Cultura

Crise da Rouanet gera ‘ameaça de apagão cultural’, diz ministro

Marcelo-CaleroFOTO: ANDRE COELHO / Agência O Globo

Desde que Marcelo Calero assumiu o ministério da Cultura (MinC), em 24 de maio, a pasta não sai do noticiário político. O ex-secretário de Cultura do Rio exonerou 81 funcionários que ocupavam cargos comissionados, disse que estava “desaparelhando” o MinC, trocou acusações com a gestão anterior, viu equipamentos culturais ocupados por manifestantes — e ordenou a reintegração de posse deles. Enquanto isso, anunciou o pagamento de dívidas, lançou um programa para valorizar o funcionário público, criou novas secretarias, mudando a estrutura da pasta, e saiu em defesa da Lei Rouanet, alvo de recentes denúncias de irregularidades e de uma CPI criada pela Câmara dos Deputados. Calero diz que a CPI não interessa ao ministério nem ao governo e conta que já falou aos deputados sobre sua preocupação em relação ao que chama de “demonização” do principal meio de fomento à produção cultural no país:

— O que me preocupa é que hoje as empresas que usam a lei já estão combalidas com a crise econômica. Então, naturalmente já estariam mais ausentes do mecanismo. E muitas delas nem poderão usar a Rouanet porque suas regras de compliance proíbem que elas se valham de mecanismos sob escrutínio legal. Já externei isso aos deputados. (Com a crise da Rouanet), temo que a gente tenha um apagão cultural no ano que vem. E isso é muito grave.

Na quarta-feira, horas após o impeachment de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer na presidência, e na véspera de completar 100 dias no governo, Calero concedeu a seguinte entrevista em seu gabinete. E comentou polêmicas.

Em artigo no GLOBO, o senhor escreveu que ia apresentar ao presidente o programa Brasil é Cultura, com 15 linhas pragmáticas. O que é esse projeto? Já foi apresentado?

Já. É um plano com todas as linhas de ação do ministério, iniciativas, prazos. Agora estamos traduzindo isso em números concretos à luz do orçamento, enviado ao Congresso. Não posso anunciar todas, mas uma dessas iniciativas é o projeto Bibliotecas do Amanhã, que começou no Rio, e no plano federal terá três pilares: reformas físicas de bibliotecas públicas, aliadas a novos projetos educativos; um novo mecanismo de auxílio a bibliotecas comunitárias; e criação de bibliotecas no programa Minha Casa, Minha Vida, em parceria com os ministérios das Cidades e da Educação. Também temos o Ações Locais, iniciado no Rio, antes da minha gestão, que vamos tornar nacional, investindo em iniciativas culturais importantes, mas que não estejam atreladas a uma instituição ou a um grupo formalmente constituído. A ideia é reduzir a burocracia, aumentar a capilaridade e estimular, por exemplo, ações culturais em periferias do país. Também criamos a Secretaria de Infraestrutura Cultural, porque uma das maiores demandas que a gente tem é de infraestrutura mesmo: teatros, centros culturais e museus, por exemplo, que precisam de reformas e equipamentos. Um teatro bem equipado não é só um lugar de fruição, mas também de fomento à produção local, estimulando a criação e produção. Mas não vamos financiar novas construções, para isso há o programa dos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), que a gente vai manter, só estamos estudando a meta para 2017.

O que acha do projeto Procultura, que está no Senado, e chegou a ser apontado como alternativa à Rouanet?

A gente tem que ter bastante parcimônia ao analisar esse projeto. Já conversei muito com o senador Roberto Rocha (PSB-MA), relator do Procultura. E estou ouvindo mais opiniões. O projeto traz inovações importantes, mas não desqualifica a Lei Rouanet.

Sobre a Rouanet, existe um projeto concreto de reforma?

Ainda não. Tenho no horizonte algo em torno de seis meses. Estamos ouvindo vários lados antes de dizer qual é o nosso entendimento. Mas uma das coisas que me parecem muito importantes é permitir que empresas de lucro presumido possam usar a lei. Também pensamos em atrair pessoas físicas e em trabalhar mais com mecanismos como o endowment (espécie de doação muito comum nos Estados Unidos). Há muitas propostas em discussão, inclusive para fomentar produções independentes, artistas cooperativados. Deles depende a manutenção da vanguarda estética e artística.

Com toda a crise, de onde sairá dinheiro para antigos e novos projetos do MinC?

Chegamos aqui com R$ 1 bilhão inscrito em restos a pagar. Recebemos um aporte de R$ 237 milhões do presidente. E estamos renegociando dívidas à medida que formos pagando. Hoje a dívida está em torno de R$ 400 milhões. Trabalhamos para reduzir outras despesas e crescer o orçamento do ministério em 2017. Fomos autorizados a mandar proposta de R$ 733 milhões (para despesas não fixas). O que é um ganho enorme (neste ano, o valor foi de R$ 604 milhões, mas caiu para R$ 430 milhões após o contingenciamento). E vamos rever metas. A meta do Plano Nacional de Cultura, por exemplo, era chegar a 2020 com 15 mil pontos de cultura. Essa não é uma meta exequível. Deveria ser entre 6.500 e 8 mil. Queremos rever esses planos diante da nova realidade que se impôs ao país nos últimos anos.

Falando em reunião, o senhor disse que conversaria com deputados sobre a CPI da Lei Rouanet. Conseguiu?

Sim. E expressei minhas preocupações. Já disse que fico muito preocupado com a demonização da lei e com a criminalização do artista. O que me preocupa é que hoje as empresas que usam a lei já estão combalidas com a crise econômica. Então, naturalmente já estariam mais ausentes do mecanismo. E muitas delas nem poderão usar a Rouanet porque suas regras de compliance proíbem que elas se valham de mecanismos sob escrutínio legal. (Com a crise da Rouanet) temo que a gente tenha um apagão cultural no ano que vem. E isso é muito grave. O que a gente está tentando é ver se a CPI pode se circunscrever a alguns casos específicos e ter uma duração determinada. Até porque tememos que toda a estrutura do ministério fique por conta de atender a solicitações da CPI. Estamos buscando o melhor desfecho possível. Claro que o melhor era não haver CPI. Mas ela foi deferida pelo então presidente da Câmara Waldir Maranhão (PP-MA). O ministério e o governo não são favoráveis à CPI, não achamos que seja o melhor fórum pra isso. Acho até que a operação Boca Livre prova que a CPI é desnecessária, porque os órgãos de controle estão funcionando.

Mas nesta semana mesmo a “Folha de S.Paulo” divulgou o caso do musical “Maysa”, que apresentou nota falsa de R$ 2,5 milhões de ar-condicionado.

O MinC já tinha alertado para o problema. Achou estranho.

Mas recebeu notas justificando o valor que eram falsas.

Quando a gente recebe esses documentos, há uma presunção de idoneidade. Depois é analisada a prestação de contas. Se você falar com os artistas, eles vão dizer que há excesso de pedidos de documentos, que eles têm dificuldade de atender. Sempre haverá momentos em que a fiscalização não terá sido bem-sucedida. É por isso que há órgãos de controle fora do ministério, há a imprensa, que também tem esse papel. E casos assim servem para a gente trabalhar no aprimoramento dos mecanismos de controle. Estamos trabalhando no fluxo de informações, na informatização do material que chega, para que tudo passe a ser eletrônico. O que me preocupa é não se levar em conta o fato de a lei hoje patrocinar mais de 3 mil projetos, e contar-se nos dedos aqueles em que se descobriu alguma irregularidade.

Quando o senhor assumiu, disse que queria diálogo, mas que os ânimos estavam acirrados para isso. E não melhoraram. Como dialogar com a classe se parte dela diz não reconhecer o governo?

Não sei se os ânimos estão mais acirrados. E eu disse que queria diálogo, mas que entendia que o momento era delicado por conta da exacerbação política. O discurso não mudou. As posições políticas às vezes continuam exacerbadas, mas é preciso entender que há um governo que foi fruto de um processo constitucional, e há um ministro da Cultura que está disposto a dialogar com quem quer que seja para a construção de políticas públicas consistentes. Mas só dialogo com quem quer dialogar.

Organizações como o GAP (Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música) e o Procure Saber estão apreensivas em relação à posição do MinC sobre direitos autorais. O que pensa da fiscalização sobre o Ecad, por exemplo?

Está se fazendo muita espuma para pouco chope. Entendo que eles viveram um momento mais confortável porque o diretor de Direito Intelectual (Marcos Souza, exonerado mês passado) era próximo a eles. Mas nós temos hoje no ministério dois especialistas em direito intelectual — o secretário de Economia da Cultura, Claudio Lins de Vasconcelos, e o diretor de Direito Intelectual, Rodolfo Tamanaha.

Mas vai se rediscutir fiscalização sobre o Ecad?

É claro que não. Mas a gente quer ver direitos intelectuais para além da questão de Ecad. Queremos trabalhar a cultura como um eixo estratégico de desenvolvimento. E isso perpassa questões de direito intelectual. Todos os lados serão ouvidos sempre que o diálogo se der de maneira respeitosa. Recebi mensagens que não pareceram respeitosas. E isso não permito.

O senhor disse que não pediria reintegração do Palácio Capanema, ocupado por manifestantes contrários ao governo. Depois mandou desocupar. Por que mudou de ideia?

A gente dizia que não pediria reintegração na medida em que as manifestações obedecessem o Estado democrático, o que não aconteceu. Houve denúncias de drogas, assédio a servidores, danos ao patrimônio. É claro que o movimento que estava lá vai dizer o contrário. Corre inclusive na Polícia Federal uma investigação. Além disso tudo, havia um atraso na obra do Capanema por conta das pessoas ali.

E a Biblioteca Nacional?

Vai ser toda reformada até o fim de 2018. Nossa dificuldade é em relação aos projetos. Foram contratados vários em parceria com a FGV. Alguns não tiveram chancela do Iphan. Vamos botar a licitação na rua até meados de 2017.

O que pensa do projeto da Política Nacional da Leitura e Escrita, que está no Senado?

Isso chegou a mim há pouco tempo e ainda não tive tempo de refletir adequadamente. Mas é uma área prioritária.

Mas, se é prioridade, não deveria estar sendo discutido?

Parece muito tempo, mas três meses é muito pouco. A gente está recrutando neste momento o novo responsável pelo Departamento de Livro, Leitura e Biblioteca e o novo titular do Plano Nacional do Livro e Leitura.

O MinC tem um dos piores planos de carreira para o funcionalismo. Como melhorar?

O primeiro passo foi o programa de valorização do servidor. É traumático, claro, colocar 81 pessoas na rua, mas a gente sabe que elas nem deveriam estar ali. Eram de fora dos quadros do MinC. Sobre a Cinemateca, houve um erro (funcionários de carreira foram exonerados e depois reintegrados). Mas oferecemos 50 vagas a funcionários do MinC. E 43 foram preenchidas.

O senhor disse que quer valorizar a Funarte? Como?

Vamos recomeçar o Plano Nacional das Artes, que nem ouviu os servidores da Funarte. Alguns setores, como o teatro, também não se sentiram contemplados. A ideia é refundar a Funarte. Estamos estudando vários modelos para dotá-la de fontes de financiamento perene, como um fundo a exemplo do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual).

Cujo dinheiro viria de…?

Várias fontes. Uma lotérica que a gente está discutindo com a Caixa, por exemplo. O próprio Fundo Nacional de Cultura pode ter parte para as artes. Já pensei até numa taxação de cigarro. E incluímos a Funarte para receber parte dos recursos caso o projeto de lei que quer legalizar o jogo no país seja aprovado.

Vai mesmo ser Autoridade Pública Olímpica? Pode?

Desde que não acumule remuneração, sim. Isso tá em avaliação pelo governo, mas acho que meu nome tem a ver com a proximidade que tenho com o Rio. E a APO vai até dezembro.

O senhor era um secretário prestigiado no Rio e hoje há quem o chame de “ministro golpista”. Como lidar?

Isso deriva de um momento de paixões exacerbadas. Acho inadmissível esse rótulo de golpista. Golpista é quem desrespeita a Constituição. E houve um processo legítimo e constitucional. O que me atinge é gente que foi do meu convívio pessoal ser desrespeitosa comigo. O resto faz parte do processo democrático.

Expor sua intimidade no Instagram gera algum desconforto como ministro?

É próprio da nossa geração postar selfies. Meu instagram é meu recanto pessoal. Políticos não são de Marte, têm vida. Boto fotos de avó, afilhados, gatos, minhas em cenas lúdicas.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Conversa mole! No máximo irá gerar um "apagão" no bolso de muita gente, que se acostumou a viver as custas do dinheiro dos pagadores de impostos, via "Lei Roubanet".

    1. Pois é. E é muito estranho que o juiz Sergio Moro e sua equipe da Lava Jato não avançaram muito nas investigações sobre isso não é?!

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Geral

Senado aprova piso salarial de R$ 13,6 mil a médicos e dentistas

Foto: Freepik

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou em caráter terminativo o projeto de lei 1.365/2022, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e relatoria de Fernando Dueire (PSD-PE), que prevê a elevação do piso salarial nacional de médicos e cirurgiões dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 em jornadas de 20 horas semanais.

A proposta, informou o Congresso em Foco, também aumenta de 20% para 50% os adicionais de trabalho noturno e de horas extras, assegura intervalo de descanso de dez minutos a cada 90 minutos trabalhados, determina que a chefia de serviços médicos e odontológicos seja exercida exclusivamente por profissionais das respectivas áreas e estabelece correção anual do piso conforme a inflação.

Se transformada em lei, a nova remuneração mínima valerá para profissionais dos setores público e privado. Para servidores estaduais, distritais e municipais, o reajuste poderá seguir índice definido em legislação local. O projeto também prevê que o aumento das despesas de estados e municípios seja financiado por transferências do Fundo Nacional de Saúde.

Parecer do relator

Ao defender a aprovação da proposta, Fernando Dueire argumentou que o novo piso é necessário não apenas por falta de reajuste nacional dos valores, mas na falta de efetividade da legislação atualmente em vigor. Segundo o relator, “Uma lei que é descumprida em escala nacional, de forma sistemática e impune, deixa de ser direito e torna-se promessa vazia”.

O senador também sustenta que a “a inexistência de patamar remuneratório mínimo claro e dotado de mecanismo de sanção cria incentivo estrutural para que empregadores comprimam custos por meio de arranjos contratuais atípicos”, abrindo terreno para a precarização.

Para Dueire, a valorização da categoria também está associada à ampliação do acesso à saúde em regiões afastadas dos grandes centros urbanos ao viabilizar o exercício da medicina nesses locais.

Sobre o aumento do adicional noturno, o parlamentar avalia que o percentual atual não considera as características da atividade desempenhada por médicos e dentistas durante a noite, frequentemente ligada a atendimentos de urgência e emergência de maior complexidade.

No seu entendimento, o projeto cria condições para que o direito à saúde “deixe de depender da boa vontade dos empregadores e passe a contar com um marco legal efetivo”.

Próximos passos

O projeto foi aprovado no Senado em rito terminativo, que dispensa a necessidade de votação em Plenário, salvo recurso contrário. Na Câmara, deverá avançar no rito equivalente, a tramitação conclusiva. Nela, também é dispensada a votação em Plenário contanto que haja concordância entre todas as comissões ao longo do percurso.

Caso a Câmara mantenha o texto conforme definido pelo Senado, a matéria segue diretamente à sanção presidencial. Se houver mudança, retorna à Casa para revisão.

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Política

Rogério Marinho vê “dificuldade cognitiva” do governo sobre 6 X 1

Foto: Divulgação

O líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta 4ª feira (10.jun.2026) que o governo federal foi “irresponsável” e apresentou uma “dificuldade técnica e cognitiva” pela forma como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6 X 1 foi encaminhada e aprovada na Câmara dos Deputados.

Marinho apresentou, em 28 de maio, uma contraproposta chamada PEC do Trabalho Flexível que cria um modelo alternativo de contratação baseado nas horas efetivamente trabalhadas. Durante audiência pública no salão nobre da Câmara, o senador classificou a abordagem governamental como “inexequível”.

Segundo ele, a medida visa dividendos eleitorais imediatos sem medir o impacto financeiro de longo prazo nas cadeias produtivas. “E se o preço para isso for desestruturar o sistema produtivo brasileiro, esse é um preço pequeno para se pagar”, declarou.

Em conversa com jornalistas no Senado disse esperar que o debate seja realizado depois das eleições de outubro. Para ele, a PEC aprovada pela Câmara e a PEC do Trabalho Flexível devem tramitar em conjunto no Senado para fomentar o debate —o que não deve acontecer.

Segundo Marinho, a tentativa de unificar os conceitos de jornada e escala dentro do mesmo texto legal ignora a complexidade do mercado de trabalho brasileiro, o que criaria uma “camisa de força” na jornada de trabalho brasileira.

O líder da oposição afirmou que a proposta governamental vem de um grupo que “só pensa nas próximas eleições” e carece de sustentação técnica.

Marinho alertou que a rigidez do texto do governo poderá forçar pequenos e médios empreendedores para a informalidade. O senador também disse temer um “enorme passivo trabalhista e judiciário”, o que, segundo ele, afetaria a segurança jurídica do ambiente de negócios no Brasil.

O senador utilizou uma comparação com a compra de calçados militares para exemplificar sua posição: “Imaginem uma companhia de soldados. Você vai comprar um par de sapatos, uma botina, um coturno, que vai servir para esses soldados. Você vai dizer: não, eu vou comprar o número 40, que é o número mais comum. Quem calça 37? Vai fazer o quê com o 36? Vai pegar um maço de algodão e complementar para que o bico não fique sobrando. Mas quem calça 42 ou 44? O cara vai recortar o bico para conseguir calçar. É mais ou menos o que o governo está propondo: tratar o desigual de forma igual”, afirmou.

 

Com informações do Poder 360

 

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Esporte

Árbitro de estreia do Brasil na Copa 2026 já foi detido em festa com armas, drogas e prostitutas

Foto: Getty Images

Nesta quarta-feira (10/6), a Fifa divulgou quem será o árbitro do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo: o esloveno Slavko Vincic, de 46 anos. Além de sua presença em grandes jogos de futebol, chama a atenção um caso de sua vida pessoal.

Em 2020, noticiou o portal O Tempo, o profissional foi detido, junto de outros 26 homens e nove mulheres, em uma propriedade rural na Bósnia e Herzegovina. Eles eram suspeitos de envolvimento com tráfico de armas, de drogas e prostituição.

No local, foram apreendidas 10 pistolas, cocaína, medicamentos e cerca de 10 mil euros em espécie.

De acordo com a imprensa europeia, Vincic foi conduzido à delegacia para prestar depoimento como testemunha e liberado posteriormente. Não houve acusação formal contra o juiz, que foi inocentado após as investigações.

“Acabei neste rancho por acaso. Tenho minha própria empresa e estava na Bósnia e Herzegovina para uma reunião de negócios. Aceitei um convite para almoçar, o que acabou sendo meu maior erro. Me arrependo disso”, disse na época.

Em 2026, o árbitro apitou nove jogos da Uefa Champions League, entre fase de grupos e quartas de final, além de outras competições pelo mundo. Pela 1ª rodada do Grupo C do Mundial, o Brasil vai encarar o Marrocos neste sábado (13/6), às 19h (de Brasília), nos Estados Unidos.

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Geral

Projeto de complexo esportivo para Nossa Senhora da Apresentação é entregue à Prefeitura do Natal

Foto: Demis Roussos

O prefeito de Natal, Paulinho Freire, recebeu representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), na manhã desta quarta-feira (10). Durante o encontro, foi entregue ao Município um estudo preliminar para implantação de um complexo esportivo no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte da capital.

Desenvolvido em parceria entre o CAU e a Prefeitura do Natal, o projeto prevê a criação de uma área voltada ao esporte e ao lazer, com campo de futebol, quadras de vôlei, pista de skate e espaços arborizados destinados à convivência da comunidade.

Durante a reunião, Paulinho Freire falou sobre a parceria entre as instituições e os benefícios previstos para a população da região. “Essa parceria entre a Prefeitura e o Conselho de Arquitetura reúne conhecimento técnico, planejamento e participação popular. Recebemos esse projeto com satisfação porque ele apresenta uma proposta voltada ao esporte, ao lazer e à convivência comunitária em uma área importante da Zona Norte. Agora vamos avaliar os caminhos para viabilizar sua execução”, afirmou o prefeito.

A presidente do CAU, Patrícia Luz, explicou que a proposta foi construída de forma participativa, envolvendo arquitetos, urbanistas, moradores da comunidade e técnicos da Prefeitura. “Essa é uma parceria entre o CAU e a Prefeitura do Natal, que envolve também a participação dos moradores de Nossa Senhora da Apresentação. O projeto foi desenvolvido por arquitetos e urbanistas em diálogo com a comunidade e com os técnicos do Município. Todo esse trabalho está traduzido em um estudo preliminar, entregue hoje como doação para que a Prefeitura possa avaliar as possibilidades de execução”, disse.

O estudo entregue ao Município servirá de base para as análises técnicas e etapas necessárias à implantação do equipamento, que prevê espaços voltados ao esporte, lazer e convivência comunitária em uma das áreas mais populosas da capital.

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Mundo

EUA lançam ataques contra múltiplos alvos no Irã pelo segundo dia consecutivo

Foto: Getty

Os EUA iniciaram ataques contra múltiplos alvos no Irã pelo segundo dia consecutivo, informou o CENTCOM (Comando Central dos EUA) nesta quarta-feira (10).

O CENTCOM justificou os ataques como uma resposta à “agressão injustificada e contínua do Irã”.

“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje, às 17h15 (horário do leste dos EUA), contra múltiplos alvos no Irã, sob ordens do Comandante-em-Chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.

Trump afirmou que o Exército americano faria novos ataques contra o Irã nesta quarta-feira.

“Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, citando a derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz.

“Com base no helicóptero, acho que temos o direito de fazer isso”, disse ele a repórteres.

Questionado se isso significa a retomada dos bombardeios, o presidente dos EUA afirmou que sim.

Ele se recusou a descartar ataques à infraestrutura civil, incluindo usinas de energia e pontes, demonstrando frustração com o fato de o Irã ainda não ter assinado um acordo.

Assim, o republicano lamentou a lentidão das negociações para encerrar a guerra, que, segundo ele, ainda estão em andamento.

“Estou trabalhando com o Irã há vários meses. Eles deveriam assinar o acordo. É um bom acordo”, comentou, destacando que os iranianos já concordaram em não obter uma arma nuclear.

“Queremos um acordo que seja significativo, queremos um acordo que funcione”, pontuou Trump.

 

CNN

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Política

Deputado Zé Trovão diz que “homens se beijando” é “falta de vara de marmelo”

Foto: Reprodução

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) fez declarações contra a comunidade LGBT+ durante reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados na 3ª feira (9.jun.2026). As falas foram durante o debate sobre a redução da maioridade penal e incluíram comentários sobre a 30ª Parada LGBT+ de São Paulo, realizada no domingo (7.jun.2026).

Ao defender restrições à presença de crianças em determinados eventos, o congressista afirmou que “não cabe uma criança ver 2 homens praticamente seminus se beijando”. Em seguida, declarou: “Aquilo ali não tem nada a ver com cultura, aquilo ali é falta de peroba, é falta de uma vara de marmelo, é falta de tomar vergonha na cara”.

A 30ª Parada LGBT+ de São Paulo teve público estimado em 36.800 pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e a ONG More in Common.

A contagem utilizou imagens aéreas captadas por drones e analisadas por software de inteligência artificial. O tema da edição foi a renovação do Congresso Nacional, com o lema “A rua convoca, a urna confirma”.

Em São Paulo, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em 1º turno um projeto do vereador Rubinho Nunes que estabelece restrições à presença de crianças e adolescentes em eventos que, segundo o texto, façam alusão ou promovam práticas LGBT+. A proposta ainda precisa passar por uma 2ª votação e ser sancionada pelo prefeito para entrar em vigor.

Poder 360

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Geral

Wesley Safadão é denunciado por propaganda eleitoral em show na Paraíba

 Foto: Leo Franco / AgNews

Nessa terça-feira (9), o Ministério Público Eleitoral da Paraíba (MPE-PB) denunciou o cantor Wesley Safadão por uma suposta propaganda eleitoral antecipada. O artista teria dado declarações durante um show no Parque do Povo, no São João 2026 de Campina Grande (PB), na última sexta-feira (5).

O MPE apontou que Safadão teria feito o gesto de um “foguete” no palco. De acordo com a denúncia, o movimento faz referência ao senador Efraim Filho (União Brasil), pré-candidato ao Governo da Paraíba.

Ainda segundo o órgão, o artista teria dito “o foguete, está aqui o foguete”. Efraim Filho estava assistindo ao show, conforme aponta a representação do MPE.

A ação pede que seja aplicada uma multa de R$ 25 mil a Efraim Filho, Wesley Safadão e ao prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, por propaganda eleitoral antecipada. O MPE pede ainda a remoção imediata dos conteúdos publicados nas redes sociais e a aplicação das sanções contra o senador e o prefeito, considerando casos de conduta vedada a agente público.

As informações são do G1

 

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Mundo

Peru: diferença entre Sánchez e Fujimori é de menos de 10 mil votos

Foto: Getty

O Peru segue na contagem dos votos do segundo turno da eleição presidencial, realizada no último domingo (7/6), e a disputa entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori segue acirrada, com menos de 10 mil votos de diferença.

Com 97,874% das urnas apuradas, com última atualização às 16h42 desta quarta-feira (10/6), o candidato de esquerda, Sánchez, está ligeiramente à frente, com 50,024% dos votos. A candidata de direita, Keiko Fujimori, registra 49,976 % dos votos.

Em números brutos, a diferença entre os dois, no momento, é de 8.509 votos. Sánchez tem 9.016.443 votos, e Fujimori, 9.007.934.

O resultado final das eleições só será anunciado em julho, segundo autoridades eleitorais do país.

A demora acontece porque, após a apuração de 100% das urnas, o país ainda passará por um novo mecanismo de recontagem dos votos, em seções eleitorais que apresentaram irregularidades.

Sánchez e Fujimori

Roberto Sánchez é psicólogo e parlamentar eleito do Congresso peruano, com mandato entre 2021 e 2026. Foi ministro do Comércio Exterior e Turismo durante o governo do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído e preso em 2022, condenado por conspirar para cometer rebelião no país.

Sánchez considera a prisão política e promete, se eleito, conceder um indulto para livrar Castillo. Outras promessas do esquerdista são o combate à pobreza e a nacionalização de recursos naturais do Peru.

Com forte apelo junto ao público rural e do interior do país, Sánchez esteve atrás de Fujimori durante quase toda a contagem de votos, e passou a liderar somente após 94% das urnas apuradas.

Keiko Fujimori é filha do ex-presidente de direita Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000, e foi primeira-dama do Peru entre 1994 e 2000.

Autogolpe

Alberto Fujimori deu um autogolpe no Peru em 1992, governou por mais oito anos antes de renunciar. Ele foi preso em 2004, condenado por crimes contra os direitos humanos durante o mandato. Ele morreu em 2024 em decorrência de um câncer na língua.

Sua filha, Keiko Fujimori, fez promessas de campanha principalmente ao setor empresarial, como isenção de impostos e taxas, além de uma reforma tributária e trabalhista no Peru.

Ela também promete melhorar a segurança pública no país, com propostas similares a políticas de Nayib Bukele, em El Salvador.

 

Metrópoles

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Geral

Cardiologista Álvaro Barros recebe título de cidadão potiguar na Assembleia Legislativa

Foto: João Gilberto

A Assembleia Legislativa do RN tornou Norte-rio-grandense mais uma personalidade com relevantes serviços prestados ao Estado: o médico Álvaro Roberto Barros Costa. A sessão solene aconteceu na tarde desta quarta-feira (10), no Plenário, através de proposição do presidente Ezequiel Ferreira (PSDB), com a presença dos parlamentares Coronel Azevedo (PL) e Adjuto Dias (PL), de representantes do Governo do Estado, da Câmara Municipal de Natal e da Ordem dos Advogados do Brasil/RN, além de familiares e amigos do homenageado.

“O homenageado desta solenidade nasceu em Altinho, no agreste pernambucano. Estudou, formou-se médico e percorreu caminhos que o levaram aos mais importantes centros de cardiologia do Brasil e da Europa. Aprendeu com mestres consagrados, especializou-se na delicada arte de cuidar do coração humano e construiu uma trajetória profissional admirável. Todavia, foi em Natal, há mais de três décadas, que decidiu fincar suas raízes. Desde 1991, o Dr. Álvaro Roberto Barros Costa tem dedicado sua inteligência, sua experiência e sua sensibilidade ao povo potiguar”, iniciou Ezequiel.

Segundo o presidente da ALRN, “a Medicina é uma das mais belas expressões da solidariedade humana. E poucos profissionais compreenderam tão bem esse chamado quanto o Dr. Álvaro”.

“Seu currículo impressiona. Seus títulos acadêmicos merecem respeito. Suas funções de liderança nas entidades médicas engrandecem sua biografia. Mas o que verdadeiramente justifica esta homenagem é algo que não cabe em diplomas nem em certificados: é o bem que ele fez às pessoas”, destacou.

Em seguida, o presidente Ezequiel se dirigiu diretamente ao homenageado, frisando que “hoje, ao receber o título de Cidadão Norte-rio-grandense, Vossa Senhoria passa a integrar oficialmente uma família que, na verdade, já o acolheu há muito tempo”.

“A partir desta data, o senhor será, por força da lei e por justiça da história, filho desta terra onde o sol nasce primeiro. E esta homenagem reconhece não apenas o médico brilhante que o senhor se tornou, mas também o ser humano que compreendeu que a vida encontra seu maior sentido quando é colocada a serviço dos outros”, ressaltou o deputado.

Finalizando seu discurso, Ezequiel Ferreira agradeceu ao médico pelos serviços prestados ao Estado.

“Muito obrigado pela dedicação à Medicina. Muito obrigado por ajudar a construir um Rio Grande do Norte mais humano, mais saudável e mais forte. Seja bem-vindo, oficialmente, à cidadania potiguar que o senhor já conquistou há muito tempo no coração das pessoas. Que Deus continue iluminando seus caminhos e abençoando sua missão de cuidar daquilo que temos de mais precioso: a vida. Muito obrigado”, encerrou.

Após seu pronunciamento, o presidente Ezequiel Ferreira entregou a placa de título honorífico de cidadão Norte-rio-grandense ao médico Álvaro Roberto Barros Costa, seguida da entrega simbólica da bandeira do RN.

Na sequência, o novo cidadão potiguar fez o seu discurso de agradecimento.

“Hoje eu quero agradecer primeiro a Deus, que é o DNA do Universo e que, em Sua sabedoria, faz de nós sábios, para cuidar de nós mesmos e dos outros. Ser médico é algo muito profundo. Mas, o privilégio de ser médico, cuidar da vida dos outros e devolver a esperança, não faz de nós mais importantes; apenas nos dá uma responsabilidade maior, pois nosso erro pode custar a vida do outro”, frisou.

O Dr. Álvaro Barros agradeceu também à sua família de origem, do município de Altinho, afirmando ter certeza de que eles estão extremamente orgulhosos por mais essa conquista.

“Agradeço também à minha esposa, Edineide. Ela é uma gigante, uma grande mulher. Para ser um grande homem, é preciso ter ao lado uma grande mulher. Nós só podemos ser grandes e ter força quando temos base em casa”, disse o cardiologista.

Ao longo da sua fala, continuou demonstrando sua gratidão ao seus pais, irmãos, amigos e colegas de profissão que lhe ajudaram a chegar aonde chegou.

Concluindo suas palavras, o médico reafirmou o seu senso de pertencimento ao Estado do Rio Grande do Norte.

“Eu plantei uma rosa neste Estado. Plantei uma rosa no coração dos potiguares. Plantei a rosa da minha felicidade e gratidão por ser acolhido por vocês. Eu e minha família somos muito felizes e gratos por tudo isso. Vocês todos moram no meu ventrículo esquerdo, junto do músculo papilar. Muito obrigado!”, finalizou o homenageado.

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Política

Zenaide cobra Senado para aprovar sua PEC que reduz endividamento das famílias e derruba juros de até 400%

Foto: Waldemir Barreto

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) pediu ao Senado, em pronunciamento na sessão plenária desta quarta-feira (10), para acelerar a votação da proposta de autoria da parlamentar que reduz o alto endividamento das famílias brasileiras, além de barrar a cobrança de juros de até 400% ao ano por parte de empresas e instituições financeiras no cartão de crédito e no cheque especial.

“O escândalo que quero novamente denunciar é a relação dos juros extorsivos e o comprometimento do salário dos brasileiros e brasileiras. As taxas de juro cobradas por bancos e cartões de crédito estão engolindo o orçamento e a renda das pessoas. Com juros de mais de 400% ao ano, ninguém consegue ter capacidade de pagamento de despesas básicas, gente! Ninguém é culpado por contrair dívidas quando precisa se alimentar, pagar aluguel, comprar remédio, cuidar de crianças e idosos”, criticou a senadora.

Nesse sentido, Zenaide voltou a apelar pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 79/2019, de sua autoria e subscrita por mais de 30 dos 81 senadores, que limita os juros do cartão de crédito e do cheque especial a até três vezes a taxa Selic, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil. O texto aguarda definição de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Presidente da sessão, o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) manifestou interesse em relatar a proposta de Zenaide e endossou o posicionamento da parlamentar, a quem disse admirar por não temer “entrar em vespeiros” como o mercado privado de cartão de crédito.

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