Finanças

Cargos de confiança custam R$ 3,5 bi por mês, aponta TCU

2016-903450243-2016-903265700-201604160814135042.jpg_20160416.jpg_20160417Esplanada dos Ministérios em Brasília – André Coelho / Agência O Globo

Por interino

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revela que a administração pública federal — incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário federais — gasta hoje R$ 3,47 bilhões por mês com funcionários em cargos de confiança e comissionados. O valor representa 35% de toda a folha de pagamento do funcionalismo público na esfera federal, que é de R$ 9,6 bilhões mensais.

O documento detalha os gastos com esse tipo de funcionários em 278 órgãos federais, e mostra que, em pelo 65 deles, o número de cargos de confiança e comissão passa de 50% do total de empregados. Ou seja, há mais da metade dos servidores desses órgãos supostamente exercendo funções de direção, chefia ou assessoramento.

De acordo com o documento, elaborado pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal (Sefip) do TCU, há hoje 1,1 milhão de funcionários em postos de Executivo, Legislativo e Judiciário. Desses, pouco mais de 346 mil trabalham em cargos de confiança e comissionados. Nos cargos de confiança estão pessoas concursadas e que recebem salário mais gratificação por ocupar posto de chefia. O comissionado não passou por concurso público.

Dos gastos com os cargos de confiança e em comissão, os maiores percentuais estão nos poderes Legislativo (60,9% do total de despesas com pessoal), e no Judiciário (56,9%).

O relatório aponta ainda que, entre os ocupantes dos 346 mil comissionados, 8,6% (cerca de 30 mil) estão filiados a partidos políticos. As legendas que mais ocupam esses cargos são PT (13,6% do total), PMDB (10,9%), PSDB (9,6%) e PDT (6,5%). A Fundação Cultural Palmares, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Senado são os órgãos que apresentam os maiores percentuais de servidores comissionados filiados a partidos.

A fundação tem hoje 27% em cargos de confiança, enquanto o Desenvolvimento Agrário emprega 26,9% e o Senado, 23,28%. As assessorias dos três órgãos não foram localizadas ontem para falar do assunto.

NO GOVERNO, PT TEM 10 MIL

O GLOBO publicou no início deste mês, no entanto, que filiados ao PT ocupavam cerca de 10% dos cargos comissionados apenas do governo de Dilma Rousseff. Estimativa feita pelo Núcleo de Dados do GLOBO apontou que havia, até o afastamento de Dilma, em torno de 10 mil petistas entre os 107.121 funcionários que ocupam cargos comissionados apenas no Executivo federal.

Parte desses cargos deve entrar na partilha feita pela equipe do presidente interino, Michel Temer, para partidos aliados a seu governo.

O objetivo do levantamento do TCU “foi identificar e avaliar riscos relativos à escolha e à investidura em funções de confiança e cargos em comissão, assim como dar transparência acerca dos quantitativos, atribuições, requisitos de acesso e outras informações relevantes a esses cargos e funções”, diz o documento, cuja relatoria é do ministro Vital do Rêgo.

A fim de cortar gastos e controlar melhor a criação de cargos em comissão, os Ministérios Públicos dos estados vêm ajuizando ações para eliminar cargos de confiança que consideram inconstitucionais. Em São Paulo, o Ministério Público informou que, só em 2015, foram derrubados 1.918 cargos em comissão em prefeituras e câmaras municipais (que não entram na conta do TCU).

A medida deve representar um número bem maior de funcionários fora das administrações paulistas, uma vez que havia repetição de funções. O MP, por exemplo, extinguiu o cargo de assessor técnico em diferentes órgãos estaduais.

— As principais distorções verificadas, na prática, são o excesso de pessoas ocupando cargos comissionados e o desvio nas atribuições, ou seja, ocupantes de cargos comissionados que deveriam exercer exclusivamente funções de direção, chefia ou assessoramento, mas estão exercendo funções técnicas como dar aulas de inglês ou de advocacia — diz o promotor de São Paulo, Otávio Ferreira Garcia.

SITUAÇÃO NO RIO

No Rio, o promotor público Vinícius Leal Cavalleiro disse ser comum criar leis para aumentar o efetivo de cargos comissionados.

— Todas as 450 vagas da Secretaria estadual de Defesa do Consumidor são preenchidas com comissionados. Nem todo faz isso, mas, falando num português bem claro, o político coloca quem quiser lá dentro — observa Cavalleiro.

Segundo a Secretaria de Planejamento do Rio, em 2014 o estado possuía 9.244 cargos em comissão, com custo mensal de R$ 31,5 milhões. O número de funcionários nessa situação diminuiu para 8.906 no ano seguinte, com gasto de R$ 31,4 milhões. Em 2016, segundo a pasta, são 8.940 vagas do tipo, com gasto de R$ 30 milhões.

TEMER PROMETE CORTAR 4 MIL EM 2016

O governo interino de Michel Temer promete reduzir 4 mil cargos de confiança até o final deste ano. A meta foi anunciada pelo então ministro do Planejamento, Romero Jucá, dias depois de Temer ter assumido a Presidência da República. O corte de pessoal será obtido com um enxugamento da estrutura dos ministérios.

A expectativa é que o governo economize cerca de R$ 200 milhões por ano se o fechamento de todos esses cargos ocorrer de fato.

O processo de corte de cargos começou ainda na gestão da presidente afastada Dilma Rousseff, quando, no fim do ano passado, ela anunciou a medida dentro do pacote de ajuste fiscal. Na época, o então ministro do Planejamento Nelson Barbosa falou na extinção de 3 mil vagas. Até o afastamento da petista, haviam sido realizadas 917 exonerações. O governo interino informou que vai considerar esse número para o alcance da meta de 4 mil cargos extintos.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Essa notícia é muito estranha pois os valores do comissionados do serviço público federal são bem menores que o dos servidores do RN.

  2. Rapaz imoral , é o q vem ocorrendo na Assembléia Legislativa do RN e nas Câmaras Municipais ,são tantos CCs q se todos resolvessem "trabalhar" (coisa q não acontece) .não caberiam no espaço físico (sede) das instituições,.
    Até aqui não foi divulgado o q o MP junto ao TCE vem fazendo para ao menos diminuir essa aberração bancada com o sofrido dinheiro público ….

  3. MP vem ajuizando ações para cortar cargos inconstituicionais???!!!!
    Os constitucionais ele está inflando. Há no Congresso o projeto de recomposição de perdas salariais dos servidores do MPF onde há a previsão de aumento de um CC de 4mil para 10mil.

  4. Ontem para minha surpresa o coxinha dos coxinhas alienados ate as beiras, me procurou e disse que realmente o PT estava certo foi GOLPE. hoje já não adianta mais, a quadrilha agora esta expostas, todo Brasil sabe quem são. O PT errou não negou, mas o que estamos assistindo e muito preocupantes. "DEUS SALVE O BRASIL". Hoje falo serio.

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Diversos

Governo pagou irregularmente R$ 19,5 milhões do Bolsa Pesca até a mortos, aponta TCU

Em um ano e meio, o governo federal fez pagamentos irregulares de mais de R$ 19 milhões através do seguro-defeso, o chamado Bolsa Pesca. Foram pagamentos, por exemplo, a funcionários públicos, a quem tinha outras fontes de renda além da pesca, e até a mortos. Resultado de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) analisada pelo plenário do tribunal no último dia 8 de abril, o dado é relativo a parcelas do seguro-defeso pagas entre janeiro de 2012 e junho de 2013, período em que Marcelo Crivella (PRB-RJ) era ministro da Pesca.

Do total de 30,2 mil parcelas que representaram R$ 19.586.768 repassados irregularmente, 19 mil parcelas, o equivalente a R$ 12,4 milhões, foram para quem tinha registro de emprego formal – o que não é permitido aos beneficiários do seguro, que deve ser pago a pescadores artesanais durante o período do defeso, em que a pesca de determinadas espécies é proibida.

Cerca de um terço das pessoas que, mesmo no mercado formal de trabalho, eram beneficiários do seguro-defeso recebia remuneração da administração pública, a maioria de prefeituras, segundo o TCU. Além disso, 373 parcelas foram pagas a mortos. Outras 7,5 mil parcelas foram para quem recebia benefícios previdenciários que não podem ser acumulados com o Bolsa Pesca; e outras 318 parcelas, a quem recebia remuneração da administração federal.

Outra fraude descoberta foi a existência de 46,8 mil registros de pescadores com CPF irregular – com a possibilidade até de criação de CPFs para obtenção do Bolsa Pesca. E há também casos de parcelas do seguro pagas fora do período do defeso; de ausência de registros sobre embarcações utilizadas pelos beneficiários; e parcelas pagas a menores de 18 anos, outra proibição da legislação sobre o seguro.

A auditoria do TCU foi iniciada em julho de 2013 — pouco mais de um mês após O GLOBO ter revelado denúncias de cooptação da Confederação Nacional de Pescadores e Aquicultores (CNPA) e das superintendências estaduais do Ministério da Pesca pelo PRB, partido do então ministro da Pesca, Marcelo Crivella. Reportagens do GLOBO também já haviam mostrado casos de fraudes tanto no registro de pescador (concedido pelo Ministério da Pesca e requisito para recebimento do Bolsa Pesca) quanto no pagamento do benefício (feito pelo Ministério do Trabalho), com pagamentos a quem não era pescador em vários estados brasileiros.

(mais…)

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