Petista acha que Dilma exagerou na dose em demitir no Ministério dos Transportes

Josias de Souza

Compelido demitir-se da diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Caron acha que a guilhotina de Dilma Rousseff está desregulada.

Guindado ao posto em 2004, sob Lula, Caron escalou o monturo do Ministério dos Transportes na condição de 16a cabeça.

Em entrevista, avaliou que a lâmina desceu além do necessário:

“Eu acho que não precisava [sair tanta gente]. E trago testemunho dos funcionários do departamento.”

Como que a eximir-se de eventuais irregularidades, Caron declarou: “Um diretor decide muito pouco individualmente dentro de um processo.”

Se é assim, poderia arguir o contribuinte, responsável pelo custeio da bilheteria, para que nomear diretores? Ou ainda: Dnit para quê?

Apadrinhado pela bancada do PT gaúcho, ao qual é filiado, Caron disse que a decisão de se afastar foi “totalmente pessoal e voluntária“. Lorota.

Até a tarde da véspera, o agora ex-diretor buscava oxigênio. Dilma asfixiou-o ao vetar a presença dele em reunião no Planalto.

No início da crise, Caron foi tratado pela turma do PR como “espião” de Dilma nos Transportes. Os “espionados” converteram-no em alvo.

Submetido ao incontornável, não restou a Caron senão a resignação: “O governo já expressou publicamente a intenção de reformular a área de transportes…”

“…E eu resolvi solicitar a exoneração, no sentido de colaborar para que esse espaço fique disponível para a reformulação…”

“…Se é esse o desejo do governo, eu não vou ser impedimento para isso.”

Numa tentativa de se dissociar do lixo, Caron disse que sua saída não tem nada a ver com a roubalheira epidêmica:

“Até porque não tem nenhuma denúncia relativa à minha área que tenha comprovação…” disse ele.

“…Pelo contrário, todos os relatórios que temos dos últimos anos, inclusive da CGU, mostram avanços na melhoria dos procedimentos e da gestão do Dnit.”

Irregularidades? As obras são tantas, que pode existir, admite Caron. Menos do que no passado, ele pondera.

Os pêérres saboreiam o infortúnio de Caron. Eis o que disse ao repórter um líder da legenda de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto:

“Se o Caron está limpo, nosso pessoal também está. A gestão do Dnit sempre foi comportatilhada. Os aditivos contratuais passavam pela mesa de Caron.”