Saúde

Hipocondríacos relatam impacto psicológico da pandemia do novo coronavírus; “sintomas” como tosse e falta de ar são vivenciados

Foto: Freepik / jcomp

Com a expansão da pandemia do novo coronavírus e o registro crescente do número de casos e mortes pela covid-19, é natural o surgimento de uma preocupação em torno da doença. Para pessoas hipocondríacas, porém, essa sensação chega a níveis extremos, prejudicando a saúde mental e afetando a qualidade de vida daqueles com a condição.

É possível encontrar diversos grupo no Facebook que reúnem hipocondríacos, sejam eles diagnosticados por profissionais ou que consideram fazer parte do grupo. Ao ingressar nos grupos e analisar as publicações, fica claro que um assunto predomina: o coronavírus.

São diversos relatos de pessoas que dizem se identificar com algum sintoma, como falta de ar ou tosse, e questionando se elas poderiam estar com o vírus. “Estou sempre achando que tenho algum dos sintomas de covid-19”, relata Izabel Costa, 34 anos, que possui hipocondria e é uma das administradoras de um desses grupos no Facebook.

Entendendo a condição

Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), explica que a hipocondria é um dos três quadros mentais mais antigos conhecidos pelo Ocidente, ao lado da melancolia e da histeria, com relatos no século 3 antes de Cristo. Em sua manifestação mais comum, é resumida como “um sentimento permanente de que você está doente”.

Nessa linha, o professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, Joel Rennó, classifica a hipocondria como um transtorno somatoforme. Em linhas gerais, nessas doenças os pacientes apresentam queixas físicas, mas não se encontra, em exames médicos, uma causa que justifique essas queixas.

No dia a dia, isso gera uma atenção redobrada para o corpo e os sentimentos. “Pequenas alterações são imediatamente sentidas como um mal, sejam elas dores, contusões ou cicatrizes”, explica Dunker. O psicólogo observa que, geralmente, o problema do hipocondríaco não está na doença que ele acha ter, mas sim em alguma insatisfação que se manifesta como os sintomas físicos identificados.

Uma consequência da sensação de doença é a procura por informações sobre doenças e seus sintomas. “Quando a pessoa se dedica a encontrar a origem [da suposta doença] para lidar com isso, está tentando lidar com a angústia como se ela fosse resolvida por mais informação, mas isso apenas deixa ela mais angustiada, pois esse discurso não oferece o que ela precisa, sem saber que está precisando”, destaca Christian.

Em um cenário como a pandemia do novo coronavírus, a preocupação em evitar ter a doença pode levar exatamente à sensação de alguns dos seus sintomas. “Agora, com a pandemia, com dados concretos muito complexos, e uma imprevisibilidade [sobre a doença], um hipocondríaco detecta os sintomas da doença, que podem ter origem até em uma ansiedade, como a falta de ar e respiração insconstante”, resume Rennó.

A identificação com doenças a partir da associação com sintomas sentidos é um traço comum dos hipocondríacos, algo facilitado pela disponibilização de informações da área de saúde na internet, como observa Dunker: “Chegamos em um momento onde a prática diagnóstica se banalizou. Os pacientes já chegam com diagnósticos, mas obtidos em outros locais, nem sempre confiáveis”. Todo esse cenário cria uma situação de extrema pressão psicológica para os hipocondríacos.

Convivendo com a hipocondria

Valéria Fernandes, 44 anos, possui hipocondria há oito anos. “A princípio desconhecia [a hipocondria], achava que tinha só crise de ansiedade pois tinha uma bebê pequena. Comecei a me tratar com paliativos. Cheguei a um ponto em que eu não estava vivendo mais, o tempo todo medindo a febre dos meus filhos, medindo minha pressão. Aí eu procurei ajuda”, relembra.

Ela considera que o período da pandemia tem sido extremamente difícil. A hipocondria pode acabar levando a outras condições, como ansiedade e depressão, e se manifesta a partir de gatilhos. Valéria, portanto, tentou eliminar esses gatilhos, que viriam com a preocupação de estar com os sintomas da covid-19.

“Não saio de casa há 63 dias, para garantir que eu nem considere que estou com o coronavírus. Eu acho que tentar agir normalmente, em meio a essa pandemia, não é o ideal. Eu acho que estou bem, mas porque não tive até agora nenhum sintoma da doença”, explica Valéria.

“Todas as pessoas estão com medo, eu acredito. Quem tem consciência da pandemia está com medo. Para quem é hipocondríaco, o medo não vem com a mesma intensidade, ele vem de uma forma que te enlouquece. É um medo surreal que você não controla, não consegue explicar. Só quem sente entende”, resume ela.

O cenário descrito por Valéria é semelhante ao de Izabel Costa: “Não saímos de casa desde o dia 13 de março, fazemos compras pelo aplicativo do mercado e higienizamos tudo que chega, e mesmo com todos esses cuidados sinto como se não fosse suficiente, sempre com medo de ter sido infectada”.

Ela destaca que também possui Transtorno Obssessivo Compulsivo (TOC), que piorou com a pandemia: “Tenho crises de ansiedade e meu TOC piorou, sempre lavei muito as mãos, mas agora perdi o controle”. Izabel explica que tenta dominar a situação. “Eu tento me controlar, mas estou sempre achando que tenho algum dos sintomas de covid-19, falta de ar é o que mais me apavora”, diz.

Aliviando os efeitos

Os professores Christian Dunker e Joel Rennó destacam que é importante que a pessoa que é hipocondríaca ou acha que possui a condição busque ajuda profissional, em especial psicólogos, terapeutas e psiquiatras. “Reconhecer que tem o problema é o primeiro passo, e ele é tratável, curável, é possível dar dignidade à pessoa, ainda que seja algo psicológico, por mais que seja difícil aceitar isso”, observa Dunker.

Para Valéria, o acompanhamento profissional foi essencial para que ela pudesse entender melhor a hipocondria, encontrando formas de evitar gatilhos, aliviar os efeitos de crises de ansiedade e entendesse que a hipocondria é uma doença como qualquer outra, e portanto também pode ser tratada com medicamentos quando necessário.

Outra dica que os especialistas dão é evitar procurar muitas informações sobre a pandemia. “É importante não se entregar a um discurso dos dados sanitários, da evolução da doença, a novela do vírus. Não são coisas falsas, mas os desdobramentos podem fazer mal. Para muitos, é importante entender, para o hipocondríaco isso não é bom. Reduzir o contato pode ajudar”, explica Dunker.

Joel Rennó, por exemplo, monta uma rotina com seus pacientes hipocondríacos, colocando que a pessoa deve dedicar entre uma e duas horas, no máximo, para atividades informativas que envolvam a pandemia. É importante também procurar fontes confiáveis, para evitar que informações falsas ou imprecisas gerem mais medo.

Outra medida importante é o que Dunker chama de “reformulação da economia dos prazeres”, ou seja, dedicar mais tempo a atividades prazerosas, que permitam desviar a atenção da pandemia. Nessa lista estão atividades como exercício físico, leitura, meditação, ioga e outros hobbies.

“O processo hipocondríaco se liga a um tipo de atenção, uma advertência, expectativa ansiosa de que algo vai acontecer. Se consegue alterar esse estado, a hipocondríaca reduz”, explica o professor. Valéria comenta que a meditação também lhe ensinou exercícios de controle de respiração que ajudam bastante ela a lidar com crises de ansiedade.

Também é importante evitar o que o psicólogo chama de “hipocondria projetada”, ou seja, o medo de que outras pessoas próximas possam estar com o vírus: “O hipocondríaco se sente tão próximo que ele acha que é uma extensão da outra pessoa”. Nesses casos, é importante entender que o outro não pode ser controlado e trabalhar essa questão com profissionais.

Por fim, um elemento que Valéria e Izabel destacam é a importância de ter alguém com quem conversar sobre a hipocondria e seus efeitos e sentir a empatia e apoio de pessoas próximas. “O grupo [de Facebook] ajuda. É bom poder conversar com quem sente o mesmo. A hipocondria é um transtorno que a maioria das pessoas não levam muito à sério, amigos e familiares costumam não ter paciência e às vezes até fazem piada. No grupo, a gente busca esse acolhimento e muitos relatam melhoras”, conclui Izabel.

Emais – Estadão

 

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Geral

Papo de Fogão Sabor e Tradição – Feito Potiguar: onde cada receita tem o gosto da nossa história e do nosso povo

Papo de Fogão Sabor e Tradição – Feito Potiguar: onde cada receita tem o gosto da nossa história e do nosso povo. Direto de Caicó! Dona Gertrudes, da Queijeira Gertrudes, vai mostrar como faz o queijo de coalho do jeitinho que aprendeu há mais de 50 anos. E ainda tem a dica rápida com a geleia de mangaba da Fernanda Câmara do Sabores da Vivenda, de Ceará-Mirim. Está simplesmente imperdível!
SÁBADO
BAND MARANHÃO e PIAUÍ – 8h

PARAÍBA
TV CORREIO/RECORD, 13h30

DOMINGO
RIO GRANDE DO NORTE – TV TROPICAL/RECORD, 10h

Ou no nosso canal do YouTube
http://youtube.com/c/PapodeFogao

Apresentação: @fernando_amaral
Exibição:@tvbandma @tvbandpiaui
@tvtropicalrn @correiotv
Apoio:
@blogdobg @queijariadonagertrudescaico @saboresdavivenda @feitopotiguar
@sebraern @queijariadonagertrudes @donagertrudesnatal

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Política

Governo Lula banca viagem para servidor aprender à fazer pizza na Itália

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Ministério do Trabalho e Emprego – de Luiz Marinho (foto, ao lado de Lula) – autorizou o afastamento do país do superintendente regional da pasta no Distrito Federal, Jackson da Silva Ázara, para integrar uma missão técnica em Nápoles, na Itália. A viagem será realizada entre 26 de outubro e 2 de novembro de 2025, segundo portaria publicada pela secretaria-executiva do ministério em 21 de agosto.

Ázara participará como conselheiro do Senac-DF na missão “Aprendizagem da Verdadeira Pizza Napoletana”, promovida pela Associação da Verdadeira Pizza Napoletana (AVPN). O objetivo do evento é promover intercâmbio de conhecimentos em áreas como segurança alimentar, sustentabilidade, inovação social e desenvolvimento comunitário.

De acordo com a portaria, a participação do servidor terá “ônus limitado” para o governo federal, ou seja, parte das despesas não será custeada pela União. O processo administrativo que autoriza a viagem está registrado sob o número 19964.206980/2024-78. Na prática, o governo Lula está custeando parte de uma viagem para que um servidor aprenda os segredos da “Pizza Napoletana”.

Pelo texto no Diário Oficial, a autorização para participação nessa missão especial foi dada pelo Secretário Executivo da Pasta: Francisco Macena da Silva.

Para além da pizza no governo Lula
A missão também a troca de experiências voltadas ao combate ao desperdício de alimentos e à articulação em rede entre instituições públicas e privadas.

A chamada “Pizza Napolitana” é considerada uma das expressões mais tradicionais da culinária italiana e surgiu em Nápoles no século 18. A receita, preparada com massa de fermentação lenta, molho de tomate fresco, mussarela de búfala e manjericão, simboliza as cores da bandeira italiana.

Reconhecida por sua simplicidade e rigor técnico, a pizza de Nápoles recebeu em 2009 o selo de Especialidade Tradicional Garantida pela União Europeia e, em 2017, o modo de preparo foi inscrito na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.

Nota do MTE

“O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esclarece que a missão técnica em Nápoles, Itália, mencionada em reportagem, não é organizada nem financiada pelo governo federal.

O evento é promovido e custeado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O superintendente regional do MTE no Distrito Federal, Jackson da Silva Ázara, foi convidado pelo Senac a participar, na condição de conselheiro da instituição.

A participação do servidor foi apenas autorizada administrativamente, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, sem qualquer ônus financeiro para o MTE.”

O Antagonista 

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Política

PF vê possibilidade de Bolsonaro pular muro de vizinho e fugir para embaixada dos EUA

Foto: reprodução

A Polícia Federal avalia que Jair Bolsonaro pode escapar de sua residência pulando o muro dos fundos, entrar na casa de um vizinho e sair em um carro não fiscalizado em direção à embaixada dos Estados Unidos, onde pediria asilo. A informação foi publicada inicialmente por Mônica Bergamo, na Folha de SP.

O estudo foi feito com base em imagens aéreas captadas por drones. A parte traseira do imóvel não é monitorada pela segurança externa, o que permitiria ao ex-presidente sair sem ser visto, segundo croquis anexados ao relatório da PF.

Uma vez no carro de um vizinho, Bolsonaro poderia se abaixar no banco traseiro e cruzar a portaria do condomínio sem qualquer revista. A embaixada americana fica a cerca de 10 minutos do local.

Diante do risco, a PF solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a presença de agentes dentro da casa de Bolsonaro 24 horas por dia. A Procuradoria-Geral da República, no entanto, discordou.

Para o procurador-geral Paulo Gonet, a prisão domiciliar e a vigilância externa são suficientes. “Não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa”, afirmou a PGR ao Supremo Tribunal Federal.

Blog do Maurílio Júnior

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Política

Após ser chamado de “falso humilde”, Zema posta Lula usando tênis de luxo

Foto: Marcelo Camargo/Agência

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser chamado de “falso humilde”pelo chefe do Executivo federal durante entrevista à Itatiaia na manhã desta sexta-feira (29).

Em publicação nas redes sociais, Zema compartilhou uma foto em que Lula aparece usando um tênis da grife italiana Zegna, avaliado em R$ 10.550.

Na legenda, o governador rebateu a fala do presidente e afirmou: “As atitudes falam por si. Eu prefiro falar menos e mostrar mais”. Antes, Lula havia dito: “É por isso que eu acho ele um falso humilde. Vai chegar a hora da verdade de ver quem fez o que.”

Ainda na entrevista à Itatiaia, Lula também disse que Zema é uma figura “caricata”, que “tenta ser algo que ele não é”, além de dizer que o governador de Minas pautou o seu mandato, que irá terminar no final de 2026, “fazendo críticas ao [ex-] governador [Fernando] Pimentel. Tentando dizer que o Pimentel tinha destruído o estado e ele recuperou”.

De acordo com o presidente, Zema deveria ter mais honestidade e reconhecer que Minas Gerais recebeu mais recurso público no governo atual do que no de Jair Bolsonaro (PL).

Em discurso no dia 16 de agosto, o governador falou em “varrer o PT do mapa” e criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula afirmou não ver “nenhum problema” na candidatura de Zema e disse que quanto mais candidatos, melhor.

CNN

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Política

Governadores reforçam ato pró-Bolsonaro na Paulista durante julgamento no STF

Foto: reprodução

Os governadores Tarcísio de Freitas(Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG), além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, confirmaram participação na manifestação pró-Bolsonaro agendada para o Dia da Independência, 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Organizado pelo pastor Silas Malafaia, o ato reafirma o apoio ao ex-presidente e as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A mobilização ocorre paralelamente ao julgamento da corte sobre a alegada trama golpista de 2022.

Nem tão perto que pareça adesão, nem tão longe que pareça traição…

Tarcísio confirmou sua presença. Percebido como sucessor natural de Jair Bolsonaro, ele descarta publicamente a intenção, e prefere reforçar suas intenções na reeleição estadual. A Faria Lima parece ter outra opinião, captada pelos filhos de Bolsonaro, que têm medo de ver o eleitorado bolsonarista tomar a direção do centro, para aonde vão os moderados e indecisos.

Romeu Zema, governador de Minas, também estará na capital paulista para o encontro, segundo sua assessoria. Ambos foram questionados a respeito de sua ausência em um evento anterior, em 3 de agosto. Na ocasião, Bolsonaro já utilizava tornozeleira eletrônica.

Tarcísio justificou sua ausência por um procedimento de saúde agendado. (Ele recebeu alta no mesmo dia.) Já Michelle Bolsonaro disse que faltou por compromissos em Belém, mas confirmou sua participação para o próximo 7 de Setembro.

Na pauta das manifestações, pedidos de anistia e censura ao Supremo. Malafaia, que foi indiciado pela Polícia Federal, declarou que o ato de setembro será mais amplo. Prometeu manter a postura crítica ao STF.

O pastor garantiu que sua retórica será a mesma: “Do mesmo jeito que eu faço sempre. Sem refrescar nada. Não estou impedido disso, não, apesar da covardia, de toda injustiça. Opinião não é crime, criticar ministros do STF não é crime. Vou abrir a boca lá e não vai ser brincadeira não”.

O que vem por aí…

O ex-presidente Bolsonaro atravessa um período de vulnerabilidade política e jurídica. Ele cumpre prisão domiciliar, com restrições a visitas, e tem demonstrado pessimismo frente a uma possível condenação pelo STF. As penas, somadas, poderiam ultrapassar quarenta anos de reclusão.

Malafaia, ao ser indagado sobre a capacidade de influenciar o julgamento, disse que Bolsonaro já foi julgado. Dos cinco ministros que vão julgar, três estão em suspeição. O que estamos fazendo é influenciar sociedade e pressionar o Congresso Nacional. Essas são as duas questões. STF, só intervenção do divino, se você quer saber minha opinião”.

O julgamento de Bolsonaro e dos demais réus envolvidos na trama golpista começará na Primeira Turma do STF na terça-feira, 2 de setembro. Ele se estenderá até o dia 12 do mesmo mês. A presença do ex-presidente na corte durante este período é incerta, conforme sua defesa. Isso se deve a crises de soluço que frequentemente resultam em vômitos.

Ainda que não existam outras manifestações planejadas, os apoiadores de Bolsonaro esperam por atos espontâneos caso ele seja condenado. Parlamentares planejam discursar em defesa do ex-presidente. Também buscam credenciamento para acompanhar as sessões do julgamento na corte.

O Antagonista 

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Brasil

Brasil descarta retaliar EUA com aumento de tarifas

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O governo brasileiro descarta usar cobranças de tarifas contra produtos dos Estados Unidos como ferramenta de retaliação contra o tarifaço de 50% aplicado por Donald Trump sobre o Brasil.

Na última quinta-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o início do processo que pode resultar em retaliação, com base na lei da reciprocidade. Essa autorização vem causando preocupação em empresários e importadores nacionais.

Caso o Brasil concretize alguma medida de retaliação, estão previstas barreiras não tarifárias, como quebra de patente, por exemplo. A reportagem apurou que na avaliação do governo Lula cobrar tarifas mais altas de produtos americanos seria “um tiro no pé”, porque, no fim das contas, a punição — ou seja, preço mais alto — recairia sobre o consumidor brasileiro um ano antes das eleições.

Caso o Brasil decida impor tarifas mais caras será apenas de forma simbólica, pinçando produto de super luxo, como joias, por exemplo. Mas mesmo esta hipótese, por enquanto, está descartada.

A ideia de iniciar este processo junto à Camex (Câmara do Comércio Exterior) tomou corpo nos últimos três dias. Lula foi convencido de que era preciso deixar o processo de retaliação “engatilhado”, caso o Brasil decida dar uma resposta dura a Trump, pois pode levar meses.

Há ainda uma preocupação de que o iminente julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Supremo Tribunal Federal, que começa no dia 2 de setembro, a depender do resultado, pode implicar em ainda mais sanções sobre o Brasil.

Além de deixar pronta esta carta na manga, o gesto de Lula neste momento foi explicado à reportagem como uma tentativa de mostrar internamente e para a comunidade internacional que o Brasil não está acuado nem intimidado por Donald Trump.

CNN

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Política

Se meu pai não puder disputar, eu gostaria de ser candidato, diz Eduardo

Foto: Beto Barata/PL via Flickr

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nesta sexta-feira (29), que gostaria de se candidatar à Presidência da República caso o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não possa disputar a eleição. Nos Estados Unidos, o parlamentar mencionou a possibilidade de realizar uma “campanha virtual”.

O parlamentar também não descartou deixar o Partido Liberal, caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se filie ao PL. O chefe estadual é cotado como possível presidenciável e herdeiro do espólio eleitoral de Bolsonaro, que está inelegível até 2030.

“Se o meu pai não puder se candidatar, eu gostaria de sair candidato. Se o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] vier para o PL, o que vai acontecer? Eu não terei espaço. Estou no meu terceiro mandato, sei como a banda toca. Eu teria que ir para outro partido”, afirmou em entrevista ao portal Metrópoles.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro. Em março deste ano, ele pediu licença do cargo por 120 dias. Desde 21 de julho, com o fim da licença, ele voltou a exercer o mandato oficialmente, mas não retornou ao Brasil.

“Qualquer pessoa que esteja apta, com seus direitos políticos, consegue concorrer. Isso é o que basta para poder concorrer. Como é que seria feita a campanha são outros quinhentos. Talvez, a primeira campanha virtual da história do país, mas, eu acredito que até lá a gente tenha aprovado uma anistia”, declarou.

Na quinta-feira (28), o deputado enviou ofício à Câmara solicitando autorização para exercer seu mandato parlamentar remotamente dos Estados Unidos. No documento, o congressista argumentou estar impossibilitado de retornar ao Brasil devido a uma suposta perseguição política.

Segundo ele, cabe agora ao presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir sobre o assunto e enfrentar as “consequências”.

“Acho que o ideal é a gente pressionar o Hugo Motta para que seja dada uma solução. A solução tecnológica já existe. Eu consigo perfeitamente exercer o meu mandato [à distância], consigo fazer participações nas comissões”, disse.

Sanções dos EUA

No STF (Supremo Tribunal Federal), Eduardo Bolsonaro é alvo de inquérito que apura possível prática de crime contra a soberania nacional por articular contra o Judiciário brasileiro e em favor de sanções contra o país.

Segundo o deputado, a sua proposta original apresentada ao presidente norte-americano Donald Trump mirava sanções individuais contra Alexandre de Moraes, ministro do STF. Desde 6 de agosto, os Estados Unidos passaram a sobretaxar em 50% os produtos brasileiros.

“Ele [Trump] optou por fazer as tarifas. Eu confio no presidente Trump, acho que ele tem muito mais experiência nesse ponto do que eu e ele entendeu que existia um aparato financeiro que dá suporte ao regime e preferiu começar as pressões a partir dali”, declarou.

CNN

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Geral

Embaixada do Brasil comunicará Representante Comercial dos EUA sobre processo de retaliação ao tarifaço

Foto: Reuter/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Embaixada do Brasil em Washington comunicará oficialmente, na tarde desta sexta-feira (29), o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a abertura de um processo que poderá resultar na aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra o país, em resposta à tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros.

Na noite de quinta-feira (28), o Itamaraty acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior) para iniciar consultas e investigações voltadas à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, após aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governo brasileiro afirma que o processo até uma eventual reação será longo. Segundo integrantes do Executivo, a notificação abre espaço para que o governo Trump se manifeste, permitindo diálogo e negociação diplomática a qualquer momento.

O Brasil tem repetido que não se recusa a negociar os termos comerciais.

“A hora que eles quiserem negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, disse o petista na última quinta-feira (28), durante a nomeação dos novos diretores das agências reguladoras, no Palácio do Planalto.

Em visita ao México, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou esperar que a abertura do processo para aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos contribua para as negociações com o país.

“Espero que isso ajude a acelerar o diálogo e a negociação, que é o que o presidente Lula tem nos orientado. Primeiro, soberania nacional, o país não abre mão da sua soberania. No estado democrático, os poderes são separados. De outro lado, diálogo e negociação. Essa é a disposição do Brasil”, disse Alckmin nesta quinta-feira (28).

A Camex terá até 30 dias para produzir um relatório técnico analisando se as medidas americanas de sobretaxar em 50% produtos brasileiros se enquadram na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso e sancionada por Lula neste ano.

Caso a Câmara de Comércio Exterior conclua haver possibilidade de aplicação da legislação, será instalado um grupo específico para sugerir contramedidas econômicas, que podem incluir retaliações no comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.

A iniciativa brasileira é comparada à Seção 301 dos EUA, instrumento legal usado por Washington para investigar práticas comerciais consideradas injustas e autorizar retaliações. O Brasil se tornou alvo dessa investigação após Donald Trump anunciar o tarifaço.

CNN Brasil

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Geral

STF recebe mais de 3 mil pedidos para acompanhar julgamento de Bolsonaro


Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu mais de 3 mil inscrições para acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado para ter início na terça-feira (2/9).

De acordo com a Corte, 3.357 inscrições foram apresentadas durante o período de credenciamento para o julgamento. O STF disponibilizou 150 lugares na Segunda Turma por dia de sessão (oito sessões marcadas).

Com isso, serão atendidos 1,2 mil cidadãos que se inscreveram primeiro. Os demais 2.157 não poderão acompanhar o julgamento, que será transmitido pela TV Justiça.

Bolsonaro e aliados — entre eles o ex-ministro Braga Netto e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid — são réus por tentativa de golpe, com o objetivo de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022 e manter o então presidente no poder.

Por determinação de Cristiano Zanin, que preside a Primeira Turma, foram convocadas sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, além de uma sessão extraordinária no dia 12, das 14h às 19h. O ministro também convocou sessões ordinárias para 2 e 9 de setembro, das 14h às 19h.

Metrópóles

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