O Almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde é “muito desorganizado, bagunçado, uma verdadeira zorra total"

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“Aquilo lá está um desordem, não há controle nem muito menos uma administração”. O comentário do delegado Júlio Rocha, titular da Especializada de Investigação de Crimes Contra a Ordem Tributária (Deicot) é a forma como ele descreve a situação do Departamento de Logística e suporte imediato (DLS) – almoxarifado – da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Segundo ele, a situação de abandono é confirmada pelos funcionários ouvidos durante as diligências do inquérito policial que investiga o abandono de medicamentos oriundos da SMS em uma caçamba de lixo, na Cidade da Esperança, e encontrados na semana passada.

Os depoimentos registrados durante a investigação são a parte mais surpreendente. “O DLS é muito desorganizado, bagunçado, uma verdadeira zorra total, pois na verdade há um descaso, cinco pessoas já passaram pelo cargo de administrador nos últimos dois anos, inclusive nenhum deles conseguiu organizar e comandar o setor”, declarou o farmacêutico Cícero Marques, que assinou a nota de recebimento do Provive 1%.

Ao todo, o inquérito já ouviu quatro pessoas envolvidas no caso: o responsável pelo DLS, Magnus Carvalho, o farmacêutico que assinou o recebimento dos medicamentos, além do responsável pela entrega e um auxiliar de serviços gerais.

As diligências a cerca do Provive 1% (propofol) já foram concluídas, mas o caso da Insunorm R (insulina) ainda está sendo investigado. “Já temos a informação da Unicat que o medicamento partiu de lá, mas ainda não temos os dados do recebimento”, explica o Júlio Rocha.

Segundo o delegado, o anestésico Provive 1% foi recebido pelo DLS no dia 1º de agosto, às 11h40, vindo do Nuplan, “O motorista que entregou o medicamento afirmou que deixou as caixas em um tabuleiro fora da refrigeração e disse ainda que o farmacêutico assinou a nota, mas não desceu porque, segundo ele, estava ocupado. O resultado é que o medicamento ficou exposto até às 15h40, quando um ASG encontrou as caixas sem identificação e colocou na freezer”, informou.

Ao todo, o Nuplan enviou 2.400 ampolas para serem armazenadas pela SMS. “Desse total, 2.350 continuam armazenadas no almoxarifado, 30 foram entregues regularmente a Maternidade Leide Moraes, enquanto 20 simplesmente sumiram do estoque”, registra.

O responsável pelo almoxarifado da SMS, Magnus Carvalho, confessou durante a investigação que não possuía um controle eficiente sobre o funcionamento do prédio e do material ali alojado.

Para o delegado, as ampolas desaparecidas podem ser as mesmas encontradas na Cidade da Esperança. Contudo, ele afirma que “não tem como simplesmente olhar pelo código de barra, já que é o mesmo. “Ainda estamos supondo”, comentou.

A investigação aguarda agora as informações relativas ao Insunorm R (insulina) para que o inquérito seja concluído.