Bolsa cai mais de 10% e ‘circuit breaker’ é acionado; dólar sobe a R$ 5,12

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A Bolsa brasileira interrompeu as negociações no início desta tarde após o Ibovespa ter registrado queda superior a 10%. Às 13h18m, quando a perda era de 10,26%, foi acionado o circuit brekar. Assim, as negociações ficam suspensas por meia hora. No exterior, os índices também operam com fortes perdas.

É a sexta vez em oito pregões que o mecanismo é acionado.

O dólar opera pressionado, mesmo após o anúncio de vários pacotes de estímulo no exterior e no Brasil na véspera. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,205. Após duas intervenções do Banco Central (BC), que anunciou também uma nova modalidade de atuação no câmbio, a cotação cedeu um pouco. Às 13h20, a moeda americana subia 2,32%, valendo R$ 5,122.

Após a forte disparada do dólar, o BC anunciou que faria leilões de dólar no mercado à vista. Além disso, informou que faria uma atuação via operações compromissadas com títulos da dívida externa brasileira. Nessa modalidade, também conhecida como ‘repo’, o BC compra bônus da dívida brasileira denominados em dólar com o compromisso de revenda em 30 dias. O objetivo é amenizar a instabilidade do mercado.

O Brasil tem um estoque de US$ 31 bilhões em títulos soberanos. O total a ser comprado vai depender da demanda, mas o Banco Central tem a disposição de comprar tudo, se houver as condições.

Em Wall Street, o Dow Jones perde 6,88%. O S&P e o Nasdaq caem, respectivamente, 6,26% e 4,96%. Na Europa, o cenário é o mesmo.

O FTSE 100 (Londres) e o DAX (Frankfurt) operam com variação negativa de, respectivamente, 3,41% e 4,54%. As Bolsas da Espanha (Ibex 35) e da França (CAC), países que ordenaram quarentenas mais restritivas à população, caem 3,42% e 5,15%, cada.

Por sua vez, também para acalmar os mercados, o Tesouro Nacional anunciou nova rodada de leilões de compra e venda de títulos públicos.

— O mercado está contrabalanceando as medidas de estímulo anunciadas por vários governos, como Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, o que pesa no lado positivo. Na parte negativa, avaliam os possíveis impactos econômicos das restrições de pessoas e do comércio global. O mercado ainda não vê um ponto de inflexão que aponte para uma melhora do cenário — avalia Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

As tensões relacionadas à pandemia de coronavírus seguem levando muitas distorções aos mercados, impossibilitando que gestores e investidores tenham um cenário mais claro sobre quais decisões devem ser tomadas.

— O grande problema atualmente é a extrema incerteza. Até agora, ninguém consegue mensurar os impactos na economia de países paralisados por conta da pandemia de coronavírus. Ninguém consegue dimensionar o tamanho do prejuízo, por isso tamanha volatilidade — indica Danilo Cápua, sócio da Guelt Investimentos.

O mercado de ações voltou a cair na Ásia também. A Bolsa de Tóquio recuou 1,68%, seu pior fechamento desde novembro de 2016.

O Globo