Judiciário

Mudanças no Código Penal: avanços ou retrocessos

Um tema controverso e polêmico é a mudança no Código Penal, que data de 1940. Se por um lado muitos defendem a necessidade de transformações, por outro também surgem temores de que a legislação contra o crime ao invés de se mostrar intolerante com as práticas delituosas acabem se concretizando como agente de estímulo, em virtude da aplicação de penas brandas e não condizentes com o poder ofensivo da ação criminosa.

A edição deste domingo da Tribuna do Norte, em matéria de Margareth Grilo, mostra o que muda no CP e o que isso vai representar para a sociedade. Acompanhando os avanços tecnológicos e a apropriação de meio digitais para se cometer “crimes cibernéticos”, o novo Código vai dispor de preceitos sistematizados e determinação de penas que podem variar de multa ou detenção de seis meses a 1 ano. Isso, para os crimes de natureza leve como invasão de sites.

As casas de prostituição passam a ser legalizadas e será extinta a pena de 5 anos para o dono do estabelecimento. Mas aumenta de 4 para até 10 anos a pena de quem explora sexualmente menores de 18 anos.

Passa a valer para a homofobia a mesma pena válida para as ações de racismo, que correponde de 2 a 5 anos de prisão.

Quanto ao consumo de drogas, o usuário que for pego portando uma quantidade correspondente ao consumível em 5 dias não mais responderá criminalmente. No entanto, se for flagrado em locais públicos, onde estejam crianças e adolescentes será submetido a penas restritivas de direito.

É justamente a extinção de alguns tipos criminais que suscita as maiores dúvidas. Há quem defenda que isso será benéfico, inclusive, para desafogar o sistema penitenciário. O juiz Fábio Ataíde explica que a revogação da Lei de Contravenção Penal; a ação penal condicionada para os crimes de furto e a legalização do consumo de drogas, podem ser caminhos para isso.

Segue matéria na íntegra:

Depois de 72 anos de vigência, o Código Penal Brasileiro, de 1940, será alvo de modificações. O anteprojeto entregue ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB), no dia 27 de junho, deve ser encaminhado para apreciação dos senadores. Durante sete meses, uma comissão técnica formada por 15 pessoas, entre  juristas, procuradores, defensores públicos e advogados, e presidida pelo ministro do Superior Tribunal Justiça (STJ), Gilson Dipp, estudou e montou o texto final.

Com quase 500 páginas, a proposta eliminou tipos penais, criou crimes e decidiu tratar tabus com um viés claramente liberal. Os juristas avançaram em temas polêmicos, como os que ampliam as hipóteses do aborto e que legalizam o uso de drogas. O texto cria possibilidades de as autoridades apurarem e enquadrarem servidores públicos por crime de enriquecimento ilícito;  remove os atuais obstáculos legais à comprovação do crime de embriaguez ao volante; criminaliza os jogos de azar, hoje tipificados como uma contravenção, e aumenta as penas por interceptação ilegal de ligações telefônicas e por maus-tratos a animais.

O anteprojeto compreende ainda o endurecimento das regras para concessão de benefícios de redução de penas e inclui os crimes contra a humanidade, racismo, trabalho escravo, tortura, terrorismo e financiamento do tráfico de drogas na lista dos crimes hediondos. Editado em 1940, pela ditadura varguista, o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 7/12/1940) em vigor sofreu, ao longo das últimas sete décadas, dezenas de emendas.

Atualmente, tramita na Câmara Federal projeto de reforma do da parte especial do Código Penal, sob coordenação do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) e que valoriza a aplicação de penas alternativas. Até o momento, não se sabe como as duas propostas serão conciliadas. Nas próximas páginas, veja com detalhe as mudanças propostas e acompanhe a opinião de especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE.

Mudanças propostas

ABORTO

A proposta autoriza a interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação, desde que um médico ou psicólogo ateste que a mulher não terá condições de arcar com a maternidade. Hoje, o aborto é permitido apenas quanto há risco de morte para a mulher causado pela gravidez; se a gravidez for resultado de estupro ou se o bebê for anencéfalo.

ABANDONO DE ANIMAIS

Criminaliza a prática, com pena de 1 a 4 anos de prisão. No caso de maus-tratos, a pena  quadruplicaria, em relação ao que prevê o atual código (1 ano de prisão).

BULLYING

Intimidar, constranger, ameaçar, assediar sexualmente, ofender, de forma intencional e reiterada, direta ou indiretamente, por qualquer meio, valendo-se de superioridade e causando sofrimento viraria crime, somente se a vítima representar. A pena seria de 1 a 4 anos de prisão

CRIMES CIBERNÉTICOS

Cria vários crimes, entre eles, o de “intrusão informática”. Ou seja, quem invadir um site, mesmo que não divulgue os dados ali presentes, receberia pena de 6 meses a 1 ano de prisão, ou multa. Prevê aumento de pena caso essa invasão cause um prejuízo econômico à vítima.

TORTURA

A pena aumentaria, sendo a mínima, de 4 anos anos, e a máxima, de 10 anos, e o crime se tornaria imprescritível (o acusado pode ser punido em qualquer tempo). Hoje, a pena é de prisão de 2 a 8 anos e o crime pode prescrever.

DIRIGIR EMBRIAGADO

Cria o crime de dirigir visivelmente embriagado, dispensando a exigência do teste de bafômetro – a comprovação poderia ser feita por testemunhas, filmes, fotografias  ou exames clínicos.  A proposta dobra a pena por homicídio culposo quando se alguém estiver dirigindo embriagado ou participando de ‘rachas’. Nessas hipóteses, a pena mínima seria de 4 anos de prisão e a máxima, de 8 anos.

CRIMES ELEITORAIS

Passariam a existir 14 crimes. Os demais, previstos no Código Eleitoral, de 1965, seriam extintos ou punidos administrativamente, com multas, como é o caso da ‘boca de urna’, hoje punida com até um ano de prisão. Outros terão penas aumentadas. No caso de candidato que se beneficiar da máquina pública a punição que hoje é de seis meses de prisão, passaria para até 5 anos. A compra de votos também seria punida com até 5 anos de prisão e a venda, com até 4 anos de prisão. O eleitor que estiver em condição de ‘extrema miserabilidade’, porém, seria anistiado.

JOGOS DE AZAR
O texto criminaliza a exploração de jogos de azar sem autorização do Estado, como o jogo do Bicho, com pena de até 2 anos de prisão, e isenta os apostadores de qualquer tipo de sanção penal. Hoje, o jogo ilegal é considerado uma contravenção penal, punida com detenção de 3 meses a 1 ano.

DIREITO AUTORAL

O texto isenta de punição por  violação de direito autoral quem fizer cópia integral, desde que única, apenas para uso próprio. Hoje, a conduta pode ser punida com até 4 anos de prisão.

PROSTITUIÇÃO

Legaliza as casas de prostituição e extingue a pena de até cinco anos de prisão para o proprietário do local. Por outro lado, estabelece pena de até 9 anos de prisão para o dono de prostíbulo que obrigar pessoa a se prostituir, incluindo os casos em há dívidas envolvidas. Endurece as penas contra quem explora sexualmente menores de 18 anos, estabelecendo pena de até 10 anos de prisão. Hoje, a punição é de até quatro anos de prisão.

CRIMES PATRIMONIAIS

Quem cometer crimes contra o patrimônio, sem uso de violência, como o furto, e em seguida, devolver o bem furtado poderá ficar livre da pena, se a vítima concordar expressamente com a restituição. Hoje, não há essa previsão.

HOMOFOBIA

Passaria a valer para a homofobia a mesma pena do racismo: 2 a 5 anos de prisão. Torna-se crime imprescritível e inafiançável. A pena por homicídio, lesão corporal, tortura e injúria seria aumentada caso a motivação fosse o preconceito. Hoje, o preconceito não é crime. Xingamentos podem se encaixar na definição de injúria e o homicídio baseado em homofobia pode ser qualificado por “motivo torpe”.

ESTUPRO

O texto desdobra  as condutas de ataque sexual em duas: o estupro seria apenas o ato sexual vaginal, anal ou oral praticado mediante violência ou grave ameaça, punido com prisão de 6 a até 10 anos. As outras condutas de caráter sexual menos agressivas seriam chamadas de molestação sexual e teriam uma pena de 2 a 6 anos de prisão.  O estupro de vulnerável passa a ser contra menor de 12 anos, relação sexual vaginal, anal ou oral, e a pena seria de 8 a 12 anos.

CRIMES HEDIONDOS

Foram incluídos sete novos delitos: tortura, terrorismo, tráfico de pessoas, racismo, redução análoga à escravidão, crimes contra a humanidade e financiamento do tráfico de drogas. São inafiançáveis e têm regimento de cumprimento de pena mais rigorosos. Hoje, estão neste rol, homicídio, latrocínio, extorsão com morte, extorsão mediante sequestro, estupro, epidemia com resultado de morte e falsificação de remédios.

MENORES

Quem usasse menores de idade para cometer crimes assumiria as penas dos delitos cometidos por eles. Hoje, quem usa menores de idade em crimes responde só pelos próprios delitos.

PORTE DE DROGAS

O usuário deixará de responder por crime se portar uma quantidade de substância que corresponda ao consumo pessoal de até cinco dias. Porém, se o usuário consumir drogas em locais públicos, onde haja crianças e adolescentes, continuará a ser punido com penas restritivas de direito. Hoje, o porte de drogas é considerado crime, mas é punido com penas alternativas.

STALKING (“PERSEGUIÇãO OBSESSIVA”)

Quem perseguir alguém reiteradamente, ameaçando sua integridade física ou psicológica, ou invadindo ou perturbando sua privacidade, pode ficar preso entre 2 e 6 anos. Hoje, não é crime específico.

TERRORISMO
Na proposta está descrito como comportamentos motivados por “ódio e preconceito” e que causem terror à população, além de forçar a autoridade a contrariar a lei. A pena vai de 8 a 15 anos de prisão.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DE SERVIDORES

Agentes públicos, inclusive juízes e membros do Ministério Público, que ampliarem seu patrimônio de forma injustificável, sem comprovarem a origem de bens, poderão ser punidos com pena de 1 a 5 anos de prisão. Hoje, a prática é punida apenas com sanções administrativas e cíveis.

EUTANÁSIA

O texto prevê a anistia da pena de quem desligar meios artificiais que sustentam a vida de um paciente se houver consentimento dele ou da família, apenas se a doença for grave, irreversível e atestada por médico. Hoje, a prática é punida como homicídio comum, com pena de 6 a 20 anos de prisão.

Reforma pode desafogar sistema

Margareth Grilo

repórter especial

A descriminalização de várias condutas, proposta no anteprojeto do novo Código Penal Brasileiro, pode ter um reflexo positivo no sistema carcerário brasileiro. A opinião é do juiz de Direito e  conselheiro da Associação de Magistrados do Rio Grande do Norte (Amarn), Fábio Ataíde. O anteprojeto, em discussão no Senado, exclui algumas infrações de violação a bens jurídicos leves.

Segundo o jurista, a proposta traz três ações que vão resultar em diminuição significativa no sistema carcerário: a revogação da Lei de Contravenção Penal; a ação penal condicionada para os crimes de furto e a legalização do consumo de drogas. “O mérito desse anteprojeto”, afirma o jurista, “é ter atacado, principalmente, os motivos que causam o encarceramento em massa no Brasil, que são os crimes contra propriedade”.

No país, segundo Fábio Ataíde, 65 mil pessoas estão encarceradas por crimes de furto, agravando a superlotação dos presídios. A proposta em estudo no Senado Federal propõe ação condicionada, em casos de furtos, o que significa que a vítima deve provocar o Estado para que se inicie a ação penal. Já no crime de roubo, sem uso da violência, o anteprojeto diminui o tempo de prisão.

Por outro lado, a criação de dispositivos previstos, como o sistema de barganha e o instituto da colaboração, podem reduzir o tempo dos processo e aumentar a eficácia do Estado, cita Fábio Ataíde. “Isso significa dizer que o acusado poderá negociar um acordo com o Ministério Público, abreviando o tempo dos processos”, explicou. Uma das expectativas não contempladas foi a não inclusão da corrupção na lista dos crimes hediondos. “Era um anseio popular, mas a comissão deixou de fora da lista”, lamentou o juiz.

Para Ataíde é positivo que a proposta tenha criminalizado a corrupção entre particulares. “É um caminho para atacar a corrupção, mas sinceramente acho que o novo Código”, disse o jurista, “não vai ser capaz de resolver a situação, embora seja severo com os crimes de colarinho branco, contra a administração pública”. O anteprojeto prevê que, para haver progressão de regime das pessoas condenadas, tem que haver reparação do dano.

A delegada da Polícia Federal, Ohara Fernandes,  coordenadora do Movimento Articulado de Combate à Corrupção (Marcco), disse que há muito o Brasil se ressentia dessa reforma. Ela citou a inclusão no projeto do novo Código Penal dos crimes cibernéticos, da organização criminosa, do crime praticado por empresas, do jogo do bicho, e do enriquecimento ilícito de agentes públicos como sendo pontos favoráveis.

“Essas condutas”, afirmou a delegada, “não estão tipificadas no atual Código e passarão a ser. A meu ver isso será eficaz no combate à corrupção”. Ohara Fernandes, deixa claro, no entanto que “não adianta só legislar, precisa dar efetividade à lei. “Tem que se punir, tem que aplicar a lei em toda sua inteireza com rigorosidade. No Brasil, o problema é que temos boas leis mais baixa efetividade na aplicação das medidas coercitivas”.

Para efetividade da lei, além do aparelhamento da polícia, do Ministério Público e dos órgãos de execução penal, é preciso o treinamento técnico, principalmente, por conta das novas demandas criadas. “Nos crimes cibernéticos e no combate ao crime organizado, os órgãos precisam estar bem estruturados para agir muito rápido e ser eficiente”. Ela advoga ainda que a polícia deve ter mais poder requisitório para dar mais agilidade às investigações.

Escolas de Direito acompanham mudanças

No meio acadêmico, o estudo do Direito, segundo o juiz Fábio Ataíde, também professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, teve avanço significativo. “Se estuda muito a criminalidade no Brasil. Na academia, se trava muita discussão sobre a reforma do Código Penal, sob a ótica das causas, de como podemos resolver a tamanha demanda que o judiciário tem”, afirma o juiz.

Hoje, segundo o professor de Direito da UFRN, essa é a grande discussão que todos os pensadores do direito travam. Além disso, o anteprojeto de reforma do Código cria novas demandas e elas vão exigir adequações nas grades curriculares, segundo o professor do curso de Direito da Farn, Sandresson de Menezes Lopes.

Sandresson afirma que a reforma é importante por cinco aspectos: a modernização do Código, criado numa realidade distinta, não compatível com a de hoje; a unificação da legislação penal – o código passará de 359 artigos para quase 500, com a incorporação de várias leis específicas; a compatibilidade com a Constituição Federal; para tornar proporcional a pena de alguns crimes; e para buscar alternativas ao encarceramento.

Para o advogado criminalista, Caio Graco, conselheiro vitalício da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) o anteprojeto, certa forma, é positivo, mas traz alguns descompassos e certo retrocesso, quando reduz penas nos crimes de propriedade, e estabelece penas de prisão para lesão corporal de natureza leve. Mas, de forma geral. “Se cobra muito a severidade das penas e eu entendo que o caminho é por ai”, afirma o advogado.

Outra falha, segundo ele é o afastamento da detenção, que é fundamental para o manejo do jurídico no cumprimento da pena. “Quando se mantém a lei 8.666 (Lei das Licitações), que prevê pena de detenção, e no projeto só se fala em prisão, em alguns delitos o tratamento não vai mais ser adequado”.  Caio Graco alerta que a reforma deve demorar bastante no Senado e na Câmara devido à sua complexidade e pela polêmica que envolve temas, como jogo de azar, aborto e homofobia.

Fábio Ataíde lembra que essas novas demandas têm significado muito importante por terem a preocupação com as minorias. “Esse projeto traz uma mudança de comportamento, que considera a necessidade de proteger novos direitos”, afirma o professor.

Igreja pede atenção a princípios

No Congresso Nacional, alguns pontos da proposta causaram rejeição por parte dos legisladores da bancada religiosa, que se opõem à flexibilização do aborto, à liberação da ortotanásia e à descriminalização de alguns casos da eutanásia, que serão avaliados pelo juiz de turno. No Rio Grande do Norte, a igreja católica afirma que a reforma do Código Civil “tem que respeitar os princípios  fundamentais da vida humana”.

Com 35 anos de dedicação ao ministério sacerdotal, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira, afirmou que “não podemos, num país como o Brasil, onde na sua cultura e na sua configuração, estão os valores cristãos, aceitar mudanças que vão de encontro à defesa da vida e da dignidade humana”. D. Jaime citou o artigo 5º da Constituição, que estabelece a “inviolabilidade do direito à vida”. “Tudo que vier contra esse princípio será rejeitado, não podemos concordar”.

O arcebispo de Natal disse que respeito a condição de um Estado laico, mas “não podemos esquecer que esse país está baseado, desde suas origens, num arcabouço marcado pela fé cristã”. D. Jaime lembra a grande máxima de Jesus Cristo: “Eu vim para todos todos tenham vida e a tenham plenamente”. Em abril deste ano, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criou, durante a 50ª Assembleia Geral da entidade, uma comissão para acompanhar o trabalho de reforma do Código Penal.

Na nota, a CNBB declarou seu compromisso de corresponsabilidade na consolidação da democracia e anunciou que  algumas propostas devem ser apresentadas, relativas aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio. A CNBB reconhece que, para atender melhor às exigências da sociedade, o Código Penal em vigor precisa incorporar elementos novos, “exigência das grandes transformações, que marcam os tempos atuais”, mas afirma que isso deve acontecer “sem prejuízo dos valores perenes como a vida e a família”.

Bate-papo

» Fábio Ataíde, juiz criminal e vice-presidente da Associação de Magistrados do RN (Amarn)

O senhor acha que o anteprojeto do novo Código Penal tocou em todos os temas?

A comissão foi bem feliz em abordar todos os grandes temas e conseguiu discutir questões que dizem respeito a estrutura do nosso sistema penal, e isso que é o importante. Não ficou apenas num discurso político, de vamos, vamos penalizar mais, aumentar os prazos.  O modelo que foi adotado é um chamado modelo dualista, uma tradição européia. Punir mais os crimes graves, e punir menos ou não punir aquelas condutas que são consideradas leves.

Que reflexos esse novo código trará para o país?

Se fosse possível aprovar o anteprojeto como está o efeito seria benéfico, porque vamos ter um aumento do poder de eficácia dos órgãos de controle. Eles podem com essa nova norma aumentar a sua ação sobre a violação dos bens jurídicos mais relevantes. Mas, infelizmente, não necessariamente, é isso que vai acontecer. Sabemos que quando esse projeto começar a ser discutido no Congresso haverá um esfacelamento dessa estrutura teórica, o que pode comprometer a harmonia do sistema. Então, não sabemos se esse sistema que vem será melhor. O que temos não está bom, mas pode ficar pior ainda, se não aprovarmos uma política criminal, que seja harmônica.

Que críticas o senhor faz ao ante projeto?

Tem uma crítica muito severa que faço que é em relação aos crimes tributários e previdenciários, entre eles, os de sonegação fiscal. O Estado não faz cobrança de todas as dívidas, a não ser acima de R$ 20 mil. E o anteprojeto prevê não criminalizar as condutas que o Estado não execute e o direito penal não vai poder agir. Pode ser um valor de 30, 40 ou 50 mil reais, a decisão vai ficar na mão do Estado. Acho que qualquer violação contra o Estado deveria ser punida.

Essa proposta, em tramitação no Senado, vai produzir um código que atenda às necessidades da sociedade brasileira de hoje e de amanhã?

Não, se a gente for fazer um código político, apenas com discurso político de aumentar a pena, de tornar o sistema mais severo, ou se seguir o modelo uniforme americano, de ser duro de cima para baixo, com qualquer infração. Temos que enxugar a máquina e isso se faz punindo o que deve ser punido severamente.

Com informações da Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

  1. No caso da punição do agente público que comete desvios de verbas públicas para enriquecimento ilícito, além da pena que vai até 5 anos de reclusão, aonde está a cláusula que os obrigam devolver os erários surrupiados indevidamente? Não seria justo?

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Fachin diz não ter previsão de pautar ação do PT retomada por Moraes que restringe delações premiadas

Foto: Antonio Augusto/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou a interlocutores que não há previsão para pautar a ação do Partido dos Trabalhadores que pode restringir o uso de delações premiadas.

Como as pautas de abril e maio já foram definidas, a análise do caso não deve ocorrer nesse período.

A ação foi retomada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, em meio às negociações de delação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. O caso também menciona repasses de R$ 80,2 milhões do Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes entre 2024 e 2025.

No processo, o PT pede que o STF estabeleça limites para o uso de delações, como a proibição de que elas, isoladamente, fundamentem medidas cautelares, denúncias ou condenações. O partido também questiona a falta de regras claras sobre os benefícios concedidos a delatores.

Segundo a Corte, cabe à presidência definir a pauta de julgamentos. A ação estava parada desde 2021 e agora aguarda inclusão em plenário.

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Negociações entre EUA e Irã avançam para 3ª fase com cenário indefinido; Estreito de Ormuz ainda é impasse

Foto: REUTERS/Stringer

A segunda rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã terminou neste sábado (11), em Islamabad, com expectativa de continuidade no domingo (12). O processo é mediado pelo Paquistão.

Apesar de relatos positivos sobre o andamento das conversas, o principal impasse segue sendo o controle do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás. O tema é descrito como ponto de “séria discórdia” entre as partes.

As negociações já ultrapassaram cinco horas e entraram na fase técnica, com comitês especializados discutindo questões econômicas, militares, jurídicas e nucleares. Há divergências sobre exigências dos EUA e a insistência iraniana em manter ganhos militares.

Os encontros incluem conversas diretas e indiretas e marcam o diálogo mais avançado entre os países desde a Revolução Islâmica de 1979, além de serem as primeiras negociações presenciais desde o acordo nuclear de 2015.

As delegações são lideradas pelo vice-presidente americano JD Vance e pelo chanceler iraniano Abbas Araghchi, com participação de autoridades de alto escalão dos dois países.

As tratativas ocorrem após um cessar-fogo de duas semanas iniciado na terça-feira (7). O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, classificou o momento como decisivo e uma oportunidade de “tudo ou nada” para avançar rumo a uma solução do conflito.

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Papa Leão XIV apela a países para fim da “loucura da guerra”

Foto: Reprodução/Vatican News

O papa Leão XIV fez um apelo, neste sábado (11/4), para que os Estados Unidos, Israel e Irã cheguem a um consenso que determine o fim da guerra no Oriente Médio. O pontífice chamou o conflito de “loucura” e acusou os envolvidos de terem idolatria por dinheiro.

“A verdadeira força se manifesta no serviço à vida. Que a loucura da guerra chegue ao fim e que a Terra seja curada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, proteger, amar”, afirmou o papa, em um pronunciamento neste sábado.

Ao se manifestar sobre o conflito, iniciado no dia 28 de fevereiro deste ano, Leão acusou os envolvidos de terem idolatria por eles próprios e também pelo dinheiro. “Chega de idolatria de si mesmo e dinheiro”, disse o papa.

Estados Unidos e Irã estabeleceram um cessar-fogo e negociam um acordo de paz. A primeira fase de conversas sobre o tratado foi concluída na tarde deste sábado (11/4), no Paquistão.

Conforme as informações oficiais, as delegações trocaram documentos contendo os principais pontos discutidos, com o objetivo de formalizar os consensos alcançados por meio do diálogo.

O governo iraniano afirma que agora as negociações passam para a “fase técnica”. Neste ponto, os comitês especializados — compostos por técnicos das áreas econômica, militar, jurídica e nuclear — aprofundam as discussões.

A agência estatal Nournews noticiou que os diálogos continuam e há possibilidade de uma nova rodada ainda na noite deste sábado, podendo se estender até domingo (12/4).

Metrópoles

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[VÍDEO] SERÁ? Zema ‘convida’ Flávio Bolsonaro para ser seu vice

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro compartilhou um vídeo onde é ‘convidado’ pelo também pré-candidato à Presidência Romeu Zema para ser vice nas eleições deste ano.

“Pessoal, tô aqui com o Flávio fazendo o convite para ele ser meu vice. O que é que vocês acham?”, diz Zema.

Em seguida Flávio responde: “Será?”. Ambos brindam em caem na risada.

O vídeo foi inspirado numa trend criada pelo comunicador cearense João Inácio Júnior que tomou conta das redes sociais.

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Dino relata no STF investigações da PF contra adversário no Maranhão

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, é relator de ao menos quatro investigações da Polícia Federal que envolvem o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e familiares.

As apurações citam suspeitas de venda de vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e possível interferência em julgamento no Superior Tribunal de Justiça em um caso de homicídio ocorrido em 2022, em São Luís.

Brandão foi vice de Dino entre 2015 e 2022, mas rompeu politicamente com o ex-aliado em 2024, após o ministro suspender a indicação de um conselheiro para o TCE. O grupo do governador afirma que Dino atua para favorecer a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão, adversário político local.

Entre os casos, Dino autorizou investigação sobre o senador Weverton Rocha, suspeito de tentar influenciar decisão no STJ relacionada ao assassinato de João Bosco Pereira. No inquérito, também é citado Daniel Brandão, sobrinho do governador.

Outro foco é a apuração sobre suposta venda de indicações ao TCE. A investigação foi aberta após questionamentos sobre o rito de escolha de conselheiros na Assembleia Legislativa do Maranhão, considerado sigiloso. Dino suspendeu indicações e determinou apuração pela PF.

A defesa de Carlos Brandão nega irregularidades e sustenta que o STF não teria competência sobre o caso, que deveria tramitar no STJ. Já o gabinete de Flávio Dino afirma que o ministro não comenta processos em andamento nem questões políticas, conforme a Lei Orgânica da Magistratura. As investigações seguem em curso.

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[VÍDEO] FLÁVIO: “O presidente Jair Messias Bolsonaro vai subir a rampa junto com a gente”

Pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, caso vença a eleição, vai subir a rampa para tomar posse acompanhado de Jair Bolsonaro (PL). A ação depende, contudo, de mudança do status jurídico do ex-presidente, que cumpre condenação a 27 anos de prisão em regime domiciliar.

A declaração foi dada durante discurso em Porto Alegre. “O presidente Jair Messias Bolsonaro vai subir a rampa junto com a gente”.

Flávio Bolsonaro buscou dar publicidade à afirmação. Antes de verbalizar a frase, pediu para mulheres que compareceram a um café da manhã ligassem o celular e enviassem o vídeo para amigos e parentes.

Cumprir a promessa significa mudar a situação jurídica de Bolsonaro. O ex-presidente está em prisão domiciliar depois de ser condenado a 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado.

Flávio diz contar com apoio do Congresso Nacional para a alterar o status jurídico de Bolsonaro. “Se Deus permitir, nós vamos vencer essa eleição no primeiro turno. Há projeto já tramitando no Congresso Nacional que trata de uma espécie de, não é uma anistia, mas é um zerar o jogo de verdade pra fazer justiça, não só ao presidente Bolsonaro, mas à Débora do Batom”.

O pré-candidato diz acreditar que uma vitória sua muda o contexto político nacional. Flávio Bolsonaro avalia que hoje existe uma preocupação com a reação do STF (Supremo Tribunal Federal) a uma eventual aprovação da anistia. Ele diz que isso acaba após as eleições, caso seja eleito, porque o presidente não será mais alinhado ao STF.

“A anistia é de competência exclusiva do Congresso Nacional, e as ameaças que tem por parte de um ou outro não vão se sustentar após as eleições de outubro. E o Congresso vai aprovar esse projeto de lei, uma redação que atenda a todos, que permita que todos possam voltar para suas casas”, Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL.

UOL

Opinião dos leitores

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Geral

Inteligência dos EUA tem indícios de que China prepara envio de armas ao Irã

Foto: Atta Kenare/AFP

A inteligência dos Estados Unidos tem indícios de que a China estaria se preparando para entregar novos sistemas de defesa aérea ao Irã nas próximas semanas, segundo a rede de TV CNN. A emissora atribuiu a informação a três fontes familiarizadas com o assunto.

O movimento seria provocativo, segundo a CNN, considerando que Pequim afirmou ter auxiliado no acordo de cessar-fogo que interrompeu a guerra entre Irã e Estados Unidos no início desta semana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve visitar a China no começo do próximo mês para conversas com o presidente chinês, Xi Jinping.

A inteligência americana destacou que o Irã pode estar usando o cessar-fogo como uma oportunidade para recompor determinados sistemas de armas com a ajuda de parceiros estrangeiros importantes, segundo as informações da TV americana.

Pequim estaria se preparando para transferir sistemas de mísseis antiaéreos portáteis disparados do ombro, conhecidos como MANPADS, de acordo com as fontes da CNN. Os equipamentos representariam uma ameaça assimétrica às aeronaves militares dos EUA voando a baixa altitude.

Um porta-voz da embaixada chinesa em Washington afirmou que a China nunca forneceu armas a nenhuma das partes do conflito e que as informações em questão são “inverídicas”.

Papel da China

O envio de MANPADS ao Irã marcaria uma escalada no apoio da China ao país desde que os EUA e Israel lançaram sua campanha militar conjunta em fevereiro.

Segundo a CNN, fontes com acesso a relatórios de inteligência avaliam que a China não teria interesse estratégico em se envolver diretamente no conflito para defender o Irã, já que esse cenário seria visto como inviável.

A leitura é que Pequim prefere preservar a relação com Teerã — de quem depende fortemente para o abastecimento de petróleo — ao mesmo tempo em que mantém uma postura pública de neutralidade, o que lhe garantiria margem de negação no pós-guerra.

De acordo com a emissora, essas mesmas fontes afirmam que autoridades chinesas podem sustentar que eventuais envios de sistemas de defesa aérea têm caráter essencialmente defensivo, numa tentativa de diferenciar sua atuação da Rússia.

Estadão Conteúdo

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Mais uma escola entregue à população de Ceará-Mirim; avanço que transforma vidas

A Prefeitura de Ceará-Mirim segue avançando nos investimentos em educação e entregou, nesta sexta-feira (10), a Escola Municipal Severino Pinheiro, na comunidade de Mineiros, totalmente requalificada e pronta para receber estudantes, profissionais e toda a comunidade escolar com mais conforto, segurança e qualidade.

A unidade passou por uma ampla reestruturação, contemplando serviços hidráulicos e elétricos, recuperação do telhado, pintura geral e uma completa revitalização dos espaços. A escola agora conta com uma estrutura mais moderna e adequada, garantindo melhores condições de ensino e aprendizagem para as crianças da localidade.

“Investir na educação é investir no futuro da nossa cidade. Estamos entregando mais uma escola preparada para acolher nossos alunos com dignidade e oferecer melhores condições de aprendizagem. Esse é um trabalho que não para e que vai continuar chegando a cada comunidade”, destacou o prefeito.

A entrega da Escola Severino Pinheiro reforça o ritmo de trabalho da gestão municipal. Além da unidade de Mineiros, outras escolas também foram entregues recentemente, ampliando os investimentos e fortalecendo a rede pública de ensino em todo o município.

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Geral

PESQUISA DATAFOLHA: Flávio Bolsonaro ultrapassa Lula pela primeira vez e tem 46% contra 45% do petista em eventual 2º turno

Foto: reprodução CNN

Pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (11) mostra que Luiz Inácio Lula da Silva perdeu a vantagem em um eventual segundo turno e foi numericamente ultrapassado pela primeira vez por Flávio Bolsonaro: 46% a 45%. Nos cenários contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema, Lula vence por 45% a 42%.

Esta é a primeira pesquisa com a depuração do quadro de pré-candidatos a partir da escolha do ex-governador de Goiás pelo PSD, na semana passada.

Primeiro turno

Já a simulação do primeiro turno, agora reduzida a apenas uma e por isso só comparável à sua análoga na rodada anterior, repete a cristalização de uma polarização entre Lula e Flávio neste estágio inicial da corrida eleitoral.

Flávio avançou quatro pontos em menções espontâneas, indo de 12% para 16%. Lula ainda lidera o quesito, quando o entrevistado não tem acesso à lista de pré-candidatos, oscilando de 25% para 26% ante a pesquisa anterior. Caiado aparece pela primeira vez, com 2% de citações.

Rejeição

A rejeição é alta: 48% dizem não votar em Lula, e 46% rejeitam Flávio. Ambos são amplamente conhecidos (99% e 93%). Já Zema (56% desconhecem, 17% rejeitam) e Caiado (54% e 16%) têm menor rejeição.

Perfil do eleitores

Por perfil, Lula tem mais apoio entre menos instruídos (50%), mais pobres (44%) e nordestinos (55%).

Flávio lidera entre mais ricos (49%), classe média alta (41%) e evangélicos (49% a 25% sobre Lula). Entre católicos, Lula vence por 43% a 30%.

Dados da pesquisa

Todos os resultados configuram empates dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos do levantamento, que ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades de terça (7) a quinta (9). Ele está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.

Com informações de Folha de S. Paulo

Opinião dos leitores

  1. Para até o Datafolha divulgar, é sinal de que a coisa tá ficando feio pra corja. Já já bate o desespero nos esquerdosos e irão usar de todo jogo baixo possível para não deixarem o poder. E o que essas pragas infernizarão caso percam realmente a eleição, não tá escrito. Deixaram essa desgraça se criar e agora sempre serão uma barreira para o desenvolvimento do país e uma ameaça à democracia. Basta dizer que enquanto o mundo empenhava esforços para combater a pandemia, eles lutavam com toda força para derrubar o governo. Sorte do país que não teve um governo de esquerda na pandemia, pois os lockdonws que teriam instituído severamente teria arruinado com a economia do país e multiplicado o número de pobres e miseráveis.

  2. Kkkkk bem capaz de Lula perder pra Flávio doido. Omi pelo amor de Deus melhore não têm quem tome de Lula.

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