“O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está na moda. É quase chique.”
“Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos.”
“A grande preocupação do pobre é procriar.”
As opiniões sobre o acesso a planos de saúde pela população de baixa renda, publicadas pela colunista Silvia Pilz na crônica “O plano cobre”, do jornal O Globo, foram compartilhadas mais de 15 mil vezes em 24 horas. Alvo de fortes críticas nas redes sociais, a carioca se defende: “Não pediria desculpas”, afirma. “Não ofendi ninguém e fiz um texto divertidíssimo.”
Em entrevista à BBC Brasil, Pilz diz que “somos todos preconceituosos” e que no humor “vale tudo”. “Quem mais se divertiu com o texto foram os pobres”, alega a jornalista, moradora da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. “Os incomodados são da classe média.”
BBC Brasil: Você esperava essa repercussão?
Silvia Pliz: Jamais.
BBC Brasil: Como recebeu os comentários negativos?
Silvia Pliz:Fiquei perplexa porque o texto é uma sátira. Esperava uma repercussão diferente. Há muitas pessoas que se divertem e outras que se revoltam. Meu blog fala sobre hipocrisia, eu digo ali o que eu penso. É o tipo de assunto que está todo mundo superacostumado a ver em novela da rede Globo. Fiquei um pouco chocada, as pessoas xingam, são brutas.
Fiz um texto tolo, corriqueiro, de humor, você escolhe a palavra que achar mais interessante, relatando o cotidiano da classe média. Meus textos são politicamente incorretos, sim, mas acho que muitas pessoas se divertiram muito.
BBC Brasil: E houve também quem não se divertisse.
Silvia Pliz: Essas pessoas talvez se identifiquem, ou se sintam agredidas com o que está colocado ali. Nem todo mundo entende o humor sarcástico.
BBC Brasil: Você diz escrever sobre o cotidiano da classe média. Mas a palavra “pobre” aparece de forma bastante enfática em todo o texto.
Silvia Pliz: Eu escrevo sobre o cotidiano de todos nós. Tenho textos falando sobre as coisas da classe “AAA”, da classe média. De repente eu virei uma Joana D’Arc por um texto em que uso a palavra “pobre”. Quando na verdade quem mais se divertiu com o texto foram os pobres. Os incomodados são da classe média.
BBC Brasil: Como sabe que os pobres foram quem mais se divertiu?
Silvia Pliz: Tenho as respostas no Facebook. Inclusive tem o depoimento de um cara que diz “Sou da classe pobre, ri, me diverti, não tem nada disso”. As pessoas estão equivocadas, é uma sátira.
BBC Brasil: Há limites para a sátira? O humor pode se tornar ofensivo ou vale tudo?
Silvia Pliz: Vale tudo.
BBC Brasil: Mas muita gente diz que você teria sido pejorativa e preconceituosa. Que estaria fazendo graça com a desgraça alheia. Vê coerência nisso?
Silvia Pliz: Zero coerência. Quem não se diz preconceituoso não tem dicionário em casa. Somos todos preconceituosos. Temos um preconceito sobre aquilo que a gente não conhece. Sou uma pessoa lúcida e sei que todo ser humano tem preconceitos. Isso é lucidez.
BBC Brasil: Imagino que se inclua.
Silvia Pliz: Então coloque: somos todos preconceituosos. Não eu. Aí fica ruim para mim.
BBC Brasil: Nesta entrevista, você justifica o que escreveu como crítica ácida, humor. Mas no texto e nas redes sociais você diz que falhou. Falhou ou não falhou?
Silvia Pliz: Olha… é dificil essa resposta. Acho que não falhei. Não pediria desculpas e diria “foi mal, não era bem isso que queria dizer”. Jamais. Me posicionei porque vi que a coisa estava pegando fogo e não queria que as pessoas tivessem uma imagem minha diferente do que sou. Realmente acho que, quando fazemos humor e ele precisa ser explicado, significa que foi mal feito.
Quando eu digo “falhei”, digo, “falhei como escritora na tentativa de fazer humor”. A reação foi ridícula. E hipócrita também, porque as pessoas são todas bem hipócritas. Fui vítima de um linchamento digital dos militantes da ditadura do politicamente correto. Não ofendi ninguém e fiz um texto divertidíssimo.
BBC Brasil: Dizer que “pobre gosta de procriar” não seria pejorativo ou ofensivo?
Silvia Pliz: Não. Pobre gosta de procriar. Não é fato? O que dói no leitor é a verdade. Pobre gosta de procriar, você concorda comigo? Eles têm mais filhos do que deveriam ter.
BBC Brasil: Você convive com pobres em que situações da sua vida?
Silvia Pliz: Eu convivo com pobre como qualquer pessoa da classe média.
BBC Brasil: Por exemplo?
Silvia Pliz: Deixa eu pensar com que pobres eu convivo (pausa). Que pergunta mais estranha. Eu convivo com… Essa resposta é f*da porque ela pode me sujar, digamos assim, né? Eu convivo com pobres que são professores, bailarinos, músicos, empregadas domésticas, porteiros de prédio, motoristas de ônibus.
BBC Brasil: Você diz que as pessoas não entenderam a graça do seu texto. Qual é a graça dele?
Silvia Pliz: Eu acho superengraçado. Acho que humor não se explica. A graça do texto são os detalhes.
Essa fascinação pelos exames acontece. As pessoas, porque têm plano de saúde, ficam contentes e ávidas por fazerem exames. É uma brincadeira que fiz com uma coisa complicada que é doença. Talvez tenha sido aí o ponto de explosão do texto. A graça é a mudança de comportamento da sociedade com relação às novidades. Como na aviação. Há anos, só as pessoas que tinham dinheiro podiam viajar. Agora temos passagens a preços acessíveis e isso gera situações cômicas.
BBC Brasil: Você falou sobre o dicionário. Muita gente apontou um erro seu: a palavra “exige” escrita com “J”, que depois foi corrigida. Também achou engraçado?
Silvia Pliz: Achei (silêncio). Inclusive teve um cara que me chamou de Caco Antibes e quando eu fiz a correção eu disse: ‘Magda fez a correção’. Mas isso precisa aparecer na entrevista?
BBC Brasil: Foi só uma pergunta.
Silvia Pliz: Porque eu acho que isso me ridiculariza.
BBC Brasil: Gostaria de deixar alguma mensagem aos leitores ou não leitores?
Silvia Pliz: Não. Só acho que as pessoas deveriam de repente serem menos ofensivas, tomarem muito cuidado.
BBC Brasil: Você pretende tomar cuidado em ser menos ofensiva em seus próximos textos?
Silvia Pliz: Não. Eu não sou ofensiva. Eles veem como ofensivo. Eu sou divertida nos meus textos. Eu nunca fui ameaçada, foi a primeira vez. Fui ameaçada de morte nos comentários.
BBC Brasil: Fará algo em relação a isso?
Silvia Pliz: Acho que não vai ser necessário. Foram ameaças infundadas, imbecis, nada disso vai acontecer. É a liberdade do Facebook, aquela coisa que começa a pegar fogo, vai crescendo, as pessoas confundem tudo. As pessoas estão muito apavoradas e agressivas demais. É incoerente: defensivo e agressivo.
Me chamaram de nazista. Isso é ignorância. Por favor. A única coisa que gostaria muito que você dissesse é: em tempos em que estamos defendendo tanto a liberdade de imprensa, um texto tolo, não tolo, simples, bobo, como um capítulo de uma novela da rede Globo ter uma repercussão dessa…. sabe?
Terra, via BBC Brasil
Muito bem, Rui Nascimento, disse tudo, assino em baixo.
Vindo de alguém da(o) Globo não se pode esperar outra coisa!
Esse LIXO, com todo respeito ao lixo, não é jornalista nem muito menos humorista, é simplesmente uma mente podre e preconceituosa, que destila seu desprezo aos pobres em forma de grosserias e desrespeito.
Liberdade de Expressão não é a mesma coisa que Desprezo Social. Pra tudo na vida há limites e muitos desses vermes que se autodenominam "jornalistas" estão ultrapassando os limites de suas liberdades ao confundirem humor sarcástico com desrespeito e desprezo, pois é comum ver pseudo-humoristas achincalhando tudo e todos com a desculpa da liberdade de expressão. É sempre bom lembrar que direito de alguém termina onde começa de outrem.
E mais: se essa estúpida se surpreendeu com a repercussão de seu "vômito" preconceituoso, deveria saber que quem diz o que quer, escuta o que não quer!!!
Engraçado, ela é rica mas não conseguiu deixar de ser feia! kkkkkk
Muito fraco o texto dessa senhora. Pobre p ser mais precisa. Ser for jornalista precisa melhorar muito e ser pretendia ser comediante muito pior. Preconceito é isso q o texto transmite. Mas, penso realmente q ela queria ter seu minuto de fama…
olha é muito triste ver esse tipo de comentário, mas infelizmente vivemos em um mundo cheio de preconceito, ela é jornalista ou humorista, pois se ela for jornalista comprou o diploma e se é humorista não teve graça nem uma, recomendo a essa senhora procurar estudar um pouco mais, ou já que ela é rica não precisa estudar???
Ridicula, não achei graça nenhuma! De onde tirar sarro das pessoas com baixa renda é divertido? ela fala isso porque nunca precisou de um sus na vida. Volto a dizer: Você é uma ridicula!
Texto pobre em todos os sentidos, bem ao estilo dos leitores do O Globo e Veja.
É triste saber que esse tipo de gente acredita que fazendo este tipo de humor é algo divertido, mas ela fique sabendo que o pobre pode até ser apegado ao seu plano de saúde e acreditar que com ele pode tudo, mas triste é ela ser a cara da riqueza e apodrecer em cima da cama de um hospital, sabendo-se que o dinheiro não compra saúde.
De onde saiu essa porra louca?
Li uma parte do texto dessa jornalista, não vi graça nenhuma, achei um texto muito fraco.
O mais triste é ela achar que o texto é engraçado. Virou moda a liberdade de expressão. E o respeito em que lugar devemos colocar?