Delúbio de Volta ao PT

De Josias de Souza:

Delúbio Soares informou a membros da Executiva do PT que vai formalizar um pedido de “refiliação” ao partido.

Tesoureiro da legenda na fase do mensalão, Delúbio foi o único petista expulso depois que o malfeito virou manchete, em 2005.

Decorridos seis anos, quer voltar. Já cumpri a minha pena, disse ele nos diálogos privados que manteve com o alto comando do petismo.

Delúbio deseja que seu pedido seja levado a voto na próxima sexta-feira (29), dia em que o PT reúne o seu diretório nacional.

Rezam os estatutos do PT que só o diretório, instância máxima da agremiação, pode readmitir os filiados expulsos.

É a segunda vez que Delúbio tenta retornar ao PT. Ensaiara a formalização do requerimento no ano passado. A pedido de Lula, deu meia-volta.

No papel de cabo eleitoral, Lula receou que a ressurreição de Delúbio ecoasse mal na campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

A nova investida de Delúbio não encontrou, por ora, opositores. Informado acerca da movimentação, Lula ainda não se animou a renovar o pedido de 2010.

Forma-se no diretório do PT uma densa maioria a favor da reabilitação do ex-gestor das valerianas arcas.

Confirmando-se o pedido escrito de Delúbio, o PT terá de decidir sobre a inclusão do tema na pauta.

Uma tarefa para a Executiva nacional, que se reúne na quinta (21), véspera do encontro do diretório.

Guardião de segredos insondáveis, Delúbio absteve-se de lançar mão do trunfo em suas conversas preparatórias.

Ao contrário, fez questão de envergar o papel de vítima disciplinada. Disse que, a despeito da punição solitária, não guarda mágoa do partido.

Recordou que, depois de expulso, recolheu-se. Foi buscar formas de encher a geladeira.

Absteve-se, segundo afirmou, de traficar influência no governo. Disse ter montado um negócio na internet. Coisa voltada à venda de imóveis.

Não cobrei nem vou cobrar nada de ninguém, afirmou Delúbio entre quatro paredes. Fui viver a minha vida, ele acrescentou.

Realçou nessas conversas que muitos imaginavam que fosse se filiar a outra legenda, para disputar uma cadeira na Câmara.

Arrematou, em timbre emocional: sou do PT, quero morrer no PT. Quem ouviu Delúbio teve dificuldade de dizer “não” ao ex-tesoureiro.

Sobretudo porque o pedido chega num instante em que outros mensaleiros mereceram da legenda tratamento diverso.

O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, por exemplo, foi reconduzido ao diretório nacional. É, hoje, ardoroso defensor da volta de Delúbio.  

Por indicação do PT, João Paulo Cunha elegeu-se presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados.

José Genoino, presidente do partido na época do mensalão, ganhou cargo de assessor no Ministério da Defesa.

Eis a pergunta que emerge naturalmente: Sob atmosfera assim, tão condescendente, por que condenar Delúbio à exclusão perpétua?

O ex-tesoureiro é réu no processo que corre no STF. Divide o banco com Dirceu, João Paulo, Genuíno e um inquietante etc..

Embora Delúbio não diga, suspeita-se que ele cultive a pretensão de candidatar-se a prefeito, em Goiás, na eleição de 2012.

Para levar adiante o projeto, precisa assegurar a filiação partidária até setembro. Daí a pressa.