Maioria da humanidade é medíocre em quase tudo, diz Mark Manson, autor de “A sutil arte de ligar o f*da-se” e de “F*deu geral”

O escritor Mark Manson estará na Arena#SemFiltro da Bienal do Rio, às 13h do próximo domingo (1). — Foto: Nick Onken

Você não é especial. Mesmo quando desejar do fundo do coração, o universo não irá conspirar a seu favor. Nem todos os seus sonhos – na verdade, poucos deles – irão se transformar em realidade. Boa parte das coisas que você quer jamais vai chegar às suas mãos.

As palavras do escritor Mark Manson podem soar duras. Mas o objetivo, ele garante, é nobre. O autor do best-seller “A sutil arte de ligar o f*da-se” e de “F*deu geral” é um dos principais convidados da Bienal do Rio 2019, que acontece a partir de sexta-feira (30).

“Poucas coisas são tão efetivas em garantir a infelicidade quanto a busca pela felicidade. As pessoas tendem a acreditar que a felicidade é uma espécie de sistema matemático ou equação – uma vez solucionados, teremos acesso a ela em caráter permanente”, diz Manson, em entrevista por telefone ao G1, direto de Nova York.

“Ou que ela está escondida em algum lugar ou mesmo que pode ser acessada por meio das lições de algum guru ou crença. Isso leva a pensamentos perigosos do tipo: ‘Comprei um apartamento, agora vou ficar feliz’… E é isso que considero negativo com boa parte do que se convencionou chamar de ‘auto-ajuda’. Muito dela promete oferecer ‘o segredo para alcançar a felicidade’.”

No trabalho de Manson, não há espaço para pensamento mágico, palavras de incentivo transformadoras e nem para o que, nos últimos tempos, alguns sites e perfis passaram a chamar de “positividade tóxica”. Existe uma necessidade constante de estar bem, feliz e ser bem-sucedido o tempo todo.

Manson acredita que felicidade e dificuldades formam um casamento indissolúvel:

“A felicidade real está na nossa capacidade de resolver problemas – sabendo que, logo em seguida, outro problema surgirá. Problemas são um fator permanente na vida de todas as pessoas. Milionários têm problemas, da mesma forma como mendigos.”

Todos têm problemas, eles apenas são diferentes para cada pessoa. A felicidade é um exercício constante de solução de problemas, um chamado à ação. É fácil negar a existência de problemas ou se vitimizar culpando os outros por eles. É uma abordagem mais fácil e funciona em um primeiro momento, mas a felicidade só se aproxima de quem decide resolvê-los”.

Escolher as batalhas

O escritor toca em outro ponto importante das ideias que defende: todas as pessoas deveriam aprender a resolver seus problemas e, ainda mais importante, escolher suas batalhas.

O pensamento é simples – todos querem tudo de bom que a vida pode oferecer: saúde, sucesso, criar uma bela família, manter um relacionamento perfeito, estar em boa forma física, ser bem-sucedido no trabalho e ter tranquilidade financeira.

No entanto, quantos estão dispostos a encarar os sacrifícios necessários para se alcançar tudo isso?Para exemplificar essa questão, Manson relembra um período da própria vida, também abordado no livro.

Na adolescência, ele queria ser um astro do rock – sentia-se extasiado com bandas como Metallica e Megadeth. Com frequência, fantasiava estar sobre um palco, com uma guitarra nas mãos em um estádio lotado.

“Pois é. Só que isso jamais aconteceu. Sabe por quê? Porque eu nunca aprendi a tocar guitarra, nem tive a disciplina necessária para praticar o instrumento, nunca montei uma banda, nunca me dispus a carregar amplificadores e a me apresentar de graça em bares vazios durante a madrugada.”

“Eu jamais me motivei a percorrer o caminho longo e sacrificado que todos os grupos que eu sempre amei tiveram que trilhar para chegar ao sucesso. Eu estava apaixonado pelo resultado, mas não pelo processo que levava até ele. O resultado não poderia ser outro: não me tornei um artista de sucesso. Ou seja, no fundo essa era uma batalha que eu não escolhi – e demorei muitos anos para admitir para mim mesmo que eu não queria aquilo de verdade”.

Ele conta que esse tipo de postura é muito comum e pode ser vista em todas as áreas. Segundo ele, existem pessoas que querem ter corpos incríveis, mas poucas estão dispostas a se dedicarem nas academias e controlar a alimentação. “Muita gente quer empreender, mas a maioria não suporta ter que lidar com os problemas diários que envolvem a administração de uma empresa. Mais uma vez – é a paixão pelo resultado e não pelo processo.”

“Chega a ser desumano, não? Cria-se uma pressão absurda sobre as pessoas para que sejam felizes, brilhantes e especiais o tempo todo. A verdade é a seguinte: a maioria absoluta da humanidade é, no máximo, medíocre em quase tudo.”

O problema, segundo o escritor, é que a sociedade criou uma espécie de “tirania do excepcional”: “Somos bombardeados por notícias e imagens de gente que representa o extremo: temos a impressão de estarmos o tempo todo cercados por pessoas super saudáveis, profissionais que sempre acertam e sabem o que é melhor no trabalho, indivíduos que são muito engraçados ou sedutores e irresistíveis.”

“Ao se libertar deste fardo, de ser incrível e brilhante em tudo e o tempo todo, você começa a dar atenção para as coisas que são, de fato, importantes. Você vai se concentrar naquilo que faz bem, no trabalho que desempenha com habilidade, nos tempo que passa com seus amigos e família, no prazer de ler um bom livro. Nas práticas consideradas comuns – e elas são mesmo comuns por um motivo: elas importam de verdade”.

De onde veio esse título?

Capa do livro ‘A sutil arte de ligar o f*da-se’ — Foto: Divulgação/Intrínseca

Pensado para se contrapor ao tipo de auto-ajuda que promete milagres e conquistas infinitas para os leitores, “A sutil arte de ligar o f*da-se” já nasceu com esse título como uma forma de provocação ao leitor.

Era importante deixar claro que não se tratava de mais um livro de auto-ajuda. Segundo Manson, ao ver a obra sobre as prateleiras das livrarias, muita gente olhava para o livro com desconfiança e atém mesmo desdém.

Pensando no assunto, e já com mais de 1 milhão de cópias vendidas apenas no Brasil, o autor acredita que isso deve muito a uma percepção equivocada daqueles que viram a frase estampada na capa, mas não se deram ao trabalho de conhecer o conteúdo.

“‘A sutil arte de ligar o f*da-se’ ao qual o título se refere é, na verdade, uma série de pensamentos sobre como fazer o leitor se livrar do que não interessa, todo esse peso de julgamentos e expectativas alheias e dele próprio, fazendo-o aceitar seus defeitos e limitações para, a partir daí, se concentrar no que importa de verdade. Se quem ler o livro entender esse conceito fundamental, já estarei satisfeito”.

G1

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Paulo Benevides disse:

    Gostei, Dilma. Muito bom.

  2. Radamé Lima disse:

    Excelente reflexão do escritor!
    Abordando assuntos do dia a dia e mostrando uma maneira diferente de olhar o mundo a nossa volta!
    Parabéns pela matéria.

  3. Toni disse:

    OLHA MAIS UM CARA DE ROLA QUERENDO SER O SABICHÃO NÃO VÃO A ESSA PALESTRA E ESSES BRASILEIROS QUE COMPRARAM O LIVRO JOGUEM NO MATO ESQUESSAM O QUE LERAM ESSE CARA PENSA QUE O DONO DA VERDADE NOS SOMOS CAPAIS SIM SO DEPENDE DE NOS PODEMOS TUDO SIM ESTA NA NOSSA MENTE PENSAMENTO POSITIVO E AGENTE ALCANÇA OS NOSSOS DESEJOS SACO MANDA ESSE PALHAÇO FAZER PALESTRA NA CASA DO CACETEEEEE!!!!!!

    • Sinope disse:

      Disse tudo!

    • Dilma disse:

      O escritor só falou verdade, a grande maioria das pessoas pensam que felicidade está na aquisição de bens materiais, Lêdo engano, ela esta e é efêmera em momentos vividos com prazer no que você potencializa de seu, seja, poucos da família, a pouca saúde, sua paz e coisas simples que lhe pertence. Não acredite nem procure saber de felicidade alheias, tudo é relativo, agradeça a DEUS o que tens, e aproveite o máximo com eles, sem nunca deixar de LUTAR MUITO, com amor. Seu IDH vai dar um salto.

    • Marcos araujo disse:

      Você esta certíssimo Tony. Compre um AURELIO

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