Saúde

Brasil tem ‘legião de bebês prematuros’ com alta de Covid em grávidas

Aline estava grávida se seis meses quando pegou covid. Em poucos dias, teve uma parada cardiorrespiratória e morreu. As bebês, gêmeas, estão internadas — Foto: Expedito Silva de Lima via BBC

Enquanto a barriga da Aline crescia, Expedito Silva de Lima construía com as próprias mãos a casa onde a família iria morar, em Baraúna, na Paraíba.

O casal ficou surpreso, mas feliz quando soube que teria gêmeas. Aline tinha três filhos de um relacionamento anterior e Expedito seria pai pela primeira vez. O dinheiro para manter a família era pouco, mas eles contavam com a ajuda de parentes.

“Minha irmã falou para eu morar na casa dela durante a gravidez, enquanto eu construía a nossa própria casa. Aqui é todo mundo vizinho, é uma vilinha”, conta o servente de pedreiro.

Mas os planos mudaram de repente, quando Aline, de 31 anos, começou a sentir dor de cabeça, febre e fraqueza. Fez o teste de Covid, mas, antes mesmo de receber o resultado positivo, começou a sentir falta de ar e deu entrada no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande.

Três dias depois, sofreu uma parada cardiorrespiratória e os médicos iniciaram uma cesárea de emergência. Foram seis horas tentando salvar mãe e bebês. As meninas nasceram sem respirar, foram reanimadas e levadas para a UTI neonatal. Mas a mãe morreu no mesmo dia, em 30 de maio.

As duas filhas, que nasceram com 26 semanas de gestação, continuam internadas sem previsão de alta.

“Foi um choque muito grande perder Aline assim. A gente não esperava”, diz Expedito. Ao ver as filhas na incubadora pela primeira vez, tão pequenininhas, ele sentiu um misto de emoções.

“Fiquei de coração aliviado de ver minhas filhas e de coração partido, porque perdi minha esposa.”

UTIs neonatais lotadas com ‘legião de prematuros’

Casos como o de Aline e as gêmeas prematuras estão se tornando rotina na vida de obstetras e pediatras em todo país. A epidemia de Covid-19 no Brasil já matou pelo menos 1.461 grávidas, sendo 1.007 apenas neste ano, segundo dados oficiais compilados pelo Observatório Obstetrício Covid-19.

Mas o número é bem maior, segundo especialistas, porque muitos casos de Síndrome Respiratória Aguda (Sars) acabam não sendo testados para Covid.

Além disso, as altas nos casos de infecção pelo coronavírus em 2021, com a variante P.1 como cepa prevalente, têm provocado uma “avalanche” de nascimentos de bebês prematuros, lotando maternidades e UTIs neonatais em diferentes cidades do país, segundo neonatologistas e obstetras ouvidos pela BBC News Brasil.

A P.1, primeiro identificada em Manaus e rebatizada de Gamma pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é mais transmissível e capaz de driblar parcialmente anticorpos produzidos pela vacina ou por infecções anteriores de Covid.

Enquanto em 2020 foram reportados 6.805 casos de grávidas infectadas pelo coronavírus, só nos primeiros cinco meses de 2021 o número foi de 7.679.

“Estamos enfrentando um problema terrível de superlotação, principalmente nos leitos de UTI neonatal Covid, porque a gente não pode misturar. É uma legião de prematuros e, muitas vezes, órfãos de mãe”, diz à BBC News Brasil a obstetra Melania Amorim, do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida, hospital que realiza cerca de 600 partos por mês na Paraíba.

“Houve aumento muito grande esse ano de internações e casos de Covid-19 em gestantes. Se tem aumento em gestantes, também temos número maior dos nascimentos prematuros.”

Pesquisas apontam que a Covid-19 aumenta o risco de morte neonatal e de parto prematuro. E, em alguns casos, quando a grávida desenvolve quadro muito grave da doença, os médicos precisam fazer cesárea de emergência e antecipar a gestação, como ocorreu com Aline.

“A gente tenta levar a gestação adiante, mesmo com a grávida intubada, estabilizando o quadro dela. Mas em alguns casos, é necessário interromper prematuramente, para tentar salvar a vida da mãe e dos bebês”, explica Melania Amorim.

A obstetra paraibana coordena uma pesquisa que envolve sete hospitais em três estados do Nordeste – Pernambuco, Ceará e Paraíba. Entre esses hospitais estão o ISEA, em Campina Grande, a Maternidade Frei Damião, em João Pessoa, e o hospital da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza.

“Posso dizer com toda certeza que em todos esses centros a taxa de nascimentos prematuros disparou por conta da Covid-19”, diz.

“Já aconteceu de ter que recorrer a hospitais de cidade vizinha para arrumar leito para bebê prematuro nascido em cesárea de emergência.”

Superlotação no Sul

E o problema não é localizado no Nordeste. O principal hospital de Porto Alegre está com a UTI neonatal lotada por causa da disparada no número de prematuros nascidos de mães com Covid.

“A gente nunca tem leito agora na UTI neonatal. Houve um aumento de nascimentos prematuros em função da Covid materna. Diria que a situação está pior mesmo desde abril”, diz à BBC News Brasil Rita de Cássia Silveira, diretora da UTI neonatal do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Por ser um hospital de referência, o HCPA costuma receber casos graves de bebês com problemas genéticos que chegam de diferentes cidades do Rio Grande do Sul e até de outros estados.

Mas, devido à superlotação causada pela Covid-19, transferências foram suspensas.

Segundo Silveira, houve um aumento de 20% do número de partos prematuros no hospital em maio, na comparação com o mesmo período do ano passado.

“Estamos lotados, mas tivemos outro dia que produzir uma vaga, porque chegou um bebê transferido por determinação judicial”, conta a neonatologista, que também é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Outras maternidades sofreram superlotação de UTIs com bebês prematuros e grávidas em estado grave entre março e abril, no pico da segunda onda de Covid.

Foi o caso da Maternidade de Campinas, no estado de São Paulo, que ultrapassou 100% de ocupação nesses dois meses. Nesse período, três mulheres morreram ainda grávidas ou logo depois de dar luz aos bebês.

“Chegamos a ter um grande número de internações de gestantes e puérperas suspeitas ou infectadas pelo coronavírus entre março e abril”, disse o diretor do hospital, Marcos Miele.

Parto na UTI e múltiplas mortes por dia

Melania Amorim diz que perdeu as contas do número de grávidas intubadas que teve que operar com urgência para salvar os bebês em 2020 e 2021.

Tanto no ISEA, na Paraíba, quanto no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, partos prematuros tiveram que ocorrer nas UTIs, porque transferir a mulher para o centro cirúrgico significaria risco adicional de queda da oxigenação.

“Nossas interrupções, o obstetra tem feito na CTI quando é urgência urgentíssima e a gestante não tem condição de transferência dado seu comprometimento pulmonar”, diz Rita de Cássia Silveira, diretora de neonatologia do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

“Outro dia operamos uma mãe grávida de gêmeos que entrou em trabalho de parto na CTI. Fizemos a cesárea lá mesmo por causa da gravidade. A mãe continua internada em estado grave. As gêmeas se recuperam bem, mas nasceram com 29 semanas.”

Já Melania Amorim se lembra emocionada do dia em que perdeu duas grávidas com Covid num espaço de poucas horas, há três semanas. As duas estavam na UTI e tiveram que passar por cesáreas de emergência porque o quadro de saúde se deteriorou de repente.

Os bebês, todos prematuros, sobreviveram e se recuperam na UTI. Um deles será criado pela avó. Os outros dois, gêmeos, ficarão com o pai.

“O problema dessa pandemia, com essas mortes a granel, é que não tem tido tempo de a gente elaborar o luto. Mal há uma morte e já temos que lidar com outra”, lamenta a obstetra.

“Escolhi essa especialidade pensando em lidar com a vida. Trabalho em UTI há muitos anos, mas mesmo assim o desfecho costuma ser feliz. Mortes maternas não deveriam acontecer e de repente é uma atrás da outra.”

As consequências para a vida da prematuridade

Um bebê é considerado prematuro quando nasce com menos de 37 semanas de gestação. Quanto mais prematuro e menor o bebê, maiores os riscos de morte e complicações de saúde.

“Abaixo de 30 semanas é um ponto de corte bastante significativo para maior gravidade associada à prematuridade. A gravidade é proporcional à baixa idade gestacional”, diz Rita de Cássia Silveira, diretora de neonatologia do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

As especialistas ouvidas pela BBC News Brasil destacam que as consequências da prematuridade não se encerram com a morte ou sobrevivência do bebê. Muitos podem ter problemas de saúde, de cognição e desenvolvimento ao longo da vida.

“Prematuridade não é algo que passa desapercebido na vida de uma criança. Tem consequências de longo prazo significativas dependendo do grau de prematuridade”, diz a neonatologista.

“Ou seja, quanto menor a idade gestacional, quanto menor o peso, maior o risco de atraso no neurodesenvolvimento, de atraso no crescimento, de baixa imunidade, reinfecções nos primeiros anos de vida, dificuldades alimentares…”, elenca.

Os bebês prematuros nascidos em centros de referência ainda conseguem receber tratamentos que evitem complicações após o parto. Mas, com as UTIs desses centros lotadas, muitas mulheres grávidas com Covid acabam ficando desassistidas.

“Quando há risco de nascer com prematuridade, a gente pode fazer corticoide para acelerar a maturidade do pulmão do bebê. Quando está vendo que o risco de nascimento prematuro é iminente, pode fazer sulfato de magnésio para proteção neurológica, para diminuir o risco de hemorragia cerebral ou disfunção motora grosseira”, explica a obstetra Melania Amorim.

“Mas têm as grávidas que não chegam aos serviços de referência ou nascimentos que acontecem no meio do caminho, na ambulância ou no pronto-socorro. E aí não dá para fazer intervenções para melhorar a vida e prognósticos.”

Bebês criados por pais, avós…

E, em alguns casos, a criança que sobrevive pode precisar de acompanhamento médico especializado e fisioterapia. Essas dificuldades se somam ao fato de vários desses bebês terem perdido as mães.

“Vamos ter um número enorme de prematuros sendo criado pelas avós, companheiros ou companheiras, pelas tias… E a gente sabe que esses prematuros podem ter uma série de sequelas”, diz Melania Amorim.

Para as mães que sobreviveram, os próprios efeitos prolongados da Covid dificultam os cuidados com os filhos prematuros.

A neonatologista Rita de Cássia Silveira se lembra de uma paciente que simplesmente não se lembra e não aceita que teve um bebê. A mulher precisou ser intubada e passar por cesárea com 33 semanas de gestação, em março deste ano.

Quando retiraram a ventilação mecânica, ela não se lembrava sequer que tinha engravidado. Mesmo depois de acompanhamento psiquiátrico e psicológico, a memória sobre a gestação não retornou. Para piorar, o pai do bebê, que também havia sido internado com Covid, morreu.

A criança, um menino, sobreviveu e está sendo cuidado pela avó.

“A paciente não lembra de ter tido filho. Ela esqueceu. Não lembra nada, diz que a criança não é dela. É uma jovem de 28 anos, que ficou com sequela na perna. Ela agora manca e os músculos estão acabados, fracos. Muito triste”, recorda a neonatologista.

Para as especialistas ouvidas pela BBC News Brasil, o impacto dos nascimentos prematuros provocados pela Covid-19 continuarão a ser sentidos após o fim da pandemia.

“Os pediatras e as políticas públicas de saúde vão ter que voltar uma atenção especial para o acompanhamento dessa geração de prematuros e, muitos deles, infelizmente, órfãos da Covid”, diz a obstetra Melania Amorim, de Campina Grande.

Enquanto isso, lá em Baraúna, Expedito se prepara para receber as filhas gêmeas, que vai ter que criar sem a ajuda da companheira.

“Meu maior desejo é elas duas do meu lado. Quando receberem alta, não vou me separar delas.”

Ele pretende terminar a casa simples que construía para viver com Aline e diz que vai “trabalhar de sol a sol” para as gêmeas terem o que precisam. Sem emprego fixo, garante que “aceita qualquer bico e serviço”.

“Vou batalhar por elas duas. Vou dar o máximo de mim para dar o melhor a elas.”

G1, via BBC

 

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Altar religioso resiste a incêndio em casa no Piauí; imagem de Jesus Cristo ficou intacta

Foto: Divulgação/CBMEPI

Uma imagem de Jesus Cristo ficou intacta após um incêndio destruir grande parte de uma casa no bairro Bomba, em Picos, no Sul do Piauí. A representação estava posicionada ao lado de um altar onde ficavam várias imagens de santos e outros objetos religiosos, e que também resistiu ao fogo.

Fotos registradas instantes após o incêndio ser controlado mostram a imagem de Jesus Cristo posicionada no chão. É possível perceber também que, no altar, imagens de Padre Cícero, São Francisco de Assis e outras tiveram pequenos danos após serem atingidas por telhas e ripas, que caíram em decorrência do fogo.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Piauí, ninguém estava na casa no momento do incêndio, ocorrido na tarde de sábado (2). A causa deve ser investigada. Cômodos como sala de estar, quartos, corredor, cozinha e despensa foram destruídos e cerca de 5 mil litros de água foram utilizados no controle das chamas.

g1

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Rombo fiscal é o maior da série histórica e chega a R$ 1,2 trilhão em 12 meses

Foto: Michael Melo/Metrópoles

O déficit nominal das contas públicas atingiu R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses até março, o maior valor da série histórica iniciada em 2002, segundo o Banco Central.

O rombo permanece acima de R$ 1 trilhão há sete meses consecutivos e cresce há nove meses seguidos. O resultado reflete principalmente dois fatores: o aumento dos juros da dívida, que chegaram a R$ 1,080 trilhão, e o déficit nas contas primárias.

O déficit primário — que desconsidera os juros — foi de R$ 137,1 bilhões em 12 meses, mais que o dobro do registrado em fevereiro (R$ 52,8 bilhões).

Só em março, o setor público registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões, puxado pelo governo central (R$ 74,8 bilhões) e por estados e municípios (R$ 5,4 bilhões). As estatais também tiveram saldo negativo de cerca de R$ 500 milhões.

Os gastos com juros somaram R$ 118,9 bilhões no mês, bem acima dos R$ 75,2 bilhões registrados em março de 2025.

O avanço do déficit está ligado ao nível ainda elevado da taxa básica de juros (Selic), mesmo após leve redução recente. Juros altos encarecem a dívida pública e pressionam o resultado nominal.

Na prática, o resultado primário mostra se o governo arrecada mais do que gasta (sem contar juros), enquanto o resultado nominal inclui esses custos e revela o impacto total sobre o endividamento do país.

Com informações de Poder 360

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[VÍDEO] Ouro Branco: Prefeito interino desrespeita Justiça Eleitoral em Eleição Suplementar

Amariudo fez discurso inflamado dizendo que “desonestos” são aqueles que tiraram o mandato do prefeito cassado Samuel Souto

O clima tenso da eleição suplementar em Ouro Branco, no Seridó potiguar, mostra que, nos próximos dias, o embate político deve envolver os três poderes da república, inclusive a Justiça Eleitoral.

Exaltado, o prefeito interino e candidato Amariudo dos Santos tomou o microfone neste domingo (3), e se resumiu em fazer críticas diretas à cassação do seu padrinho político, Samuel Souto, cassado duas vezes por abuso de poder nas Eleições 2024. Em um discurso carregado de emoção, Amariudo, que é advogado, classificou como “desonesta” quem “tirou um mandato dado pelo povo a Samuel Souto”, achando que o discurso não chegaria a imprensa.

Para quem não sabe, Samuel, foi cassado do cargo em duas AIJEs, em novembro de 2025, por usar a prefeitura como cabide eleitoral na sua reeleição. Samuel foi o primeiro prefeito cassado e afastado no Rio Grande do Norte, e o único no Brasil que responde duas cassações em Brasília.

A fala aconteceu diante de um público que acompanhava uma mobilização promovido pelo grupo da campanha de Amariudo, ao lado de Samuel, e repete falas já lançadas pelo candidato em comício realizado no último sábado, 25 de abril. Sem ter sido eleito com votos diretos, Amariudo mostrou desequilíbrio e falta de respeito com Justiça Eleitoral.

A eleição suplementar em Ouro Branco está marcada para o dia 17 de maio de 2026, e ocorre após cassação do prefeito, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024.

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Além de quase 2,8 milhões de registros na ‘fila’, INSS é alvo de 4,4 milhões de processos na Justiça por benefícios

Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é alvo de 4.416.317 processos na Justiça, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O acúmulo de ações ocorre paralelamente ao grande volume de requerimentos diretamente no órgão, a chamada fila do INSS, que soma 2.793.618 de registros.

Os 4,4 milhões de processos contra o instituto na Justiça foram contabilizados pelo CNJ no Painel INSS até o dia 28 de fevereiro deste ano. Só neste ano, 598.513 novas demandas foram incorporadas, o equivalente a um novo processo a cada 8,5 segundos.

Mais de um terço dos processos na Justiça é decorrente de demandas a respeito de benefício por incapacidade (36,2%). Na sequência, aparecem os temas assistenciais (15,3%), outros (11,3%) e aposentadoria programada (9,2%). Confira os números:

E o volume de processos segue aumentando a cada ano. Entre 2021 a 2025, mais de 975.311 novas demandas chegaram à Justiça, o que provocou uma elevação de 29,1% no período.
O tempo para o primeiro julgamento varia de 206 a 1.179 dias, ou seja, de quase sete meses a 3 anos e 2 meses.

A grande maioria dos processos contra o INSS está protocolada na Justiça Federal (76,7%). Outros 23,2% pertencem à Justiça Estadual, mas também há uma minoria (0,1%) que tramita na Justiça do Trabalho.

Direto no INSS

Outro desafio do INSS é a gestão dos requerimentos feitos diretamente no órgão. Atualmente, há 2.793.618 deles, conforme relatório do Portal da Transparência Previdenciária de março deste ano.

O instituto tinha, em dezembro de 2025, 3,039 milhões de requerimentos em aberto, número que subiu para 3,073 milhões em janeiro e ainda continuou a aumentar em fevereiro: 3,128 milhões. Em março, a fila apresentou a primeira redução e atingiu 2,794 milhões.

Essa fila de requerimentos do INSS é quase metade (47,5%) relacionada a benefício por incapacidade. As demandas relativas a solicitações assistenciais e benefícios de legislação especial (BLE) (28,16%), aposentadorias (12,5%), maternidade (6,8%) e pensões e reclusão (5%).

Na maioria dos casos, o tempo de espera pela perícia é de 45 dias.

Ações para reduzir a fila do INSS

  • O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que o governo já registra avanços na redução da fila do INSS e demonstrou confiança de que os números continuarão caindo com as medidas em andamento.
  • A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, anunciou o programa Acelera INSS, iniciativa com duração de 90 dias voltada a acelerar o atendimento e reduzir o estoque de pedidos em análise;
  • A principal meta do programa é diminuir para menos de 400 mil o número de requerimentos com mais de 45 dias de espera.
  • Segundo a direção do instituto, a iniciativa não se limita à redução da fila, mas prevê uma reorganização operacional, com ajustes em sistemas e definição de prioridades administrativas.
  • O programa é estruturado em oito eixos, incluindo ações de alto impacto, como a realização de quatro mutirões nacionais até o fim de junho.
  • Também estão previstas medidas para reforçar a força de trabalho, como a nomeação de 300 assistentes sociais e a solicitação de mais 300 servidores.
  • O governo ainda planeja a realização de um novo concurso público para a contratação de até 2 mil servidores, como parte da estratégia de longo prazo para melhorar o atendimento.

Nova norma

Para tentar conter o número de requerimentos, o INSS estabeleceu uma norma com limite para o número de pedidos relativos a aposentadoria, pensões e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A nova regra determina, por meio da Instrução Normativa nº 203, de 22 de abril, que é proibido abrir uma solicitação enquanto houver um processo em andamento para o mesmo caso.

“É vedada a apresentação de novo requerimento pelo interessado enquanto houver processo em curso referente à mesma espécie de benefício”, diz trecho da instrução normativa.

Metrópoles

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DNA Fértil consolida liderança em reprodução assistida e apresenta nova estrutura no Rio Grande do Norte

Estar à frente exige evolução constante. O DNA Fértil, primeira clínica de reprodução assistida do Rio Grande do Norte, apresenta sua nova sede como a continuidade de uma trajetória marcada pelo pioneirismo e pela liderança no estado.

Ao longo de quase três décadas, a clínica introduziu no RN todas as principais técnicas da reprodução assistida. Foi onde nasceu a primeira fertilização in vitro (FIV) do estado e onde se realizaram, de forma inédita, procedimentos como o congelamento de óvulos, sêmen e embriões, a doação de óvulos, a biópsia embrionária e a doação entre familiares. Também ampliou o acesso ao ser pioneira na FIV para casais LGBTQIAP+.

A nova sede marca um novo momento. Com estrutura ampliada, laboratórios de alta complexidade, consultórios modernos e centro cirúrgico integrado, o espaço foi concebido para oferecer uma experiência mais acolhedora, elegante e cuidadosamente planejada. A presença do verde e de elementos naturais traduz um ambiente mais sereno e harmônico, onde ciência e sensibilidade coexistem de forma equilibrada.

Com mais de mil bebês nascidos, o DNA Fértil traduz sua história em confiança, credibilidade e excelência ao longo do tempo.

Mais do que acompanhar a evolução da medicina reprodutiva, o DNA Fértil segue à frente — consolidado como número 1 em reprodução assistida no Rio Grande do Norte.

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Geral

VÍDEO: Ex-pipoqueiro, juiz demitido diz que foi julgado “por ser homem negro”

A demissão do juiz substituto Robson José dos Santos, em Rondônia, ganhou um novo capítulo. Em vídeos aos quais a coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, teve acesso, o magistrado sustenta que foi vítima de racismo durante o processo que resultou na perda do cargo.

Robson, que ficou conhecido pela trajetória de superação, de vendedor de pipoca nas ruas do Recife à magistratura, afirma que não foi julgado apenas por suas condutas, mas por sua condição racial.

“Desde o começo eu falo: o que está sendo julgado aqui não é o magistrado, é um homem negro”, declarou durante sua defesa no Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO).

Em outro trecho, ele demonstra indignação com o volume de acusações reunidas contra sua atuação.

“São 16 fatos contra uma pessoa que tem 30 anos de serviço público. Nunca respondi nada. Mas quando eu cheguei em Rondônia, eu me tornei o pior criminoso da história deste país”, afirmou.

O ex-magistrado também criticou o que chamou de construção de estereótipos sobre sua atuação ao longo das passagens por diferentes comarcas.

“Em cada lugar criam uma versão de mim. Em um eu gritei, em outro sou amigo de réu, em outro elogiei policial. É uma barafunda de fatos. Eu não sei nem como me defender”, disse.

Antes de chegar à magistratura, Robson construiu uma longa carreira no serviço público.

Foi guarda municipal, bombeiro militar, policial civil, técnico e analista judiciário. Segundo ele, também atuou por cerca de 15 anos como assessor de juízes no Tribunal de Justiça de Pernambuco, período em que afirma não ter sofrido qualquer tipo de punição disciplinar.

A ruptura, no entanto, veio já em Rondônia.

Apesar da defesa, o Tribunal de Justiça de Rondônia entendeu que a demissão não se baseou em um episódio isolado, mas em um conjunto de condutas consideradas incompatíveis com o cargo.

Coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, Metrópoles

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Geral

Eriko Jácome participa de comemoração do Dia das Mães em Baía Formosa ao lado dos vereadores Tiago e Ceiça

O pré-candidato a deputado estadual Eriko Jácome participou, neste sábado (02), da programação especial em homenagem ao Dia das Mães na cidade de Baía Formosa. O evento reuniu centenas de mães em uma manhã marcada por confraternização, carinho, homenagens e ações voltadas às famílias do município.

Eriko esteve em Baía Formosa a convite da amiga Gabi e dos vereadores do município Ceiça e Tiago, responsáveis pela organização da celebração dedicada às mães baía-formosenses. Durante a programação, aconteceram momentos de acolhimento especial na valorização da mãe como a peça fundamental do lar.

Em um momento de emoção, Eriko falou sobre a importância da data e relembrou a saudade da mãe, que faleceu de Câncer, destacando o carinho recebido das mães presentes no evento.

“Foi uma manhã muito especial e emocionante. Mesmo carregando a saudade da minha mãe, me senti abraçado por cada mãe presente aqui hoje. Receber esse carinho nos fortalece e nos faz reconhecer ainda mais a importância da figura materna dentro das famílias”, afirmou.

A programação reuniu centenas de mães e reforçou o clima de união, acolhimento e valorização das mulheres no município de Baía Formosa.

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Geral

São Gonçalo do Amarante é o 3º município que mais gerou empregos no RN em março de 2026

São Gonçalo do Amarante segue se destacando no cenário econômico do Rio Grande do Norte. De acordo com dados mais recentes do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o município foi o terceiro maior gerador de empregos formais no estado no mês de março de 2026, com saldo positivo de 234 novos postos de trabalho com carteira assinada.

No ranking estadual, São Gonçalo ficou atrás apenas de Natal (738 vagas) e Parnamirim (425 vagas), consolidando sua posição entre as cidades que mais contribuem para o crescimento do mercado de trabalho potiguar.

O bom desempenho do município acompanha o cenário positivo do estado, que registrou 1.127 novos empregos formais no período, puxados principalmente pelos setores de Serviços, Construção Civil e Comércio, que lideraram a geração de vagas no Rio Grande do Norte.

Construção civil e confiança dos investidores impulsionam crescimento

Em São Gonçalo do Amarante, o resultado reflete especialmente o aquecimento da economia local, com destaque para o avanço da construção civil, setor que vem liderando a abertura de vagas e impulsionando novos investimentos. O crescimento de obras públicas e privadas, aliado à expansão urbana, tem gerado oportunidades e fortalecido a cadeia produtiva do município.

Além disso, o desempenho positivo também está associado ao momento de confiança dos investidores, que enxergam em São Gonçalo um ambiente favorável para novos empreendimentos, especialmente pela localização estratégica e pelo potencial de desenvolvimento econômico.

Gestão municipal impulsiona emprego e qualificação

Para a gestão do prefeito Jaime Calado, os números representam o impacto das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico e social. A Prefeitura tem atuado de forma estratégica para ampliar as oportunidades de emprego e renda, investindo na oferta de cursos de capacitação e qualificação profissional, preparando a população para as demandas do mercado de trabalho.

A combinação entre incentivo ao empreendedorismo, parcerias institucionais e atração de investimentos tem contribuído para consolidar São Gonçalo do Amarante como um dos principais polos de geração de emprego do Rio Grande do Norte.

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Brasil

Comida, aluguel, gasolina e gás de cozinha: Nordeste tem alta maior no custo de vida do que o restante do país

Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

A inflação tem impactado com mais força o Nordeste, com alta concentrada em itens essenciais como alimentos, combustíveis e moradia. A região registra aumentos acima da média nacional, agravados pela menor renda das famílias.

Entre janeiro e março, seis das dez capitais com maior alta na cesta básica estão no Nordeste. No Recife, o custo chegou a R$ 654,62, com alta de 9,82% no período — quase o dobro da previsão de inflação anual (4,86%). Em São Paulo, a alta foi de 4,49%, apesar da cesta mais cara (R$ 883,94).

Alguns alimentos lideram a alta:

  • Feijão-carioca: até 27% em Salvador, 24,7% em Teresina, 24% no Recife e quase 50% em Belém
  • Carnes: +5,39% no Recife
  • Farinha de mandioca: +13% em Fortaleza

O aumento está ligado à redução da oferta, problemas climáticos e menor área plantada.

Nos combustíveis, o impacto também é elevado. Desde o início do conflito no Irã:

  • Gasolina: +10,35% (de R$ 6,28 para R$ 6,93)
  • Diesel: +26,25%

 

Alta de preços dos combustíveis desde a guerra no Irã — Foto: Editoria de Arte
Alta de preços dos combustíveis desde a guerra no Irã — Foto: Editoria de Arte O Globo

O encarecimento do transporte pressiona outros preços, especialmente em uma região mais dependente de produtos vindos de outras áreas do país.

O gás de cozinha também subiu, com alta de 4,82% no Nordeste, chegando a 8,38% no Maranhão (R$ 125,17).

Na habitação, o avanço dos aluguéis reforça a pressão:

  • Aracaju: +7,06%
  • Maceió: +4,66%
  • Natal: +4,22%
  • Recife: +4,18%
  • João Pessoa: +3,87%

A renda média domiciliar per capita no Nordeste é de R$ 1.340, bem abaixo da média nacional (R$ 2.068), o que amplia o impacto da alta de preços sobre o orçamento.

Especialistas apontam que fatores como logística mais cara, menor produção local e maior peso dos gastos básicos tornam a inflação mais sensível na região. A tendência é de continuidade da pressão, especialmente com a alta do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e transporte.

Com informações de O Globo

Opinião dos leitores

  1. Papai Lulis é um bom ladrão. Chupa PTZADA.. 🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮

  2. Curiosamente(ou não), é a região que mais vota na esquerda, em todo o país. Ô povo masoquista!

  3. Que bom , reflexo do Amor , mas estão gostando , tanto q o larápio ainda está em alta em todo nordeste , parabéns para vocês acéfalos e continui pagando a conta .

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Geral

Guerra entre facções criminosas em Mossoró faz número de homicídios disparar 60%

Foto: Redes sociais

Mossoró vive uma escalada da violência em 2026, marcada por tiroteios, execuções, sequestros e ações de facções criminosas em bairros periféricos. A disputa por território tem afetado a rotina da população e ampliado a sensação de insegurança.

Até o fim de abril, a cidade registrou 48 homicídios, um aumento de cerca de 60% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 30 mortes. Diante do cenário, o governo estadual reforçou a investigação com o envio de dez policiais para atuar exclusivamente em casos de homicídio na região.

Os crimes têm alto grau de violência, com sequestros e execuções transmitidas por criminosos. Um dos casos foi o dos irmãos Antony Michell, de 19 anos, e Andrei Mizael, de 16, sequestrados dentro de casa e mortos dias depois. Outro episódio envolveu Randerson Jardel, retirado à força de um terreiro e executado, com imagens divulgadas em redes sociais.

Segundo o promotor de Justiça Ítalo Moreira, a violência está ligada à disputa entre facções como o Sindicato do RN e o PCC, além de grupos menores e a atuação crescente de organizações como a GDE. Ele afirma que alianças entre grupos e a reposição constante de criminosos dificultam o controle da situação.

O promotor destaca que o combate ao crime exige ações integradas, investimento em investigação, tecnologia, valorização policial e punição eficaz, além de mudanças na legislação.

Nas ruas, moradores convivem com medo constante. A projeção é que o primeiro semestre termine com cerca de 70 assassinatos, consolidando 2026 como um dos anos mais violentos da história recente da cidade.

Com informações de Ismael Sousa/Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

  1. Com a vinda do presídio federal para Mossoró, a cidade ficou mais perigosa. Parabéns aos envolvidos. Isso foi presente do PT para Mossoró.

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