Ministros do PT enxergam uma operação nos bastidores de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre a proposta que reduz a maioridade penal para enfraquecer articulação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
Nesta quarta-feira (10), Cunha fez um acordo com o PSDB para derrotar o Palácio do Planalto e aprovar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
A movimentação de Cunha foi uma estratégia para enfraquecer o governo e minar a articulação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) com os tucanos. O peemedebista tem dito a aliados, no entanto, que o acordo foi conversado com Alckmin e parlamentares do PSDB -e nega que tenha conversado com Aécio sobre o assunto.
No início da semana, o governo acenou com a possibilidade de apoiar uma proposta tucana após Alckmin defender a elevação de três para oito anos do prazo máximo de internação de adolescentes que cometem crimes hediondos, e disse que ela tem mais viabilidade política e jurídica de entrar em vigor.
A presidente Dilma Rousseff orientou o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo a procurar Alckmin, o que ocorreu na terça (9). No mesmo dia, Aécio e Alckmin se reuniram com a bancada de deputados federais do PSDB para tratar do assunto.
O mineiro agendou a reunião após Alckmin se manifestar publicamente sobre o tema. Nos bastidores, tucanos afirmam que a atitude de Aécio visa tentar evitar um protagonismo do paulista neste debate e em outros temas discutidos no Congresso. Os dois são pré-candidatos à Presidência em 2018.
Para ministros ouvidos nesta quinta-feira (11), o acordo de Cunha com os tucanos é o ”time de Aécio se movimentando contra Alckmin, com objetivo de ‘impedir’ a construção do governador paulista como ‘oposição ponderada’ e contando com o ‘oportunismo’ antigoverno do Cunha”.
Na avaliação de assessores de Dilma, interessa a Cunha “isolar o governo”, e o movimento de aproximação do Planalto com setores do PSDB isolaria essa tática. Segundo eles, o acordo de Cunha com o PSDB ”constrange” Alckmin a ficar publicamente com a presidente, esvaziando sua ação.
Folha Press
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