Diversos

STF torna José Agripino réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (12), por 4 votos a 1, aceitar denúncia apresentada contra o presidente do partido Democratas, o senador José Agripino Maia (RN), tornando-o réu em ação penal.

Em setembro deste ano, Agripino Maia foi denunciado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pela suposta participação em um esquema envolvendo a construção da Arena das Dunas, sede da Copa do Mundo de 2014 em Natal, que teria resultado em prejuízo de R$ 77 milhões aos cofres públicos.

Segundo a denúncia, o senador teria usado sua influência política para liberar créditos que se encontravam travados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em favor da construtora OAS, responsável pela obra.

De acordo com a acusação, Agripino Maia teria recebido R$ 654 mil em espécie, a título de propina, para providenciar o sinal verde do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, que estaria exigindo documentos complementares para aprovar o projeto executivo da obra, condição necessária para a liberação do financiamento do BNDES.

O pagamento em dinheiro vivo teria sido providenciado por Léo Pinheiro, presidente-executivo da OAS, por intermédio do doleiro Alberto Yousseff, que em delação premiada relatou ter feito a entrega fracionada da quantia a pessoas em Natal, sem especificar a quem ou citar o senador.

Outros R$ 250 mil em propina teriam sido pagos por meio de doações oficiais de campanha ao diretório nacional do Democratas, segundo a denúncia assinada por Rodrigo Janot, que apresentou entre as provas do processo mensagens de celular trocadas entre Agripino Maia e Léo Pinheiro.

“Não estamos diante de uma denúncia fútil. Há um conjunto bem relevante de elementos que sugerem uma atuação indevida, um ato omisso grave que levou ao superfaturamento de R$ 77 milhões e ao inequívoco recebimento de dinheiros depositados fragmentadamente na conta do parlamentar”, disse o ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito.

Acompanharam o relator os ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Marco Aurélio Mello. O único a divergir foi o ministro Alexandre de Moraes, que considerou a denúncia inepta.

Defesa

Para o advogado Aristides Junqueira, que representa o senador Agripino Maia, a denúncia apresentada por Janot “é só imaginação”.

“Essa denúncia não passa de ilações imaginárias do autor dela”, afirmou o defensor. Junqueira argumentou que o próprio procurador admitiu não ter conseguido comprovar a ligação de depósitos na conta do senador com atos de corrupção, não passando tal ligação de “presunção do Ministério Público”. Segundo Junqueira, Agripino Maia pode comprovar a origem de todos os depósitos realizados na sua conta entre os anos de 2012 e 2014.

Em relação à liberação de créditos do BNDES para a Arena das Dunas, a defesa alega não haver nenhuma irregularidade, e que a atuação do senador se deu a pedido do próprio Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte, de forma inteiramente legítima.

Agência Brasil

 

Opinião dos leitores

  1. Falta agora o ELEITOR norte riograndense fazer justiça, extirpando esse parlamentar e seus coligados da vida pública local pelo voto faxina.

  2. É verdade que "só agora" Agripino nunca foi dono de empresas concessionárias de radiodifusão? E também que Henrique Alves plagiou o senador e transferiu sua participação nas empresas a familiares seus? E que a Receita Federal só se interessa em emitir CPF para crianças? Sei não…

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Judiciário

Janot pede ao STF para abrir 3º inquérito contra Agripino Maia

15083267Foto: Joel Rodrigues

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu nesta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de mais um inquérito para investigar o presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), por peculato qualificado e lavagem de dinheiro. Se for aceito, será a terceira investigação em curso contra o parlamentar.

O pedido é para investigar um possível funcionário fantasma, Victor Neves Wanderley, no gabinete de Agripino no Senado. A partir de 2009, Wanderley foi nomeado ao cargo de assessor parlamentar e, em datas próximas ao dia do pagamento, realizou saques em espécie e depósitos na conta de um primo de Agripino Maia, Raimundo Alves Maia Júnior –as informações foram obtidas por quebra de sigilo bancário.

De acordo com os registros do Senado, Wanderley ainda atua como assessor parlamentar de Agripino, lotado no “escritório de apoio do senador”. Seu salário-base atual é de R$ 7.415,57, segundo o registro de outubro deste ano. A primeira menção ao funcionário fantasma encontrada pela Folha no “Diário Oficial” é de março de 2009, quando Wanderley foi lotado no gabinete da liderança do Democratas. Ele também atuou no gabinete do senador José Bezerra (DEM-RN), ao menos em 2010.

Procurado pela Folha na manhã desta sexta (18), Agripino disse que não há funcionário fantasma em seu gabinete: “Absolutamente”. “Não, não tenho nenhum conhecimento sobre esse assunto”, afirmou o parlamentar.

A Procuradoria aponta proximidade entre o recebimento de diversos depósitos de salários, que somam R$ 158 mil, e o repasse ao primo de Agripino Maia, cujo montante é R$ 127 mil. Outros R$ 42 mil foram sacados em espécie pelo funcionário fantasma, em datas próximas a pagamentos que somam R$ 67 mil.

“Observa-se que, em quase todo o período em questão, nas mesmas datas de recebimento de vencimentos do Senado Federal, ou em datas próximas, Victor Neves Wanderley efetuou saques em espécie de quantias consideráveis, muitas vezes equivalentes à remuneração auferida, o que aponta no sentido de repasse oculto de pelo menos parte de seu salário a um terceiro, possivelmente o próprio José Agripino Maia”, escreve Janot no documento enviado ao STF.

Em depoimento à Polícia Federal, Wanderley admitiu que, apesar de receber salário do Senado, nunca trabalhou na Casa. Ele é funcionário em uma farmácia que pertence ao tio dele, Adriano Alberto de Souza Wanderley, que também apresentou movimentações financeiras suspeitas.

A Procuradoria pede ao presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, para aprofundar as investigações, ao “realizar diligências que reúnam maiores informações sobre os fatos, até mesmo para balizar a extensão, a amplitude, a profundidade e o próprio período do afastamento de segredo de dados que o caso requer”.

A suspeita de peculato ocorre porque, apesar de Agripino Maia ter o poder de indicar qualquer pessoa ao cargo de assessor parlamentar –um cargo comissionado–, ao fazê-lo “sem que [a pessoa] desempenhe as correspondentes atribuições, configura o crime de peculato qualificado”, diz a peça. O crime de lavagem de dinheiro, ainda de acordo com o documento, é qualificado pela triangulação entre o funcionário fantasma e o primo de Agripino Maia, descrita pela PGR como “estratégia de ocultação e dissimulação da natureza, da origem, da localização, da disposição, da movimentação e da propriedade dos valores provenientes do delito de peculato qualificado”.

As diligências requisitadas por Janot incluem a obtenção dos registros funcionais de Wanderley junto ao Senado, os registros de voo em nome do funcionário fantasma e o registro de trabalho dele junto à farmácia do tio.

Segundo a peça, a suspeita ocorreu a partir de um levantamento feito pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão ligado ao Ministério da Fazenda que investiga movimentações financeiras atípicas. “Victor Neves Wanderley e Adriano Alberto de Souza Wanderley apresentaram movimentações financeiras que geraram suspeita de lavagem de dinheiro, em face de sua incompatibilidade com as correspondentes rendas declaradas e respectivas capacidades econômicas.”]

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Por isso eu curto esse blog ,divulga tudo.Mas devia se aprofundar , cascaviar até descobrir mais sujeiras desse senador coordenador da campanha de Aécio Neves em 2014.

    1. Lembre-se que quando você aponta o dedo tem quatro virado para você, cadê os petistas? Cadê Renan Capacho? Cadê Lulinha? Porque será que com a oposição a velocidade é outra, diferente do trato com a companheirada, eita Brasil até quando teremos tratamento imparcial.

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