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Natal decreta emergência, em meio a greve de agentes de combate ao Aedes, destaca Folha de SP

Capital do terceiro Estado com mais casos suspeitos de microcefalia no país, Natal enfrenta há 25 dias uma greve dos agentes que fazem o combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e do vírus zika, associado aos casos de má-formação em recém-nascidos. Há 527 funcionários na capital potiguar.

É a terceira greve dos agentes de combate a endemias de Natal neste ano. A anterior, em julho, durou 30 dias.

Para pressionar os agentes a voltarem ao trabalho, a Prefeitura de Natal ingressou na tarde desta quinta-feira (3) com um pedido de ilegalidade da greve na Justiça. Além de cortar o ponto dos efetivos, a secretaria municipal de Saúde quer autorização para exonerar 220 agentes que estão em estágio probatório.

Responsáveis por visitar as casas, orientar os moradores e aplicar larvicidas e “fumacê”, os agentes reivindicam a compra de uniforme completo, incluindo chapéus e calçados, o aumento do auxílio-alimentação de R$ 10 para R$ 15 e o reajuste de 100% na gratificação, que hoje é de R$ 150. Os agentes ganham o piso nacional da categoria, de R$ 1.014.

“Estamos reivindicando condições mínimas de trabalho, incluindo exames de sangue periódicos. Hoje, 20% dos agentes estão afastados por problemas de saúde”, diz o presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do Rio Grande do Norte, Cosmo Marins.

Com o enfraquecimento do trabalho porta a porta e o risco de uma nova epidemia de dengue, zika e chikungunya, a Prefeitura de Natal decretou estado de emergência, a exemplo do que fez o governo do Rio Grande do Norte nesta quarta-feira (2).

Para o secretário de Saúde de Natal, Luiz Roberto Fonseca, a greve é “inconveniente e inoportuna”, uma vez que o Nordeste concentra 98% das suspeitas de microcefalia no país.

“Com a decretação do estado de emergência agilizamos a compra do fardamento. Além disso, enviamos para a Câmara dos Vereadores o projeto de lei que garante o aumento do vale-alimentação. Pedimos a tramitação em regime de urgência”, afirma Fonseca, acrescentando que essas são as reivindicações que a prefeitura tem condições de atender no momento.

Folha Press

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