Finanças

Após delação, presidente afastado da Andrade Gutierrez é solto

CaeeRw5XIAAeZ4fO presidente afastado da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo vai passar o carnaval em casa. O executivo e o ex-diretor da empresa construtora, Elton Negrão, ficarão em prisão domiciliar, determinada pelo juiz Sérgio Moro após fecharem acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR). Moro ainda suspendeu os prazos da ação que investiga a participação dos dois no esquema de corrupção da Petrobras por conta de “fato relevante” às investigações. O juiz não detalhou qual seria o fato.

Os dois executivos foram presos durante a 14ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada em junho de 2015. Desde outubro, eles negociavam colaborar com a Lava-Jato. A delação de Otávio Azevedo é vista pelos investigadores como a peça chave para desvendar o esquema de pagamento de propina no setor elétrico similar ao existente na Petrobras. Além disso, durante as negociações, os executivos teriam afirmado que poderiam detalhar um esquema de corrupção nas obras para as Olimpíadas do Rio.

Moro suspendeu o prazo das alegações finais da defesa no processo que envolve a empreiteira. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Andrade Gutierrez agia de forma mais sofisticada no esquema de corrupção e fraudes de licitações da Petrobras. A empresa montou uma rede de pagamento de propinas envolvendo offshores em paraísos fiscais.

Otávio Marques e Elton Negrão ficarão com tornozeleiras eletrônicas e terão que comparecer pessoalmente a todos os atos do processo caso sejam requisitados.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Em 2005, o lobista Nílton Monteiro entregou a lista com nome de 156 políticos que receberam dinheiro desviado de Furnas, através de 91 empresas. A lista tinha sido elaborada e assinada pelo então diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas, Dimas Toledo, como instrumento para pressionar políticos a negociaram com o presidente Lula a permanência dele na diretoria da estatal. A data da lista é novembro de 2002, logo após a primeira eleição de Lula a presidente. Todos os políticos que aparecem na lista eram todos da base aliada de Fernando Henrique Cardoso.
    Quando isso vai ser investicado, hein?

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Polícia

Após delação, Cerveró tem mudança de comportamento na prisão; destrato e desrespeito aos agentes penitenciários

Desde que fechou o acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), em novembro, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró vem causando problemas na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso.

A principal reclamação é que o ex-executivo passou a destratar e desrespeitar os agentes penitenciários.

O clima ficou insustentável na semana passada. Numa discussão, Cerveró apontou o dedo em riste no rosto de um dos funcionários da prisão, segundo relatos obtidos pela reportagem. Advogados e policiais que têm acesso a presos do local disseram que os motivos do destempero de Cerveró seriam o atraso do banho de sol e a insistência do delator em ter acesso a algumas regalias, como um frigobar na cela.

Como resposta, ouviu de um dos policiais que controlou a situação que ele era um preso comum, como um traficante ou um contrabandista.

A atitude fez com que não só Cerveró, mas todos os presos da Lava Jato detidos no local tivessem alguns direitos suspensos, como banho de sol e conversas reservadas com os advogados, que passaram a acontecer apenas no parlatório (local em que os detentos são separados das visitas por um vidro e podem se comunicar por meio de um telefone).

A punição para o ex-diretor foi maior. Ele deixou de dividir espaço com o pecuarista José Carlos Bumlai, seu companheiro desde novembro, e foi colocado em uma cela sozinho. Além disso, Cerveró não pôde tomar banho no chuveiro, que fica ao fundo da ala dos presos, por dois dias.

Os outros detentos, que já vinham reclamando do comportamento prepotente de Cerveró desde que voltou de uma temporada de dez dias com a família em Itaipava (RJ) negociada com a PGR no escopo de sua delação, passaram a se incomodar ainda mais com ele após a restrição dos direitos.

Advogados dos demais presos chegaram a procurar a defensora do ex-diretor, Alessi Brandão, que conversou com seu cliente sobre seu comportamento intempestivo.

Conforme o acordo de delação homologado pelo STF (Superior Tribunal Federal), o ex-diretor da estatal permanecerá em regime fechado pelo menos até junho. Cogita-se a possibilidade de pedir a transferência de Cerveró, que cumpriria o tempo que falta para a ir para a prisão domiciliar em outro local.

FASE DEPRESSIVA

Preso há mais de um ano, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró ficou conhecido nos meses em que esteve entre a carceragem da PF e o CMP (Centro Médico Penal), onde estão a maioria dos presos da Lava Jato, em Pinhais, pela oscilação de comportamento.

Em fevereiro de 2015, pouco depois de ser preso, a psiquiatra do ex-executivo enviou uma solicitação à Justiça para que ele fosse submetido a um tratamento com antidepressivos. No documento, a médica já havia relatado que desde o início de 2014, quado a operação Lava Jato eclodiu, o ex-executivo vinha apresentando “sintomas depressivos severos”.

Cerveró também chegou a receber atendimento ao apresentar crises de ansiedade, com sintomas como alta de pressão. O quadro psicológico do ex-diretor chegou a ser um questionamento para que os procuradores firmassem acordo de delação premiada. Muitos companheiros de cela dele, como o lobista Fernando Soares, o Baiano, chegaram a questionar a sanidade mental de Cerveró.

Com crises de choro constantes, ele costumava recorrer aos outros presos que hoje não se mostram mais dispostos a ajudá-lo. Procurada, a defesa dele não se manifestou sobre o caso.

Folha Press

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