FOTO: "Sei que Dirceu é leal, transparente e verdadeiro", explica professora aposentada que doou R$ 300 a mensaleiro

 9ejlzupwn1_ngi6045rt_file 1d1quv2jvy_s5v8gw4ji_fileSe há quem duvide da origem dos R$ 971 mil que ajudaram José Dirceu a pagar sua multa no mensalão, ao menos R$ 300 dessa bolada tem origem comprovada. Esse foi o valor que Maria Auxiliadora Galhano, professora de história aposentada, doou na campanha Apoio Zé Dirceu. A explicação de Dora para a doação é simples: “Dirceu é leal, transparente e verdadeiro”.

Colaborar financeiramente com condenados pela Justiça não é uma atitude comum no Brasil. Por isso, o R7 procurou a ex-professora para entender as razões que a levaram a doar para a campanha de Dirceu.

Dora, como é conhecida, tem 69 anos, não é filiada ao PT e não se considera militante política, mas ainda assim abriu mão do valor para colaborar com o acusado.

Também não tem ligação pessoal com Dirceu, a não ser pelo fato dela ter passado a infância em Passa Quatro, Minas Gerais, cidade natal do petista, e ter acompanhado sua trajetória desde o início.

Segundo ela, o que a fez tirar R$ 300 da sua renda para ajudá-lo foi ter acompanhado o processo do mensalão desde o início e acreditar na injustiça das condenações. Mesmo sem conviver com o ex-chefe da Casa Civil, ela é incansável ao defender sua honestidade.

— Acompanhei tudo do mensalão na íntegra. Li livros e matérias a favor e contra, e sei que José Dirceu é leal, transparente e verdadeiro. Uma das pessoas mais inteligentes desse País. Tenho certeza que ele faria tudo o que fez novamente pelo idealismo, ele é profundamente verdadeiro. Foi envolvido na história porque sua inteligência incomoda.

Quando ficou sabendo da arrecadação por meio do blog do Dirceu, Dora foi fazer a doação no mesmo dia. Ela, que só vai ao banco uma vez por ano, conta com orgulho que fez questão de ir pessoalmente realizar o depósito.

Sabendo das acusações de lavagem de dinheiro que cercam o partido, ela diz que enviou o comprovante da transferência para o PT e sabe que precisa declarar o valor no Imposto de Renda.

Outros envolvidos no caso, como José Genoino e Delúbio Soares, também receberam doações para quitar suas multas, mas não contaram com o apoio de Dora. Apesar de ter ficado na torcida, ela afirma que sua situação financeira não permitiu doações naquele momento.

A ex-professora não se queixa por ter ajudado um condenado e diz que nunca teve dúvida da integridade e honestidade dos envolvidos no caso.

— A justiça nesse País é muito parcial. Com Genoino foi a mesma coisa. Ele não pegou dinheiro de ninguém, sempre manteve o mesmo padrão de vida. Até hoje está sendo injustiçado e não está em regime semiaberto por perseguição. Conheço pessoas que acham que ele desviou o dinheiro, mas eu acompanhei tudo e vi o outro lado.

Dora doou a Dirceu por convicção e acredita que é por isso que as pessoas ajudam com qualquer valor: “fiquei sabendo de gente que colaborou com R$ 12”.

Depois de doar para a campanha, a ex-professora está agora na torcida para que o processo seja reavaliado pela Comissão de Direitos Humanos. Dora acredita que, em algum momento, as supostas injustiças serão reconhecidas.

R7