Irretocável o EDITORIAL do O Estado de S.Paulo deste 23 Maio 2017
O vazamento da delação de Joesley Batista na semana passada deixou uma vez mais o País profundamente consternado, ao envolver em ações criminosas graduados personagens da vida nacional, a começar pelo presidente da República, Michel Temer. Surpreende que denúncias tão graves tenham sido divulgadas – assumindo, assim, ares de veracidade – sem que nada do que delas consta, e tampouco as circunstâncias que envolvem os fatos, tenha sido averiguado previamente. Tal açodamento foi, no mínimo, irresponsável. Haja vista as consequências da divulgação nos campos político, econômico e financeiro.
A delação do empresário da JBS é escandalosa, e não apenas pelos crimes relatados. As histórias que a cercam são de enorme gravidade, indicando, no mínimo, o pouco cuidado com que se tratou um material com enorme potencial explosivo para o País.
Em primeiro lugar, causa escândalo o fato de que a principal notícia vazada na noite de quarta-feira passada não foi confirmada e, mesmo assim, o Ministério Público Federal (MPF) não fez qualquer retificação. Foi afirmado que um áudio gravado por Joesley Batista provava que o presidente Michel Temer havia dado anuência à compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro. Ainda que a conversa apresentada seja bastante constrangedora para o presidente Michel Temer pelo simples fato de ter sido travada com alguém da laia do senhor Joesley Batista, das palavras ouvidas não se comprova a alegada anuência presidencial. Ou seja, aquilo que tanto rebuliço vem causando na vida política e econômica do País desde a semana passada não foi comprovado e, pelo jeito, não o será, pelo simples fato de não existir.
Como o Broadcast – serviço de notícias em tempo real da Agência Estado – revelou no sábado passado, a gravação da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer no Palácio do Jaburu não foi periciada antes de ser usada no pedido de abertura de inquérito contra o presidente. Ou seja, nem mesmo essa medida de elementar prudência foi adotada pelo Ministério Público Federal. Em razão de a denúncia envolver altas personalidades, seria curial dar os passos processuais com extrema segurança, até mesmo para evitar eventual nulidade da ação e consequente impunidade dos eventuais culpados. Tudo indica, no entanto, que o principal objetivo do MPF era obter notoriedade, e não fazer cumprir a lei.
A fragilidade da delação de Joesley Batista não se esgota nesses pontos. De forma um tanto surpreendente, o MPF não apresentou denúncia contra o colaborador, como se a revelação dos supostos crimes cometidos pelo presidente da República e por outros nomes importantes da vida nacional fosse suficiente para remir a pena do criminoso confesso. Trata-se de evidente abuso, a merecer pronta investigação da Justiça. Se, como o MPF denuncia, os crimes foram tão graves e abrangem toda a política nacional, é um grave e escandaloso erro – para dizer o mínimo – conferir perdão a quem os perpetrou e lucrou abundantemente. Note-se que a lei proíbe que se dê imunidade aos líderes de organização criminosa. Não seria essa a função dos senhores Joesley e Wesley Batista nos acontecimentos em questão?
Além disso, até o momento não foi apresentada uma possível razão que justificasse o procedimento seguido pelo MPF e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à delação de Joesley Batista. Como não estava ligado à Operação Lava Jato, o caso deveria ter sido distribuído por sorteio, e não encaminhado diretamente ao ministro Edson Fachin.
A delação de Joesley Batista ainda expõe o Ministério Público em dois pontos muito sensíveis. O delator contou que o procurador Ângelo Goulart Villela, mediante pagamento de R$ 50 mil mensais, era seu informante dentro do MP. Ora, tal fato leva a checar com lupa todos os passos do empresário nesse processo de colaboração. Além disso, um procurador da República, que atuava muito próximo a Rodrigo Janot, deixou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para trabalhar no escritório que negocia com a própria PGR os termos da leniência do Grupo JBS. Tudo isso sem cumprir qualquer quarentena.
Ansiosamente, o País espera que avance o combate à corrupção. Tal avanço deve ser feito, porém, de forma menos descuidada.
Foto: Reprodução
Não valem essas delações porque o governador e seu filho foram citados.
Marmininu, qd era com Dilma e Lula, os vazamentos valiam alem da conta, agora as coisas mudam de cor…um hum…vai vendo….pensam que o povo é besta, tem um senador do RN que sentiu esse FDS o sabor e peso da mão do povo qd trata-se de gente que quer acobertar essa arrumação, que venha 2018 para botarmos para fora gente como o tal senador que de um milhão de votos não deve ter nem mais dez por cento.
DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS!!!
Como assim cara pálida?
"Surpreende que denúncias tão graves tenham sido divulgadas – assumindo, assim, ares de veracidade…
Não foi esse o tom assumido pela VAZAAJATO na REPÚBLICA DE CURITIBA?
Agora que chegou na sala dos Tucanos, aí vem esses questionamentos que fazíamos há mais de três anos, sem que ninguém apoiasse. Antes até, dizendo que quem defendia bandido, bandido era.
Agora vcs vem dizendo: "…sem que nada do que delas consta, e tampouco as circunstâncias que envolvem os fatos, tenha sido averiguado previamente."
Deve ser alguma piada de mal gosto que algumas coisas só valem pra uns e outros não.
Desde quando o presidente é tucano? Aqui se está falando de uma gravação feita por um delator, que está em liberdade. Quando Dilma foi interceptada em conversa com Lula num grampo autorizado pela justiça, não houve incriminação de Dilma, apesar de toda a justa reclamação, ao contrário do caso em questão.
Luiz Moreira, vc não se equivocou na pressa de defender seus "bandidos de estimação"?
Impertinente, quando falou nos Tucanos, se referiu indiretamente ao "Peixe graúdo" pego na mesma rede do Temer, que foi o seu queridinho Playboy Aécio Never.
E depois, pesquise em melhores fontes, porque a escuta a Dilma e Lula não só não foram autorizadas, como o STF deu-lhe uma advertência pública, fazendo-o pedir inclusive desculpas.
Porém o mal já estava feito e aquela divulgação ilegal já tinha cumprido seu papel num Golpe que somente agora começa a ser revelado como foi realizado e quem foram seus operadores: Cunha, Temer, Aécio…
Jucá, pego em outra gravação que muitos fingem esquecer, realmente disse tudo quando falou que era preciso tirar Dilma para "estancar a sangria".
Acorde inocente, isso não tem nada a ver com ser ou não ser petista.
Delação premiada com direito a viagem liberada. É uma vergonha O ministério Público e o Poder Judiciário darem credibilidade a um bandido que provocou um prejuízo incalculável ao país e que cresceu com o dinheiro 14 bilhões desviados pelo PT via BNDES. Enquanto isso, os empresários de verdade, tem que ralar e muito para pagar as obrigações e conseguir sobreviver a terrível política tributária no Brasil e a famigerada Justiça do Trabalho que só serve para manter privilégios aos seus integrantes e quebrar quem gera emprego em nossa nação. Os bandidos da JBS estão gastando o dinheiro roubado nos Estados Unidos e chamando cada um de nós de otário. E Lula continua solto apesar de todas as acusações e provas do dinheiro roubado e desviado.