Esporte

Bom Senso critica CBF e diz que calendário de 2015 tomou de 7 a 1

O Bom Senso F.C. criticou na terça-feira (7) o calendário de 2015 do futebol brasileiro divulgado na quarta (6) pela CBF.

A entidade vai limitar em 65 o número de partidas por atleta na próxima temporada. O estabelecimento da quantidade de jogos em 2015 é uma reivindicação do movimento Bom Senso F.C.

Mas, após analisar o calendário, o grupo de jogadores que prega mudanças no futebol do país disse que tal regra é um “me engana que eu gosto”.

No ano passado, jogadores da primeira divisão nacional ameaçaram entrar em greve por causa da maratona de jogos. A conta vale apenas para as partidas disputadas nas competições organizadas no país.

Segundo o Bom Senso F.C., “não se trata de limitar o número de jogos dos atletas; é preciso organizar o calendário em torno dos clubes”.

A quantidade de jogos por ano deverá ser regulamentada por uma resolução de diretoria. A tendência é que seja incluída no regulamento geral das competições.

Caso o limite seja desrespeitado, o time ficará sujeito a sofrer uma infração disciplinar no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

Segundo o Bom Senso F.C., “o calendário não foi reestruturado, foi apenas espremido”, e “também tomou de 7 a 1”, em alusão à goleada sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo.

VEJA ABAIXO A CRÍTICA DO BOM SENSO F.C.

Aos 7:

1 – O calendário não foi reestruturado, foi apenas espremido. Com os campeonatos iniciando em 1º de fevereiro e terminando em 6 de dezembro, os clubes jogarão praticamente as mesmas datas em menos dias.

2 – Qualquer reestruturação significativa do calendário trataria de resolver a sua maior deficiência: a escassez de jogos dos clubes do interior. A maior parte dos clubes pequenos continua jogando menos de 20 partidas oficiais por ano, ao longo de pouco mais de três meses -o que significa desemprego para cerca de 12 mil jogadores de futebol.

3 – O formato de nenhuma das competições significativas foi alterado. Assim, um grande clube pode continuar fazendo inacreditáveis 84 partidas oficiais por ano, 43% a mais que qualquer clube alemão. Vale lembrar que o campeonato alemão tem média de público nos estádios três vezes maior que a nossa.

4 – Nas datas FIFA não há jogos de clubes, mas os há na véspera destas datas. Assim, a Seleção joga partidas das Eliminatórias da Copa do Mundo em terças-feiras e há jogos de clubes no Campeonato Brasileiro às quartas-feiras, por exemplo. Então basta torcermos para que nossos clubes não tenham jogadores de alto nível para não serem convocados, certo? Ou, em caso de tê-los, vemos o nosso campeonato enfraquecido sem a presença dos principais atletas em datas importantes. Ainda não entendemos como os patrocinadores e os próprios clubes admitem isso.

5 – O horário dos jogos continua fora da pauta. Vemos o metrô mudar os seus horários, mas não vemos a CBF zelar pelo bem daqueles que de fato sustentam o futebol, os torcedores. Conforme a audiência diminui, em breve veremos nossos campeonatos na sessão Coruja.

6 – Estabelece-se um limite de 65 jogos anuais por atleta em competições organizadas pela CBF e Federações. Esta é a famosa medida “me engana que eu gosto”. De onde veio este número 65, CBF? Quantos atletas disputaram mais que 65 jogos no ano passado? Já falamos algumas vezes: não se trata de limitar o número de jogos dos atletas; é preciso organizar o calendário em torno dos clubes. Deixar um atleta impedido de jogar não oferece tempo de treinamento para o aperfeiçoamento técnico e tático da equipe.

7 – Grande parte das rodadas do Campeonato Brasileiro continuam sendo em meios de semanas, quando seria mais interessante que todos elas, ou pelo menos a grande maioria, fossem em fins de semanas.

Ao 1:

1 – O quase mês de pré-temporada não foi inserido pensando na modernização do futebol brasileiro, qualificando-o tecnicamente, mas sim pensando no próprio umbigo, uma vez que a audiência do futebol no mês de janeiro tem caído vertiginosamente.

Folha Press

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