Diversos

ALARMANTE: O que ‘sinal de OK’ retratado como racista nas redes sociais revela sobre a ‘cultura de cancelamento’

Emmanuel Cafferty comemorou com as filhas e os netos o emprego ? que perdeu depois de cancelamento no Twitter. Foto: Arquivo Pessoal

No último dia 3 de junho, o americano Emmanuel Cafferty, de 47 anos, voltava para casa depois de mais um dia de trabalho. Sua rotina era passar entre 8 e 12 horas diárias em inspeções na rede subterrânea de gás e eletricidade da cidade de San Diego, na Califórnia. Era fim de tarde e fazia calor. No volante da caminhonete da empresa, ele mantinha a janela aberta, o braço esquerdo pendendo sobre a porta do veículo. Segundo Cafferty, ele estalava as juntas dos dedos da mão esquerda com displicência, o polegar alongando os demais dedos em direção à palma da mão, um tique que repetiu algumas vezes durante a entrevista com a BBC News Brasil.

“Foi nesse momento que um homem desconhecido, com um celular e uma conta de Twitter, virou minha vida de cabeça pra baixo”, contou Cafferty.

Fazia apenas uma semana que George Floyd, um homem negro e desarmado, havia sido morto por um policial branco em Minneapolis. As imagens do assassinato de Floyd causaram o que tem sido considerada a maior onda de protestos populares contra o racismo nos Estados Unidos. Nesse contexto, o estalar de dedos de Cafferty acabou interpretado por um motorista de outro veículo como um gesto específico, um símbolo usado por movimentos supremacistas brancos.

“Esse homem começou a buzinar e me xingar. Ele gritava: “Você vai continuar fazendo isso?” E sacou o celular para fotografar. Achei que eu talvez tivesse fechado ele no trânsito, por acidente. Mas estávamos os dois parados no semáforo, eu não estava entendendo nada”, relata Cafferty.

Duas horas após o incidente, seu supervisor telefonou para dizer que ele havia sido denunciado como racista nas redes sociais e estava sendo suspenso do trabalho, sem vencimentos. Uma hora mais tarde, seus colegas chegaram à sua casa para levar a caminhonete e o computador da empresa embora. Cinco dias depois, ele estava demitido.

“Foi assim que eu perdi o melhor emprego que já tive na vida”, diz Cafferty. Sem faculdade, filho de migrantes mexicanos, ele vivia sua versão do sonho americano. Ganhava US$ 41 por hora, o dobro do salário de seu emprego anterior, e tinha plano de saúde e de aposentadoria pela primeira vez na vida. Quando conseguiu a vaga, há seis meses, ele, as três filhas e os netos saíram para jantar em comemoração.

OK ou supremacia branca?

De acordo com Cafferty, ele não tinha ideia que o gesto a ele atribuído, comumente associado a “OK” nos Estados Unidos, pudesse ter conotação racista.

De acordo com a Anti-Defamation League, uma organização centenária que combate discursos de ódio, o símbolo de “OK” foi adotado em 2017 por usuários racistas em fóruns online como o 4chan. A própria organização recomenda cuidado na interpretação do sinal.

“Na esmagadora maioria das vezes, o gesto significa consentimento ou aprovação. Por isso, não se pode presumir que alguém que faça o gesto o esteja usando em um contexto de racismo, a menos que exista outra evidência contextual para apoiar esse entendimento. Desde 2017, muitas pessoas foram falsamente acusadas de ser racistas ou supremacistas brancas por usarem o gesto no seu sentido tradicional e inócuo”, alerta a organização.

É exatamente o que teria acontecido a Cafferty. Ou pior. “No meu caso, nem era um símbolo, só estava estalando os dedos. Mas um homem branco interpretou como um gesto parecido com OK, que seria racista e disse isso a meus chefes, também brancos, que decidiram acreditar nele, não em mim, que não sou branco”, afirmou exasperado, enquanto esfregava os braços para mostrar a cor de sua pele.

O autor da fotografia e do primeiro post contra Cafferty admitiu à equipe local da emissora americana NBC que pode ter exagerado na interpretação que fez do suposto gesto e que, apesar de ter marcado a empresa em que Cafferty trabalhava em seu post, não queria que ele fosse demitido. O usuário apagou a mensagem original e a própria conta de Twitter. Mas já era tarde, o post havia viralizado, o emprego estava perdido. A BBC News Brasil não conseguiu localizar o autor do primeiro post.

“Uma multidão de Twitter me cancelou. Já liguei para todos os meus ex-empregadores nessas seis semanas desde que aconteceu o episódio e ninguém me retorna. A primeira coisa que um empregador faz na hora de contratar é jogar seu nome no Google. O meu ficou ligado a esse episódio, não importa se estou certo ou não. Não sei como vou seguir a vida daqui pra frente”, desabafa. Ele tem tido que fazer terapia semanalmente para lidar com a dor e o medo que tem sentido.

Multidão online, efeitos offline

O caso de Cafferty é emblemático do que tem sido considerado um efeito colateral perigoso da cultura do cancelamento. O movimento começou, há alguns anos, como uma forma de chamar a atenção para causas como justiça social e preservação ambiental, uma maneira de amplificar a voz de grupos oprimidos e forçar ações políticas de marcas ou figuras públicas.

Funciona assim: um usuário de mídias sociais, como Twitter e Facebook, presencia um ato que considera errado, registra em vídeo ou foto e posta em sua conta, com o cuidado de marcar a empresa empregadora do denunciado e autoridades públicas ou outros influenciadores digitais que possam amplificar o alcance da mensagem. É comum que, em questão de horas, o post tenha sido replicado milhares de vezes.

A cascata de menções a uma empresa costuma precipitar atitudes sumárias para estancar o desgaste de imagem, sem que a pessoa sob ataque possa necessariamente se defender amplamente.

“No meu caso, eles me ouviram uma vez e logo já me demitiram. Fica parecendo que concluíram que eu era racista mesmo”, afirma Cafferty. A BBC News Brasil procurou a empresa SDG&E, onde ele trabalhava, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. Em resposta às denúncias de usuários contra Cafferty no Twitter, a empresa afirmou que “acredita firmemente que não há espaço na sociedade para discriminação de qualquer tipo” e que havia iniciado uma investigação sobre a conduta do funcionário”.

O cancelamento é mais do que a trollagem típica de internet, eventualmente com insultos coordenados, frequente em disputas de opinião entre usuários das redes. É um ataque à reputação que ameaça o emprego e os meios de subsistência atuais e futuros do cancelado. Extremamente frequente nos Estados Unidos, ela hoje abate anônimos, gente comum como Cafferty.

“Você pode ser cancelado por algo que você disse em meio a uma multidão de completos estranhos se um deles tiver feito um vídeo, ou por uma piada que soou mal nas mídias sociais ou por algo que você disse ou fez há muito tempo atrás e sobre o qual há algum registro na internet. E você não precisa ser proeminente, famoso ou político para ser publicamente envergonhado e permanentemente marcado: tudo o que você precisa fazer é ter um dia particularmente ruim e as consequências podem durar enquanto o Google existir”, definiu o colunista do The New York Times Ross Douthat em uma coluna sobre cancelamento há alguns dias.

O fenômeno acontece também no Brasil, mas frequentemente tem como alvo famosos. Um exemplo recente de cancelamento foi o da blogueira Gabriela Pugliesi. Depois de postar imagens de uma festa que deu em sua casa, em abril, em meio a uma quarentena por conta da epidemia de coronavírus, uma multidão online passou a cobrar as marcas que a patrocinavam para que rescindissem os contratos de publicidade com ela. Pugliesi perdeu pelo menos cinco contratos e seu prejuízo teria superado os R$ 2 milhões.

Injustiças no movimento por justiça social?

O alcance da cultura do cancelamento nos Estados Unidos tem gerado questionamentos sobre a possibilidade de que injustiças sejam cometidas.

Cafferty não é um caso único. No fim de maio, um pesquisador contratado por uma consultoria política progressista compartilhou no Twitter o resultado de um estudo que indicava que, nos anos 1960, protestos raciais violentos aumentavam o percentual de votos em candidatos republicanos, enquanto atos pacíficos favoreciam políticos democratas nas urnas. Ativistas consideraram que seu comentário era uma reprimenda aos atos pela morte de George Floyd e passaram a exigir sua demissão. O pesquisador foi demitido dias mais tarde.

No último mês, uma professora de teatro em Nova York foi acusada de ter cochilado durante uma reunião online para tratar de ações por justiça racial no curso. Uma petição assinada por quase duas mil pessoas pede sua demissão, acusando-a de racista. A professora nega e alega que apenas descansava as vistas olhando momentaneamente para baixo quando a foto foi feita.

No começo de junho, um migrante palestino, dono de uma rede de padarias que emprega 200 pessoas em Minnesota, se tornou alvo depois de serem encontrados — e divulgados — na internet posts racistas e antissemitas de sua filha, adolescente quando os escreveu. Apesar de ter demitido a filha, hoje adulta, da empresa, seus compradores cancelaram os contratos e ele perdeu linhas de crédito. O negócio pode não sobreviver.

Diante do que qualificaram como “atmosfera sufocante”, um grupo de 150 jornalistas, intelectuais, cientistas e artistas, considerados progressistas, resolveu publicar, na Harper’s Magazine, há duas semanas, um texto intitulado “Uma carta sobre Justiça e Debate Aberto”. Assinada por nomes de peso, como o linguista Noam Chomsky, os escritores J.K. Rowling e Andrew Solomon, a ativista feminista Gloria Steinem, a economista trans Deirdre McCloskey, e o cientista político Yascha Mounk, a carta afirma que “a livre troca de informações e ideias, força vital de uma sociedade liberal, tem diariamente se tornado mais restrita. Enquanto esperávamos ver a censura partir da direita radical, ela está se espalhando também em nossa cultura: uma intolerância a visões opostas, um apelo à vergonha pública e ao ostracismo e a tendência de dissolver questões políticas complexas com uma certeza moral ofuscante”.

Na mesma toada, uma das editoras de opinião do jornal The New York Times, Bari Weiss, se demitiu essa semana por meio de uma carta aberta, na qual acusa a publicação de promover um “novo macartismo”, em referência à patrulha ideológica anticomunista dos anos 1950 nos Estados Unidos. “Artigos publicados com facilidade há apenas dois anos, agora colocariam um editor ou autor em apuros. Isso se ele não for demitido. Se um texto é percebido como provável fonte de reação interna ou nas mídias sociais, o editor sequer o publica”, escreveu Weiss, contratada pelo New York Times pouco depois da eleição de Trump em 2016, em um esforço para amplificar a diversidade de vozes no diário..

A demissão de Weiss acontece semanas após a de seu chefe, James Bennet, que optou por publicar um artigo do senador republicano Tom Cotton que defendia o uso do Exército americano para reprimir as manifestações pelos direitos dos negros. O artigo foi considerado “fora dos padrões” pelo New York Times.

Em um artigo para a revista The Atlantic, em que cita o caso de Cafferty, o cientista político Yascha Mounk explica porque assinou o manifesto. Mounk aplaude o que chama de “nova determinação americana” para desenraizar preconceitos da sociedade. “No entanto, seria um erro enorme, especialmente para aqueles que se importam com justiça social, considerar o que aconteceu com Cafferty como um detalhe menor ou o preço a ser pago pelo progresso”, escreveu Mounk.

A resposta à carta dentro do movimento progressista não tardou. Um grupo de jornalistas, artistas e intelectuais acusou os autores da primeira carta de, do alto de seu sucesso profissional e posição confortável no mercado, ignorar as dificuldades de minorias, como negros e população LGBT, no debate público no mundo acadêmico, nas artes, no jornalismo, no mercado editorial.

“Os signatários, muitos deles brancos, ricos e dotados de plataformas enormes, argumentam que têm medo de ser silenciados, que a chamada cultura do cancelamento está fora de controle e que eles temem por seus empregos e pelo livre intercâmbio de ideias, ao mesmo tempo em que se manifestam em uma das revistas de maior prestígio do país”, afirmam os signatários do novo documento, intitulado “Uma carta mais específica sobre Justiça e debate aberto”. Alguns dos apoiadores do texto preferiram ficar anônimos, citando apenas a instituição em que trabalham, por medo de represálias.

Os autores citam ainda nominalmente alguns de seus antagonistas: mencionam que J.K. Rowling esteve recentemente envolvida em um debate sobre a palavra “mulher”. Ao comentar um texto que mencionava “pessoas que menstruam”, ela afirmou: “Se sexo biológico não é real, a realidade vivida por mulheres globalmente é apagada. Eu conheço e amo pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo (biológico) remove a capacidade de muitas pessoas discutirem o significado de suas vidas. Falar a verdade não é discurso de ódio”. Sua afirmação foi considerada transfóbica e duramente criticada. Os autores da segunda carta dizem ainda que negros e trans que assinaram a primeira carta serviram como álibi para os brancos signatários não serem considerados racistas.

A disputa política em torno da questão deve ser longa e aguerrida. Alheio à ela, Cafferty tenta recuperar seu emprego. Ele está processando a empresa onde trabalhava e o homem que o fotografou, mas não há expectativa de que haja uma veredicto para a questão em menos de um ano. Cafferty se diz simpático aos movimentos por justiça racial, mas afirma nunca ter tido qualquer atuação política ao longo da sua vida. “Nem conta de Twitter eu tinha até ser cancelado”, diz.

UOL, com BBC

Opinião dos leitores

  1. Essa história de racismo já chegou em nível de radicalismo tal que vai aumentar somente a violência urbana e respingar sob todos nós , lamentavelmente. Temos que formar essa cultura de respeito racial mútuo nas escolas com nossas crianças e adolescentes. É um trabalho de médio e longo prazo.O resto por enquanto a justiça resolve , somos todos iguais !

  2. Esse povo usa qualquer coisa pra relacionar o racismo e a politica. Esse tipo de conduta vai provocar novos preconceitos, atrasos e violencia. Por isso nunca fui a favor de cotas que recriam os tribunais raciais. Estao plantando algo pessimo para o futuro, talvez pior que o passado. Moralismo com cara de politica oportunista e destrutiva.

    1. Com Ctza não é negro pois se fosse já estaria chato pra nao dizer imoral.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Ex-nora de Lula e amigo da família levaram ao Planalto empresário alvo da PF

Foto: EBC

Dois lobistas ligados à família do presidente Lula (PT) estiveram no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025 enquanto recebiam pagamentos de um empresário interessado em influência no governo federal,  segundo reportagem do UOL.

Kalil Bittar, amigo da família, e Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, fizeram ao menos dez visitas ao Planalto no período, sem registro de compromissos nas agendas oficiais.

Três dessas visitas envolveram diretamente o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, empresa investigada por superfaturamento em contratos com prefeituras paulistas. Em dezembro de 2023, Kalil acompanhou Mariano e o então secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Gomes de Moraes, em reunião com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola).

Segundo a Polícia Federal, Mariano repassou R$ 210 mil aos lobistas entre 2022 e 2024. Dois dias após uma visita ao Planalto, ele transferiu R$ 30 mil a Kalil Bittar. O inquérito aponta ainda que o empresário bancou viagens, passagens e hospedagens em Brasília para facilitar o acesso a autoridades.

A investigação indica que a atuação do grupo esteve ligada à liberação de verbas, contratos e decisões administrativas. Entre 2022 e 2025, a prefeitura de Hortolândia pagou R$ 33 milhões à Life Educacional por livros e kits educacionais, segundo o TCE-SP. A PF sustenta que a empresa pagava agentes públicos e lobistas para garantir contratos.

Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, dono do sítio de Atibaia, e filho de Jacó Bittar, fundador do PT e aliado histórico de Lula. Carla Trindade, que atuava na prefeitura de Hortolândia, teria viajado várias vezes a Brasília com despesas pagas por Mariano. Ela foi casada por 20 anos com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho adotivo de Lula.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Planalto afirmou que servidores federais devem receber representantes de entes públicos, do setor produtivo e da sociedade civil, dentro da lei e do código de ética. As defesas de Kalil e Carla negaram atuação como lobistas e disseram que as visitas foram de cortesia ou sem pauta comercial. O advogado de Mariano informou que se manifestará no processo.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VÍDEO: Caminhada de Nikolas chega ao DF; deputado usa colete à prova de balas após ameaças feitas contra ele

A caminhada do deputado Nikolas Ferreira (Republicanos-MG), que começou na segunda-feira (19), chegou na tarde deste sábado (24) ao Distrito Federal. Um vídeo, publicado por Nikolas nas redes sociais, mostra a chegada do movimento ao estado central do país.

Segundo apurado pela rádio Itatiaia, Nikolas começou a usar um colete à prova de balas nos últimos dias do movimento promovido por ele em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra as ações do Supremo Tribunal Federal (STF).

A assessoria do parlamentar alega que o uso do colete, preventivamente, se deve a ameaças recentes feitas contra ele. A origem e a autoria das supostas ameaças não foram divulgadas.

Nikolas Ferreira saiu na segunda-feira (19) do município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, na capital federal. O gesto simbólico do parlamentar, após ser amplamente divulgado nas redes sociais, ganhou a adesão de outros membros do Congresso, apoiadores de Bolsonaro e também de eleitores do deputado federal.

A expectativa é que a manifestação, que seguiu pela BR-040, seja encerrada no domingo (25), na Praça do Cruzeiro, em Brasília.

Segundo o deputado, o objetivo do ato simbólico é protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e preso no Complexo da Papuda, em Brasília.

CNN Brasil

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

CPMI do INSS recebe em massa da Receita dados fiscais sigilosos

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A CPMI do INSS recebeu este mês da Receita Federal uma série de informações fiscais protegidas por sigilo: só nos últimos 10 dias, foram encaminhados dados de mais de 60 pessoas físicas e jurídicas que interessam à investigação do colegiado. A informação é da coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo.

Na lista, está André Luiz Martins Dias, ex-secretário parlamentar do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e apontado como intermediário direto em transações financeiras.

Também aparecem familiares de Thaisa Hoffmann Jonasson, mulher do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antonio Filho e apontada por parlamentares como laranja em um esquema de desvio de recursos.

Outra que teve seus dados fiscais enviados é Ana Aguilera Gomes, mulher de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil, associação acusada pela Polícia Federal de realizar descontos indevidos em aposentadorias.

Lauro Jardim, O Globo

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

ABC e América empatam sem gols no primeiro Clássico Rei do ano

Foto: Gabriel Leite/América FC

O primeiro clássico entre ABC e América em 2026 terminou sem gols. O 0 a 0, na Arena das Dunas, pelo Campeonato Estadual, refletiu um jogo equilibrado. O ABC acertou três bolas na trave americana.

Com o resultado os rivais seguem na ponta da tabela com 10 pontos, cada, com o América levando vantagem no número de gols marcados como critério de desempate.

O empate também manteve uma invencibilidade do América na Arena das Dunas, onde não perde pelo Estadual desde 2023.

Na próxima rodada, o América encara o QFC. O local da partida ainda será definido. À princípio, a partida está marcada para sábado (31), às 16h.

O ABC viaja até Currais Novos para enfrentar o Potyguar Seridoense, no estádio Bezerrão, no sábado, dia 31, às 19h.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VÍDEO: Câmeras de segurança flagram ‘resgate’ de fugitivo da polícia em Extremoz

Imagens obtidas com exclusividade pelo Via Certa Natal mostram o momento em que o homem que era procurado pela política em área de mata às margens da BR-101 Norte, na região de Extremoz, foi ‘resgatado’ em um Ford Ka de cor prata, no residencial Moinho dos Ventos.

Ele é um dos envolvidos no roubo de um veículo na noite de sexta-feira (23), em Nova Parnamirim, em uma ação criminosa na qual a vítima também foi agredida. O criminoso havia sido identificado pela polícia quando seguia no veículo roubado em direção ao litoral norte do RN. O veículo abandonado e recuperado pela polícia. Mas o homem fugiu pela mata até ser resgatado por comparsas.

Opinião dos leitores

  1. Temos bons políciais. O problema tá na cúpula da segurança pública, Fátima Coveira, Araújo e Alarico.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Com US$ 91 milhões em vendas, ouro se torna o 4º principal produto de exportação do RN em 2025

Foto: AURA MINERALS/DIVULGAÇÃO

A extração de ouro colocou o mineral entre os principais produtos da pauta de exportações do Rio Grande do Norte em 2025, com o início da exploração do mineral. Com vendas externas de US$ 91,2 milhões, o ouro passou a ocupar o 4º lugar no ranking estadual, respondendo por 8,4% de tudo o que o RN exportou no ano.

Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Observatório Mais RN (Fiern), o mineral representou 94% de todo o volume exportado pelo grupo de pedras e metais preciosos e semipreciosos, que registrou crescimento de 1.688% em relação a 2024.

O avanço está diretamente ligado ao início das operações do Projeto Aura Borborema, em Currais Novos, que começou a produzir em junho e entrou em fase comercial apenas em outubro. Mesmo com poucos meses de atividade plena, os números já foram considerados expressivos pelo governo estadual.

A expectativa é de que, em 2026, a mina opere em capacidade total, com produção estimada em 83 mil onças de ouro por ano, o que pode aproximar o mineral do principal item de exportação do estado, atualmente o petróleo.

Além do impacto nas exportações, o ouro também liderou a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em 2025. Dos R$ 12,64 milhões arrecadados com mineração no RN, R$ 6,96 milhões (52,9%) vieram da extração de ouro em Currais Novos.

O projeto gera cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos e pode ter sua vida útil ampliada de 11 para até 30 anos, caso avancem as negociações para a exploração de um novo depósito próximo à BR-226.

Com a valorização do ouro no mercado internacional e o aumento da produção local, a expectativa do setor é de crescimento ainda mais forte nos próximos anos.

Com informações de Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VÍDEO: Multidão se junta a Nikolas Ferreira em caminhada até Brasília

Milhares de pessoas têm se somado, ao longo dos últimos dias, à caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que segue para uma manifestação final na Praça do Cruzeiro, localizada no Eixo Monumental de Brasília, mas distante 6 quilômetros da Praça dos Três Poderes.

O movimento, que chega ao penúltimo dia neste sábado, 24, ganhou força nas redes sociais e passou a atrair apoiadores de diferentes regiões do país. A caminhada convocada por Nikolas tem sido tratada por aliados como um ato simbólico de mobilização da direita, com discursos em defesa de “liberdade”, “justiça”, liberação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão e críticas ao governo Lula.

Mais cedo, Nikolas afirmou que foram identificadas tentativas de infiltração durante o trajeto. Segundo o deputado, pessoas ligadas ao PT teriam tentado se misturar ao grupo com itens como bandeiras e equipamentos, o que levou a orientações para que os manifestantes mantivessem organização e seguissem as recomendações das forças de segurança.

Segundo o deputado, haveria registros dessas pessoas comprando itens que, na avaliação dele, seriam usados para simular participação no ato: “Tem vídeo deles comprando coisas, comprando pilha para o megafone, uma bandeirinha do Brasil, para poder fingir que era um dos nossos”.

Revista Oeste

Opinião dos leitores

    1. Petista é bicho atrevido e cara de pau.
      A esquerda defende a criminalidade.
      Fato público e notório.
      Em quem votam maconheiros e traficantes de drogas?

  1. Joga uma carteira de trabalho aí que corre tudinho. Bocado de desocupados, deviam estar trabalhando nos empreendimentos dos direitistas bolsonaristas e não caminhando ao longo da semana. Direitista é tudo igual, faz de tudo pra não trabalhar.

  2. Se a esquerda fizer uma caminhada igual a do Nikolas, a polícia recupera 70% dos foragidos dos presídios kkkk

    1. E os outros 30% continuam na papudinha ( Bolsonaro e demais)….. Graças a Deus na fazemos parte nem dia 70 nem dos 30 por cento, somos mais inteligentes…… E só assistimos a derrocada de ambas as partes …. Fica a dica

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VÍDEO: Polícia faz buscas por criminosos que roubaram carro e agrediram proprietária do veículo

 

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por ZN NEWS (@znnewss)

Dois criminosos estão sendo caçados pelas forças de segurança do Rio Grande do Norte neste sábado (24), na região de Extremoz, na BR-101 Norte. Os bandidos tomaram um carro de assalto em um posto de combustíveis na Av. Maria Lacerda, Nova Parnamirim, na noite dessa sexta-feira (23), e agrediram a proprietária do veículo.

O grupo de criminosos era formado por dois homens e uma mulher, essa a mais agressiva com a vítima.
Na manhã deste sábado (24), os três seguiam no carro roubado para uma praia no litoral norte. Como a polícia estava em diligência com os dados do automóvel, identificou e entrou em ação para a prisão e recuperação do carro.

Na fuga, eles entraram em confronto com os policiais, a mulher foi atingida, socorrida, mas não resistiu. A operação conta com o apoio do helicóptero do Ciopaer e da PRF, na rodovia federal de acesso ao litoral norte.

Com informações de BZ Notícias e imagens de Via Certa Natal

Opinião dos leitores

  1. Pronto, essa moça não será mais agressiva com ninguém. Garanto que o capeta vai da um jeito nela.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Caso Master provocou abalo de confiança generalizado nas instituições do Brasil, diz The Economist

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O colapso do Banco Master expôs um escândalo que ultrapassa o setor financeiro e revelou ligações entre banqueiros, políticos e integrantes do Judiciário em Brasília, segundo análise da revista britânica The Economist. Para a publicação, o episódio abalou a confiança nas instituições brasileiras.

De acordo com a revista, Daniel Vorcaro, que assumiu o controle do banco em 2019, mantinha um padrão de vida luxuoso enquanto o Master crescia oferecendo CDs com juros muito acima do mercado. Depois, veio à tona que a instituição não tinha liquidez e havia vendido ativos sem valor por bilhões de dólares.

A fragilidade ficou clara quando o Master tentou ser vendido ao BRB (Banco Regional de Brasília). O maior impacto financeiro recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá pagar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões aos depositantes — a maior indenização da história do fundo no Brasil. A revista lembra ainda que Vorcaro chegou a ser preso ao tentar deixar o país.

O caso ganhou dimensão política quando parlamentares e o Tribunal de Contas passaram a questionar a decisão do Banco Central de liquidar a instituição, em uma interferência considerada incomum. Investigações apontaram relações próximas do banco com políticos do Centrão e ministros do STF, reforçando a percepção pública de falta de imparcialidade.

Apesar da crise, a The Economist destaca que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, saiu fortalecido, ao resistir às pressões políticas e defender maior autonomia da autoridade monetária.

Opinião dos leitores

  1. Abalo de confiança foi inventar um golpe fajuto para tirar Bolsonaro da política, sacrificando um monte de gente. As provas que não tem crédito algum estão aparecendo. Que credibilidade tem uma instituição onde o indivíduo é vítima, investigador e julgador? É o mesmo que ter envolvimento com o banco Master e estar conduzindo as investigações, simples assim.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Medicamentos à base de cannabis batem recorde de autorização de importação em 2025

Óleo de canabidiol, usado no tratamento de doenças como epilepsia e esquizofrenia | Foto: Ekkapon/Adobe Stock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) bateu em 2025 o recorde de autorizações para importar medicamentos à base de cannabis. No ano passado, o órgão autorizou 194,7 mil importações, média de 533 por dia. Em 2015, quando a medida foi liberada, a média era de apenas duas aprovações diárias.

O crescimento foi de 16% em relação a 2024, quando a agência deu aval a 167,3 mil solicitações de pacientes para importar remédios à base de cannabis.

Neste ano, a Anvisa vai revisar a regulamentação de produtos à base de cannabis, publicada em 2019. Uma das propostas em discussão previa a manipulação desses medicamentos em farmácias, mas a Anvisa retirou esse trecho do texto submetido à diretoria.

Além da autorização à manipulação dos remédios à base de cannabis, o órgão regulador decidirá sobre o registro desses medicamentos dermatológicos e administrados por via bucal e sublingual. Até então, só são permitidos os usos oral e inalatório.

Governo federal tem até março para apresentar regras de cultivo de cannabis

Em outra frente, o governo Lula tem até março para apresentar ao Superior Tribunal de Justiça um regulamento para o cultivo de cannabis para fins medicinais. Em outubro, a meia hora do prazo final, a Advocacia-Geral da União pediu à Corte mais tempo para definir as regras, como mostrou a Coluna do Estadão

Uso medicinal da cannabis

Medicamentos derivados da cannabis são usados no tratamento de diversas doenças, a exemplo de esquizofrenia e epilepsia. Geralmente, a base da preparação é o canabidiol (CBD), que não tem efeito psicoativo. Essa ação neurológica da planta acontece por causa de outro composto da cannabis, o tetrahidrocanabinol (THC), que tem uso muito mais restrito em remédios.

A Anvisa passou a autorizar a venda no País de medicamentos à base da planta em 2019, mas os remédios são caros e produzidos por poucos laboratórios, o que faz com que a procura pela importação siga crescendo.

Estadão Conteúdo

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *