Política

Governo e PT recuam na CPI do Cachoeira

Durou menos de 24 horas a atmosfera de concórdia que unia governo e oposição ao redor da CPI do Cachoeira. A frágil harmonia se dissolveu já na fase de discussão do texto inaugural, que define os alvos e a abrangência da investigação.

Passava de 23h quando o presidente da Câmara, Marco Maia, pendurado ao telefone, tentava convencer os líderes oposicionistas a endossar o esboço de texto apresentado pelo PT na noite passada. Não conseguiu.

Além de limitar os objetivos da CPI, manietando-a, o governo decidiu que não vai compartilhar o comando da comissão com as legendas oposicionistas. Presidirá a invesvigação um senador do PMDB. O relator será um deputado do PT.

A oposição enxergou as digitais do Planalto e do petismo no requerimento da CPI. Mantidos no escuro durante todo o dia, os líderes ACM Neto, do DEM, e Bruno Araújo, do PSDB, só receberam cópias do documento pouco antes das 22h.

Redigida sob a supervisão do líder do PT, Jilmar Tatto, a peça anota que a CPI vai investigar “práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, com envolvimento do senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido vulgarmente como Carlinhos Cachoeira…”

Prossegue: “…Sem prejuízo de aditamento de fatos que se ligam, intimamente, ao objeto principal, particularmente à existência de um esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas ao arrepio do princípio de reserva de jurisdição.”

Houve um enorme recuo em relação à versão anterior. Redigida na véspera, no gabinete do presidente do Senado, José Sarney, esse primeiro texto agradara a governistas e oposicionistas. Era mais simples e abrangente.

Previa que a investigação alcançaria Cachoeira e todos os agentes públicos e privados que se relacionaram com ele. Com essa redação, a CPI teria abrangência, por assim dizer, ilimitada.

Sob a denominação de “agentes públicos”, caberiam de prefeitos a governadores de Estado, de simples servidores a ministros e congressistas, de delegados e policiais a magistrados. O texto cobria os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Embaixo do guardachuva de “agentes privados”, abrigavam-se todas as empresas que se envolveram com a quadrilha de Cachoeira –a Construtora Delta e qualquer outra. Assim era o texto que seguiu para receber o aval da Câmara.

No prédio ao lado, submetido ao filtro do PT e aos temores do Planalto, o documento foi lipoaspirado por um lado e engordado por outro. Sumiram as menções a agentes públicos e privados. Elegeu-se Cachoeira como alvo central.

Todo o resto ficou condicionado a uma expressão vaga: “Sem prejuízo de aditamento de fatos que se ligam” ao inquérito da PF. O único fato que mereceu menção, com o adorno do vocábulo “particularmente”, foi a “existência de um esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas ao arrepio do princípio de reserva de jurisdição.”

Nesse tópico, a oposição vislumbrou não as digitais do governo, mas as do PT. Ficou entendido que o partido do mensalão deseja arrastar para a CPI a revista Veja, acusada pelo petismo de ter escorado reportagens em dados coletados ilegalmente por Cachoeira. De costas para os crimes prestes a ser julgados no STF, o PT sustenta que Cachoeira está na origem do que a legenda chama de “farsa do mensalão”.

“O que é mais importante, investigar os crimes cometidos por Cachoeira e a relação dele com parlamentares, autoridades e empresas ou as escutas que ele montou para ouvir gente?”, indagou ACM Neto a uma liderança do PT.

Junto com o líder tucano Bruno Araújo, ACM Neto reuniu-se até pouco antes das 23h no gabinete do colega Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB. A tróica tentou digerir o texto que o petista Jilmar Tatto dera à luz. PSDB e DEM não engoliram.

Restou evidenciado que há um abismo entre o que deseja a oposição e o que oferece o governo. Optou-se por realizar uma consulta aos travesseiros. Informado sobre o dissenso, Marco Maia ponderou que a demora impõe um desgaste político ao Legislativo. Não convenceu.

O presidente da Câmara não obteve senão o compromisso da oposição de participar de nova reunião. Ocorrerá na manhã desta quinta (12). Dessa vez com a presença do petista Tatto.

Os dois maiores partidos do governo –PMDB e PT—e as duas principais legendas da oposição –PSDB e DEM— vão tentar construir um texto consensual antes da hora do almoço. A hipótese de acordo é remota.

Prevalecendo o dissenso, a oposição não deve se negar a assinar o requerimento. Ninguém quer correr o risco de ser pendurado nas manchetes como responsável pela inviabilização da CPI. Mas o tiroteio será inaugurado antes mesmo do início dos trabalhos.

O próprio Marco Maia foi avisado de que as rubricas da oposição descerão ao pedido de CPI sob protestos. Em entrevistas, os antagonistas do Planalto acusarão o governo e o PT de tramar uma pantomima. Coisa concebida para livrar da grelha a gestão Dilma, o governador petista Agnelo Queiroz (DF) e o PT.

Estranhou-se, por exemplo, a delimitação do escopo da CPI ao inquérito da Operação Monte Carlo, que levou Cachoeira ao cárcere em 29 de fevereiro. Para a oposição, a fixação de fronteiras tão recentes visa evitar que a CPI recue no tempo.

Tenta-se impedir a ressurreição do escândalo Waldomiro Diniz, o ex-assessor do grão-petê José Dirceu, pilhado em vídeo recebendo propina de Cachoeira antes de empregar-se na Casa Civil de Lula.

Numa derradeira tentativa de atrair a oposição para um acordo, o PT concordou em injetar no texto a Operação Vegas. Ajuda, mas não resolve. Waldomiro e Dirceu continuariam a salvo de incômodos. Concluído em 2009, esse inquérito Vegas precedeu o processo Monte Carlo. Nele foram captados os primeiros diálogos vadios do ‘ex-demo’ Demóstenes Torres com Cachoeira.

Antes que seus colegas da Câmara apalpassem o texto do PT, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, farejava encrenca na demora. “No caminho entre o Senado e a Câmara, acendeu o pânico no governo. Tem muita gente com medo”, disse ele ao blog, por volta de 18h30.

À espera do texto, Bruno Araújo, o líder tucano na Câmara, ecoava Alvaro às 21h: “Algo muito estranho está acontecendo. Um requerimento tão simples até essa hora não chegou às nossas mãos. Tem gente assustada.”

De fato, o Planalto se deu conta de que, do modo como fora redigido no Senado, o pedido de CPI era demasiado abrangente, submetendo o governo a riscos imponderáveis. Decidiu-se levar o pé à porta.

Aos pouquinhos, a CPI da ex-unanimidade vai ganhando a forma de CPI do Cinismo. Exatamente como vaticinado em texto veiculado aqui na madrugada de quarta (12). Desfeito o pseudo-consenso, a hipótese de instalação da comissão já na semana passada subiu no telhado.

Fonte: Josias de Souza

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Mundo

Avião de Trump enfrenta problema após decolagem e retorna à base

Foto: Mandel Ngan/AFP

O Air Force One, avião presidencial dos Estados Unidos, enfrentou um problema elétrico logo após a decolagem e precisou retornar à Base Conjunta Andrews, em Maryland, nesta terça-feira (20), no horário local. O presidente Donald Trump seguia para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, quando a falha foi identificada cerca de 30 minutos após a partida.

Em nota, a Casa Branca informou que a tripulação detectou um “pequeno problema elétrico” e decidiu, por cautela, retornar à base. A aeronave pousou em segurança por volta da 1h10 (horário de Brasília), e Trump e sua comitiva embarcaram posteriormente em um avião menor para dar continuidade à viagem.

A troca de aeronave provocou atraso na agenda do presidente em Davos. Inicialmente, Trump discursaria às 10h30 (horário de Brasília), mas o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o compromisso deve sofrer um atraso de aproximadamente três horas.

Não é a primeira vez que aviões da frota presidencial enfrentam incidentes. Trump, inclusive, já fez críticas públicas aos atuais modelos do Air Force One e aguarda a entrega de novas aeronaves, que só devem ficar prontas após o fim de seu segundo mandato.

Com informações do G1

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Geral

TSE prevê gasto milionário com caixas de papelão para transporte de urnas

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma licitação para a compra de caixas de papelão destinadas ao transporte das urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições nacionais deste ano. O valor estimado do contrato é de R$ 2,193 milhões, conforme documentos do próprio tribunal.

A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Ao todo, a Corte pretende adquirir 12.850 caixas, ao custo unitário de R$ 170,73. Segundo o TSE, a reposição é necessária porque muitas embalagens de modelos antigos estão danificadas e não oferecem mais segurança no manuseio e armazenamento dos equipamentos.

O tribunal argumenta que, apesar de serem feitas de papelão, as caixas são consideradas itens duráveis, mas sofrem desgaste com o uso contínuo, podendo rasgar ou deformar. Além disso, sustenta que a fabricação não é simples, já que exige testes específicos de resistência, durabilidade e proteção das urnas.

De acordo com o TSE, o Rio de Janeiro será o estado que mais receberá as novas embalagens, com cerca de 3,2 mil unidades. Em seguida aparece o Paraná, cujo Tribunal Regional Eleitoral deverá receber aproximadamente 1,1 mil caixas.

Com informações do Metrópoles

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Geral

Hospital do Coração completa 26 anos como referência em saúde cardiovascular em Natal

Inaugurado em janeiro de 2000, o Hospital do Coração de Natal completa 26 anos de funcionamento em 2026. Ao longo desse período, a unidade se consolidou como uma das principais referências em saúde cardiovascular no Rio Grande do Norte, ampliando sua atuação e estrutura ao longo de mais de duas décadas.

Inicialmente voltado à cardiologia, o hospital passou a incorporar outras especialidades médicas, como pneumologia, hematologia, radiologia e neurologia, o que ampliou o escopo de atendimento e permitiu uma abordagem mais integrada aos pacientes. A ampliação dos serviços acompanhou investimentos em infraestrutura hospitalar e na formação de equipes médicas especializadas.

O Hospital do Coração integra o Grupo Athena Saúde, o terceiro maior grupo de saúde do Brasil, o que amplia ainda mais sua solidez, capacidade de investimento e padrão de qualidade. Mesmo fazendo parte de um grande grupo nacional, a instituição mantém o atendimento a pacientes de diversos convênios.

De acordo com a instituição, a atuação do Hospital do Coração está ancorada em uma combinação de qualificação profissional e tecnologia médica, com investimentos contínuos em equipamentos e processos assistenciais. Esse conjunto de fatores contribuiu para o reconhecimento do hospital no cenário estadual e nacional, especialmente nas áreas da medicina de alta complexidade como cirurgias cardiovascular, neurocirurgias, ortopedia e oncologia.

Além do atendimento clínico, o hospital destaca a preocupação com o acolhimento de pacientes e familiares, buscando oferecer condições de conforto durante o tratamento. A proposta é associar assistência médica especializada a práticas voltadas ao bem-estar e à segurança dos usuários do serviço de saúde.

Ao completar 26 anos de atividades, o Hospital do Coração mantém como diretriz o lema “Especializado em você”, reafirmando a missão de oferecer atendimento médico-hospitalar com foco na pessoa e na confiança construída junto à população potiguar ao longo de sua trajetória.

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Política

Lula deixa ministras no fim da fila e concentra agendas com homens no Planalto

Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

Além de ignorar a paridade de gênero na composição do governo e nas indicações para tribunais superiores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também tem relegado as ministras a segundo plano na agenda do Palácio do Planalto. Levantamento das agendas oficiais mostra que, entre os dez ministros com menos reuniões privadas com o presidente, sete são mulheres — todas com, no máximo, dois encontros reservados ao longo de 2025.

As situações mais emblemáticas são as de Márcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Cida Gonçalves (Mulheres), que tiveram apenas um despacho individual com Lula durante todo o ano. O número é tão baixo que empata com o de Paulo Pimenta, ex-ministro da Secom, que permaneceu apenas uma semana no cargo antes de ser demitido.

Outras ministras também aparecem com pouca interlocução direta com o presidente. Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Anielle Franco (Igualdade Racial), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) tiveram apenas duas reuniões cada com Lula em 2025.

No extremo oposto está o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, com 36 despachos privados com o presidente — reforçando a concentração de poder e acesso no núcleo mais próximo do Planalto, majoritariamente masculino.

Com informações do Diário do Poder

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Geral

PT admite negociação avançada e abre caminho para Larissa Rosado ser vice de Cadu Xavier

Foto: Reprodução

A presidente estadual do PT no Rio Grande do Norte, Samanda Alves, confirmou que estão em curso negociações para que a ex-deputada Larissa Rosado (PSB) componha a chapa como vice de Cadu Xavier. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Tamo Junto, da 88FM.

Em conversa exclusiva com a FM Universitária, nesta segunda-feira (19), Samanda afirmou que o diálogo entre os partidos evoluiu e que o nome de Larissa está no centro das articulações políticas para a formação da chapa majoritária.

Apesar do avanço, a dirigente petista ponderou que ainda não há definição oficial. “Não existe definição ainda, mas a ex-deputada Larissa Rosado está em pleno diálogo conosco”, disse a parlamentar.

Larissa Rosado, que atualmente preside o PSB no estado, é vista como um nome estratégico para ampliar alianças e fortalecer o projeto político encabeçado por Cadu Xavier, sobretudo na construção de uma frente mais ampla para a disputa eleitoral.

Com informações do Novo Notícias

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Geral

Feminicídio atinge maior patamar da série histórica no Brasil e escancara escalada da violência contra mulheres

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, em 2015. Ao todo, 1.470 mulheres foram assassinadas pelo fato de serem mulheres, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. O volume representa uma média alarmante de cerca de quatro mortes por dia em todo o país.

O total ainda pode ser maior, já que estados como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não enviaram ao governo federal os registros completos referentes ao mês de dezembro. Mesmo assim, os números confirmam uma tendência contínua de alta ao longo da última década, com crescimento de aproximadamente 175% em comparação a 2015, quando foram contabilizados 535 casos.

Entre 2015 e 2025, 13.448 mulheres perderam a vida em crimes classificados como feminicídio, o que equivale a uma média anual de 1.345 vítimas. O avanço gradual ano a ano evidencia a dificuldade do país em conter a violência de gênero, apesar da legislação específica e das políticas de proteção existentes.

Em 2025, São Paulo liderou o ranking nacional, com 233 registros, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Na sequência aparecem Bahia (103), Paraná (87) e Pernambuco (83). Os dados reforçam que o problema atinge todas as regiões do país e segue como um dos principais desafios na área da segurança pública e dos direitos das mulheres.

Com informações do Poder360

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Mundo

Trump afirma que Conselho de Paz pode substituir a ONU e critica atuação da organização

Presidente Donald Trump participa de coletiva de imprensa da Casa BrancaFoto: Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que o Conselho de Paz criado por seu governo pode substituir a Organização das Nações Unidas (ONU). Em declarações à imprensa, Trump voltou a criticar a entidade internacional, classificando-a como ineficaz na resolução de conflitos globais.

“A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura do seu potencial”, disse o presidente, durante uma coletiva que marcou um ano de seu retorno à Casa Branca. Segundo Trump, a organização falhou em conflitos que ele afirma ter resolvido sem qualquer participação do organismo internacional.

O Conselho de Paz foi instituído no contexto do acordo articulado por Trump para encerrar a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. Nesta semana, o presidente norte-americano enviou convites a diversos líderes mundiais para integrar o novo painel, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A iniciativa, no entanto, tem dividido opiniões no cenário internacional.

O presidente da França, Emmanuel Macron, já sinalizou que não aceitará o convite, alegando dúvidas sobre o papel e a abrangência do conselho. Mais cedo, o chefe de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher, reagiu às declarações de Trump e afirmou que a organização não será substituída. “Está claro para mim, e para meus colegas também, que as Nações Unidas não vão a lugar nenhum”, disse em entrevista à CNN.

Com informações da CNN

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Geral

Resort ligado à família de Toffoli abriga cassino com apostas em dinheiro e blackjack

Foto: Reprodução

O Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, e ligado à família do ministro do STF Dias Toffoli, abriga um cassino com máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas valendo dinheiro. O empreendimento entrou no centro de um escândalo após revelações de que, além das chamadas vídeo loterias, há no local práticas como blackjack — modalidade de jogo de azar proibida no Brasil.

A informação é da colunista Andreza Matais, do Metrópoles. Conhecido na cidade como o “resort do Toffoli”, o hotel é associado ao ministro mesmo sem o nome dele constar oficialmente nos registros. Funcionários tratam Toffoli como proprietário e relatam que ele frequenta o local com regularidade. No fim de 2025, o resort foi fechado para uma festa privada organizada pelo ministro, com presença de artistas e do ex-jogador Ronaldo Nazário, que teria participado da inauguração da área de jogos.

A reportagem apurou que o cassino possui 14 máquinas de vídeo loteria, regulamentadas pelo governo do Paraná após decisão do STF em 2020 — da qual o próprio Toffoli participou, votando a favor da exploração estadual dessas modalidades. No entanto, além das máquinas, o local oferece jogos de cartas com “dealer”, como blackjack, prática que permanece ilegal no país. Também não há controle de acesso, e crianças foram flagradas utilizando máquinas de apostas ao lado de adultos consumindo bebidas alcoólicas.

O resort já passou por negócios envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master e ao grupo J&F, ambos com interesses analisados em processos relatados por Toffoli no Supremo, o que aumentou as suspeitas sobre conflito de interesses. Procurado, o advogado do empreendimento negou irregularidades e afirmou que os jogos são autorizados pela loteria estadual e que as mesas de cartas servem apenas para entretenimento entre hóspedes, sem incentivo à jogatina.

Com informações do Metrópoles

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Política

Trump diz que Lula terá papel de destaque no conselho de Gaza: “Eu gosto dele”

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Donald Trump voltou a mostrar simpatia pelo presidente Lula e anunciou que o brasileiro terá “grande papel” no recém-criado Conselho de Paz de Gaza. O órgão foi formado para coordenar a reconstrução da região, em meio à guerra entre Israel e Hamas.

“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, declarou o republicano durante coletiva nesta terça-feira (20). Trump ainda sugeriu que o conselho “poderia” substituir a ONU em algumas funções.

A notícia pega mal para Lula no cenário interno, já que o governo petista é alvo de críticas da direita por sua postura internacional. Para analistas, a aproximação com Trump reforça o protagonismo do Brasil em questões globais, mas também expõe o petista a acusações de alinhamento estratégico controverso.

Enquanto isso, a política brasileira segue observando os movimentos do presidente norte-americano, aliado histórico de Bolsonaro, em decisões que podem mexer com a imagem do PT no exterior e, claro, com o debate eleitoral de 2026.

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Política

Hermano retorna ao MDB e aceita convite para ser vice de Allyson Bezerra

Foto: Arquivo/ALRN

O deputado estadual Hermano Morais confirmou que aceitou o convite do MDB para se filiar ao partido e integrar, como vice, a chapa liderada pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), nas eleições de 2026. A articulação reforça o bloco de oposição ao governo Fátima Bezerra (PT) e sinaliza um movimento claro de reorganização da direita no RN

A decisão foi tomada após reunião com o vice-governador e presidente estadual do MDB, Walter Alves, encontro que encerrou conversas que vinham se arrastando há meses, segundo informações da 98 FM Natal.

Antes de bater o martelo, Hermano também conversou com Rivaldo Fernandes, presidente do PV, partido ao qual ainda é filiado, selando politicamente a mudança de rumo.

Hermano deixou claro que a composição ainda depende de etapas formais, como a troca de partido, prevista para ocorrer até março. Segundo ele, o anúncio oficial da chapa só virá após Allyson Bezerra se declarar publicamente pré-candidato ao Governo do Estado, o que é dado como questão de tempo nos bastidores.

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