo?

Peirano – As redes sociais são como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas, corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial, porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser parte do grupo.

Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser ruim.

Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.

BBC News Mundo – E o que podemos fazer?

Peirano – Interagir com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras coisas.

BBC News Mundo – Olhando para sua própria tela, por exemplo?

Peirano – Vemos famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de produtividade.

Então, eu, que sou jornalista, quando entro no Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.

O vício é o mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais produtivos.

BBC News Mundo – Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?

Peirano – Não somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por acaso, é deliberado.

Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.

Existem consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la. A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na frente das telas.

BBC News Mundo – Como você fala no livro, isso também acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros, ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na dieta, por exemplo).

Peirano – É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.

Seu cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito: seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu corpo diz que está com fome.

Como no anúncio da Pringles, “Once you pop, you can’t stop” [depois que você abre, não consegue parar, em tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.

Então, dizem: ‘bem, isso é porque você é um glutão’. O pecado da gula! Como você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem açúcar.

E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.

BBC News Mundo – Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?

Peirano – Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.

Você não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é viciado em Instagram.

O vício é gerado pelo aplicativo e, quando você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.

BBC News Mundo – De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?

Peirano – O que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer: quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?

Há 40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma pessoa com câncer em sua família.

Custou-nos muito sangue para obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um ecossistema que se beneficia dessa leveza.

BBC News Mundo – Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?

Peirano – Ninguém realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá refutá-lo.

Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados são perigosos.

BBC News Mundo – Você diz no livro que “2,5 quintilhões de dados são gerados todos os dias”, incluindo milhões de e-mails, tuítes, horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?

Peirano – Estamos obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens… Mas o valor de verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos coletivamente.

Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.

Eles sabem que quando, em um país com certas características, o preço da eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e 30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte contra você ou comece a se suicidar em massa.

BBC News Mundo – Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?

Peirano – Talvez o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.

O Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para que a manifestação se dissolva sem mortes.

BBC News Mundo – Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?

Peirano – O problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço. Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é muito gulosa.

BBC News Mundo – Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?

Peirano – É muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso aconteça.

Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.

Assim como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta para algumas pessoas ou para todos — somente você… e o Facebook veem. O que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.

BBC News Mundo – Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?

Peirano – Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.

O que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam ao poder graças a essas ferramentas.

Então, o que deve ser feito? Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação política.

BBC News Mundo – Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?

Peirano – Nas primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo também são um monopólio.

No entanto, na Europa e na América Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos, campanhas tóxicas… Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos e nenhum político fala sobre isso.

BBC News Mundo – O sistema é nosso inimigo, então?

Peirano – Somos integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.

Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].

BBC Brasil

 

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Flávio Bolsonaro diz que Moraes deve renunciar ou sofrer impeachment, pelo bem da democracia e do Judiciário brasileiro


Imagem: reprodução/X

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, pediu a renúncia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a divulgação de mensagens atribuídas ao magistrado em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e preso na última quarta-feira (4).

Nas redes sociais, o senador afirmou que as mensagens indicariam que Moraes teria atuado como “advogado de fato”, o que, segundo ele, seria incompatível com o cargo. Flávio também defendeu que o ministro renuncie ou seja alvo de um processo de impeachment no Senado.

O parlamentar ainda criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por não ter aberto investigação sobre o caso.

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro teria trocado mensagens com Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025. O conteúdo completo da resposta do ministro, no entanto, não foi recuperado.

Em nota, o gabinete de Moraes afirmou que as mensagens de visualização única atribuídas a ele não correspondem aos contatos do ministro nos arquivos apreendidos. Segundo a defesa, os registros estariam vinculados a outros números no computador de Vorcaro.

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América vence o Potiguar de virada no primeiro duelo pela semifinal do campeonato estadual

Foto: Gabriel Leite

O América venceu o Potiguar de Mossoró por 3 a 1, de virada, na tarde deste sábado (7), na Arena das Dunas, pelo jogo de ida da semifinal do Campeonato Potiguar. O Potiguar abriu o placar com Adriano Babi, após uma falha da defesa americana. Os gols do América foram marcados no segundo tempo de jogo por Salatiel, Cassiano e Wellington Tanque.

Apesar do mando de campo ser do Potiguar, a partida foi disputada em Natal porque o Estádio Fião, em Serra do Mel, não atende à exigência do regulamento, que determina capacidade mínima de 3 mil pessoas para as semifinais. O jogo da volta será no domingo (15), também às 16h, na Arena das Dunas.

Na outra semifinal, ABC e QFC fazem o primeiro confronto no domingo (8), às 16h, no na Arena das Dunas.

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Investigadores apreenderam mais 3 celulares com banqueiro Daniel Vorcaro

Foto: divulgação/SAP

Investigadores da Polícia Federal apreenderam mais três celulares com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no momento da prisão dele em São Paulo, na última quarta-feira (4). Os aparelhos ainda estão lacrados e aguardam perícia.

Com isso, a investigação passa a contar com oito celulares do empresário para análise. Até agora, as informações divulgadas vieram de apenas um deles, do qual cerca de 30% do conteúdo foi examinado.

O andamento das apurações foi informado à equipe do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso. Policiais federais e auxiliares do magistrado devem se reunir na próxima semana para avaliar o estágio da investigação e definir os próximos passos.

A expectativa é solicitar reforço de peritos e analistas para acelerar a extração e análise dos dados dos aparelhos.

Vorcaro foi preso por ordem de Mendonça após a identificação, em mensagens de celular, de indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens.

O banqueiro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima inaugurado em 2018, onde cumpre pena em cela de cerca de 6 m².

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RN tem aumento de 78,4% no valor pago em seguro-desemprego nos últimos 5 anos

Foto: Adobe Stock

O valor pago em seguro-desemprego no Rio Grande do Norte cresceu 78,4% nos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O montante passou de R$ 364,4 milhões em 2021 para R$ 650,3 milhões em 2025.

No mesmo período, o número de segurados aumentou 33,7%, saindo de 65 mil para 86,9 mil trabalhadores.

Ao todo, foram registrados 420,1 mil pedidos do benefício no estado entre 2021 e 2025. Apenas em fevereiro de 2026, houve 8,2 mil solicitações, com 6,8 mil trabalhadores segurados.

No Brasil, o mês registrou 636,4 mil requerimentos e 525,4 mil beneficiários. O seguro-desemprego é pago a trabalhadores com carteira assinada demitidos sem justa causa.

Nos últimos cinco anos, o setor da construção liderou os pedidos no RN, com 139,7 mil requerimentos, seguido pelo comércio, com 107,6 mil. Em fevereiro deste ano, esses dois setores somaram 5,06 mil solicitações, de um total de 8,2 mil.

A maioria dos trabalhadores demitidos possui até o ensino médio e tem entre 30 e 39 anos.

Segundo o economista Helder Cavalcanti, o aumento no valor pago não indica necessariamente crescimento do desemprego. Ele explica que o resultado reflete fatores como a rotatividade no mercado formal e os reajustes anuais do benefício, que acompanham o salário mínimo e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Números

Valores pagos em seguro desemprego no RN

2021 – R$ 364.406.327,32

2025 – R$ 650.360.586,27

Setores com maior número de requerentes de 2021-2025 no RN

Serviços – 139.739
Comércio – 107.629

Com informações de Tribuna do Norte

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VÍDEO: “Alguns de vocês estão em perigo”, diz Trump em encontro com presidentes latino-americanos e cita mísseis de alta precisão

Imagem: reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não vai tolerar “ilegalidade em nosso hemisfério por mais tempo”, ao abrir o encontro “Escudo das Américas”, idealizado por ele, para abordar o crime organizado, a imigração ilegal e a interferência estrangeira no continente, neste sábado (7), na Flórida, com a participação de governantes da América Latina e do Caribe.

Assista:

UOL

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Flávio registra boletim de ocorrência após postagem sugerir que senador leve facada como Bolsonaro em 2018

Foto: reprodução/X

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou neste sábado um boletim de ocorrência na Polícia do Senado após identificar uma postagem em rede social que sugere que ele sofra um ataque semelhante à facada sofrida por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.

De acordo com o registro policial, a publicação foi feita na plataforma X (antigo Twitter) por um usuário identificado como @MarcosB51733320, que escreveu: “QM mandou eu não sei. Mas quem quiser me pagar pro Flávio sofrer o mesmo…”.

Segundo o boletim de ocorrência, o senador tomou conhecimento da publicação e decidiu formalizar a denúncia por considerar que o conteúdo representa uma ameaça à sua integridade física. O caso foi registrado pela Secretaria de Polícia do Senado Federal como ameaça com conotação política, enquadrada no artigo 147 do Código Penal.

O documento aponta como suposto autor da postagem Marcos da Cunha Magalhães, de 40 anos, morador de Brasília.

De acordo com o relato incluído no boletim, a mensagem considerada ameaçadora foi publicada em resposta a uma postagem do perfil @FiorinoCarioca, que mencionava conteúdos supostamente extraídos de celulares ligados a investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e fazia referência ao atentado contra Jair Bolsonaro.

Na publicação original, o perfil escreveu:

“Vocês estão assustados com os prints do celular do Vorcaro? Imaginem os prints dos celulares de Adélio Bispo. Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”.

A mensagem do perfil identificado como @MarcosB51733320 foi publicada logo abaixo, em tom de resposta ao comentário. No texto, o usuário escreveu: “QM mandou eu não sei. Mas quem quiser me pagar pro Flávio sofrer o mesmo…”, em referência à facada sofrida por Bolsonaro durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Além da mensagem considerada ameaçadora, também foi identificado outro conteúdo divulgado pelo mesmo usuário contendo uma imagem de Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro em 2018, acompanhada da frase “ANISTIA PARA ADÉLIO! Ele só tentou, mas não conseguiu finalizar o golpe!!”

O boletim foi registrado na manhã deste sábado pela Coordenação de Polícia de Investigação e Judiciária da Secretaria de Polícia do Senado, responsável pela segurança institucional da Casa. No documento, Flávio Bolsonaro aparece como vítima e comunicante da ocorrência.

A partir do registro, o caso poderá ser encaminhado para investigação para apurar a autoria da publicação e eventual responsabilização criminal do autor.

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Petróleo dispara até 35% em primeira semana de guerra no Oriente Médio

Foto: reprodução/The Star

Os preços do petróleo dispararam na primeira semana de guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, impulsionados pela escalada do conflito e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

O barril do Brent, referência internacional negociada na ICE, fechou com alta de 8,52%, a US$ 92,69, acumulando avanço de 27,2% na semana.

Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 12,21% no dia e encerrou cotado a US$ 90,90. No acumulado semanal, a valorização chega a 35,63%.

Analistas apontam que o mercado reage ao risco de redução na oferta global. Com o Estreito de Ormuz praticamente travado, cresce a preocupação com queda nos estoques mundiais caso o conflito se prolongue.

Além disso, países produtores do Golfo já enfrentam dificuldades na produção e no armazenamento de petróleo, enquanto refinarias asiáticas pagam prêmios mais altos para garantir o abastecimento.

Segundo especialistas, a alta da commodity também aumenta a aversão ao risco nos mercados e reacende temores de pressão inflacionária em escala global.

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‘ESCUDO DAS AMÉRICAS’: Com presidentes latinos, Trump anuncia coalizão para erradicar cartéis; Lula não foi convidado

O presidente dos EUA, Donald Trump, no centro, ao lado de presidentes de países da América Latina, como República Dominicana, Luis Abinader, da Argentina, Javier Milei, de El Salvador, Nayib Bukele, da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, da Costa Rica, Rodrigo Chaves Robles, da Bolivia, Rodrigo Paz, e do Chile, o recém-eleito Jose Antonio Kast durante o evento ‘Escudo das Américas’ – Foto: Kevin Lamarque/REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (7) a criação de uma coalizão com países da América Latina para combater cartéis do narcotráfico. A iniciativa, chamada “Escudo das Américas”, foi apresentada durante encontro com líderes da região em seu resort em Doral, no estado da Flórida.

Participaram do evento o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente de El Salvador, Nayib Bukele; e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.

O presidente Lula não foi convidado para participar da iniciativa, assim como os líderes de Colômbia e México. A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou que participaram apenas países que já mantêm cooperação estreita com Washington na área de segurança.

Durante o discurso, Trump afirmou que a aliança busca ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, que, segundo ele, tem ampliado seu poder e influência em vários países da região. O republicano, no entanto, não detalhou como funcionará a coalizão.

O encontro ocorre após o lançamento da chamada “Doutrina Donroe”, proposta de Trump inspirada na Doutrina Monroe, com foco em reforçar a influência dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e conter a presença de potências como a China.

Brasil

Sobre o Brasil, A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, disse que a parceria com os EUA continua ativa e citou operações conjuntas entre a DEA e a Polícia Federal do Brasil, que resultaram na apreensão de mais de 70 toneladas de cocaína em 2024.

Durante o evento, Trump também criticou a atuação de cartéis no México, afirmando que as organizações criminosas têm ampliado sua influência e representam ameaça à segurança regional.

O presidente americano ainda comentou a relação com a Venezuela, elogiando a vice-presidente Delcy Rodríguez pela cooperação recente com os EUA. Ele também voltou a criticar o regime de Nicolás Maduro e afirmou que Washington pretende avançar em negociações envolvendo Cuba.

Após o encontro com os líderes latino-americanos, Trump seguiu para Dover, no estado de Delaware, onde participa de cerimônia em homenagem a seis militares americanos mortos na recente Guerra no Irã.

Opinião dos leitores

  1. Neste momento ele está em um boteco, se preparando para organizar o Mundo.
    Conforme ele, os problemas não se resolvem em mesa de bar.

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Presidente do Irã suspende ataques a países vizinhos e pede desculpas

Foto: Reprodução/ Getty Images

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas, neste sábado (7/3), aos países vizinhos pelos ataques feitos pelo país.

“Peço desculpas… aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã”, disse Pezeshkian, em um discurso transmitido pela TV estatal e reproduzido pela imprensa internacional.

De acordo com ele, foi emitida uma ordem às Forças Armadas para só atacar caso o país seja atacado prmeiro. “A partir de agora, não ataquem os países vizinhos a menos que sejam atacados primeiro.”

Desde a ofensiva norte-americana e israelense ao país no sábado passado (28/2), o Irã tem respondido com ataques a países do Golfo que abrigam forças americanas.

Também neste sábado, um porta-voz do das Forças Armadas do Irã disse que os ataques só estão sendo direcionados aos países que estão deixando os EUA e Israel utilizarem seus espaços aéreos.

“Os países que não permitiram que os Estados Unidos ou o regime israelense utilizassem seu espaço aéreo ou instalações não foram alvos de nossos ataques até o momento, e não serão alvos no futuro”, disse.

Ontem, o Irã ameaçou atacar países da Europa em qualquer caso de envolvimento ou apoio militar aos Estados Unidos e Israel. A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Majid Takht-Ravanchi.

“Se [algum país] se juntar aos Estados Unidos e Israel na agressão contra o Irã, também se tornará alvo legítimo de retaliação iraniana”, afirmou Takh-Ravanchi durante entrevista ao canal France 24.

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Geral

Vorcaro tem contato de Moraes na agenda desde 2023, mostram dados da PF

Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo

O número de celular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está registrado na agenda do ex-banqueiro Daniel Vorcaro desde 26 de dezembro de 2023, segundo dados extraídos do celular do empresário.

Mensagens atribuídas a Vorcaro e reveladas pelo jornal O Globo, com confirmação da Folha de S.Paulo, colocaram o ministro no centro da crise envolvendo o Banco Master, investigado por um rombo estimado em cerca de R$ 50 bilhões.

No dia 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez, registros do celular indicam o envio de nove gravações de tela com mensagens que teriam sido encaminhadas ao ministro por WhatsApp. As mensagens teriam sido enviadas como visualização única, recurso que apaga o conteúdo após ser aberto. Não há registro das respostas de Moraes.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), o ministro negou ter recebido as mensagens. Segundo sua assessoria, os prints encontrados no aparelho de Vorcaro “não constam como direcionados” ao magistrado.

A defesa do ex-banqueiro pediu ao STF investigação sobre vazamentos de dados sigilosos extraídos dos celulares apreendidos no caso. Os advogados afirmam que o espelhamento completo dos aparelhos foi entregue à defesa apenas em 3 de março.

Opinião dos leitores

  1. Agora a anistia vai haver,tá todo mundo no barco afundando,$e gritar ladrão não fica um meu irmão

  2. 👉🏿https://youtu.be/AFvrAsmyFnM?si=R16sAdqeGp_l5NDK👈🏿 Será que Bolsonaro já sabia do esquema?

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