Diversos

‘Brasil não é Bolsonaro’ e acordo Mercosul-UE trará ‘controle’ sobre Amazônia, diz relator do Parlamento Europeu

Foto: Divulgação, via BBC News Brasil

A missão do eurodeputado espanhol Jordi Cañas, relator do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul no Parlamento Europeu, começou a ficar difícil desde junho do ano passado, quando os dois blocos comemoraram um entendimento depois de 20 anos de idas e voltas comerciais.

De lá para cá, o Brasil se tornou alvo constante de críticas internacionais que miram especialmente a gestão ambiental do governo de Jair Bolsonaro.

Os revezes no caminho do relator, que trabalha para que o acordo seja ratificado por todos os países dos dois blocos, começaram com a negação do presidente à onda de incêndios de 2019 na Amazônia — Bolsonaro, que dizia que não havia fogo, chegou a culpar ONGs pelas chamas — e ganharam corpo com o avanço do desmatamento, que alcançou recorde de mais de 10 mil km² nos primeiros nove meses de governo Bolsonaro e continua crescendo há 14 meses consecutivos segundo o Deter, sistema do governo que mede o ritmo da destruição de matas no país.

Outra pedra no caminho do acordo foi a declaração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre aproveitar a pandemia para “passar a boiada” por meio do relaxamento de regras ambientais. Em junho, a fala foi criticada em uma carta assinada por dezenas de parlamentares europeus alarmados com as políticas ambientais no Brasil. E em pelo menos dois países, Áustria e Holanda, os Parlamentos locais aprovaram moções contrárias à ratificação do acordo.

“Mais preocupante é que esses comentários apareçam em um momento em que as pessoas estão, de forma compreensível, distraídas com a pandemia de coronavírus”, dizia o texto.

“O Brasil não é Bolsonaro”, diz Canãs — mais de uma vez — em entrevista por telefone à BBC News Brasil, em referência à natureza do acordo: um tratado entre países, não entre governos, com efeitos a longo prazo para além da situação política atual.

À reportagem, critica Bolsonaro (“Por suas declarações, parece ir em linha contrária ao que acreditamos ser bom”) e o presidente francês Emmanuel Macron, (“é preciso ser respeitoso com a independência e a autonomia de um país”), e diz que a ratificação do acordo significará um controle maior sobre a preservação da Amazônia.

“Estou convencido de que a Amazônia estará mais protegida com um acordo com a União Europeia do que com um não-acordo com uma China que não se importa em nada em como se exploram os recursos”.

O eurodeputado também fala sobre o forte lobby de produtores europeus contrários ao acordo, os riscos do enfraquecimento do multilateralismo e faz uma mea culpa sobre a visão “muito carregada de preconceitos e informações estereotipadas” dos europeus sobre os latino-americanos.

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil – O anúncio do acordo acaba de completar um ano. Quais são as principais tensões e as discussões mais sensíveis neste momento?

Jordi Cañas – Completa-se um ano de acordo, um ano muito intenso em todos os níveis. O acordo já está finalizado, a parte comercial foi assinada pelos dois lados. Tudo o que precisava ser acordado entre Mercosul e União Europeia foi acordado e neste momento acontece o processo de ratificação, por parte dos países dos dois lados.

Há declarações políticas apontando que ainda se poderia modificar o acordo. Mas, não, o acordo, pode-se dizer no dia de hoje, está fechado definitivamente.

Agora vamos ver como caminharão os próximos passos — há processos e burocracias em nível técnico e documental que podem tomar tempo, além do processo de ratificação.

BBC News Brasil – Mas é necessária unanimidade para que se ratifique o acordo e imagino que existem várias tensões políticas neste momento. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, costuma ser citado por membros da União Europeia por tensões na área ambiental. Como as medidas tomadas por Bolsonaro desde o anúncio da assinatura do acordo, há um ano, reverberam hoje entre os países europeus?

Jordi Cañas – Não podemos negar que o acordo e a ratificação enfrentarão dificuldades durante este ano. Como você disse, aconteceram muitas coisas: as declarações do presidente (Emmanuel) Macron no verão passado, por conta dos incêndios na Amazônia. Um tema que aparece recorrentemente é a questão do meio ambiente por parte do governo brasileiro.

Algumas ideias merecem consideração: o acordo é entre blocos. É uma relação entre países, não entre governos. O Brasil não é Bolsonaro. Bolsonaro é presidente do Brasil, que assim decidiu em eleições democráticas. Mas o Brasil não é Bolsonaro. Bolsonaro é presidente, Brasil é um país.

Pessoalmente, insisto muito neste conceito. Se me perguntar sobre Bolsonaro, eu posso ter uma opinião sobre suas declarações e sobre as decisões que seu governo adotou. Mas o que precisamos fazer é avaliar o que significa um acordo de associação entre os países da União Europeia e do Mercosul, uma associação estratégica, chave, que gera um vínculo transatlântico fundamental a curto, médio, e longo prazo, em nível político, comercial, social, econômico, sem dúvida, e em nível humano.

Então precisamos ser justos ao analisar o acordo e dissociá-lo de situações políticas, de governos dos países que fazem parte. Não podemos confundir isso: se o fazemos, é com intensão política, evidentemente.

BBC News Brasil – Um ano depois da assinatura, alguns países têm se mostrado resistentes ao acordo.

Jordi Cañas – É lógico que há dinâmicas políticas nacionais na França, na Áustria, na Holanda, que refletem algumas das mudanças, ou posturas e opiniões que foram se desenrolando ao longo deste ano.

Então, sim, temos que ter clareza de que temos visto uma intensificação do debate sobre meio ambiente. É fato que há uma sensibilidade especial sobre o meio ambiente e o impacto que os acordos comerciais têm sobre o mesmo.

Mas também é certo que o acordo nos permite ter instrumentos de relação política que podem nos ajudar a tentar resolver ou abordar conjuntamente aspectos que não são comuns. Há algumas decisões do governo Bolsonaro que não compartilho, porém, o Brasil é um dos signatários do acordo (do Clima) de Paris. E no acordo de associação entre União Europeia e Mercosul o cumprimento do acordo de Paris (que prevê que os países signatários devem atingir metas de redução de emissões de CO2, eliminado na atmosfera especialmente pela queima de combustíveis fósseis e madeira, e responsável pelo aquecimento global) está especificamente destacado. E é vinculante.

Então, frente às dúvidas legítimas que se suscitam: como poderemos garantir a defesa do meio ambiente, a defesa da Amazônia, a defesa das comunidades indígenas, o cumprimento e implementação de regras de trabalho e sanitárias? Com acordo ou sem acordo?

E o comércio já existe! O Brasil, a Argentina e o Paraguai exportam soja para a Europa. O Brasil e a Argentina, exportam carne à Europa. Há muitos que parecem ignorar que o comércio existe. Oque o acordo comercial faz é reduzir tarifas alfandegárias, estabelecer cotas, dar garantias, definir um marco de regras comuns. Em um momento de instabilidade global, isso parece necessário.

E ele também incorpora um capítulo político muito importante, que estabelece regras específicas sobre direitos humanos, direitos de minorias, respeito ao meio ambiente. E é evidente que se houver uma associação entre dois grupos, como UE e Mercosul, sera mais fácil estabelecer políticas comuns. E, sobretudo, teremos ferramentas para poder exigir o cumprimento de nossos compromissos.

É melhor um acordo ou um não acordo? Como poderemos contribuir para controlar os incêndios na Amazônia? Com declarações e resoluções do Parlamento Europeu, ou com um instrumento que é um acordo político, comercial, como o que adotamos?

Sinceramente, é muito melhor estar dentro de um acordo do que fora dele.

BBC News Brasil – O senhor acredita que o acordo ajudaria a controlar ou evitar políticas excessivas em relação ao meio ambiente no Brasil?

Jordi Cañas – É claro que todos nós estamos preocupados com o meio ambiente. Mas temos que entender que todos os países têm direito a ter desenvolvimento econômico. E todos queremos que este desenvolvimento seja sustentável, porque este é o único crescimento realmente capaz de trazer riqueza à população de um país.

Para que este crescimento sustentável tenha elementos de controle, é muito melhor que haja um acordo. Mas não só para controlar, também para colaborar. Há palavras que são muito importantes: respeito, colaboração, acordos e discursos.

Estou convencido que a maioria da população brasileira quer conservar sua riqueza ambiental, sua biodiversidade. E estou convencido que esta mesma população quer ter um desenvolvimento sustentável. Bom, a União Europeia tem que contribuir, ajudar, colaborar com isso. E é evidente que um acordo político-comercial, um acordo de associação, é um instrumento para ter espaços de diálogo, cooperação, debate e ajuda.

BBC News Brasil – Pergunto isso porque o presidente Bolsonaro acusa países europeus de interferência na Amazônia. Por exemplo, já disse isso ao presidente Macrón, da França, que ele feria a autonomia e a soberania nacional do Brasil. “Controle” é um termo contra o qual o presidente brasileiro costuma reagir.

Jordi Cañas – Vou dar minha perspectiva pessoal: eu não gostei das declarações de Macron. Não gostei. Não porque não se possa opinar sobre decisões políticas, mas porque é preciso que se seja sempre respeitoso com a independência e a autonomia de um país. Acho que é muito melhor ouvir do que tentar impor; é muito melhor contribuir, ajudar, compartilhar e respeitar. Isso sempre dá melhores resultados a longo prazo.

Nós estamos preocupados com a evolução da questão da Amazônia, e estou convencido de que a maioria dos cidadãos brasileiros também. E há um governo que, por suas declarações, parece ir em linha contrária ao que acreditamos ser bom. Mas não o que é bom para a Europa: o que é bom para o Brasil e para o meio ambiente global. O Brasil possui os recursos, mas o Brasil é parte do mundo e este é um problema global. A questão do meio ambiente não é um problema que afeta o país, mas o conjunto do planeta.

É evidente que todos temos que ser sensíveis à problemática ambiental, mas temos que ser realistas também. Países, governos e populações reagem mal frente à tutela e a palavras desajustadas. Em contrapartida, reagem bem à colaboração e à ajuda. Os brasileiros merecem um crescimento sustentável para gerar prosperidade e redução de desigualdades. E o acordo é um bom marco de relações.

Temos que reconhecer que este acordo é o primeiro que incorpora o cumprimento das decisões do acordo de Paris como regra vinculante. Isso será suficiente? Podemos seguir avançando, claro, mas o acordo nos dá um marco e a partir desse marco poderemos aprofundar nossas políticas de colaboração, ajuda e debate. Isso é o bom de um acordo de associação: ele gera laços de união que nos permitem trabalhar para o futuro.

BBC News Brasil – E se não houver ratificação?

Jordi Cañas – Se a Europa decidir dizer não ao acordo com o Mercosul, haverá países como a China que ocuparão o espaço que a Europa ocuparia.

E estou convencido que a Amazônia estará mais protegida com um acordo com a União Europeia do que com um não-acordo com uma China, que não se importa em nada em como se exploram os recursos, nem com sua destruição. É fundamental levar isso em conta.

BBC News Brasil – Fala-se muito do lobby dos produtores na Europa. O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, acusou a França recentemente de “oportunismo”, “protecionismo” e “medo” da agricultura brasileira. A resistência em alguns países contra o acordo é fruto da pressão destes setores?

Jordi Cañas – Veja que os debates que surgiram durante as discussões do TTIP (sigla em inglês para o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, acordo comercial em discussão entre EUA e UE) não avançaram por decisão dos EUA. Os acordos comerciais hoje em dia estão sujeitos ao escrutínio público. Também são parte do debate nacional.

É claro que, em muitos países, os setores agropecuários tem influência. Isso vai além da sua participação no PIB, mas tem a ver com o trabalho com a terra. Este trabalho tem relevância na opinião pública.

É impossível excluir o debate sobre o Mercosul da lógica política de cada um dos países e também de seus ciclos eleitorais. Recentemente, por exemplo, houve eleições municipais na França e elas significaram uma derrota para Macron.

Mas da mesma maneira que há lobbies que afetam o acordo negativamente, também seria bom explicar os lobbies ou o que pode significar um acordo para os cidadãos europeus. A Europa é um bloco exportador por natureza. Exporta quase 80% de sua produção industrial. É importante explicar o que significa fechar portas para um mercado de quase 400 milhões de habitantes.

Todo acordo comercial tem partes positivas e negativas. Políticas devem ser construídas para mitigar as negativas. E há muitas positivas. Eu sei que os governos e as lógicas políticas nacionais tendem a focar no curto prazo, mas acho que temos que introduzir no debate público o curto, o médio e o longo prazos.

E em um mundo tão complexo quanto o que estamos vivendo, com transformações tão aceleradas, com uma perda de relações multilaterais, é necessário estabelecer acordos entre blocos que deem garantias e certezas para todos.

Porque, se não, se caminharmos para um mundo onde essas garantias e certezas desapareçam, todos perderemos. Inclusive aqueles que agora se queixam.

Por isso digo que a pedagogia é importante. Explicar a importância não só comercial, mas também a política global e os vínculos e valores que os dois lados compartilham.

Dou um exemplo: aqui, aprovou-se há pouco tempo um acordo comercial com o Vietnã. O Vietnã não é uma democracia. É uma ditadura comunista onde não há partidos políticos nem liberdade de imprensa. Não há direitos de trabalho, não pode haver sindicatos. E não houve problemas para que o acordo prosperasse.

E o que vamos dizer aos nossos amigos, quase irmãos do Mercosul, que são democracias, têm separação de poderes, liberdade de imprensa, que com muito esforço conseguiram consolidar democracias. Não vamos querer ter um acordo de associação com eles? Eu não saberia explicar isso.

BBC News Brasil – Quais são as suas expectativas pessoais? Quando deve acontecer essa ratificação?

Jordi Cañas – Não tenho bola de cristal. Sou plenamente consciente das dificuldades, mas tenho certeza de que podemos superá-las. O acordo é bom não só para a Europa, mas também para o Mercosul. Eu espero que as decisões do acordo sejam feitas com inteligência, para que o debate possa ser centrado em aspectos próprios ao acordo, e não em aspectos de políticas nacionais que possam usar, de forma espúria, um acordo bom para todos simplesmente por uma visão míope e de curto prazo pautada por interesse políticos e de estratégias políticas pessoais.

BBC News Brasil – Obrigado pela entrevista.

Jordi Cañas – Eu que agradeço. É importante explicar isso porque, daqui da Europa, temos uma perspectiva muito equivocada sobre a realidade dos países, especialmente da América Latina. Muito carregada de preconceitos, de informações estereotipadas, e com falta de informações aprofundadas sobre as grandes transformações vividas por estes países nas últimas décadas.

Temos que aprender a nos relacionar com respeito e amizade e de uma forma equilibrada, entre iguais, porque estes países ganharam este respeito. Se queremos contribuir, temos que fazer assim: dando-lhes o respeito que merecem, conhecendo sua realidade, e nunca confundindo governos com países, muito menos com seus cidadãos. Temos que ter uma visão mais ampla e mais respeitosa.

Época, com BBC

 

Opinião dos leitores

  1. @ "patriota" só que não ! O Brasil demorou muito para se livrar de Luladrão não precisamos de mais outros aqui não

  2. Bolsonauro e sua equipe estão derrubando pontos importantes dos controles sobre queimadas, ocupação irregular (grilagem), além do uso de armas e cuidados da saúde. No combate à corrupção então, o desmonte é maior ainda, está fazendo exatamente o contrário de suas promessas de campanha. A agenda destruidora do presidente só é atenuada quando a polícia encosta nos crimes de seus filhos ou, como é o caso agora, organismos internacionais ameaçam suspender a ajuda financeira para conservação da Amazônia. Triste fim de um governo irresponsável.

  3. Bando de picareta, destruíram suas matas agora querem salva a amazônia com viés ideológicos, eles querem é a riqueza do solo ,eles não estão nem aí com desmatamento, essa narrativa não convence, estão todas caindo por terra. O relatório do desmatamento na Europa sai semana passada e foi um desastre e ninguém fala nada.

  4. Vaza daqui seu demente, se quiser levar os esquerdistas mimizentos fiquem tranquilos, não sentiremos falta…

  5. A Amazônia brasileira é do Brasil,esses deputaduzinhos vão dar pitacos lá nas reservas deles se é que ainda tem alguma por lá. ⁹⁰fm no no

  6. Esse careca tem uma cara de bestinha, alguém avisa a ele que a colonização já acabou há séculos, já temos ladrões demais por aqui.

    1. "Esse careca tem cara de bestinha". Olha o nível da conversa do gado! Nem leu o texto todo e já começa a escrever igual o Carluxo. Vai se informar antes de ficar com esse nhem nhem nhem de moleque revoltadinho da 5ª série.

  7. Falou tudo. O Brasil não merece um ditadorsinho de milicianos e sua caterva. Somo muito melhores do que esse rebanho idiotizado que enche a boca pra vomitar prepotência. O tribunal de Haia é logo ali. Acabou a bagunça.

    1. A Amazônia é do Brasil, os países que mais ladram é pq perderam as mamatas da nossa Selva.
      A esquerda fica louca pq não tem mais têta fácil. Vai trabalhar vagaba.

    2. FdP entreguista e ainda tenta se passar de PATRIOTA. Como ser patriota e entregando suas riquezas naturais e minerais às grandes empresas internacionais que se mascaram de ONGs? Puro FASCISMO!

    3. Um bando de asnos surtando aqui. Não pedi a opinião de ninguém. Vão pastar, bando de jegues! Vão ver se o Lula não está embaixo da cama de vocês, bando de otários! ?

    1. Isso. Vamos entregar a Amazônia par eles tomarem conta. Meu Deus, onde chega os robôs do gado!

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Brasil

Tráfico de influência: ministro Mendonça autoriza 2º inquérito contra Lulinha

Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, na tarde desta sexta-feira (31/7), a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva. O fato tem relação com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação foi revelada pelo O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

O novo inquérito identificou indícios de irregularidades na relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT.

A empresa teria buscado negócios na Dataprev, companhia de tecnologia do governo federal, e em outros órgãos. A investigação suspeita de que Lulinha tenha recebido ao menos uma viagem em troca de negócios na gestão federal.

A PF ainda pediu um terceiro inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, mas a solicitação ainda deve ser distribuída no STF.

O caso de Lulinha está com Andre Mendonça após sorteio no STF. Como a Polícia Federal não pediu que os novos inquéritos fossem distribuídos ao magistrado, os processos foram submetidos ao sorteio entre os ministros.

Apesar disso, o sistema de distribuição da Corte sorteou novamente Mendonça como relator.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e advogado de Lulinha, ressaltou ao Metrópoles que a defesa segue tranquila. No entanto, afirma que não teve acesso a essa nova abertura de investigação.

Metrópoles

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Brasil

Anvisa ordena retirada de paracetamol das farmácias; fabricante diz que testes não indicaram falhas

Foto: Divulgação

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão da distribuição, venda e uso de um lote do Paramol 750 mg (paracetamol) após identificar comprimidos com sinais de possível contaminação por bolor, conhecido popularmente como mofo.

A decisão foi publicada nesta quinta-feira (30) no DOU (Diário Oficial da União) e determina o recolhimento de todas as unidades do lote 114053, da apresentação com 200 comprimidos, fabricada pela Belfar Ltda.

Segundo a Anvisa, foram encontrados comprimidos com sujidades cuja aparência é sugestiva de contaminação por bolor, um tipo de fungo que pode comprometer a qualidade do medicamento.

Lote específico de Paramol foi suspenso pela Anvisa

A medida preventiva vale apenas para o lote 114053 do Paramol 750 mg. De acordo com a Belfar, outros lotes do medicamento e demais produtos fabricados pela empresa não foram afetados pela decisão.

O Paramol é indicado para o tratamento de febre e para o alívio de dores leves a moderadas.

Após ser comunicada sobre a suspensão, a Belfar afirmou que realizou análises em amostras de referência do lote e informou à Anvisa que as contraprovas não apontaram desvios de qualidade.

Em nota, a empresa declarou que mantém diálogo com a agência para esclarecer o caso e que avalia as medidas administrativas cabíveis. A fabricante também afirmou que irá prestar esclarecimentos aos consumidores.

Com informações do portal NDMais

 

 

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Política

‘Está faltando braço da PF’, diz Flávio sobre investigação contra Lulinha

Foto: Reprodução/Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 30, que a Polícia Federal carece de estrutura para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma transmissão ao vivo, ele questionou o tratamento dado ao empresário e comparou a situação com a hipótese de um filho de Jair Bolsonaro ser suspeito de corrupção.

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira, 30, que falta estrutura na Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em transmissão em seu canal no YouTube, o parlamentar questionou o tratamento dado ao empresário.

“Está faltando braço, faltando gente para esse pequeno grupo da Polícia Federal do Lula investigar o filho do presidente da República”, disse Flávio. “Vocês já imaginavam se o filho do presidente Jair Bolsonaro fosse suspeito de receber dinheiro desviado de aposentados?”

A declaração ocorreu horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizar a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no governo federal. Flávio, no entanto, não comentou diretamente a decisão do ministro.

O pedido para a abertura do inquérito partiu da Polícia Federal e foi distribuído ao ministro André Mendonça. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à autorização para a comercialização de Cannabis medicinal em programas do Ministério da Saúde.

No fim de 2025, quando surgiram as primeiras suspeitas que envolvem o seu filho, Lula afirmou que as autoridades deveriam apurar eventuais responsabilidades. “Ninguém ficará livre. Se a polícia encontrar meu filho metido nisso, a Justiça o investigará”, declarou na ocasião.

Flávio afirmou que na próxima quinta-feira, 6, fará uma live para confirmar os palanques do PL nos Estados, incluindo os apoios de partidos aliados. Segundo o senador, a iniciativa visa a reduzir a confusão entre os eleitores sobre as alianças partidárias para este ano.

Revista Oeste

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Eleições 2026

‘Ex-pardo’, ACM Neto se declara branco quatro anos após perder eleição em 2022

Foto: Divulgação/União Brasil

Quatro anos depois de informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que se considerava pardo, o ex-prefeito de Salvador e candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, passou a se declarar branco. A mudança consta no sistema oficial da Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 e reacende uma das principais polêmicas da campanha baiana de 2022.

Na disputa anterior pelo Palácio de Ondina, ACM Neto registrou a sua autodeclaração racial como parda perante o TSE. Pela metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizada também em políticas públicas e estatísticas oficiais, as categorias preta e parda compõem a população negra. A autodeclaração do então candidato provocou críticas de integrantes do movimento negro e de adversários, que o acusaram de oportunismo eleitoral em um estado cuja população é formada por 80,8% de pessoas negras, segundo o Censo de 2022.

A controvérsia ganhou força nos últimos dias da campanha, quando ACM Neto foi questionado sobre o tema durante uma sabatina do Bahia Meio Dia, jornal da TV Globo em Salvador. Na ocasião, perguntou ao entrevistador quem o considerava socialmente branco. Ao ouvir a resposta de que seria “toda a sociedade”, afirmou: “Eu me considero pardo”. Em seguida, ao ser informado de que o IBGE considera pretos e pardos como integrantes da população negra, rebateu: “Então o erro é do IBGE, não é meu. Simplesmente isso.”

A declaração rapidamente extrapolou o debate eleitoral e se transformou em um dos episódios mais lembrados da campanha de 2022. Nas redes sociais, ACM Neto virou alvo de memes que ironizavam sua identificação racial e a tentativa de se apresentar como um “irmão de cor” da maioria da população baiana. Naquele ano, ele acabou derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) no segundo turno.

A mudança na autodeclaração ocorre em um contexto em que o tema passou a receber maior atenção da Justiça Eleitoral. Desde 2014, o TSE registra a raça/cor informada pelos candidatos, permitindo acompanhar alterações ao longo das disputas. Nos últimos anos, o debate ganhou relevância com a ampliação das políticas de ação afirmativa e das cotas para candidaturas negras, levando movimentos sociais e especialistas a questionarem autodeclarações consideradas incompatíveis com a identidade racial publicamente reconhecida dos candidatos.

Patrimônio

Além da alteração na autodeclaração racial, ACM Neto informou ao TSE um crescimento expressivo de seu patrimônio. Segundo os dados registrados pela Justiça Eleitoral, o ex-prefeito declarou possuir 84,9 milhões de reais em bens neste ano, ante 41,7 milhões de reais informados na eleição de 2022.

O aumento de 103,5% corresponde a um acréscimo de 43,2 milhões de reais, impulsionado principalmente por novos investimentos em fundos imobiliários, aplicações financeiras, aportes em empresas, além da inclusão de um apartamento em Barra Grande, na Bahia, e dois veículos.

Veja

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Economia

DEU NÓ: No primeiro mês de Desenrola, endividamento e inadimplência continuaram iguais

Foto: Divulgação

Mesmo depois do lançamento, em maio, do Desenrola Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das famílias no Brasil pouco mudaram, e continuaram nos mesmos patamares recordes em que estavam.

Em maio, primeiro mês da vigência do programa, pouco mais de um quarto da renda das famílias continuava comprometido com o pagamento de dívidas: essa proporção oscilou de 31,2%, em abril, para 31,1% em maio. Um ano antes, em maio de 2025, era de 30,6%, e, no pico, em janeiro deste ano, bateu 31,4%. Os resultados estão atualizados até maior e fazem parte dos dados do mercado de crédito divulgados na quinta-feira, 30, pelo Banco Central.

O número não leva em consideração as dívidas com financiamento imobiliário. Quando estas entram na conta, as pessoas perdem quase a metade de sua renda: a parcela dos ganhos ocupada pelos empréstimos e financiamentos totais ficou em 49,8% em maio, ante 49,9% em abril.

O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da população, foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. Previsto inicialmente para durar por 90 dias, ele será prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto, conforme anunciou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta semana.

Inadimplência alta

O lançamento do programa também mexeu pouco na inadimplência. Ela inclusive aumentou no primeiro mês de Desenrola, tendo subido de 7,4% para 7,6%, de abril para maio, e ficado estável, nos mesmos 7,6%, em junho, de acordo com o Banco Central. É a maior proporção desde pelo menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número chegou a bater nos 7%.

A taxa leva em consideração apenas a inadimplência das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais, cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações permitidas pelo Desenrola. O dado não considera as linhas de financiamento que são reguladas, como o crédito imobiliário e o crédito rural, e que têm taxas de inadimplência mais baixas.

A inadimplência é medida considerando o valor total da carteira de crédito concedidos pelos bancos nessas modalidades que estão com os pagamentos em atraso.

Veja

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Cidades

Governo do Estado informa que fez acordo para pagar hospitais privados que atendem pacientes do SUS no RN, mas cirurgias eletivas continuam suspensas

 Foto: Bruno Vital/G1

O Governo do Estado emitiu uma nota informando que fez um acordo com os hospitais privados e cooperativas médicas para pagar, no dia 7 de agosto, as parcelas em atraso já acordadas, no valor de R$ 5.466.778,89. No dia 10 de agosto, segundo o comunicado, será feito o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Apesar do acordo, as cirurgias eletivas continuam suspensas nos hospitais privados que atendem à rede estadual até a efetivação do pagamento das parcelas em atraso, previsto para o dia 7/08. Até lá, só serão atendidos casos de urgência e emergência.

Leia a nota da Sesap:

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informa que enviou aos hospitais e cooperativas médicas uma planilha atualizada referente aos pagamentos e cumprimento de acordos por parte do Estado do Rio Grande do Norte, pelos procedimentos cirúrgicos e intervencionistas de serviços credenciados em Natal/RN.

No documento encaminhado na quinta-feira (30) e reiterado nesta sexta-feira (31), a Sesap propôs, para o dia 07 de agosto, o pagamento de parcelas já acordadas, no valor total de R$ 5.466.778,89. E para o dia 10 de agosto, o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Também foi pactuado com os prestadores a manutenção dos atendimentos de casos de urgência e emergência até a efetivação dos pagamentos programados, de forma a garantir os segurança à população.

 

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Política

[VÍDEO] “Lula se comporta como se nada tivesse sido descoberto sobre Jaques Wagner”, diz colunista

Imagem: Reprodução/Instagram

Para o colunista Josias de Souza, o presidente Lula adota uma postura de complacência e isolamento estratégico ao minimizar o impacto político do caso que envolve o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do Banco Master.

Segundo ele, Lula está negligenciando a polêmica envolvendo Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro: “acha que isso não vai interferir na eleição”.

Com informações do UOL News

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Política

[VÍDEO] Thabatta faz relato emocionado sobre identificação com Zenaide: “uma admiração que vai além da política”

Imagem: Reprodução

Em um depoimento emocionado, a vereadora Thabatta Pimenta diz que sua admiração pela senadora Zenaide Maia vai muito além da política.

No relato, Thabatta lembra que foi Zenaide quem lhe estendeu a mão e a enxergou quando ninguém enxergava. Ela também destaca a sensibilidade da senadora em vários momentos marcantes da sua vida e cita a identificação entre as duas como mães atípicas.

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Mundo

Academia cristã só para homens viraliza e web não perdoa: “rosca direta”

Foto: Reprodução

Com o objetivo de criar um ambiente de treino alinhado com princípios cristãos, influenciadores dos Estados Unidos criaram uma academia exclusiva para homens que rapidamente chamou atenção nas redes sociais. Nomeada de Proverbs 27:17 Fitness, o lugar ganhou repercussão pela proposta de oferecer um espaço considerado mais adequado aos valores religiosos dos fundadores, além de evitar situações vistas por eles como possíveis “tentações”.

A iniciativa começou a ganhar espaço nas redes sociais após um dos idealizadores explicar que a criação da academia também está relacionada à preocupação com casos de infidelidade associados a ambientes tradicionais de musculação. Segundo os responsáveis pelo projeto, a ideia é proporcionar um local onde os frequentadores possam se exercitar sem distrações consideradas incompatíveis com as convicções.

Além dos treinos, a academia busca promover a convivência entre homens que compartilham da mesma fé. Segundo os fundadores, o espaço pretende fortalecer amizades, incentivar a disciplina e contribuir para o desenvolvimento espiritual dos alunos por meio de uma rotina baseada em valores cristãos.

Contudo, a proposta dividiu opiniões nas plataformas digitais. Enquanto alguns internautas apoiaram a criação de um ambiente voltado para pessoas com princípios semelhantes, outros questionaram a separação por gênero e criticaram a justificativa usada para defender o funcionamento exclusivo para homens.

A repercussão também foi acompanhada por uma onda de memes nas redes sociais. Termos como “rosca direta” passaram a circular em publicações de humor, fazendo referência ao universo das academias e aumentando ainda mais a visibilidade do caso.

Com informações do Portal Dol

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Eleições 2026

Após PP barrar Tereza Cristina, Pedro Lupion vira aposta do agro na vice de Flávio

Foto: Pablo Valadares

Depois da negativa da federação para o nome de Tereza Cristina na vice, o agronegócio colocou dois nomes novos na mesa: Pedro Lupion, do Republicanos-PR e atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), hoje pré-candidato ao Senado. Entre os dois, é o nome de Lupion que ganhou força no entorno do senador nos últimos dias, justamente pela costura que ele já mantém com a bancada ruralista no Congresso.

Para nomes do entorno de Flávio ouvidos pela reportagem, o desafio agora é outro: convencer Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a liberar um de seus quadros para a chapa.

A avaliação interna é que Domingos Sávio agrega mais peso eleitoral por ser de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, o que mantém o mineiro como alternativa caso a negociação com o Republicanos em torno de Lupion não avance. Questionados sobre a possibilidade de escolher uma mulher para a vaga, o discurso no entorno do senador tem sido o mesmo: falta opção. “Não tem muita gente disponível”, tem sido a resposta padrão.

O problema é que a informação não fecha com os fatos. Nomes como a deputada federal pelo Ceará Priscila Costa (PL), além de Simone Marquetto e Julia Zanatta, já sinalizaram disposição para compor a chapa do filho 01.

Entrando na última semana de convenções e definição de chapas, a campanha de Valdemar Costa Neto segue como a única, entre as grandes candidaturas presidenciais, ainda sem vice definido.

Jovem Pan

 

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