Estudos apontam há décadas que o problema da erosão na costa potiguar é sério e só tende a piorar. Além de Ponta Negra – que recebe projeto de enrocamento para contenção e proteção do calçadão, afetado pela força das águas, nos últimos anos, outras 16 praias do litoral têm situação crítica. Foi visitado algumas dessas praias e mostra o cenário de destruição e as tentativas frustadas de impedir o avanço das águas. Especialistas afirmam que os processos erosivos afetam mais de 60% das praias potiguares e causam, além de tristeza e frustração, prejuízos econômicos aos moradores que assistem suas casas serem levadas pelas águas do mar. Em Ponta Negra, o mar avança, em média, até 1,8 metros por ano. Mas na Ponta do Tubarão, em Macau, esse avanço chega até 50 metros por ano.
Estudos recentes mostram que dos anos 70 até 2012, o avanço relativo do nível médio do mar de Ponta Negra avançou uma média de até 1,8 metros por ano. O comportamento do oceano é fácil de se perceber. Basta dar um passeio no calçadão de uma das praias mais famosas da cidade para se deparar com obras promovidas pela Prefeitura com o objetivo de conter as ondas. O problema não é exclusividade de Ponta Negra. Estudos recentes mostram que o avanço do mar pode ser percebido nos 17 estados banhados pelo Oceano Atlântico, no Brasil. No Estado, o mesmo pode ser visto em outras 16 praias, principalmente, mais ao norte, como em Muriu, pertencente ao município de Ceará mirim, Barra de Maxaranguape e, no extremo norte, Macau.
A costa potiguar é dividida em dois setores pelos cientistas. A faixa de terra limitada a leste pelo Cabo Calcanhar, município de Touros, e a oeste pela praia de Tibau, município de Tibau – divisa entre os estrados do RN e Ceará – é nominada pelos cientistas de litoral setentrional. A extensão de terra limitada ao sul pela praia do Sagi, município de Baía Formosa – divisa do RN com Paraíba – e ao norte pelo Cabo Calcanhar, município de Touros, é denominada litoral oriental.
“Existem medições recentes na praia da Ponta Negra que indicam recessão da linha de praia, que é o avanço relativo do nível médio do mar, entre 20 e 40 metros entre a década de 70 e o ano de 2012, algo entre 1,5 a 1,8 metros ao ano”, explicou o geólogo Venerando Eustáquio Amaro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), especialista quando o assunto é erosão marinha.
Numa tentativa de conter o avanço sobre o calçadão e a Avenida Erivan França, em Ponta Negra a Prefeitura promove o enrocamento da praia, já praticamente finalizado. O geólogo Venerando Amaro, que liderou a equipe técnica que fez o estudo antes do serviço em questão, acredita que essa não é a opção mais indicada. Para o estudioso, a melhor alternativa seria o processo de engordamento da praia, que consiste em retirar areia do fundo do mar e depositar na própria praia.
Ele afirma que tudo o que for feito na tentativa de parar o mar é uma medida paliativa, visto que o as águas marinhas sempre avançam. “O mar avança naturalmente, é cíclico. Alguns setores observamos uma avanço de alguns metros, e em outros verifica-se até 20 metros. Depende da região”, afirmou Amaro.
Um estudo do Ministério do Meio Ambiente, datado de 2011, indica que registros atuais de erosão costeira estão presentes em muitos trechos do litoral potiguar, “com origem atribuída principalmente ao reduzido aporte fluvial de sedimentos, decorrentes das pequenas dimensões das bacias fluviais regionais, e a perda de sedimentos para o continente, com a formação dos campos dunares”.
O mesmo estudo, no qual o professor Venerando Amaro colaborou, indica que as causas e fatores da erosão costeira – avanço do mar – no RN estariam relacionadas desde à dinâmica da extensão costeira, à construção humana de estruturas muito próximas à praia, como o registrado em Ponta Negra, ou mesmo mudanças de placas tectônicas próximas da costa.
Ainda de acordo o geólogo da UFRN, em Macau também é possível perceber as mudanças no litoral, mas não afeta diretamente a população local. “Em algumas ilhas arenosas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, setor que tem se mostrado talvez o mais dinâmico na costa do RN, a recessão da linha de costa pode chegar a 40 ou 50 metros por ano, observado nas ilhas barreiras desabitadas que protegem as localidades de Diogo Lopes e Barreiras, no município de Macau, das ações de mar aberto”, relata Venerando.
Os bancos de areia foram reduzidos em até 180 metros com o avanço do mar. Em menos de 10 anos, o mar já invadiu quase 200 metros na praia da Soledade, também em Macau.
Por Felipe Galdino – Tribuna do Norte

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