Judiciário

Mudanças no Código Penal: avanços ou retrocessos

Um tema controverso e polêmico é a mudança no Código Penal, que data de 1940. Se por um lado muitos defendem a necessidade de transformações, por outro também surgem temores de que a legislação contra o crime ao invés de se mostrar intolerante com as práticas delituosas acabem se concretizando como agente de estímulo, em virtude da aplicação de penas brandas e não condizentes com o poder ofensivo da ação criminosa.

A edição deste domingo da Tribuna do Norte, em matéria de Margareth Grilo, mostra o que muda no CP e o que isso vai representar para a sociedade. Acompanhando os avanços tecnológicos e a apropriação de meio digitais para se cometer “crimes cibernéticos”, o novo Código vai dispor de preceitos sistematizados e determinação de penas que podem variar de multa ou detenção de seis meses a 1 ano. Isso, para os crimes de natureza leve como invasão de sites.

As casas de prostituição passam a ser legalizadas e será extinta a pena de 5 anos para o dono do estabelecimento. Mas aumenta de 4 para até 10 anos a pena de quem explora sexualmente menores de 18 anos.

Passa a valer para a homofobia a mesma pena válida para as ações de racismo, que correponde de 2 a 5 anos de prisão.

Quanto ao consumo de drogas, o usuário que for pego portando uma quantidade correspondente ao consumível em 5 dias não mais responderá criminalmente. No entanto, se for flagrado em locais públicos, onde estejam crianças e adolescentes será submetido a penas restritivas de direito.

É justamente a extinção de alguns tipos criminais que suscita as maiores dúvidas. Há quem defenda que isso será benéfico, inclusive, para desafogar o sistema penitenciário. O juiz Fábio Ataíde explica que a revogação da Lei de Contravenção Penal; a ação penal condicionada para os crimes de furto e a legalização do consumo de drogas, podem ser caminhos para isso.

Segue matéria na íntegra:

Depois de 72 anos de vigência, o Código Penal Brasileiro, de 1940, será alvo de modificações. O anteprojeto entregue ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB), no dia 27 de junho, deve ser encaminhado para apreciação dos senadores. Durante sete meses, uma comissão técnica formada por 15 pessoas, entre  juristas, procuradores, defensores públicos e advogados, e presidida pelo ministro do Superior Tribunal Justiça (STJ), Gilson Dipp, estudou e montou o texto final.

Com quase 500 páginas, a proposta eliminou tipos penais, criou crimes e decidiu tratar tabus com um viés claramente liberal. Os juristas avançaram em temas polêmicos, como os que ampliam as hipóteses do aborto e que legalizam o uso de drogas. O texto cria possibilidades de as autoridades apurarem e enquadrarem servidores públicos por crime de enriquecimento ilícito;  remove os atuais obstáculos legais à comprovação do crime de embriaguez ao volante; criminaliza os jogos de azar, hoje tipificados como uma contravenção, e aumenta as penas por interceptação ilegal de ligações telefônicas e por maus-tratos a animais.

O anteprojeto compreende ainda o endurecimento das regras para concessão de benefícios de redução de penas e inclui os crimes contra a humanidade, racismo, trabalho escravo, tortura, terrorismo e financiamento do tráfico de drogas na lista dos crimes hediondos. Editado em 1940, pela ditadura varguista, o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 7/12/1940) em vigor sofreu, ao longo das últimas sete décadas, dezenas de emendas.

Atualmente, tramita na Câmara Federal projeto de reforma do da parte especial do Código Penal, sob coordenação do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) e que valoriza a aplicação de penas alternativas. Até o momento, não se sabe como as duas propostas serão conciliadas. Nas próximas páginas, veja com detalhe as mudanças propostas e acompanhe a opinião de especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE.

Mudanças propostas

ABORTO

A proposta autoriza a interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação, desde que um médico ou psicólogo ateste que a mulher não terá condições de arcar com a maternidade. Hoje, o aborto é permitido apenas quanto há risco de morte para a mulher causado pela gravidez; se a gravidez for resultado de estupro ou se o bebê for anencéfalo.

ABANDONO DE ANIMAIS

Criminaliza a prática, com pena de 1 a 4 anos de prisão. No caso de maus-tratos, a pena  quadruplicaria, em relação ao que prevê o atual código (1 ano de prisão).

BULLYING

Intimidar, constranger, ameaçar, assediar sexualmente, ofender, de forma intencional e reiterada, direta ou indiretamente, por qualquer meio, valendo-se de superioridade e causando sofrimento viraria crime, somente se a vítima representar. A pena seria de 1 a 4 anos de prisão

CRIMES CIBERNÉTICOS

Cria vários crimes, entre eles, o de “intrusão informática”. Ou seja, quem invadir um site, mesmo que não divulgue os dados ali presentes, receberia pena de 6 meses a 1 ano de prisão, ou multa. Prevê aumento de pena caso essa invasão cause um prejuízo econômico à vítima.

TORTURA

A pena aumentaria, sendo a mínima, de 4 anos anos, e a máxima, de 10 anos, e o crime se tornaria imprescritível (o acusado pode ser punido em qualquer tempo). Hoje, a pena é de prisão de 2 a 8 anos e o crime pode prescrever.

DIRIGIR EMBRIAGADO

Cria o crime de dirigir visivelmente embriagado, dispensando a exigência do teste de bafômetro – a comprovação poderia ser feita por testemunhas, filmes, fotografias  ou exames clínicos.  A proposta dobra a pena por homicídio culposo quando se alguém estiver dirigindo embriagado ou participando de ‘rachas’. Nessas hipóteses, a pena mínima seria de 4 anos de prisão e a máxima, de 8 anos.

CRIMES ELEITORAIS

Passariam a existir 14 crimes. Os demais, previstos no Código Eleitoral, de 1965, seriam extintos ou punidos administrativamente, com multas, como é o caso da ‘boca de urna’, hoje punida com até um ano de prisão. Outros terão penas aumentadas. No caso de candidato que se beneficiar da máquina pública a punição que hoje é de seis meses de prisão, passaria para até 5 anos. A compra de votos também seria punida com até 5 anos de prisão e a venda, com até 4 anos de prisão. O eleitor que estiver em condição de ‘extrema miserabilidade’, porém, seria anistiado.

JOGOS DE AZAR
O texto criminaliza a exploração de jogos de azar sem autorização do Estado, como o jogo do Bicho, com pena de até 2 anos de prisão, e isenta os apostadores de qualquer tipo de sanção penal. Hoje, o jogo ilegal é considerado uma contravenção penal, punida com detenção de 3 meses a 1 ano.

DIREITO AUTORAL

O texto isenta de punição por  violação de direito autoral quem fizer cópia integral, desde que única, apenas para uso próprio. Hoje, a conduta pode ser punida com até 4 anos de prisão.

PROSTITUIÇÃO

Legaliza as casas de prostituição e extingue a pena de até cinco anos de prisão para o proprietário do local. Por outro lado, estabelece pena de até 9 anos de prisão para o dono de prostíbulo que obrigar pessoa a se prostituir, incluindo os casos em há dívidas envolvidas. Endurece as penas contra quem explora sexualmente menores de 18 anos, estabelecendo pena de até 10 anos de prisão. Hoje, a punição é de até quatro anos de prisão.

CRIMES PATRIMONIAIS

Quem cometer crimes contra o patrimônio, sem uso de violência, como o furto, e em seguida, devolver o bem furtado poderá ficar livre da pena, se a vítima concordar expressamente com a restituição. Hoje, não há essa previsão.

HOMOFOBIA

Passaria a valer para a homofobia a mesma pena do racismo: 2 a 5 anos de prisão. Torna-se crime imprescritível e inafiançável. A pena por homicídio, lesão corporal, tortura e injúria seria aumentada caso a motivação fosse o preconceito. Hoje, o preconceito não é crime. Xingamentos podem se encaixar na definição de injúria e o homicídio baseado em homofobia pode ser qualificado por “motivo torpe”.

ESTUPRO

O texto desdobra  as condutas de ataque sexual em duas: o estupro seria apenas o ato sexual vaginal, anal ou oral praticado mediante violência ou grave ameaça, punido com prisão de 6 a até 10 anos. As outras condutas de caráter sexual menos agressivas seriam chamadas de molestação sexual e teriam uma pena de 2 a 6 anos de prisão.  O estupro de vulnerável passa a ser contra menor de 12 anos, relação sexual vaginal, anal ou oral, e a pena seria de 8 a 12 anos.

CRIMES HEDIONDOS

Foram incluídos sete novos delitos: tortura, terrorismo, tráfico de pessoas, racismo, redução análoga à escravidão, crimes contra a humanidade e financiamento do tráfico de drogas. São inafiançáveis e têm regimento de cumprimento de pena mais rigorosos. Hoje, estão neste rol, homicídio, latrocínio, extorsão com morte, extorsão mediante sequestro, estupro, epidemia com resultado de morte e falsificação de remédios.

MENORES

Quem usasse menores de idade para cometer crimes assumiria as penas dos delitos cometidos por eles. Hoje, quem usa menores de idade em crimes responde só pelos próprios delitos.

PORTE DE DROGAS

O usuário deixará de responder por crime se portar uma quantidade de substância que corresponda ao consumo pessoal de até cinco dias. Porém, se o usuário consumir drogas em locais públicos, onde haja crianças e adolescentes, continuará a ser punido com penas restritivas de direito. Hoje, o porte de drogas é considerado crime, mas é punido com penas alternativas.

STALKING (“PERSEGUIÇãO OBSESSIVA”)

Quem perseguir alguém reiteradamente, ameaçando sua integridade física ou psicológica, ou invadindo ou perturbando sua privacidade, pode ficar preso entre 2 e 6 anos. Hoje, não é crime específico.

TERRORISMO
Na proposta está descrito como comportamentos motivados por “ódio e preconceito” e que causem terror à população, além de forçar a autoridade a contrariar a lei. A pena vai de 8 a 15 anos de prisão.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DE SERVIDORES

Agentes públicos, inclusive juízes e membros do Ministério Público, que ampliarem seu patrimônio de forma injustificável, sem comprovarem a origem de bens, poderão ser punidos com pena de 1 a 5 anos de prisão. Hoje, a prática é punida apenas com sanções administrativas e cíveis.

EUTANÁSIA

O texto prevê a anistia da pena de quem desligar meios artificiais que sustentam a vida de um paciente se houver consentimento dele ou da família, apenas se a doença for grave, irreversível e atestada por médico. Hoje, a prática é punida como homicídio comum, com pena de 6 a 20 anos de prisão.

Reforma pode desafogar sistema

Margareth Grilo

repórter especial

A descriminalização de várias condutas, proposta no anteprojeto do novo Código Penal Brasileiro, pode ter um reflexo positivo no sistema carcerário brasileiro. A opinião é do juiz de Direito e  conselheiro da Associação de Magistrados do Rio Grande do Norte (Amarn), Fábio Ataíde. O anteprojeto, em discussão no Senado, exclui algumas infrações de violação a bens jurídicos leves.

Segundo o jurista, a proposta traz três ações que vão resultar em diminuição significativa no sistema carcerário: a revogação da Lei de Contravenção Penal; a ação penal condicionada para os crimes de furto e a legalização do consumo de drogas. “O mérito desse anteprojeto”, afirma o jurista, “é ter atacado, principalmente, os motivos que causam o encarceramento em massa no Brasil, que são os crimes contra propriedade”.

No país, segundo Fábio Ataíde, 65 mil pessoas estão encarceradas por crimes de furto, agravando a superlotação dos presídios. A proposta em estudo no Senado Federal propõe ação condicionada, em casos de furtos, o que significa que a vítima deve provocar o Estado para que se inicie a ação penal. Já no crime de roubo, sem uso da violência, o anteprojeto diminui o tempo de prisão.

Por outro lado, a criação de dispositivos previstos, como o sistema de barganha e o instituto da colaboração, podem reduzir o tempo dos processo e aumentar a eficácia do Estado, cita Fábio Ataíde. “Isso significa dizer que o acusado poderá negociar um acordo com o Ministério Público, abreviando o tempo dos processos”, explicou. Uma das expectativas não contempladas foi a não inclusão da corrupção na lista dos crimes hediondos. “Era um anseio popular, mas a comissão deixou de fora da lista”, lamentou o juiz.

Para Ataíde é positivo que a proposta tenha criminalizado a corrupção entre particulares. “É um caminho para atacar a corrupção, mas sinceramente acho que o novo Código”, disse o jurista, “não vai ser capaz de resolver a situação, embora seja severo com os crimes de colarinho branco, contra a administração pública”. O anteprojeto prevê que, para haver progressão de regime das pessoas condenadas, tem que haver reparação do dano.

A delegada da Polícia Federal, Ohara Fernandes,  coordenadora do Movimento Articulado de Combate à Corrupção (Marcco), disse que há muito o Brasil se ressentia dessa reforma. Ela citou a inclusão no projeto do novo Código Penal dos crimes cibernéticos, da organização criminosa, do crime praticado por empresas, do jogo do bicho, e do enriquecimento ilícito de agentes públicos como sendo pontos favoráveis.

“Essas condutas”, afirmou a delegada, “não estão tipificadas no atual Código e passarão a ser. A meu ver isso será eficaz no combate à corrupção”. Ohara Fernandes, deixa claro, no entanto que “não adianta só legislar, precisa dar efetividade à lei. “Tem que se punir, tem que aplicar a lei em toda sua inteireza com rigorosidade. No Brasil, o problema é que temos boas leis mais baixa efetividade na aplicação das medidas coercitivas”.

Para efetividade da lei, além do aparelhamento da polícia, do Ministério Público e dos órgãos de execução penal, é preciso o treinamento técnico, principalmente, por conta das novas demandas criadas. “Nos crimes cibernéticos e no combate ao crime organizado, os órgãos precisam estar bem estruturados para agir muito rápido e ser eficiente”. Ela advoga ainda que a polícia deve ter mais poder requisitório para dar mais agilidade às investigações.

Escolas de Direito acompanham mudanças

No meio acadêmico, o estudo do Direito, segundo o juiz Fábio Ataíde, também professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, teve avanço significativo. “Se estuda muito a criminalidade no Brasil. Na academia, se trava muita discussão sobre a reforma do Código Penal, sob a ótica das causas, de como podemos resolver a tamanha demanda que o judiciário tem”, afirma o juiz.

Hoje, segundo o professor de Direito da UFRN, essa é a grande discussão que todos os pensadores do direito travam. Além disso, o anteprojeto de reforma do Código cria novas demandas e elas vão exigir adequações nas grades curriculares, segundo o professor do curso de Direito da Farn, Sandresson de Menezes Lopes.

Sandresson afirma que a reforma é importante por cinco aspectos: a modernização do Código, criado numa realidade distinta, não compatível com a de hoje; a unificação da legislação penal – o código passará de 359 artigos para quase 500, com a incorporação de várias leis específicas; a compatibilidade com a Constituição Federal; para tornar proporcional a pena de alguns crimes; e para buscar alternativas ao encarceramento.

Para o advogado criminalista, Caio Graco, conselheiro vitalício da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) o anteprojeto, certa forma, é positivo, mas traz alguns descompassos e certo retrocesso, quando reduz penas nos crimes de propriedade, e estabelece penas de prisão para lesão corporal de natureza leve. Mas, de forma geral. “Se cobra muito a severidade das penas e eu entendo que o caminho é por ai”, afirma o advogado.

Outra falha, segundo ele é o afastamento da detenção, que é fundamental para o manejo do jurídico no cumprimento da pena. “Quando se mantém a lei 8.666 (Lei das Licitações), que prevê pena de detenção, e no projeto só se fala em prisão, em alguns delitos o tratamento não vai mais ser adequado”.  Caio Graco alerta que a reforma deve demorar bastante no Senado e na Câmara devido à sua complexidade e pela polêmica que envolve temas, como jogo de azar, aborto e homofobia.

Fábio Ataíde lembra que essas novas demandas têm significado muito importante por terem a preocupação com as minorias. “Esse projeto traz uma mudança de comportamento, que considera a necessidade de proteger novos direitos”, afirma o professor.

Igreja pede atenção a princípios

No Congresso Nacional, alguns pontos da proposta causaram rejeição por parte dos legisladores da bancada religiosa, que se opõem à flexibilização do aborto, à liberação da ortotanásia e à descriminalização de alguns casos da eutanásia, que serão avaliados pelo juiz de turno. No Rio Grande do Norte, a igreja católica afirma que a reforma do Código Civil “tem que respeitar os princípios  fundamentais da vida humana”.

Com 35 anos de dedicação ao ministério sacerdotal, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira, afirmou que “não podemos, num país como o Brasil, onde na sua cultura e na sua configuração, estão os valores cristãos, aceitar mudanças que vão de encontro à defesa da vida e da dignidade humana”. D. Jaime citou o artigo 5º da Constituição, que estabelece a “inviolabilidade do direito à vida”. “Tudo que vier contra esse princípio será rejeitado, não podemos concordar”.

O arcebispo de Natal disse que respeito a condição de um Estado laico, mas “não podemos esquecer que esse país está baseado, desde suas origens, num arcabouço marcado pela fé cristã”. D. Jaime lembra a grande máxima de Jesus Cristo: “Eu vim para todos todos tenham vida e a tenham plenamente”. Em abril deste ano, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criou, durante a 50ª Assembleia Geral da entidade, uma comissão para acompanhar o trabalho de reforma do Código Penal.

Na nota, a CNBB declarou seu compromisso de corresponsabilidade na consolidação da democracia e anunciou que  algumas propostas devem ser apresentadas, relativas aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio. A CNBB reconhece que, para atender melhor às exigências da sociedade, o Código Penal em vigor precisa incorporar elementos novos, “exigência das grandes transformações, que marcam os tempos atuais”, mas afirma que isso deve acontecer “sem prejuízo dos valores perenes como a vida e a família”.

Bate-papo

» Fábio Ataíde, juiz criminal e vice-presidente da Associação de Magistrados do RN (Amarn)

O senhor acha que o anteprojeto do novo Código Penal tocou em todos os temas?

A comissão foi bem feliz em abordar todos os grandes temas e conseguiu discutir questões que dizem respeito a estrutura do nosso sistema penal, e isso que é o importante. Não ficou apenas num discurso político, de vamos, vamos penalizar mais, aumentar os prazos.  O modelo que foi adotado é um chamado modelo dualista, uma tradição européia. Punir mais os crimes graves, e punir menos ou não punir aquelas condutas que são consideradas leves.

Que reflexos esse novo código trará para o país?

Se fosse possível aprovar o anteprojeto como está o efeito seria benéfico, porque vamos ter um aumento do poder de eficácia dos órgãos de controle. Eles podem com essa nova norma aumentar a sua ação sobre a violação dos bens jurídicos mais relevantes. Mas, infelizmente, não necessariamente, é isso que vai acontecer. Sabemos que quando esse projeto começar a ser discutido no Congresso haverá um esfacelamento dessa estrutura teórica, o que pode comprometer a harmonia do sistema. Então, não sabemos se esse sistema que vem será melhor. O que temos não está bom, mas pode ficar pior ainda, se não aprovarmos uma política criminal, que seja harmônica.

Que críticas o senhor faz ao ante projeto?

Tem uma crítica muito severa que faço que é em relação aos crimes tributários e previdenciários, entre eles, os de sonegação fiscal. O Estado não faz cobrança de todas as dívidas, a não ser acima de R$ 20 mil. E o anteprojeto prevê não criminalizar as condutas que o Estado não execute e o direito penal não vai poder agir. Pode ser um valor de 30, 40 ou 50 mil reais, a decisão vai ficar na mão do Estado. Acho que qualquer violação contra o Estado deveria ser punida.

Essa proposta, em tramitação no Senado, vai produzir um código que atenda às necessidades da sociedade brasileira de hoje e de amanhã?

Não, se a gente for fazer um código político, apenas com discurso político de aumentar a pena, de tornar o sistema mais severo, ou se seguir o modelo uniforme americano, de ser duro de cima para baixo, com qualquer infração. Temos que enxugar a máquina e isso se faz punindo o que deve ser punido severamente.

Com informações da Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

  1. No caso da punição do agente público que comete desvios de verbas públicas para enriquecimento ilícito, além da pena que vai até 5 anos de reclusão, aonde está a cláusula que os obrigam devolver os erários surrupiados indevidamente? Não seria justo?

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PESQUISA VERITÁ: Flávio Bolsonaro tem 51,1% contra 48,9% de Lula

Imagem: Instituto Veritá

Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente do presidente Lula (PT) nas intenções de voto na disputa do segundo turno das eleições presidenciais, segundo pesquisa nacional do instituto Veritá divulgada neste sábado (17).

De acordo com o levantamento, Flávio registra 51,1% das intenções de voto, contra 48,9% de Lula. A diferença entre os candidatos é de 2,2 pontos percentuais.

A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 16 de outubro, com 15.554 entrevistados. O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual, intervalo de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01107/2026.

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DEBATE NA BAND: Lula e Flávio Bolsonaro terão 30 minutos de confronto direto neste domingo (18)

Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo

O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um debate presidencial será realizado neste domingo (18), às 20h, na Band, em São Paulo. Os candidatos terão 30 minutos de discussão livre no primeiro bloco do programa.

O debate terá três blocos e será mediado pelos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo. Nos blocos seguintes, além das perguntas dos apresentadores, os candidatos poderão questionar um ao outro. O encontro terminará com as considerações finais.

A transmissão será feita pelos veículos do Grupo Bandeirantes e por emissoras parceiras, incluindo TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan. A programação terá duração prevista de duas horas.

A participação de Flávio foi confirmada na quarta-feira (14), após o senador anunciar inicialmente que não compareceria. Ele afirmou que a declaração anterior foi uma “armadilha” para pressionar Lula a confirmar presença. A campanha do presidente também confirmou sua participação.

Os dois candidatos não participaram de debates no primeiro turno. Flávio terminou a primeira etapa da eleição com 47% dos votos, contra 45% de Lula. O último debate do segundo turno está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

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Nunes Marques autoriza que PT desvincule canal “Exército do Lula” da campanha

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), foi desvinculado oficialmente da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, nesta sexta-feira (16).

A decisão atendeu a um pedido da coligação de Lula, que alegou não haver financiamento, compartilhamento de estrutura ou orientação da campanha sobre as publicações do canal. Segundo a defesa, o espaço é uma iniciativa independente de apoiadores.

O TSE estabeleceu novas regras para identificar vínculos entre canais digitais e campanhas eleitorais. Entre os critérios estão o financiamento, o compartilhamento de recursos, a divulgação em perfis oficiais e a coordenação de conteúdo.

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[VÍDEO] PAIXÃO VIRTUAL: Pedreiro vende tudo e viaja mais de 2 mil km para encontrar mulher criada por IA


Imagens: JM1/TV Mirante

O sonho de encontrar um amor pela internet levou o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, a vender todos os seus bens e viajar mais de 2 mil quilômetros até Belo Horizonte (MG). Ao chegar à capital mineira, porém, ele descobriu que a mulher com quem conversava era uma personagem criada por inteligência artificial (IA).

Morador de Imperatriz (MA), Edimar mantinha contato desde 2020 com o perfil de Jéssica Oliveira, conhecida como “Jéssica Fazendeira”, que acumulava mais de 300 mil seguidores nas redes sociais. Nos vídeos, a personagem dizia estar divorciada e procurava um companheiro para morar em uma fazenda.

Pedreiro que viajou para BH em busca de mulher criada por IA vendeu tudo para comprar passagem — Foto: Reprodução/ TV Mirante

O pedreiro afirmou que não desconfiava da fraude, pois o perfil nunca havia pedido dinheiro e chegou a oferecer ajuda para custear a viagem. Ao não encontrar a suposta mulher em Belo Horizonte, ele procurou uma rádio local, onde foi informado de que ela não existia.

“Vendi minhas coisas todas, acabei com tudo. Assim a gente desanima, quem não desanima?”, lamentou em entrevista à TV Mirante.

Sem dinheiro para retornar ao Maranhão, Edimar recebeu ajuda de pessoas da região e da Prefeitura de Belo Horizonte, que forneceu alimentação, acolhimento e uma passagem para Augustinópolis (TO), sua cidade natal. Atualmente, ele está hospedado na casa de parentes em Imperatriz (MA).

Apesar da decepção e do prejuízo, o pedreiro disse que não se arrepende da viagem e pretende voltar a Minas Gerais para tentar encontrar um novo amor. “Eu não encontrei ela, mas eu vou encontrar outra e vai ser no mesmo lugar onde eu fui e eu vou de novo”, afirmou.

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Papa Leão XIV recebe alta do hospital neste sábado (17), diz Vaticano; potífice retirou tumor do pulmão

Foto: Elisabetta Trevisan – Vatican Media via Vatican Pool/Getty Images

O papa Leão XIV deve deixar o Hospital Gemelli, em Roma, neste sábado (17), após passar por uma cirurgia para retirar um tumor no pulmão. Segundo o Vaticano, os exames realizados pela manhã indicaram que o pontífice está em condições de receber alta.

Internado desde terça-feira (13), o primeiro papa americano teve um nódulo diagnosticado como adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer de pulmão. A cirurgia foi concluída com sucesso e sem complicações, segundo a equipe médica.

Antes de retornar ao Vaticano, Leão XIV deverá celebrar uma missa na unidade hospitalar. Para domingo (18), está prevista a tradicional bênção aos fiéis de uma janela com vista para a Praça de São Pedro.

Os médicos ainda não divulgaram o tamanho do tumor nem se a doença atingiu os linfonodos próximos, informações importantes para avaliar o prognóstico do pontífice, eleito em maio de 2025.

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[VÍDEO] Flávio diz que respeitará o resultado das urnas em caso de derrota, mas afirma ter certeza que o Brasil “já escolheu a mudança”


Vídeo: Reprodução/TV Globo

O senador e candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), disse durante a Sabatina da TV Globo que respeitará o resultado das urnas em caso de derrota, mas afirmou que o Brasil “já escolheu a mudança”. A fala do presidenciável aconteceu após questionamento da jornalista Renata Lo Prete, que estava conduzindo a entrevista.

“Eu vou disputar as eleições com as regras que estão ai. Independente de qual for o resultado, mas eu tenho a convicção que o Brasil já escolheu a mudança. No 1° turno foi assim, o Brasil já escolheu a mudança e no 2° vai continuar escolhendo a mudança, porque ninguém aguenta mais um governo com que é recordista em assassinato de mulheres, em mulheres que são espancadas, em queimadas na Amazônia. Um governo que é recordista em pessoas endividadas, em empresas que são fechadas e em empresas que deixam o país para ir para o Paraguai. Um governo que é um caos, o Brasil que está sem presidente”, disparou Flávio.

Opinião dos leitores

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[VÍDEO] Flávio Bolsonaro afirma que uma de suas primeiras ações na Presidência da República será “declarar guerra ao narcotráfico”


Vídeo: Reprodução/TV Globo

O senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou durante a Sabatina da Globo nesta sexta-feira (16) que, se for eleito presidente, um de seus primeiros atos após tomar posse será reunir os comandantes da Forças Armadas para “declarar guerra ao narcotráfico” no Brasil.

“Eu vou declarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações narcoterroristas, que é o que eles são. O Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas para ter intercâmbio de informação e de inteligência para a gente combater o terrorismo aqui na Tríplice Fronteira na região de Foz do Iguaçu”, declarou.

Opinião dos leitores

  1. Parabéns Flávio Bolsonaro, tem que arranjar uma ocupação decente pras forças armadas, chega de manchinha e formatura para Coronéis.

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Prefeitura de São Gonçalo amplia atendimento da atenção básica de Saúde na zona rural


Foto: Divulgação

Na manhã desta sexta-feira (16), o prefeito Jaime Calado reabriu o posto de saúde de Serrinha de Baixo, na zona rural do município, retomando os atendimentos à comunidade.

O secretário municipal de Saúde, Júnior Rego, afirmou que encontrou a unidade fechada ao assumir a pasta, em novembro de 2025. Segundo ele, desde então, foram iniciadas as tratativas para restabelecer os serviços. “Quando me convidou, o prefeito disse que queria os serviços funcionando e que não faltassem médicos nem medicamentos. Uma das unidades que estavam fechadas quando cheguei à gestão era esta. Trabalhamos, passo a passo, na estruturação, e hoje ela está sendo entregue à população”, declarou.

Jaime Calado destacou o papel da atenção básica na prevenção de doenças e no acompanhamento dos pacientes. “Uma unidade dessa funcionando bem evita muita doença. A prevenção é fundamental porque, quando não há cuidado, um problema pode se agravar e se tornar uma emergência. Esses programas precisam ser bem cuidados porque envolvem a vida das pessoas”, afirmou.

O posto terá atendimento médico uma vez por semana, assistência de enfermagem, oferta de medicamentos essenciais, consultas e encaminhamentos para a regulação, conforme pactuado com a comunidade.

Moradora de Serrinha do Meio, Ana Maria relatou as dificuldades enfrentadas durante o fechamento do ponto de apoio. Para conseguir atendimento, precisava pagar por um mototáxi até Serrinha de Cima. “Ficou muito difícil a nossa situação. Precisávamos pagar um mototáxi até Serrinha de Cima. Mas agora, graças a Deus e ao prefeito Jaime, vai economizar as minhas pernas”, brincou.

A líder comunitária, Fátima de Bil, lembrou que o ponto de apoio foi inaugurado em 2009, durante a primeira gestão de Jaime Calado, e destacou os transtornos causados pelo fechamento. “Quando Dr. Jaime abriu esse ponto, ele foi muito importante para Serrinha de Baixo e região. Infelizmente, o espaço foi fechado na gestão anterior, trazendo dificuldades para os moradores. Agora, com a volta de Dr. Jaime, esperamos melhorias e novos avanços”, afirmou.

Participaram da reabertura os vereadores Nino Arcanjo, propositor da iniciativa, Sargento Gerson, Rayure Protásio, Delma Silva e Anderson Morcego, além de servidores municipais e moradores de Serrinha de Baixo e comunidades vizinhas.

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[VÍDEO] “NÃO ESTÁ NO RADAR”: Flávio diz que Jair Bolsonaro “nunca tratou de cargo” com ele


Vídeo: Reprodução/TV Globo

Questionado na sabatina da TV Globo, na sexta-feira (16), se daria um cargo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caso seja eleito no próximo dia 25, Flávio Bolsonaro (PL) disse que seu pai “nunca tratou de cargo” com ele e que isso “não está no radar”.

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Campanha de Flávio Bolsonaro aposta em viagens ao Nordeste e ofensiva contra Lula


Breno Esaki/Metrópoles

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende ampliar a presença nas ruas e endurecer os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O plano estratégico combina viagens intensas pelas regiões Norte e Nordeste, maior participação de aliados de peso e uma preparação rigorosa para os debates, em uma tentativa de recuperar o protagonismo na reta final da disputa.

A orientação central da equipe é dar mais visibilidade às propostas do senador e colocar o adversário sob pressão constante. Integrantes da campanha reconhecem que reações anteriores deixaram o candidato ocupado em responder a acusações, ao mesmo tempo em que os anúncios governamentais e a forte mobilização de apoiadores petistas passaram a preocupar o núcleo bolsonarista.

Agenda de peso e demonstração de força

O domingo (18) concentrará dois compromissos cruciais para a estratégia: um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, seguido pelo debate na Band. A manifestação de rua contará com a presença do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), com o objetivo de demonstrar força política no mesmo espaço ocupado pelos petistas semanas antes.

Já na segunda-feira (19), Flávio seguirá para Manaus e Marabá. O roteiro de viagens, ainda em fase de ajustes, também prevê passagens por Aracaju, São Luís, Recife e Fortaleza, com encerramento previsto em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro no sábado (24).

O esforço nas estradas visa reduzir a vantagem de Lula em redutos estratégicos. No Amazonas, por exemplo, o atual presidente obteve 48,23% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45% do senador, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mobilização de aliados no Nordeste e nas redes

Para atrair o eleitorado nordestino, a campanha contará com a atuação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice. Alagoano e ex-secretário de Segurança Pública, Gaspar tem percorrido estados da região para reforçar o discurso focado no combate à violência.

Nos locais onde o presidenciável não puder comparecer, a mobilização popular ficará a cargo de outras lideranças de destaque, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Além disso, deputados, senadores e governadores com disputas já encerradas receberam orientação estrita para intensificar a divulgação das propostas do candidato, impulsionar materiais de campanha e utilizar suas próprias estruturas políticas para pedir votos ativamente.

Com informações do Metrópoles

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