Política

Na cadeia, Maluf mostra fragilidade e se diz inocente

Por Mônica Bergamo

 

Ele estava tão ansioso para o encontro, na sexta-feira (2), que já me esperava na porta do bloco em que fica sua cela no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

“Minha querida”, disparou no velho estilo, abrindo os braços para um abraço. “Vim fazer a recepção a você.”

Maluf, 86, parece ainda mais velho. Está de cabelos mais brancos do que o usual (ele não pode mais pintar), barba por fazer e com a pele do rosto cheia de manchas.

É o dia da visita semanal de familiares e amigos aos detentos da Papuda.

Todos os que entram têm que se vestir de branco da cabeça aos pés e usar sandálias no estilo Havaianas, o mesmo uniforme dos presos.

A primeira impressão que se tem é a de estar numa cerimônia religiosa de umbanda ou candomblé.

Maluf também está vestido de branco. Como tem muita dificuldade de caminhar, foi autorizado a usar sapatos.

Curvado e apoiando o braço esquerdo em uma muleta, ele anda vagarosamente pelo corredor que nos levará à cela 10, um espaço de cerca de 10 m² que divide com três detentos.

Apoia o lado direito do corpo na parede para não cair. O dedo mínimo de sua mão está sangrando, deixando marcas por onde encosta.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, num pátio ao lado separado do corredor por uma grade, vê Maluf.

Acena uma vez. Acena de novo, algo surpreso ao reconhecer a colunista da Folha.

CELA

Maluf empurra a porta da cela. “Ladies first [mulheres primeiro]”, diz.

O local tem dois treliches, num total de seis camas. Mas só quatro são ocupadas —além dele, o espaço hospeda um médico, um holandês e um ex-funcionário público.

Todos penduram lençóis e cobertores para tapar a vista dos colchões, preservando a pouca privacidade que têm.

O ex-prefeito diz que não sabe bem por que crimes os colegas foram condenados.

Nem quer saber. “A regra aqui é ‘Don’t ask, don’t tell’ [não pergunte nada, não conte nada]”, ensina.

Há ainda uma mesa e quatro cadeiras de plástico e uma TV Semp de 16 polegadas. As paredes parecem um pouco sujas, mas o chão está limpo.

Maluf oferece uma cadeira. Senta-se em outra. E desanda a falar.

“Veja, eu estou aqui… eu não posso e não quero dar entrevista. Mas por que estou aqui?”, questiona.

“Querem que eu cumpra pena? Tudo bem. Mas eu posso cumprir em São Paulo, perto da minha família. Eu posso cumprir na minha casa. Eu sou o único preso aqui que tem 86 anos. E cumprindo regime fechado! O único!”

SAÚDE

Invoca seus problemas de saúde. “Eu tive câncer de próstata. Eu sou cardíaco. Tomo 15 remédios por dia.”

Aponta para os medicamentos, que ficam em saquinhos plásticos e são guardados na cama de cima do treliche junto a frutas, biscoitos e Toddynhos que são levados aos presos pelos familiares.

Precisa fazer fisioterapia, mas a especialista da área está de férias e ele não consegue começar o tratamento.

“A doutora Etelvina [médica da Papuda] é maravilhosa”, segue ele. “O Mike também”, diz, referindo-se ao médico que está na mesma cela. “Ele foi colocado aqui para cuidar de mim por causa dos meus problemas de saúde”, afirma. “

“Todos têm boa vontade. Mas é aquela coisa: o Ayrton Senna vai correr em Interlagos. Se ele não tem uma Ferrari, de que adianta tentar correr a pé? Eles são bons, mas aqui não há condições [de um bom tratamento de saúde].”

Conta que “outro dia chamaram o Mike para atender a um jovem de 22 anos que teve parada cardíaca. Ele fez de tudo, mas precisava de desfibrilador. O moço morreu.”

Jesse Ribeiro, amigo e assessor há 42 anos que o visita todas as sextas-feiras, pega papel higiênico para Maluf limpar o dedinho, que continua sangrando.

O banheiro da cela foi reformado por causa do ex-prefeito: barras foram colocadas para ele se segurar durante o banho, com chuveiro Lorenzetti. Um degrau foi nivelado. Há uma pia e uma privada.

Maluf diz que não pode reclamar do tratamento tanto dos presos quanto dos agentes, “muito educados”.

“Me tratam de forma reverencial, pela idade e pela minha história.” Diz que outro dia um detento fez até discurso: “No tempo do Maluf as pessoas em SP andavam tranquilas porque tinha a Rota”.

Quando chegou à Papuda, o ex-prefeito deu um pouco de trabalho. Com o já conhecido jeito mandão, distribuía até broncas entre os agentes.

Numa manhã, ele recebia a visita de Jesse quando o carcereiro chegou para levá-lo à dentista. Batendo no pulso, Maluf dizia: “Ela combinou às 9h. E já são 11h. Aqui não tem horário? Não vou.”

O assessor interferiu. “Doutor Paulo, aqui o senhor não é autoridade. É preso.”

COMIDA

Mike, jovem, alto e forte, chega com três copos de plástico com café e leite que nos oferece. Outro preso entrega uma quentinha para o ex-prefeito. “Abre aí para ela ver o meu rango”, pede ele.

O almoço do dia é arroz, feijão, frango desfiado e cenoura cozida. “Não é que a comida seja ruim. É que não é o gosto de casa, que eu estou acostumado.”

Ele rejeita as quentinhas e só come a comida da cantina: pizza, esfirra, cachorro-quente e pamonha. “E tomo Coca-Cola e Fanta o dia inteiro.”

O ex-prefeito tem direito de gastar R$ 100 por semana, que Jesse leva a ele todas as sextas-feiras, junto com frutas e às vezes biscoitos.

Já estourou o orçamento e teve que pedir dinheiro emprestado duas vezes ao ex-senador Luiz Estevão, de Brasília, que também cumpre pena na Papuda.

“Todos os domingos eu e a Sylvia [mulher dele] almoçávamos comida árabe em casa, com os quatro filhos, os seis netos e os 13 bisnetos”, diz. E começa a chorar.

“Eu sinto falta da Sylvia, sabe? Ela sorriu comigo, ela chorou comigo a vida inteira. Ela vai fazer 83 anos no dia 12 de abril. E no dia 23 nós fazemos 63 anos de casados”.

Soluçando, repete a frase que já virou bordão: “Eu sou casado há seis décadas. Com a mesma mulher”.

Maluf não admite que a família o visite. “Você acha que uma mulher da idade dela tem que passar pelo que você passou hoje [revista íntima]? Não quero! Não quero!”

Os filhos também estão proibidos por ele de ir à Papuda. Jesse é o único autorizado a visitá-lo.

“Eu não estou triste. Eu estou é magoado, sabe? Eu sou até um homem de sorte. Eu tenho uma mulher exemplar. E nasci no Brasil. Aqui é uma democracia”, diz.

“Se eu tivesse nascido no Líbano [como seus antepassados], eu poderia estar sendo torturado, executado, sem chance de defesa. Aqui meus advogados vão conseguir provar que sou inocente.”

Ele é defendido pela equipe dos escritórios de Ricardo Tosto e de Antonio Carlos de Almeida Castro.

Eles pedem no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que Maluf cumpra prisão domiciliar até o julgamento de habeas corpus que apresentaram ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O ex-prefeito cita um professor de direito que dizia aos alunos: “Vocês precisam ter sobriedade para condenar e coragem para absolver”.

“Mas parece que agora muitos têm medo de absolver”, segue.

 

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Não que ele seja inocente, mas acho uma covardia o que estão fazendo com ele. Cadê Jucá? Calheiros? e outra dezena de ladrões e corruptos que estao soltos e outros em prisão domiciliar? Porque Maluf nao está em casa?

  2. É impressionante como todos esses bandidos se dizem inocentes. Bandido nesse cabaré é o cidadão de bem.

  3. Lula, Henrique, Aecio, Eduardo Cunha, tambem se dizem inocentes… Mas os petistas so acham que lula é "inocente", mesmo que a condenacao sejam parecidas.

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Economia

Tesouro Nacional: RN tem o menor percentual de investimento do Nordeste

Foto: Sergio Henrique Santos

O Rio Grande do Norte destinou apenas 5% da receita total a investimentos no primeiro semestre de 2026, o menor percentual entre os estados do Nordeste, segundo dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) em Foco, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O resultado ocorre em meio ao elevado comprometimento da receita estadual com despesas de pessoal e Previdência.

O percentual destinado a investimentos coloca o RN na última posição entre os nove estados nordestinos. O Piauí aparece no outro extremo, com 16% da receita destinada a investimentos. Maranhão e Sergipe registraram 12% e 10%, respectivamente, enquanto Bahia e Ceará chegaram a 9%. Pernambuco e Paraíba ficaram em 8%, e Alagoas, em 6%. O indicador representa a parcela da receita total destinada às despesas de investimento no período, como obras, aquisição de equipamentos e outras aplicações de capital.

No RN, foram apenas 5% da receita, enquanto a maior parcela dos recursos foi consumida por despesas correntes, aquelas necessárias para manter o funcionamento cotidiano do Estado, como pessoal e custeio.

Apesar do baixo percentual destinado a investimentos, o secretário do Tesouro Estadual, Flávio George Rocha, justifica que houve avanço em relação ao mesmo período de 2025. “Até o terceiro bimestre de 2026, os investimentos do Governo do Estado aumentaram 150% em relação ao mesmo período do ano anterior, graças à redução do comprometimento da receita com pessoal e encargos”, aponta.

As despesas com pessoal representam a maior fatia da receita no RN no primeiro semestre de 2026: 68%, o maior percentual entre os estados brasileiros. O dado inclui os gastos com pessoal do Executivo e dos demais poderes. Na prática, a cada R$ 100 de receita total, R$ 68 são destinados a salários, aposentadorias e encargos sociais.

Mesmo com o resultado, o secretário afirma ainda que houve redução do peso da folha. Em 2025, segundo Rocha, as despesas com pessoal representavam 72% da receita, quatro pontos percentuais acima do registrado neste ano.

Ele considera que a redução ajudou a ampliar o espaço para os investimentos. “Os números precisam ser comparados e analisados na linha do tempo”, defende.

O documento aponta também que 10% da receita total do Estado correspondem a obrigações financeiras pendentes no primeiro semestre de 2026, segundo o relatório. “As obrigações financeiras são quitadas de acordo com o fluxo de caixa do Tesouro, que não segue uma linearidade durante o exercício financeiro”, afirma Flávio Rocha.

Com informações da Tribuna do Norte

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Política

Flávio encontra ministro de Bukele em SP, ignora violações em El Salvador e defende mais prisões: ‘tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais’

Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, se encontrou neste domingo (30) com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo do polêmico Nayib Bukele, de El Salvador.

Na saído do encontro ocorrido em um hotel no Centro da capital paulista, Flávio fez elogios às políticas de Segurança e disse que o governo dele foi responsável por “implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo deles.

O candidato do PL defendeu mais prisões no Brasil, apesar da população carcerária brasileira já ser de quase 1 milhão de pessoas.

“Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Por isso que nós vamos criar mais de meio milhão de vagas em presídios para que ladrão celular e comércio tenha no mínimo oito anos de cadeia e fique preso”, afirmou.

Sem citar o regime de exceção permanente de El Salvador, onde garantias constitucionais da população foram suprimidas pelo governo Bukele, após aprovação de projeto de sua equipe no Congresso salvadorenho, Flávio Bolsonaro defendeu que o PL e seus aliados façam mais cadeiras na Cãmara dos Deputados e no Senado para aprovar mudanças semelhantes na lei brasileira.

“Foi uma reunião que nos inspira bastante para que possamos implementar um plano muito eficaz, firme, para defender os cidadãos, para defender as vítimas, e não os bandidos, como faz o atual governo. (…) Ele [Gustavo Villatoro] destacou a importância de termos senadores e deputados alinhados com o presidente da República, para que possam fazer as alterações legais que são necessárias”, declarou.

g1

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Polícia

[VÍDEO] Após agressões contra a esposa, Pedro Gadelha é detido na Lagoa do Bonfim

Imagem: Reprodução

Novos vídeos obtidos pelo Blog de Gustavo Negreiros mostram momentos após a agressão envolvendo Pedro Câmara Gurgel Gadelha e a esposa, na região da Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, na noite desse sábado (29).

Nas imagens, registradas logo após o episódio, é possível acompanhar a movimentação no local e a reação de pessoas que presenciaram a situação.

Segundo informações divulgadas anteriormente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada e realizou a prisão em flagrante. O caso foi registrado como lesão corporal contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, com aplicação da Lei Maria da Penha.

O episódio ganhou repercussão após relatos de que não seria a primeira ocorrência de violência envolvendo o casal. Segundo publicação anterior do blog, Pedro Gadelha já teria respondido a outras ações relacionadas à violência doméstica.

As novas imagens ajudam a dimensionar a movimentação registrada no local após a agressão. O caso segue sob apuração das autoridades.

LEIA TAMBÉM

Boletim de Ocorrência aponta denúncia de agressão de empresário à esposa na Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta

Com informações do Blog Gustavo Negreiros

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Geral

GUERRA ELEITORAL: Raquel Lyra registra BO por cartazes que a acusam de “matar o marido” para ganhar eleição; João Campos cobra investigação

Fotos: Reprodução/Redes Sociais

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) registrou um boletim de ocorrência neste domingo (30) após cartazes com ataques pessoais e acusações contra ela sobre morte do marido, Fernando Lucena, serem espalhados pelo Recife. No boletim, Lyra diz que os cartazes a associam de “forma odiosa à morte do marido”. O adversário dela na disputa, João Campos (PSB), repudiou o material apócrifo e cobrou investigação para identificar os responsáveis.

Uma das peças afirma que a governadora teria “matado o marido para ganhar a eleição”. Lucena morreu em 2 de outubro de 2022, após sofrer um infarto, no dia do primeiro turno das eleições estaduais.

Os ataques à Raquel ocorreram um dia após o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinar a retirada de publicações das redes sociais que apresentavam como comprovada a existência de um suposto “gabinete do ódio” no governo dela.

A decisão apontou que não havia comprovação de uma estrutura destinada a atacar João Campos. A liminar determinou a remoção dos conteúdos em até 24 horas, sob multa diária de R$ 15 mil, além de ordenar que o Instagram forneça dados que possam ajudar a identificar os responsáveis pelos perfis envolvidos.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Raquel classificou os ataques como “ódio” e pediu respeito à família. “Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, afirmou.

João Campos, principal adversário de Raquel na disputa pelo governo de Pernambuco, também condenou os panfletos e negou qualquer relação com o material. “Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo”, declarou. Campos também disse que qualquer tentativa de atribuir os ataques feitos à Raquel à sua campanha será levada à Justiça e lembrou a perda do pai, comparando com a situação vivida por Raquel.

“Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, afirmou. Campos disse ainda que pretende acionar a Justiça para descobrir quem produziu, financiou e distribuiu o material e pediu que os responsáveis sejam punidos.

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Geral

Com acesso à Série C já garantido, ABC empata com o Uberlândia e fica fora da final da Série D

Foto: Reprodução/ABCFC

Já garantido na Série C 2027, o ABC lutava por uma vaga na final da Série D contra o Uberlândia neste domingo (30), na Arenas das Dunas, mas ficou no empate em 1 a 1, após ser derrotado por 1 a 0 no jogo de ida em Minas Gerais.

O Mais Querido abriu o placar com Jhosefer aos 13 minutos do segundo tempo, mas sofreu o empate em um chute de fora da área de Tomas Bastos que contou com a falha do goleiro alvinegro Matheus Alves, as 30 minutos da segunda etapa. Com o resultado, o ABC encerra a participação na Série D 2026.

A final será entre Uberlândia/MG e ASA de Arapiraca/AL.

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Geral

[VÍDEO] DEU TRETA: Comissões técnicas de ABC e Uberlândia se envolvem em confusão na Arena das Dunas

Vídeo: Reprodução/FutMetas/Instagram

Integrantes das comissões técnicas de ABC e Uberlândia se envolveram em uma confusão nas escadas que dão acesso à zona mista e vestiários da Arena das Dunas, em da partida válida pelas semifinais da Série D do Campeonato Brasileiro neste domingo (30). Gritaria, socos, empurrões e chutes aconteceram entre os membros dos dois clubes até que os ânimos foram acalmados.

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Geral

Toffoli adia julgamento de registro de candidatura de Renan Santos após apontar possíveis “ilicitudes”

Foto: CNN Brasil

O ministro Dias Toffoli, do TSE e do STF, retirou de pauta o julgamento do registro da candidatura de Renan Santos (Missão) à Presidência da República, que começaria nesta segunda-feira (31).

Toffoli apontou possíveis “ilicitudes” relacionadas aos perfis de redes sociais informados por Renan e pelo candidato a vice, Aroldo Medina. Após o registro da chapa, os candidatos apresentaram 18 novos perfis que não haviam sido declarados inicialmente.

Pela Lei das Eleições, todos os perfis já existentes devem ser informados à Justiça Eleitoral. Além disso, contas preexistentes incluídas posteriormente só podem ser usadas na campanha 48 horas após a comunicação ao TSE.

O ministro deverá marcar uma nova data para analisar o registro, após verificar se algum dos perfis foi utilizado para propaganda eleitoral antes do prazo permitido.

Os julgamentos dos registros de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) estão mantidos para começar nesta segunda-feira, em sessão virtual do TSE. A análise deve ser concluída até 2 de setembro.

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Geral

Em carta aberta, Sinduscon-RN alerta para impactos e pede cautela ao Senado antes de votar fim da escala 6×1

Sérgio Azevedo, presidente do Sinduscon-RN | Foto: reprodução

O presidente do Sindicato da Indústria da Constrção Civil do RN (Sinduscon-RN) e vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Sérgio Henrique Andrade de Azevedo, encaminhou uma carta aberta aos senadores da República pedindo cautela na discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

Azevedo alerta para possíveis impactos sobre renda, empregos, custos das empresas, produtividade e setores com jornadas específicas, como a construção civil.

Alguém perguntou a esses trabalhadores o que eles preferem?”, questiona o presidente do Sinduscon-RN, que também defende a negociação coletiva e um debate mais amplo sobre produtividade antes da redução da jornada.

Leia a íntegra abaixo:

Natal/RN, 28 de agosto de 2026.

CARTA ABERTA AOS SENADORES DA REPÚBLICA

Antes de decidir pelo trabalhador, é preciso ouvi-lo.

Senhor Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Senadores do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho, Styvenson Valentim e Zenaide Maia,

Senhora e Senhores Senadores,

A discussão sobre melhores condições de trabalho e qualidade de vida é legítima e necessária. Mas uma alteração constitucional com tamanho impacto sobre trabalhadores, empresas, emprego, produtividade e renda não pode ser decidida sem uma análise profunda de suas consequências.

A proposta de redução da jornada e alteração da escala de trabalho parte de uma intenção que pode parecer simples. Como advertiu H. L. Mencken, para todo problema complexo há sempre uma solução simples, plausível — e completamente errada.

A realidade brasileira não é simples. Comércio, indústria, construção, saúde, turismo, infraestrutura, energia, agronegócio e serviços possuem características completamente diferentes.

Não é razoável imaginar que uma mesma solução seja adequada a todas essas realidades.

Na construção pesada e nas grandes obras de infraestrutura, milhares de trabalhadores permanecem mobilizados longe de suas cidades e de suas famílias por semanas ou meses.

Alguém perguntou a esses trabalhadores o que eles preferem?

Para muitos deles, pode fazer muito mais sentido trabalhar mais durante o período em que estão mobilizados, aumentar sua renda e concentrar o descanso para quando puderem efetivamente retornar para casa. Qual é o benefício de impor mais tempo ocioso a quem está a milhares de quilômetros da própria família?

Há ainda outra questão que precisa ser enfrentada com transparência: manter o salário-base não significa necessariamente manter a renda total do trabalhador. Em muitas atividades, menos horas trabalhadas tendem a implicar menor remuneração, porque reduzem a produção e, com ela, as parcelas variáveis, os prêmios e outras oportunidades legítimas de ganho.

Quem calculou esse impacto sobre a renda efetivamente levada para casa, sobre o custo das empresas e sobre a capacidade de contratação? Na construção civil, aumentos relevantes no custo do trabalho impactam o custo das obras, da infraestrutura e da habitação.

No final, alguém paga essa conta.

Pode ser a empresa, reduzindo investimentos e contratações. Pode ser o consumidor, pagando mais caro. Pode ser o trabalhador, perdendo renda ou oportunidades. E pode ser toda a sociedade, com menor produtividade, mais informalidade e menor crescimento econômico.

Queremos melhorar a vida de quem trabalha. Mas precisamos fazer isso aumentando produtividade, qualificação, renda e oportunidades, e não simplesmente reduzindo, por determinação constitucional, o número de horas disponíveis para produzir.

Por isso, fazemos um apelo ao Senado Federal:

Decisões constitucionais desta magnitude não deveriam ser tomadas em janelas curtas de calendário legislativo.

Não votem uma mudança dessa dimensão de forma apressada.

Ouçam os trabalhadores e ouçam quem emprega.

Avaliem os impactos econômicos e sociais e as particularidades de cada atividade.

Preservem e valorizem a negociação coletiva.

Antes de discutir redução da jornada de trabalho, o Brasil precisa enfrentar a questão que há anos limita nosso desenvolvimento: a baixa produtividade.

Países não se tornam mais produtivos porque trabalham menos. Tornam-se capazes de trabalhar menos porque se tornaram mais produtivos. Essa ordem importa.

Não podemos escolher apenas a parte agradável da equação e ignorar quem pagará a conta.

Senadores, essa decisão terá consequências por décadas. Façam o debate que a importância do tema exige.

Antes de decidir pelo trabalhador, ouçam o trabalhador.

Antes de aumentar o custo de contratar, ouçam quem gera emprego.

Antes de reduzir a jornada, discutam como aumentar a produtividade.

E, antes de mudar a Constituição, avaliem as consequências para o Brasil.

Atenciosamente,

Sérgio Henrique Andrade de Azevedo
Presidente do Sinduscon RN
Vice-Presidente CBIC

Opinião dos leitores

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Geral

PESQUISA VIA CERTA/PERFIL / PARNAMIRIM /SENADO: Styvenson lidera com 17,21%, seguido por Zenaide com 8,43%

O candidato Styvenson Valentim (Podemos) lidera a disputa pelo Senado entre os eleitores de Parnamirim, na pesquisa do Instituto Perfil, realizada em parceria com o Via Certa Natal, considerando a soma das intenções de voto para a primeira e a segunda vaga.

Na soma dos dois votos, Styvenson aparece com 17,21%. Em seguida, vêm Zenaide Maia (PSD), com 8,43%, Coronel Hélio (PL), com 6,79%, Samanda de Lula (PT), com 6,29% e Rafael Motta (PDT), com 6,14%.

Já Sandro Pimentel (PSOL) soma 1,51%, Sonia Godeiro (PSOL) tem 1,21% e Rosália Fernandes (PSTU) aparece com 1,14%.

Professor Guilherme (UP) vem em seguida, com 0,93%, seguido de Tércio Tinôco (União Brasil), com 0,57%, Gari Wendell Batista (AGIR), com 0,29%, Luciana Mandu (PSTU), com 0,29% e Linhares Jiboia (DC), com 0.21%. Os indecisos somam 30,28%, enquanto o branco/nulo é de 18,71%.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-07989/2026 e no TRE-RN sob o número RN-06953/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026, em Parnamirim, com 700 eleitores.
A margem de erro é de 3,70 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi realizada pelo Via Certa/Instituto Perfil.

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Geral

PESQUISA VIA CERTA/PERFIL / PARNAMIRIM /DEPUTADO(A) FEDERAL: Thabatta Pimenta, Natália Bonavides, Nina Souza e Carla Dickson são as mais citadas

No cenário espontâneo para deputado federal, em que o eleitor pode citar qualquer nome ou expressão, Thabatta Pimenta aparece na liderança entre os eleitores de Parnamirim, segundo o levantamento do Instituto Perfil em parceria com o Via Certa Natal.

Thabatta lidera com 2,86%. Na sequência dos mais citados vêm Natália Bonavides, Nina Souza e Carla Dickson, empatadas em segundo lugar com 1,43%, Sargento Gonçalves (1,29%), Robinson Faria (1,14%), General Girão (1,00%), João Maia (0,86%), Juninho Saia Rodada (0,57%).

Completando a lista dos mais citados aparecem Benes Leocádio, Gabriel Nunes e Dr. Bernardo, os três empatados com 0,43%. Os indecisos são a grande maioria, com 78,14%, enquanto o branco/nulo soma 6,43%.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-07989/2026 e no TRE-RN sob o número RN-06953/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026, em Parnamirim, com 700 eleitores. A margem de erro é de 3,70 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi realizada pelo Via Certa/Instituto Perfil.

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