‘Virei uma página’: Casagrande narra como ficou um mês sem beber e sem se drogar na Rússia

Por Walter Casagrande, para Época

Faço tratamento para dependência química há dez anos. Um tratamento muito complicado, porque ele não termina. A gente sempre acha que está bom, e de repente acontece alguma coisa que te mostra que você está longe. A minha rotina não é fácil. Segunda é o dia que eu vou para a terapia em grupo. Eu tenho que fazer a minha programação da semana e contar como foi meu fim de semana. Nos outros dias, eu só vou se quiser. E eu vou todos os dias em que não tenho trabalho para fazer. Vou às terças, quintas e sextas. Saio com minhas psicólogas para jantar, vou com elas ao cinema na quinta, mas deixo tudo programado por escrito para me controlar.

Na Copa de 2014, eu ainda bebia. Fiquei fazendo happy hour, bebendo. Não usava mais droga, mas o álcool estava presente, e com o álcool vinha aquele pensamento de usar a droga. Me internei por sete meses, de setembro de 2015 a março de 2016. Não de ficar totalmente preso. Eu saía para fazer as transmissões dos jogos, saía para ir ao cinema, mas sempre acompanhado da minha psicóloga. Saía para ir ao teatro, me divertir, mas ia e voltava com a psicóloga. Fiquei sete meses dormindo na clínica, participando de grupos terapêuticos.

Saí da internação na clínica em março daquele ano de 2016 e fui cobrir a Olimpíada aqui no Brasil. Fiz a Olimpíada legal, tranquilo, sem problema algum, até porque não saía do hotel a não ser para fazer os jogos. Só saía para o que precisava. Naquela época conheci a Baby [do Brasil], inclusive, e nós saímos para jantar todos os dias lá na última semana da Olimpíada. Todo dia. Ela ficou numa de me cuidar mesmo, de me ajudar. Nós não estávamos namorando. Eu tinha tido contato com ela por pouco tempo. Foi realmente coisa de amigos.

No último dia, de encerramento da Olimpíada, eu tinha dois ingressos para assistir à final entre Brasil e Alemanha. Avisei minha psicóloga, ela foi para o Rio, e nós fomos eu, minha psicóloga e a Baby. Me toquei ali que tinha sido o primeiro evento que eu tinha passado sóbrio. Foi na Olimpíada de 2016. Mas ela foi no Brasil, então eu tinha recursos de psicólogos, amigos, tinha toda ajuda. Eu precisava de um evento grande, uma Copa do Mundo fora do Brasil, para que eu mesmo tivesse de resolver as coisas. Aí, sim, eu ia me sentir num patamar mais evoluído.

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