Por Josias de Souza
Reunida em São Paulo nesta quinta-feira (10), a Executiva do PT aprovou uma “resolução em defesa da Petrobras”. No texto, o partido tenta reeditar uma tática de eleições anteriores. Apresenta-se como defensor histórico da estatal e insinua que o PSDB deseja privatizá-la.
A nota do PT pode ser lida aqui. Num trecho, diz o seguinte: “A ofensiva da oposição, que se voltou contra o sistema de partilha e contra o pré-sal, tem um único objetivo: fazer prevalecer interesses privados numa empresa que é, acima de tudo, patrimônio do povo brasileiro. O PT assume a defesa incondicional da Petrobrás e adverte: quem agride a Petrobrás, agride o Brasil.”
A reunião da Executiva foi comandada pelo presidente do PT, Rui Falcão. O mesmo Rui Falcão que, no mês passado, falou de estatais num café da manhã com jornalistas. Ardia no noticiário a crise do Planalto com o PMDB. O partido do vice-presidente Michel Temer exigia de Dilma um sexto ministério. E Falcão: “Não vamos ceder um novo ministério para o PMDB. Agora, concessão para discutir projeto de lei, espaço em estatal, para isso estamos abertos à negociação.”
Foi graças a essa abertura do PT para “discutir espaço em estatal” que Paulo Roberto Costa virou diretor de Abastecimento da Petrobras. Indicado pelo PP do mensaleiro morto José Janene, ele caiu nas graças de Lula e passou a atender aos interesses de um condomínio partidário que incluía o PT e o PMDB.
Hoje, Paulo Roberto está preso em Curitiba. A Polícia Federal investiga-o num esquema de lavagem de dinheiro. Outro ex-diretor recém-demitido da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, Nestor Cerveró também era sustentado no cargo por um duopólio partidário. Indicado pelo PT do senador Delcídio Amaral, fora absorvido pelo PMDB do também senador Renan Calheiros.
Em abril de 2012, dois meses depois de assumir a presidência da Petrobras, a companheira Graça Foster afastara três diretores com vínculos partidários: o próprio Paulo Roberto Costa (Abastecimento); Renato Duque (Serviços), vinculado ao PT; e Jorge Zelada (Internacional), apadrinhado pelo PMDB. Ficou nisso.
Graça não teve forças para substituir na Transpetro, braço naval da Petrobras, o ex-parlamentar cearense Sérgio Machado, alçado ao posto, em 2003, por indicação de Renan Calheiros.
Ou seja: considerando-se os fatos, pode-se dizer que o PT é capaz de fazer muitas coisas com a Petrobras, menos protegê-la. Hoje, o problema da empresa não é o risco de privatização. Isso já aconteceu. O que se pergunta agora é: quando a ex-estatal será reestatizada?
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