Polícia

Azeredo se entrega e é o primeiro preso do mensalão tucano

Por interino

Foto: Sérgio Lima – 3.dez.2010/Folhapress

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), 69, se entregou à Polícia Civil nesta quinta-feira (23), para iniciar o cumprimento de pena de 20 anos e 1 mês de prisão por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. É o primeiro acusado no chamado mensalão tucano a ser preso.

A prisão ocorre 20 anos após os fatos que motivaram as acusações e 11 anos após a denúncia.

Azeredo, que teve o mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça nesta terça (22), era considerado foragido e policiais passaram o dia em busca do tucano nas ruas de Belo Horizonte.

Ele se entregou às 14h45, na 1ª Delegacia Distrital de Belo Horizonte.

Azeredo perdeu todos os recursos na corte, inclusive os embargos de declaração julgados nesta terça –considerado o último recurso possível antes da prisão.

A defesa ainda aguarda decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre pedidos de habeas corpus. O tucano sempre negou que tenha qualquer participação em irregularidades.

O mensalão tucano é considerado o embrião do esquema de mesmo nome relacionado ao PT e, segundo o Ministério Público, aconteceu durante a fracassada campanha de reeleição de Azeredo ao governo mineiro.

Em 2007, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) 15 pessoas por um esquema de desvio de recursos estatais e empréstimos fictícios que abasteceu a campanha de Azeredo.

Além dele, se tornaram réus o publicitário Marcos Valério, que foi condenado por operar o mensalão petista, e seus sócios, o ex-senador Clésio Andrade, entre outras pessoas.

José Afonso Bicalho, então presidente do Bemge (o extinto banco estatal de Minas) e atual secretário da Fazenda do governo de Minas Gerais, comandado por Fernando Pimentel (PT), também é réu. Todos eles negam ter cometido crimes.

TRAJETÓRIA

Nascido em setembro de 1948 em Sete Lagoas (MG), Azeredo foi vice-prefeito (1989-1990) e prefeito da capital mineira (1990-1992) e se elegeu ao governo em 1995, com o empresário Walfrido dos Mares Guia como vice —que também foi denunciado no esquema do mensalão tucano, mas suas acusações prescreveram.

Na sua campanha à reeleição, quando promotores e procuradores dizem que houve o esquema de desvios, Clésio foi o candidato a vice. A chapa perdeu para o candidato Itamar Franco (MDB).

Em 2003, Azeredo tomou posse no Senado, onde ficou até o fim do mandato. Foi presidente nacional do PSDB de janeiro a outubro de 2005, quando o esquema do mensalão tucano foi desvelado e ele deixou o cargo.

Em 2010, foi eleito deputado federal, cargo que renunciou em 2014, ao se tornar réu no STF. Clésio Andrade, então senador, também renunciou. Com a perda do foro especial, o processo voltou à primeira instância, na Justiça estadual de Minas.

Em Belo Horizonte, passou a prestar consultoria para a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) com um salário de R$ 25 mil ao mês.

A primeira condenação de Azeredo veio em dezembro de 2015, quando foi condenado pela juíza da 9ª Vara Criminal Melissa Pinheiro Costa Lage a 20 anos e 10 meses de prisão. Recorreu da decisão, em liberdade.

À época, disse à Folha que a magistrada “praticamente copiou” a acusação feita pela Procuradoria-Geral da República desde 2007, usando como provas documentos que, segundo ele, são falsificados.
Azeredo afirmou que não era responsável pelas despesas da campanha e que não pode ser responsável por ações de terceiros.

“Eu não posso me responsabilizar por atos de setores que tinham autonomia financeira”, afirma.

Também questiona o acúmulo de penas para que a sentença chegasse aos 20 anos de prisão. “Ela multiplicou a pena porque eram várias cotas de patrocínio, só que nenhuma dessas cotas foram assinadas por mim. É isso. É muito simples”, diz.

No último dia 14, Clésio Andrade também foi condenado, em primeira instância, a 5 anos e 7 meses de prisão por lavagem de dinheiro. Sua defesa diz que a condenação é injusta e que irá recorrer.

OUTROS ACUSADOS NO MENSALÃO TUCANO

Condenados em primeira instância, podem recorrer em liberdade

Renato Caporali Cordeiro, ex-diretor de estatal
Eduardo Pereira Guedes Neto, ex-secretário adjunto de Comunicação
Clésio de Andrade, ex-senador de Minas (PSDB)

Julgamento em primeira instância próximo

Marcos Valério, publicitário
Ramon Hollerbach, sócio
Cristiano Paz, sócio

Punibilidade extinta por prescrição

Walfrido dos Mares Guia, ex-vice-governador de Minas
Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha de Azeredo
Lauro Wilson, ex-diretor de estatal

Folha de São Paulo

 

Opinião dos leitores

  1. Há ladrão. Cadê a turma, os batedores de panelas pra comentar? Fizeram muitos comentários essa semana. Devem está cansadinhos dos comentários dos aumentos seguidos da gasosa feitos pelo ilegítimo, ilegal, imoral do traste do Temer. O Detalhe é que o PSDB figura em 4º lugar no ranking dos partidos mais corruptos em nosso país. FONTE: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/pp-pmdb-pt-e-psdb-sao-os-partidos-com-mais-parlamentares-sob-suspeita/

    1. Como o PSDB não fazia parte da quadrilha lula/Dilma, e sim de roubos feitos a 14 anos atrás, é quase impossível de provas, no entanto parte dos que fizeram parte do mensalão mineiro já estão enquadrados, como é o caso do chefão (ex governador Azeredo), diferentemente do chefão do mensalão do governo PT, " luladrão" que ficou impune. E o PT ainda tem coragem de dizer q é perseguido. Caras de pai.

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Finanças

Mensalão tucano: Justiça marca interrogatório de Marcos Valério e mais 5

marcos-valerio-fernandes-de-souza-1306352179889_615x300Foto: Lula Marques/Folhapress

A juíza Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi, titular da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, marcou os interrogatórios dos réus de uma das ações do mensalão tucano.

Os processos apuram os crimes de peculato e lavagem de dinheiro durante a campanha do ex-governador de Minas (1995-1999) Eduardo Azeredo (PSDB) para o Estado em 1998. Atualmente, o caso envolve nove acusados.

O Mensalão tucano foi desmembrado em três processos na Justiça de Minas Gerais. Em um deles, Eduardo Azeredo foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão em 1ª instância. Em outro é julgado o empresário Clésio Soares de Andrade, candidato a vice de Azeredo na época. Na terceira ação penal são sete os réus.

Os sócios das agências de publicidade DNA e SPM&B Marcos Valério Fernandes de Souza, Ramon Hollerbach Cardoso e Cristiano de Mello Paz terão audiência no dia 1º de julho, às 13h45. O interrogatório dos diretores da COMIG (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, atualmente Codemig) Renato Caporali Cordeiro e Lauro Wilson de Lima Filho está marcado para 20 de maio, às 14h30, e o do secretário adjunto de Comunicação Social, Eduardo Pereira Guedes Neto para 10 de junho.

Nota divulgada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais informa que a juíza indeferiu o pedido do secretário de Estado da Fazenda, José Afonso Bicalho para participar dos interrogatórios desta ação penal. A magistrada argumentou que, não sendo mais o réu parte no processo que tramita na 9ª Vara Criminal, “não pode peticionar, tampouco participar dos interrogatórios fazendo perguntas”.

Em 13 de abril de 2015, a juíza declinou da competência para o julgamento da ação penal em que o secretário era réu, aceitando o argumento da defesa dele de que, com sua nomeação para o cargo, ele fazia jus a foro privilegiado, e deveria ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Diante disso, ao analisar o pedido do secretário para acompanhar as audiências da 9ª Vara Criminal, ela entendeu que não havia razões para o réu assistir a oitivas de testemunhas.

Condenação

Em dezembro do ano passado, Eduardo Azeredo, que é ex-presidente nacional do PSDB, foi condenado pela Justiça de Minas a 20 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) devido ao seu envolvimento no Mensalão tucano, envolvendo desvio de recursos de estatais mineiras para sua campanha de reeleição.

Por se tratar de sentença em primeira instância, Azeredo, que atualmente ocupa cargo na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), aguarda recurso em liberdade. O ex-governador foi o primeiro político condenado em ação criminal do mensalão mineiro 17 anos após os crimes ocorrerem.

Azeredo foi denunciado pelo desvio de ao menos R$ 3,5 milhões de estatais mineiras por meio das empresas de publicidade de Marcos Valério – esquema conhecido como “valerioduto” e que também abasteceu o escândalo petista anos depois – que cumpre pena de 37 anos de prisão estabelecida pelo Supremo no processo do mensalão petista, ocorrido durante o primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

O tucano teria utilizado contratos de publicidade de fachada para os eventos esportivos Enduro da Independência, Mundial de Supercross e Iron Biker patrocinados pelas estatais mineiras Comig (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, atualmente Codemig), Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e o extinto Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais, privatizado em 1998) por meio da SMP&B Comunicação e da DNA propaganda, usadas por Marcos Valério para abastecer os esquemas petista e tucano. Esse dinheiro, segundo a juíza Melissa da Costa Lage, abasteceu o caixa 2 da campanha de Azeredo em 1998.

UOL, com Estadão

Opinião dos leitores

  1. Cade os coxinhas de merda para comentar, outra coisa esta existindo um parcialidade politica no blog pois so existe censura para um lado(os simpatizantes da democracia)e para o outro tudo pode.

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Judiciário

Após 3 meses sem audiências, Justiça de MG retoma julgamento de mensalão tucano

Três meses depois da última audiência e em plena campanha eleitoral, será retomado nesta sexta-feira à tarde, em Belo Horizonte, o julgamento do chamado mensalão tucano. O processo, que apura denúncia desvio de recursos públicos para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas, em 1998, ainda está na fase de instrução. Ou seja, sem previsão de desfecho. O atraso já beneficiou dois réus, que tiveram os crimes prescritos pela Justiça: o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, vice de Azeredo no primeiro mandato, e Cláudio Mourão, tesoureiro do PSDB mineiro.

Com recente renúncia do senador Clésio Andrade (PMDB), último réu com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF), a tramitação de todo o processo passa a se concentrar no Fórum Lafayette, em BH. Azeredo é o outro réu que renunciou mandato de deputado federal. A renúncia já completou seis meses, mas até o hoje o acórdão que determinou a remessa para primeira instância não foi publicado pelo STF. Dessa forma, o processo contra o tucano está parado em Brasília.

A última oitiva foi, agendada para o dia 29 de abril, teve que ser adiada pela juíza Neide da Silva Martins, da 9ª Vara Criminal, porque duas testemunhas arroladas pelo réu José Afonso Bicalho, acusado de peculato, não compareceram. Naquela oportunidade, o promotor do caso, João Medeiros, protestou e pressionou a juíza para que ela marcasse nova oitiva para tomar depoimento das duas testemunhas de Bicalho em uma só sessão. Bicalho é ex-presidente do extinto banco Bemge. Em sua gestão, a instituição financeira transferiu R$ 500 mil à SMP&B, agência do operador Marcos Valério, a título de patrocínio de um evento de motocross, mas o recurso foi desviado para os cofres da campanha, de acordo com o Ministério Público (MP). Ao todo foram desviados R$ 3,5 milhões do erário mineiro para a campanha, sustenta a denúncia.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. NÃO É UM PROCESSO, E SIM UMA FARSA MONTADA ENTRE POLÍTICOS E MAGISTRADOS. O POVO NÃO É BOBO E RESPONDE ISSO NO VOTO.

  2. Fico imaginando a histeria se isso fosse com o PT.
    PSDB, esse sim o prático mais corrupto do país onde seus membros ficam escancaradamente impunes, onde processos são "esquecidos" em gavetas.

  3. O processo, que apura denúncia desvio de recursos públicos para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas, em 1998, ainda está na fase de instrução?
    Ninguém fica indignado com isso?

  4. O Mensalão do PT que nada mais é do que o mesmo esquema do Mensalão tucano, tanto que o operador é o mesmo Marcus Valério vai ser julgado na justiça comum.

    A Prescrição já beneficiou 2 tucanos, e tem gente preocupada porque Genoino que esta preso vai ter o benefício previsto em lei da prisão domiciliar.

    No caso do MEnsalão do PT, dos 38 reús apenas 3 tinham foro privilegiado e todos foram julgados no STF.

    No caso do Mensalão tucano o Deputado Eduardo Azeredo renunciou ao mandato nas vesperas do seu julgamento pelo STF e os ministros decidiram que o processo deveria descer para primeira instância.
    " renúncia já completou seis meses, mas até o hoje o acórdão que determinou a remessa para primeira instância não foi publicado pelo STF. Dessa forma, o processo contra o tucano está parado em Brasília."

    Existe coerência?
    Alguém me explique a lógica do tratamento diferenciado para beneficiar os Tucanos.
    O Ministro Gilmar Mendes no julgamento do Mensalão do PT ao argumentar que o processo deveria ser mantido no STF apesar de apenas 3 dos 38 reus terem o foro privilegiado, justificou que a remessa do processo para a primeira instância iria benefiar os réus com a prescrição, pena que o Ministro pensou diferente no caso do PSDB.

    Esse é o jeito PSDB!

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