Polícia

REPORTAGEM DE LEITURA OBRIGATÓRIA: Drogas de fundo de quintal se espalham e geram roleta russa para usuários

Imagem: Estevan Silveira/UOL

TopCat, N-Bomb, Smile, K2 e Quad. Ecstasy e ácido genérico, maconha sintética, heroína artificial e mais uma miríade de estimulantes e alucinógenos que a maioria das pessoas nunca ouviu falar. Nos últimos anos, a vida do usuário de drogas sintéticas no Brasil (e no mundo) virou uma roleta-russa mais perigosa que a habitual.

Com a proliferação de laboratórios de fundo de quintal pelo país afora e a descoberta de substâncias psicotrópicas em uma velocidade maior do que a capacidade das autoridades de identifica-las e proibi-las, hoje é difícil saber o que vai na droga contida naquela pílula colorida de formato engraçado. Dia sim, outro também, aparece uma novidade nesse mercado.

De 2014 até o final de 2018, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar identificaram e apreenderam 209 novas drogas psicoativas em tentativas de traficantes de as trazerem ao Brasil ou já circulando nas ruas das principais cidades.

De acordo com o Relatório de Atividades 2017/2018 do Grupo de Trabalho para Classificação de Substâncias Controladas, concluído pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no início deste ano, a lista inclui também alguns medicamentos prescritos ou que entraram para a lista de substâncias controladas.

São consideradas novas drogas psicoativas as substâncias e compostos químicos que nunca antes tinham sido identificados e apreendidos sendo usados como drogas recreativas.

Também entram nessa lista substâncias que eram conhecidas anteriormente — como remédios de prescrição ou moléculas obscuras sintetizadas pela primeira vez nos anos 1950, 1960 e 1970 e nunca antes produzidas em larga escala, por exemplo –, mas que antes não eram usadas para “ficar doidão”.

Trata-se tanto de substitutos genéricos ou sintéticos para drogas conhecidas, como compostos que imitam os efeitos do ecstasy, da metanfetamina, da maconha e do LSD, por exemplo, até novas drogas de fato, vendidas nas ruas com nomes complicados como 25E-NBOH ou nomes comerciais como Spice, Smiles, N-Bomb e outros.

“São drogas que podem ser produzidas com estruturas simples, em praticamente um laboratório de fundo de quintal, um quartinho com poucos equipamentos e por pessoas com conhecimento técnico rudimentar”, afirma o delegado Rogério Henrique Rezende, chefe da Cord (Coordenação de Repressão às Drogas) da Polícia Civil do Distrito Federal.

“A maior parte destas novas drogas que temos visto e apreendido são substâncias caseiras, produzidas nestes moldes e de qualidade baixíssima. É uma verdadeira roleta-russa para os usuários”. Rogério Henrique Rezende, delegado da Polícia Civil do DF.

De acordo com o delegado, com um investimento baixo, algo entre R$ 30 mil e R$ 100 mil, é possível montar um laboratório caseiro de drogas. “Outra vantagem da produção de sintéticas para os criminosos é que a estrutura é fácil de montar e desmontar. Eles trocam de local constantemente e dificultam o trabalho da polícia.”

Ele usa de exemplo um caso em andamento na Cord, no qual um traficante preso pela polícia estava conseguindo sintetizar uma droga com efeitos parecidos com os do MDMA [principal composto do ecstasy tradicional] a partir de um dos ingredientes presente em qualquer xampu a venda nos mercados. “É uma situação muito difícil, neste caso estamos só encerrando o inquérito e já vamos notificar a Anvisa para incluir este componente na lista de substâncias controladas. Hoje é vendida pela indústria química sem restrições.”

Neste ano, a Cord já apreendeu o dobro de drogas sintéticas do que no mesmo período do ano passado. Até julho, foram seis laboratórios de fundo de quintal fechados só no DF.

Mais baratas, difíceis de rastrear e imprevisíveis

No caso das drogas “genéricas”, o objetivo de vendê-las no tráfico nacional e internacional geralmente atende a dois propósitos: possuem ingredientes mais baratos de produzir e obter do que seus similares tradicionais ou são novidades no mundo da química e não integram nenhuma lista de substâncias visadas ao redor do mundo.

“Ecstasy, por exemplo, é mais uma categoria de drogas sintéticas estimulantes e alucinógenas do que um composto específico”, afirma um traficante que concordou em conversar com a reportagem sem ser identificado. “Existem vários tipos de ecstasy hoje em dia, até com nomes e efeitos diferentes”, explica.

“A quantidade de substâncias diferentes tem crescido ano a ano, conforme as drogas sintéticas têm sido cada vez mais produzidas no Brasil. Até uns cinco ou dez anos atrás, todas as drogas sintéticas que rolavam no país eram importadas. Hoje, a maioria é nacional, feita em laboratórios caseiros sem controle de qualidade”, alerta o traficante.

“A droga nacional é horrorosa no geral e tem efeitos colaterais bizarros e imprevisíveis. Eu sempre aviso meus clientes e procuro ter droga importada, que custa mais que o dobro do preço. Ácido de verdade, por exemplo, é difícil de achar. Só rola os N-Bombs, que são parecidos mas não são iguais”. Traficante que pediu para não ser identificado.

Dados do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal, por exemplo, constataram que, de 2009 a 2012, 100% das apreensões de LSD [ácido lisérgico, uma droga alucinógena] eram, de fato, LSD mesmo. Depois do primeiro semestre de 2013, o número caiu para 50%. A outra metade das apreensões foi de genéricos, outras substâncias vendidas pelos traficantes ao usuário como se fosse LSD, mas não era.

Por exemplo o 25E-NBOH, que possui efeitos alucinógenos no organismo do usuário similares aos do “ácido” tradicional. A droga tem ganhado personalidade própria entre os usuários, é tanto vendida como se fosse LSD como com seu nome real.

Comprando no escuro

“Nas festas hoje em dia é complicado, a verdade é que você nunca sabe o que está tomando se comprar assim no escuro”, diz um advogado de 41 anos frequentador de festas de música eletrônica, onde as drogas sintéticas são muito comuns. “É por isso que eu e meus amigos sempre buscamos comprar com antecedência nossas coisinhas, de fontes de confiança. O mercado de ecstasy, ácido e afins virou uma terra de ninguém.”

A quantidade de novas drogas no Brasil nos últimos anos é tão grande que a lista de substâncias proibidas e controladas da Anvisa, que inclui todas as drogas ilegais, foi atualizada dez vezes com 37 novas substâncias no total, apenas entre os anos de 2017 e 2018.

Até o início dos anos 2010, as atualizações aconteciam esporadicamente. Ao ingressar na lista, a importação ou comércio destas substâncias passa a ser tratado com o rigor legal dispensado à cocaína e à maconha, por exemplo.

No final de julho, a Lista de Substâncias Entorpecentes, Psicotrópicas, Precursoras e Outras Sob Controle Especial da Anvisa possuía 657 substâncias.

Limbo jurídico

Antes da inclusão na lista, estas apreensões, sejam feitas em laboratórios, pontos de venda de drogas, casas noturnas ou na entrada no Brasil, caem em um limbo jurídico.

Em outubro do ano passado, a Polícia Civil do DF aprendeu 250 microselos de 25E-NBOH com um traficante de 18 anos que os vendia como se fossem LSD. Como na época o 25E-NBOH não constava na lista de substâncias prescritas da Anvisa, ele não podia ser acusado de tráfico de drogas.

O jeito para a polícia foi apelar para outro artigo do Código Penal, com uma acusação de crime contra a saúde pública e outras menores. A saída é cada vez mais usada nestas situações.

Em dezembro, o 25E-NBOH foi incluído na lista da Anvisa e agora qualquer atividade de produção, importação ou comércio da substância química pode ser considerado tráfico de drogas.

É um trabalho de enxugar gelo. Estima-se que uma nova droga surja no mundo por semana, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas). Muitas vezes, antes de serem proibidas, são vendidas até no comércio regular como sais de banho ou para outros fins.

Em 2017, o governo de SP chegou a editar uma portaria que eximia o Instituo de Criminalística de identificar drogas que não estejam na lista da Anvisa.

Desde pelo menos 2015, o prazo para a Anvisa incluir uma nova droga na lista de proibições varia de 45 a 60 dias, a partir da comunicação feita pelos órgãos policiais.

“Todos tomaram e só ela morreu”

Menos conhecidas e estudadas que as drogas tradicionais, as novas drogas ou drogas “genéricas” possuem efeitos adversos desconhecidos no organismo, o que aumenta o risco à saúde dos usuários. Não há parâmetros ou referências de controle.

“Esse talvez seja o aspecto mais preocupante deste fenômeno, que é mundial”, afirma o delegado Rezende. “Ano passado teve uma rave aqui em Brasília onde uma jovem de 20 e poucos anos morreu depois de tomar um comprimido, supostamente de ecstasy. Fomos investigar e descobrimos que ela chegou na festa e, com um grupo de amigos, comprou a droga de uma pessoa desconhecida. Todos os comprimidos pareciam iguais, todo mundo tomou. Só ela passou mal e morreu”, diz o delegado.

“Quando chegou o resultado da análise no Instituto de Criminalística, vimos que a droga dela estava mal manipulada, com uma concentração fatal de MDMA e outras substâncias químicas. Ela deu azar na roleta-russa”, conta o delegado. Segundo ele, a investigação levou a dois laboratórios de drogas sintéticas de fundo de quintal, fechados este ano pela polícia em Santa Catarina.

“É uma situação difícil até para o atendimento médico de emergência: quando é cocaína por exemplo ou outra droga conhecida, o médico sabe como proceder no caso de uma emergência. Quando é uma substância sintética desconhecida, não há como tratar uma overdose com eficiência”. Rogério Henrique Rezende, delegado da Polícia Civil do DF.

A psiquiatra Luciana Siqueira, chefe do ambulatório do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, especializada no tratamento de viciados em drogas, concorda. “É um problema, não só do médico administrar uma intoxicação, mas também de abstinência”, diz. “Existem protocolos estabelecidos para vários casos diferentes, mas quando não sabemos o que o paciente consumiu, o médico fica no escuro. Acaba atuando por semelhança, usando protocolos para sintomas semelhantes. Geralmente funciona, pode não funcionar”, alerta a especialista.

“Esse problema para os médicos é antigo e mais comum do que se pensa. Na pediatria, por exemplo, é normal pacientes que ingeriram substâncias de limpeza ou remédios dos pais por exemplo, e o profissional tem que lidar com isso”, afirma Luciana.

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, estudos clínicos associam o uso de Spice e K2, por exemplo, variedades de maconha sintética, com o aumento no índice de esquizofrenia entre os usuários, principalmente os adolescentes.

O fentanil, poderoso analgésico hospitalar dezenas de vezes mais forte que a heroína e assim muito mais perigoso, começou a ser traficado nas ruas de diversas cidades dos EUA nos últimos anos em substituição à heroína. No início, começou a ser usado pelos traficantes para “batizar” a heroína: a droga era diluída em um pó semelhante sem valor comercial (geralmente fermento ou leite em pó) e depois recebia o fentanil em pequenas doses, para balancear a potência. Com o tempo, a substância ganhou status próprio e hoje é vendida como uma droga rival da heroína no país norte-americano.

Problema mundial

Os números revelam um problema mundial. Pelo menos 111 países, inclusive o Brasil, já reportaram ao UNODC (Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes) o aparecimento de pelo menos uma nova substância psicoativa em seus territórios. A União Europeia identificou 560 novas drogas de 2010 a 2017.

As novas drogas, conforme definição do UNODC, são “substâncias de abuso, seja na forma pura ou como parte de uma mistura, que não são controladas internacionalmente pela Convenção Única de Entorpecentes (1961) e nem pela Convenção de Substâncias Psicotrópicas (1971), mas que podem representar uma ameaça à saúde pública”.

Das novas substâncias identificadas no Brasil em 2017, as mais comuns são as catinonas sintéticas (46%), que simulam efeitos de drogas conhecidas como cocaína, anfetamina, metanfetamina e MDMA. Em segundo lugar vêm as feniletilaminas (26%), que também reproduzem os efeitos das drogas acima, mas que podem também provocar alucinações, com efeitos semelhantes aos do LSD, por exemplo.

O dado mostra uma inversão da tendência vista em 2016, quando a maior parte das substâncias identificadas eram feniletilaminas (42%), enquanto os canabinoides sintéticos (20%), que simulam efeitos da maconha, vinham em segundo lugar.

Tanto Anvisa quanto Polícia Federal negaram o pedido do UOL de entrevistar alguém de seus quadros sobre este assunto.

UOL

 

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Brasil

Tráfico de influência: ministro Mendonça autoriza 2º inquérito contra Lulinha

Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, na tarde desta sexta-feira (31/7), a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva. O fato tem relação com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação foi revelada pelo O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

O novo inquérito identificou indícios de irregularidades na relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT.

A empresa teria buscado negócios na Dataprev, companhia de tecnologia do governo federal, e em outros órgãos. A investigação suspeita de que Lulinha tenha recebido ao menos uma viagem em troca de negócios na gestão federal.

A PF ainda pediu um terceiro inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, mas a solicitação ainda deve ser distribuída no STF.

O caso de Lulinha está com Andre Mendonça após sorteio no STF. Como a Polícia Federal não pediu que os novos inquéritos fossem distribuídos ao magistrado, os processos foram submetidos ao sorteio entre os ministros.

Apesar disso, o sistema de distribuição da Corte sorteou novamente Mendonça como relator.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e advogado de Lulinha, ressaltou ao Metrópoles que a defesa segue tranquila. No entanto, afirma que não teve acesso a essa nova abertura de investigação.

Metrópoles

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Brasil

Anvisa ordena retirada de paracetamol das farmácias; fabricante diz que testes não indicaram falhas

Foto: Divulgação

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão da distribuição, venda e uso de um lote do Paramol 750 mg (paracetamol) após identificar comprimidos com sinais de possível contaminação por bolor, conhecido popularmente como mofo.

A decisão foi publicada nesta quinta-feira (30) no DOU (Diário Oficial da União) e determina o recolhimento de todas as unidades do lote 114053, da apresentação com 200 comprimidos, fabricada pela Belfar Ltda.

Segundo a Anvisa, foram encontrados comprimidos com sujidades cuja aparência é sugestiva de contaminação por bolor, um tipo de fungo que pode comprometer a qualidade do medicamento.

Lote específico de Paramol foi suspenso pela Anvisa

A medida preventiva vale apenas para o lote 114053 do Paramol 750 mg. De acordo com a Belfar, outros lotes do medicamento e demais produtos fabricados pela empresa não foram afetados pela decisão.

O Paramol é indicado para o tratamento de febre e para o alívio de dores leves a moderadas.

Após ser comunicada sobre a suspensão, a Belfar afirmou que realizou análises em amostras de referência do lote e informou à Anvisa que as contraprovas não apontaram desvios de qualidade.

Em nota, a empresa declarou que mantém diálogo com a agência para esclarecer o caso e que avalia as medidas administrativas cabíveis. A fabricante também afirmou que irá prestar esclarecimentos aos consumidores.

Com informações do portal NDMais

 

 

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Política

‘Está faltando braço da PF’, diz Flávio sobre investigação contra Lulinha

Foto: Reprodução/Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 30, que a Polícia Federal carece de estrutura para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma transmissão ao vivo, ele questionou o tratamento dado ao empresário e comparou a situação com a hipótese de um filho de Jair Bolsonaro ser suspeito de corrupção.

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira, 30, que falta estrutura na Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em transmissão em seu canal no YouTube, o parlamentar questionou o tratamento dado ao empresário.

“Está faltando braço, faltando gente para esse pequeno grupo da Polícia Federal do Lula investigar o filho do presidente da República”, disse Flávio. “Vocês já imaginavam se o filho do presidente Jair Bolsonaro fosse suspeito de receber dinheiro desviado de aposentados?”

A declaração ocorreu horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizar a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no governo federal. Flávio, no entanto, não comentou diretamente a decisão do ministro.

O pedido para a abertura do inquérito partiu da Polícia Federal e foi distribuído ao ministro André Mendonça. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à autorização para a comercialização de Cannabis medicinal em programas do Ministério da Saúde.

No fim de 2025, quando surgiram as primeiras suspeitas que envolvem o seu filho, Lula afirmou que as autoridades deveriam apurar eventuais responsabilidades. “Ninguém ficará livre. Se a polícia encontrar meu filho metido nisso, a Justiça o investigará”, declarou na ocasião.

Flávio afirmou que na próxima quinta-feira, 6, fará uma live para confirmar os palanques do PL nos Estados, incluindo os apoios de partidos aliados. Segundo o senador, a iniciativa visa a reduzir a confusão entre os eleitores sobre as alianças partidárias para este ano.

Revista Oeste

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Eleições 2026

‘Ex-pardo’, ACM Neto se declara branco quatro anos após perder eleição em 2022

Foto: Divulgação/União Brasil

Quatro anos depois de informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que se considerava pardo, o ex-prefeito de Salvador e candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, passou a se declarar branco. A mudança consta no sistema oficial da Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 e reacende uma das principais polêmicas da campanha baiana de 2022.

Na disputa anterior pelo Palácio de Ondina, ACM Neto registrou a sua autodeclaração racial como parda perante o TSE. Pela metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizada também em políticas públicas e estatísticas oficiais, as categorias preta e parda compõem a população negra. A autodeclaração do então candidato provocou críticas de integrantes do movimento negro e de adversários, que o acusaram de oportunismo eleitoral em um estado cuja população é formada por 80,8% de pessoas negras, segundo o Censo de 2022.

A controvérsia ganhou força nos últimos dias da campanha, quando ACM Neto foi questionado sobre o tema durante uma sabatina do Bahia Meio Dia, jornal da TV Globo em Salvador. Na ocasião, perguntou ao entrevistador quem o considerava socialmente branco. Ao ouvir a resposta de que seria “toda a sociedade”, afirmou: “Eu me considero pardo”. Em seguida, ao ser informado de que o IBGE considera pretos e pardos como integrantes da população negra, rebateu: “Então o erro é do IBGE, não é meu. Simplesmente isso.”

A declaração rapidamente extrapolou o debate eleitoral e se transformou em um dos episódios mais lembrados da campanha de 2022. Nas redes sociais, ACM Neto virou alvo de memes que ironizavam sua identificação racial e a tentativa de se apresentar como um “irmão de cor” da maioria da população baiana. Naquele ano, ele acabou derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) no segundo turno.

A mudança na autodeclaração ocorre em um contexto em que o tema passou a receber maior atenção da Justiça Eleitoral. Desde 2014, o TSE registra a raça/cor informada pelos candidatos, permitindo acompanhar alterações ao longo das disputas. Nos últimos anos, o debate ganhou relevância com a ampliação das políticas de ação afirmativa e das cotas para candidaturas negras, levando movimentos sociais e especialistas a questionarem autodeclarações consideradas incompatíveis com a identidade racial publicamente reconhecida dos candidatos.

Patrimônio

Além da alteração na autodeclaração racial, ACM Neto informou ao TSE um crescimento expressivo de seu patrimônio. Segundo os dados registrados pela Justiça Eleitoral, o ex-prefeito declarou possuir 84,9 milhões de reais em bens neste ano, ante 41,7 milhões de reais informados na eleição de 2022.

O aumento de 103,5% corresponde a um acréscimo de 43,2 milhões de reais, impulsionado principalmente por novos investimentos em fundos imobiliários, aplicações financeiras, aportes em empresas, além da inclusão de um apartamento em Barra Grande, na Bahia, e dois veículos.

Veja

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Economia

DEU NÓ: No primeiro mês de Desenrola, endividamento e inadimplência continuaram iguais

Foto: Divulgação

Mesmo depois do lançamento, em maio, do Desenrola Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das famílias no Brasil pouco mudaram, e continuaram nos mesmos patamares recordes em que estavam.

Em maio, primeiro mês da vigência do programa, pouco mais de um quarto da renda das famílias continuava comprometido com o pagamento de dívidas: essa proporção oscilou de 31,2%, em abril, para 31,1% em maio. Um ano antes, em maio de 2025, era de 30,6%, e, no pico, em janeiro deste ano, bateu 31,4%. Os resultados estão atualizados até maior e fazem parte dos dados do mercado de crédito divulgados na quinta-feira, 30, pelo Banco Central.

O número não leva em consideração as dívidas com financiamento imobiliário. Quando estas entram na conta, as pessoas perdem quase a metade de sua renda: a parcela dos ganhos ocupada pelos empréstimos e financiamentos totais ficou em 49,8% em maio, ante 49,9% em abril.

O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da população, foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. Previsto inicialmente para durar por 90 dias, ele será prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto, conforme anunciou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta semana.

Inadimplência alta

O lançamento do programa também mexeu pouco na inadimplência. Ela inclusive aumentou no primeiro mês de Desenrola, tendo subido de 7,4% para 7,6%, de abril para maio, e ficado estável, nos mesmos 7,6%, em junho, de acordo com o Banco Central. É a maior proporção desde pelo menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número chegou a bater nos 7%.

A taxa leva em consideração apenas a inadimplência das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais, cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações permitidas pelo Desenrola. O dado não considera as linhas de financiamento que são reguladas, como o crédito imobiliário e o crédito rural, e que têm taxas de inadimplência mais baixas.

A inadimplência é medida considerando o valor total da carteira de crédito concedidos pelos bancos nessas modalidades que estão com os pagamentos em atraso.

Veja

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Cidades

Governo do Estado informa que fez acordo para pagar hospitais privados que atendem pacientes do SUS no RN, mas cirurgias eletivas continuam suspensas

 Foto: Bruno Vital/G1

O Governo do Estado emitiu uma nota informando que fez um acordo com os hospitais privados e cooperativas médicas para pagar, no dia 7 de agosto, as parcelas em atraso já acordadas, no valor de R$ 5.466.778,89. No dia 10 de agosto, segundo o comunicado, será feito o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Apesar do acordo, as cirurgias eletivas continuam suspensas nos hospitais privados que atendem à rede estadual até a efetivação do pagamento das parcelas em atraso, previsto para o dia 7/08. Até lá, só serão atendidos casos de urgência e emergência.

Leia a nota da Sesap:

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informa que enviou aos hospitais e cooperativas médicas uma planilha atualizada referente aos pagamentos e cumprimento de acordos por parte do Estado do Rio Grande do Norte, pelos procedimentos cirúrgicos e intervencionistas de serviços credenciados em Natal/RN.

No documento encaminhado na quinta-feira (30) e reiterado nesta sexta-feira (31), a Sesap propôs, para o dia 07 de agosto, o pagamento de parcelas já acordadas, no valor total de R$ 5.466.778,89. E para o dia 10 de agosto, o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Também foi pactuado com os prestadores a manutenção dos atendimentos de casos de urgência e emergência até a efetivação dos pagamentos programados, de forma a garantir os segurança à população.

 

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Política

[VÍDEO] “Lula se comporta como se nada tivesse sido descoberto sobre Jaques Wagner”, diz colunista

Imagem: Reprodução/Instagram

Para o colunista Josias de Souza, o presidente Lula adota uma postura de complacência e isolamento estratégico ao minimizar o impacto político do caso que envolve o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do Banco Master.

Segundo ele, Lula está negligenciando a polêmica envolvendo Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro: “acha que isso não vai interferir na eleição”.

Com informações do UOL News

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Política

[VÍDEO] Thabatta faz relato emocionado sobre identificação com Zenaide: “uma admiração que vai além da política”

Imagem: Reprodução

Em um depoimento emocionado, a vereadora Thabatta Pimenta diz que sua admiração pela senadora Zenaide Maia vai muito além da política.

No relato, Thabatta lembra que foi Zenaide quem lhe estendeu a mão e a enxergou quando ninguém enxergava. Ela também destaca a sensibilidade da senadora em vários momentos marcantes da sua vida e cita a identificação entre as duas como mães atípicas.

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Mundo

Academia cristã só para homens viraliza e web não perdoa: “rosca direta”

Foto: Reprodução

Com o objetivo de criar um ambiente de treino alinhado com princípios cristãos, influenciadores dos Estados Unidos criaram uma academia exclusiva para homens que rapidamente chamou atenção nas redes sociais. Nomeada de Proverbs 27:17 Fitness, o lugar ganhou repercussão pela proposta de oferecer um espaço considerado mais adequado aos valores religiosos dos fundadores, além de evitar situações vistas por eles como possíveis “tentações”.

A iniciativa começou a ganhar espaço nas redes sociais após um dos idealizadores explicar que a criação da academia também está relacionada à preocupação com casos de infidelidade associados a ambientes tradicionais de musculação. Segundo os responsáveis pelo projeto, a ideia é proporcionar um local onde os frequentadores possam se exercitar sem distrações consideradas incompatíveis com as convicções.

Além dos treinos, a academia busca promover a convivência entre homens que compartilham da mesma fé. Segundo os fundadores, o espaço pretende fortalecer amizades, incentivar a disciplina e contribuir para o desenvolvimento espiritual dos alunos por meio de uma rotina baseada em valores cristãos.

Contudo, a proposta dividiu opiniões nas plataformas digitais. Enquanto alguns internautas apoiaram a criação de um ambiente voltado para pessoas com princípios semelhantes, outros questionaram a separação por gênero e criticaram a justificativa usada para defender o funcionamento exclusivo para homens.

A repercussão também foi acompanhada por uma onda de memes nas redes sociais. Termos como “rosca direta” passaram a circular em publicações de humor, fazendo referência ao universo das academias e aumentando ainda mais a visibilidade do caso.

Com informações do Portal Dol

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Eleições 2026

Após PP barrar Tereza Cristina, Pedro Lupion vira aposta do agro na vice de Flávio

Foto: Pablo Valadares

Depois da negativa da federação para o nome de Tereza Cristina na vice, o agronegócio colocou dois nomes novos na mesa: Pedro Lupion, do Republicanos-PR e atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), hoje pré-candidato ao Senado. Entre os dois, é o nome de Lupion que ganhou força no entorno do senador nos últimos dias, justamente pela costura que ele já mantém com a bancada ruralista no Congresso.

Para nomes do entorno de Flávio ouvidos pela reportagem, o desafio agora é outro: convencer Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a liberar um de seus quadros para a chapa.

A avaliação interna é que Domingos Sávio agrega mais peso eleitoral por ser de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, o que mantém o mineiro como alternativa caso a negociação com o Republicanos em torno de Lupion não avance. Questionados sobre a possibilidade de escolher uma mulher para a vaga, o discurso no entorno do senador tem sido o mesmo: falta opção. “Não tem muita gente disponível”, tem sido a resposta padrão.

O problema é que a informação não fecha com os fatos. Nomes como a deputada federal pelo Ceará Priscila Costa (PL), além de Simone Marquetto e Julia Zanatta, já sinalizaram disposição para compor a chapa do filho 01.

Entrando na última semana de convenções e definição de chapas, a campanha de Valdemar Costa Neto segue como a única, entre as grandes candidaturas presidenciais, ainda sem vice definido.

Jovem Pan

 

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