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Agência de classificação de risco Fitch indica que pode tirar selo de bom pagador do Brasil

City Workers In The Canary Wharf Business, Financial And Shopping DistrictA agência de classificação de risco Fitch indicou nesta quinta-feira (9) que poderá retirar o selo de bom pagador do Brasil -o chamado grau de investimento, que indica que o país é um local seguro para investir.

É que, embora a Fitch tenha mantido a nota atribuída ao Brasil (BBB), colocou a avaliação em perspectiva em negativa -ante estável-, o que significa que pode rebaixá-la caso as condições macroeconômicas brasileiras não melhorem.

Em comunicado, a Fitch afirmou que tomou a medida em razão da desaceleração da economia brasileira, da deterioração da situação fiscal e do maior desequilíbrio macroeconômico do país.

“Embora o governo tenha começado um processo de ajuste macroeconômico para impulsionar a confiança e credibilidade política, riscos negativos relacionados à sua efetiva implementação e duração persistem, especialmente no contexto de uma economia e ambiente político desafiadores”, disse.

A divulgação da notícia não alterou a trajetória do dólar, que continua caindo nesta quinta. Às 12h38, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha queda de 0,92%, para R$ 3,052. No mesmo horário, o dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, tinha desvalorização de 0,13%, para R$ 3,052.

No comunicado, a Fitch lembra que a economia brasileira ficou estagnada em 2014, após crescer apenas 0,1%, e ressalta que a previsão para este ano é de contração de 1%. “O crescimento médio do Brasil nos últimos três anos de apenas 1,5%, comparado com a mediana de 3,2% de outros países ‘BBB’, evidencia a natureza estrutural da performance baixa”, diz a Fitch em comunicado.

O Brasil mantém o selo de bom pagador em todas as agências de classificação de risco. Recentemente, a agência S&P deixou inalterada a nota de crédito do país em BBB-, o último degrau na escala de grau de investimento.

Na Moody’s, a nota do país é Baa2, o que significa que o país está a dois degraus acima de perder o grau de investimento.

EMPRESAS

Na quarta-feira (8), a Fitch divulgou relatório afirmando que as empresas brasileiras enfrentarão uma “intensa tempestade” este ano diante da combinação de preço das commodities e demanda por produtos em baixa e inflação e taxas de juros em alta.

Com isso, os rebaixamentos das notas de crédito das companhias do país devem aumentar ao longo do ano, segundo o documento. Nos três primeiros meses deste ano, houve 11 cortes em notas de crédito de empresas brasileiras e nenhuma elevação.

“Os setores mais arriscados permanecem sendo açúcar e etanol, construção pesada e construção residencial”, afirmou o relatório, assinado por Debora Jalles e Ricardo Carvalho, diretores da agência no país.

HISTÓRICO

No final de março, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s manteve a nota de crédito do Brasil. O país segue, assim, com o chamado grau de investimento (selo de bom pagador).

A S&P acredita que a presidente Dilma Rousseff manterá o apoio ao ajuste fiscal promovido pela equipe econômica e que as medidas de austeridade ganharão eventualmente o suporte do Congresso.

Com isso, na avaliação da agência de risco, a credibilidade do governo será “gradualmente restaurada”, pavimentando o caminho para um crescimento mais robusto da economia a partir do ano que vem.

Em setembro do ano passado, a agência de classificação de crédito Moody’s rebaixou para negativo o viés da nota do Brasil. Na avaliação anterior, a perspectiva era estável.

A mudança indica, de acordo com a Moody’s, que houve piora nos fundamentos econômicos do país, que podem ter reflexos sobre a capacidade de pagamento dos títulos da dívida pública do governo.

Folha Press

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