Judiciário

Denúncias complicam volta de ex-presidente Lula ao poder

CiRjBINWgAAT0duO ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva participa de ato no acampamento de manifestantes pro-governo, ao lado do estadio Mane Garrincha, em Brasilia. Foto: Daniel Marenco / Agencia O Globo – Daniel Marenco / Agencia O Globo / Agência O Globo

Padrinho político de Dilma Roussseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sai do processo de impeachment com a imagem desgastada e à procura de uma estratégia para retomar o projeto de poder do PT. O petista mantém no horizonte a candidatura ao Planalto, em 2018, mas, nas últimas semanas, tem crescido entre os seus aliados mais próximos o pessimismo em relação aos desdobramentos do envolvimento de seu nome em denúncias na Operação Lava-Jato.

Hoje, a avaliação é que Lula deve sofrer condenações. Alguns petistas afirmam acreditar em uma ação orquestrada para tornar o ex-presidente inelegível. Se confirmado esse cenário, o PT fica sem um nome natural para disputar a Presidência depois de obter quatro vitórias consecutivas.

DÚVIDA ENTRE OS PETISTAS

Há também dúvida, entre os petistas, se Lula estaria disposto a entrar numa eleição sem ter o favoritismo absoluto. Uma derrota seria uma mancha na história de um presidente que deixou o cargo com 80% de popularidade.

— O Lula já cumpriu a tarefa dele. Foi eleito, reeleito e elegeu a Dilma duas vezes. Dependerá agora se ele vai querer disputar de novo — avalia um dirigente do PT.

Ao mesmo tempo, os petistas ponderam que o ex-presidente ainda tem potencial para se eleger. Pesquisa Datafolha divulgada no começo de abril mostrou que, mesmo diante de uma série de notícias negativas por causa da Lava-Jato, Lula liderava nos quatro cenários testados — em três empatado com Marina Silva (Rede) e em um deles isolado na liderança.

— O Lula teve uma grande exposição nesse período e por isso cresceu. Ele ainda tem uma força política muito grande — afirma outro aliado.

Por outro lado, a mesma pesquisa Datafolha indicou que 53% dos eleitores não votariam em Lula de jeito algum, o que complica suas perspectivas de sucesso em uma disputa em dois turnos. Quando são indagados sobre qual seria a opção do partido se Lula ficar fora da eleição presidencial, os petistas citam de cara o nome do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Mas reconhecem que ele só se viabilizaria se conseguir se reeleger este ano. O petista deve enfrentar uma eleição difícil na capital paulista. Pesquisa Datafolha de outubro do ano passado mostrou que a gestão Haddad só é aprovada por 15% da população.

Um nome também citado pelos petistas com potencial eleitoral é o do ministro Jaques Wagner (Gabinete Presidencial). Mas sua forte vinculação a Dilma durante a agonia do governo pode se tornar empecilho.

Outra opção do PT seria apoiar um candidato de um partido aliado, como Ciro Gomes (PDT).

— Em 2014, o Lula já havia indicado que em 2018 o PT poderia apoiar um candidato de outro partido. Ele havia feito essa sinalização ao Eduardo Campos (PSB) — lembra o mesmo aliado do ex-presidente.

Antes de construir candidatura presidencial, o objetivo de Lula é manter unidos os movimentos e partidos que se mobilizaram contra o impeachment. Há mais de um ano, o ex-presidente vem defendendo a ideia de que a esquerda brasileira deve se organizar em uma frente, nos moldes da Frente Ampla, que desde 2004 governa o Uruguai. O grupo teria duas funções: diluir o desgaste que o PT enfrenta por envolvimento de quadros da legenda em escândalos e trazer a base social dos movimentos para o centro da política.

Na avaliação de Lula, se houve alguma coisa positiva na batalha do impeachment foi a unificação de posições da Frente Brasil Popular, formada por movimentos sociais como a CUT, o MST, a UNE e a Central de Movimentos Populares (CMP), da Frente Povo Sem Medo, encabeçada pelo MTST, e dos partidos PCdoB, PSOL e PDT, além do PT.

— Os movimentos chegaram a colocar 100 mil pessoas nas ruas, e o Lula se consolidou como principal líder desse grupo — destaca uma pessoa próxima ao ex-presidente.

Mas para manter a mobilização da frente, a avaliação é que será necessário encontrar uma nova bandeira depois do afastamento de Dilma.

— O “não vai ter golpe” virou uma bandeira e não veio de cima. Ninguém nem sabe direito como surgiu — diz um auxiliar de Lula.

Assim como discute o futuro de Lula, o PT também trabalha com a proposta de encampar a bandeira em favor de um referendo que definiria a abreviação do mandato presidencial, com a convocação de novas eleições. Os movimentos também garantem que não irão reconhecer o governo de Temer.

Alguns líderes acreditam que o peemedebista terá problemas para viabilizar seu governo e desagradará à parcela mais pobre da população ao encampar medidas impopulares. Lula se fiava até ontem à noite nesse cenário para manter a esperança de reverter o afastamento de Dilma na votação final do impeachment no Senado.

Palavra de especialistas

O GLOBO falou com cientistas políticos sobre o futuro do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o afastamento da presidente Dilma e os escândalos de corrupção, o partido terá vários desafios pela frente. O ex-presidente também deverá enfrentar a Justiça nos casos do tríples do Guarujá e do sítio de Atibaia (SP). Leia a análise dos especialistas.

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Opinião dos leitores

  1. O Brasil está extirpando o câncer que estava corroendo o país.
    Agora tem que iniciar a quimioterapia para evitar o retorno do mal ou a metástase.

  2. Primeiro objetivo conseguido: tirar Dilma e tomar o poder!
    Agora vamos tratar de impedir Lula de ser candidato.
    Qual a melhor solução?
    Prender o Lula e criminalizá-lo de forma a torná-lo inelegível.
    Depois fechamos o PT e a esquerda brasileira afundará levando junto a esquerda da América Latina, levando todos rendidos, de rabo abanando para o domínio do Banco Mundial-FMI-EUA.
    Voltamos para onde já havíamos saído com as mãos abertas para entregar o nosso PréSal a preço de banana…

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