PRESTEM ATENÇÃO: Senado encampa projeto de Toffoli que suspende aluguéis e devoluções de mercadorias na crise do coronavírus

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, preparou um projeto de lei encampado pelo Senado para suspender desde o pagamento de aluguéis até a devolução de mercadorias adquiridas pela internet durante a pandemia do coronavírus.

O projeto foi apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG) nesta terça-feira (31), terá relatoria de Simone Tebet (MDB-MS) e existe consenso para que seja aprovado nas duas Casas até a próxima semana em regime de urgência.

A ideia, segundo assessores de Toffoli, é organizar as relações privadas definidas em contratos que, na crise, precisam ser alteradas ou até interrompidas temporariamente sem que isso gere ações judiciais. Somente ficam fora os casos de empresas em recuperação judicial e os serviços regulados (como água e energia).

Essa espécie de “pausa legal” foi definida de 20 de março (quando teve início o confinamento) até 20 de outubro, tempo previsto para que a crise tenha se dissipado. Após esse prazo, todas as regras suspensas voltam à vigência normalmente.

Pelo projeto, inquilinos que tiverem redução de jornada ou redução salarial, poderão negociar com o proprietário do imóvel a suspensão total ou parcial do pagamento do aluguel até o final de outubro —prazo máximo da vigência dessa nova lei.

O saldo devedor será parcelado em cinco vezes e cada parcela (equivalente a 20% da dívida) incorporada ao aluguel a partir de novembro até a quitação, em março de 2021.

Nesse período, ações de despejo não poderão movidas. A desocupação de imóveis alugados só poderá ser feita se o proprietário precisar do local como moradia.

Os síndicos poderão proibir festas e reuniões, fechar áreas do condomínio e vetar até o uso de vagas por visitantes. Poderá, no entanto, ser destituído se não prestar contas.

Arrendamentos agrários também terão seus prazos de renovação ou cancelamento flexibilizados nesse período. E a proibição para que estrangeiros façam esse tipo de negócio ficará suspensa.

“O ministro Toffoli preparou esse projeto com uma equipe dos mais gabaritados professores e juristas do país. Encampamos porque entendemos ser uma forma de evitar a judicialização nesse momento em que as pessoas precisam ficar em isolamento”, disse Anastasia à Folha. “Também barra uma série de projetos mais específicos nessa linha que tramitam tanto no Senado quanto na Câmara.”

Sem a colaboração de representantes do Executivo, “que não se interessaram” segundo colaboradores de Toffoli, essa iniciativa representa mais um sinal da união de forças entre Legislativo e Judiciário diante de um governo desgastado no combate ao conoravírus.

Ao mesmo tempo em que pausa ações judiciais, o projeto flexibiliza o arcabouço jurídico de forma tão ampla que faz projetos de lei específicos (como os que tratam da relação entre correntista e banco) perderem o objeto.

Para o Congresso, isso é bom porque libera a pauta para assuntos mais urgentes no combate ao vírus.

O projeto também modifica a rotina das empresas. Reuniões e assembleias poderão ser feitas à distância por videoconferência e os votos de diretoria enviados por e-mail. No caso das companhias abertas, caberá à CVM (Comissão de Valores Imobiliários) regulamentar esses procedimentos.

Também será permitido que empresas possam distribuir lucros e dividendos vencidos neste ano mesmo que isso não esteja previsto no estatuto da companhia.

O texto suspende até regras do Código de Defesa do Consumidor. Compras feitas pela internet, por exemplo, só poderão ser devolvidas a partir do final de outubro devido às dificuldades de logísticas no país.

Caminhões poderão trafegar pelas rodovias com excesso de carga, desde que isso não comprometa a segurança. Anteriormente, a infração era punida com multa.

A flexibilização levou em conta as restrições de circulação impostas em muitos locais por meio decretos municipais ou até estaduais.

Infrações concorrenciais, como o uso de logística da concorrência ou sinergias entre empresas, não serão punidas. Mesmo irregularidades passíveis de penalidades serão analisadas sob a óptica da pandemia.

Lei de Proteção de Dados ganhou sobrevida de 18 meses para que o governo possa, depois de superada a crise, montar a agência que será responsável pela regulação desse segmento.

Nos processos familiares de sucessão, partilha e inventário, os prazos serão congelados. O atraso no pagamento de pensão alimentícia resultará em prisão domiciliar.

Para Toffoli, a inspiração desse projeto foi a Lei de Faillot que, em 1918, já no final da Primeira Guerra Mundial, foi apresentada pelo deputado que lhe deu nome e criou regras excepcionais abrindo caminho para o que se chamou de “teoria da imprevisão” no Direito francês.

Na exposição de motivos, o senador Anastasia aponta que “tanto o Código Civil quanto o Código de Defesa do Consumidor possuem regras adequadas para resolver ou revisar contratos por imprevisão, no primeiro caso, e onerosidade excessiva, no segundo. É preciso agora conter os excessos em nome da ocorrência do caso fortuito e da força maior.”

Para redigir o projeto, Toffoli contou com o apoio de diversos professores de Direito da USP, PUC-SP, da UFPR e da UFSC. Na coordenação técnica, o time contou com o ministro do STJ Antonio Carlos Ferreira e do Conselheiro Nacional do Ministério Público e professor da USP Otavio Luiz Rodrigues Jr.

“O objetivo é garantir segurança jurídica em um tempo de incertezas. Concede proteção a locatários, evita prescrição, e prestigia soluções legislativas para problemas judiciais”, disse Rodrigues Jr.

FOLHAPRESS

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pedro Dantas de Freitas disse:

    Os aposentados que tem imóveis alugados p complementar a renda familiar, como continuarão a pagar o colégio e a pensão alimentícia dos filhos???

    Tá na hora da própria imprensa começar a levantar estes questionamentos, pois não temos voz.

    Será q nosso único alívio será a ‘prisão domiciliar’ qdo não mais conseguirmos pagar a pensão??

  2. Anônimo disse:

    Ninguém fala do Fundão Eleitoral e de baixar os seus salários e regalias, tem ceder também esses políticos e principalmente o judiciário que ganham salários altos?
    Fica a dica

  3. nasto disse:

    Deviam começar a tirar as regalias dos políticos , ajuda p/ paletó, moradia , passagens de ida e volta para seus estados, carro etc; Depois que não houver mais regalias para os grandes , aí sim mexam com os pequenos. No Brasil o PAU só quebra nas costas dos mais fracos. Cadê a redução dos salários dos três poderes ? Falaram baixinho e já não falam mais.

  4. João Maria disse:

    Sobre baixar o sálario deles não falaram nada. Agora fazer graças com o chapéu alheio?

  5. Luis Vieira disse:

    Não li nada sobre as a diminuição ou suspensão das mensalidades escolares,!! Mesmo com algumas escolas mantendo parte do ensino por EAD, o valor tem quer revisto! Afinal de contas, todos serão penalizados de uma forma ou de outra, não sendo justo que as instituições de ensino mantenham suas receitas íntegras e tendo os seus custos diminuídos!!!

  6. Arnaldo disse:

    Alguém tem que tomar alguma atitude mesmo, não temos nem noção do estrago na economia, nem o Brasil vai suportar, pois a arrecadação vai reduzir drasticamente , as prefeituras que tem o ISS maior volume do transporte urbano…se preparem para o caos , estamos só no início, salvem-se quem poder…!

  7. Dr. Veneno disse:

    Medida voltada aos mais necessitados, num visão extremamente socialista, tal qual fora a escola desse sujeito.
    E os locadores, como vai pagar suas contas?
    E o próprio boleto de condomínio, como será pago sem se receber o aluguel?
    E a parcela do IPTU, como será paga no inadimplemento do aluguel?
    Esse povo só olha pro próprio umbigo, como diria meu pai.

  8. Delano disse:

    Parabéns, próximo passo é entregar o documento do imóvel ao locatário. Agora as mordomias, cargos comissionados, cartões corporativos, viagens aéreas grátis, carros de representação.. super salários ninguém mexe. Tá bom de mais júnior!

  9. Luciano Morais disse:

    Ou seja , mais uma vez a sociedade têm que pagar o preço !!! As regalias como compra de vinhos com rótulo de nobreza , acompanhado de lagostas continuará ???

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