VÍDEO: Witzel critica generalização sobre corrupção na PM do Rio de Janeiro, fala em “levianas acusações” e manifesta repúdio

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Sem citar nominalmente Marcelo Crivella, o governador Wilson Witzel manifestou, na manhã desta quarta-feira, repúdio à acusação de corrupção na Polícia Militar feita pelo prefeito em um discurso para 80 servidores nesta terça-feira. Em um vídeo postado em uma rede social, Witzel afirmou que não admite e não aceita “qualquer tipo de declaração leviana que coloque em dúvida a integridade moral da atuação dos nossos comandantes, oficiais e praças”. E que “a PM merece respeito”.

O governador, que gravou o vídeo com um broche da Polícia na lapela do paletó, disse ainda que tem “integral confiança no trabalho desenvolvido pela instituição PM” E que “os resultados estão mostrando que não temos relação com nenhuma atividade de organização criminosa. O tráfico de drogas, milícias, todos estão sendo combatidos com rigor”.

Confira a fala do governador na íntegra:

“Senhores e senhoras PMS, oficiais e praças. Quero mais uma vez manifestar minha integral confiança no trabalho desenvolvido pela instituição PM. Não admito, não aceito qualquer tipo de declaração leviana que coloque em dúvida a integridade moral da atuação dos nossos comandantes, oficiais e praças. Os resultados estão mostrando que não temos relação com nenhuma atividade de organização criminosa. O tráfico de drogas, milícias, todos estão sendo combatidos com rigor. Manifesto meu repúdio a declarações em sentido contrário. Tem o meu apoio, a minha confiança e a nossa força policial merece respeito. Força e honra! Muito obrigado.”

A Polícia Militar também rebateu as acusações do prefeito. Em nota, o secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda, afirmou que é “lamentável e inacreditável que o prefeito do Município do Rio de Janeiro – uma cidade com problemas tão sérios a resolver – seja capaz de proferir declarações tão absurdas durante uma reunião pública.”

“Desprovido de senso de justiça e conhecimento dos fatos, o Sr. Marcelo Crivella ofendeu de forma cruel uma legião de 45 mil policiais militares. São homens e mulheres honrados que diariamente enfrentam a criminalidade para defender a sociedade. Muitos, como mostram as estatísticas, perderam suas vidas.”

“A Polícia Militar tem por tradição o compromisso de combater de forma intransigente os desvios de conduta de alguns de seus membros que optam por se aliar ao crime. São exceções e não regra.”

“Não há instituição tão rigorosa com os malfeitos do que a Polícia Militar. Se todas as instituições públicas tivessem o mesmo compromisso histórico, nosso país estaria hoje em outro patamar.”

“Em nome da corporação, registro meu veemente repúdio às declarações do Prefeito do Rio de Janeiro.”

“Lamentável e inacreditável que o prefeito do Município do Rio de Janeiro – uma cidade com problemas tão sérios a resolver – seja capaz de proferir declarações tão absurdas durante uma reunião pública.”

“Desprovido de senso de justiça e conhecimento dos fatos, o Sr. Marcelo Crivella ofendeu de forma cruel uma legião de 45 mil policiais militares. São homens e mulheres honrados que diariamente enfrentam a criminalidade para defender a sociedade. Muitos, como mostram as estatísticas, perderam suas vidas.”

Para uma plateia de cerca de 80 servidores, Crivella fez um discurso nesta terça-feira em que afirmou que o Rio é “uma esculhambação completa”. Ele chegou a dizer que PMs sobem o morro para pegar arrego, o que chamou de “o troco da cocaína”. Referiu-se ao VLT como “porcaria”. E voltou a atacar o carnaval.

Logo no começo, o prefeito disse que os morros estão dominados por bandidos com fuzis. Ele correlacionou a pobreza e a violência na cidade com a corrupção.

— Por que esses meninos (do tráfico) são tão valentes? É porque, quando o político rouba e fica rico, o comandante do batalhão também quer ficar rico. O coronel quer ficar rico. O tenente, o sargento querem ficar ricos. Aí, eles sobem o morro para pegar o arrego. O arrego é o troco da cocaína — disse.

Procurado após o evento, Crivella disse que a corrupção atinge apenas uma “parcela mínima” dos PMs.

O Globo